1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

[L] [renandurst][Crônicas do Despertar: O andarilho]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por renandurst, 10 Abr 2004.

  1. renandurst

    renandurst Usuário

    [renandurst][Crônicas do Despertar: O andarilho]

    Aki vai um ínfimo começo para um projeto que eu tenho em mente. O gênero é uma mistura de sci-fi/suspense/ação/mindfuck :P

    --------------------

    O beco está escuro, e não há ninguém. Uma porta de metal se abre com violência, e uma mulher sai de dentro do prédio, tropeçando e caindo contra o chão empoçado pela forte chuva. Ela se levanta rapidamente, como se não sentisse dor alguma e só lhe coubesse o intuito de correr. Corre muito pelo beco, o desespero manifesto em sua expressão, como se estivesse fugindo de algum perseguidor invisível. A mulher atinge uma rua, menos escura, mas ainda sim sem ninguém por perto, com o mesmo ar úmido de desolação. Ela pára, olha afobada para os lados, como se buscasse algum amparo nas reentrâncias de concreto que avista. Volta a correr, dirigindo-se com incerteza a uma vitrine com néons piscando. Chegando mais próximo, já nota que não há movimento algum, mas ainda sim persiste, batendo veemente no vidro com ambas as palmas das mãos. Ela chora, a aflição escorrendo por sua face, se misturando às gotas da chuva. Vira repentinamente a cabeça para trás e olha para a entrada do beco de onde viera. Há um perseguidor, ele não é invisível e está vindo.

    Ela arregala os olhos em espanto e o seu coração dispara ainda mais, atingindo picos clinicamente perigosos, e repousa a mão direita sobre o peito ao experimentar esta sensação. A adrenalina é descarregada com ainda mais violência em todas os membros de seu corpo e um pavor gelado lhe percorre a espinha. Por um momento, a mulher fica paralisada num estado de hipnose, focando os olhos cintilantes daquela figura que vem em sua direção a passos calmos, num ritmo totalmente diferente do seu. Logo ela desperta do entorpecimento, voltando a ter noção do perigo que corre, e dispara novamente para longe de seu perseguidor. Seu fôlego já não é mais o mesmo de antes; ela cambaleia, sente dores no tórax e nas articulações das pernas. Está ofegante, desesperada, olhando seguidamente para trás e divisando em meio à tempestade aquele vulto ameaçador que parece cada vez mais próximo. Não demora muito para que a mulher perca toda a força nas pernas e desabe no asfalto, esparramando ondas de água suja para todos os lados, como se tivesse se jogado de barriga numa piscina. Molhada e fedendo a lixo, ela se debate na água represada como uma criança se divertindo numa banheira. Tamanho é o seu desespero, pois o que ela mais deseja é sumir dali, ou pelo menos voltar a correr para longe de seu acossador, o qual ela volta a observar hipnoticamente, vindo logo ali, pela rua, implacável. Desta vez ela não pode distinguir aquele olhar apavorante e agradeceria por isso, não estivesse ele se aproximando cada vez mais perto e ameaçador, com um vazio escuro e profundo nas cavidades das órbitas, tão sombrias quanto a sua aparência como um todo.

    A mulher se ergue com a força dos braços apoiados para trás contra o asfalto sujo enquanto atenta cautelosamente em seu inimigo, como se tentasse utilizar a força do olhar para mantê-lo afastado, o que obviamente não surte efeito algum. Ele continua vindo e, apesar de manter sempre o mesmo ritmo, parece se dirigir à sua vítima mais rápido e mais decisivo do que outrora. Ela volta-se de costas para ele novamente e tenta uma última corrida desesperada, aproveitando o máximo possível seu último estoque de energia. De repente, surge uma luz no fim da rua que parece se aproximar aos poucos. O impulso de chegar até aquele sinal a provê de uma força extra, e por um instante ela consegue adquirir um ritmo de corrida considerável, em detrimento de uma privação ainda maior do equilíbrio há muito perdido. A mulher chega a pensar que aquela exaustão não provém só de sua fuga desesperada; parece haver algo lhe extraindo as forças; talvez seja ele, seu perseguidor, que, como um escorpião, aos poucos vai injetando sua peçonha na presa, entorpecendo-a, preparando-a com mais facilidade para o seu cobiçado banquete.

    A mulher cai mais algumas vezes, e aos poucos a luz divide-se em duas aos seus olhos; um automóvel vem vindo, lentamente, é o que parece. Ela começa a gritar por socorro.

    --------------------

    Bem... infelizmente por inkuantu eh isso galera, eh que ainda tenho que desenvolver muuuita coisa na minha cabeça, essa é so minha idéia inicial. Conforme eu for escrevendo mais, eu vou pondo aki, valeu?
     
  2. FendiOrc

    FendiOrc Usuário

    Interessante...

    Poste o resto quando puder. Só tenho uma sugestão: desenvolva mais a idéia de suspense, se eu fosse você eu atentaria um pouco mais ao desespero da mulher, mas está legal sim, boa sorte com o resto!

    FendiOrc
     
  3. Evestar

    Evestar Usuário

    tá muito bom até agora, espero que poste logo o resto :mrgreen:
     
  4. renandurst

    renandurst Usuário

    Aqui vai a segunda parte

    ----------------

    Surge-lhe um fio de esperança, uma luz no fim do túnel escuro de sua agonia, ainda que vacilante. Seu desejo é que o veículo se aproxime o mais rápido que puder, que uma alma generosa venha ao encalço de sua súplica por sobrevivência. Afinal, agora ela pensa, será mesmo a morte o seu destino, uma vez que ela acabe sendo capturada por seu perseguidor?

    Eu sou um mensageiro da ordem, um arauto dos deuses, um símbolo no qual os criadores sustentam sua palavra. É sentenciado que o embrião de um filho do tempo não deverá subsistir neste mundo.

    De repente, vieram lapsos de memória, e acontecimentos afloraram em sua mente, confundindo-a por um breve momento. Ela se lembrava novamente do que ocorrera, algo que lhe pareceu estranho, pois era como se o registro de aquilo tudo houvesse sumido das recentes páginas escritas em sua cabeça e agora retornava subitamente, acompanhado de uma vertigem passageira. Aquela situação de desespero era tamanha para provocar toda aquela reação?

    Ei, amigo, você vai ter que pagar por isso. O que foi? Que porra você está fazendo?!

    Ele mais parecia um lunático, entrando soturno no bar, movendo-se sombrio em meio ao calor humano, ainda que decadente, à imagem dos cidadãos que com freqüência procura um refúgio longe de todas as dificuldades constantes enfrentadas no dia-a-dia; uma situação decadente vivida desde os primórdios da civilização urbana, mas que agora não podia confrontar ou desviar a atenção prestada àquela figura que transformava o ambiente ao seu redor, tornando o ar pesado e a própria sombra apavorante. Aquele era um ser frio e débil, uma representação amorfa da desumanidade em trajes longos, escuros e brutos. Sua presença intimidava qualquer um num raio de alguns metros, porém, naquele momento, seus olhos e seu foco apontavam somente numa direção. Ele se aproximou diretamente da mulher sentada ao balcão. Todos o fitavam.

    Ela olha para trás mais uma vez, enquanto pensa na hipótese de ainda sobreviver a esta noite, de uma maneira ou de outra. Qualquer que lhe seja o destino reservado, agora só a idéia da possibilidade de conseguir escapar da sombra daquela figura já lhe conforta o coração por um breve momento, já que não lhe há tempo para hesitar entre a probabilidade da morte e a esperança da sobrevivência. Então, ela rapidamente volta o olhar na direção de seu salvador. O carro está muito próximo e parece ter aumentado a velocidade, enquanto aos poucos começa a se dirigir para o lado oposto da pista. Não demora muito para sentir que o veículo vai passar distante demais de seu alcance, e talvez nem ela nem ninguém possam ser avistados através do pára-brisa escuro no meio daquela chuva violenta que corta o ar pesado e cinzento de Tóquio. A mulher, já visualizando a ruína de sua última chance e percebendo ainda mais próxima a presença ameaçadora do inimigo, imediatamente pensa em agitar-se com furor na direção do automóvel enquanto ainda mantém um relativo controle sobre seus membros castigados.

    Meu deus, ele está morto! Ele está morto!

    Ela hesita. Aconteceu novamente; seus músculos vão relaxando em desistência enquanto mais outros registros recentes de sua memória passam a incomodar sua mente. Certas lembranças outrora perdidas num espaço escuro agora sublimam, tomando formas bem claras e definidas em seu pensamento. Ela senta lentamente no asfalto sujo e encharcado, relaxada, menos tensa, mesmo que de forma alguma essas lembranças sejam agradáveis; elas vêm acompanhadas por sombras, cobertas por desesperança, que agora lhe toma conta mais rápida e impetuosa do que em qualquer outro momento nesta noite.
    A mulher contempla o seu perseguidor conforme suas forças restantes escorrem pelo corpo em direção ao solo, dissipando-se no esgoto da sarjeta castigada pela chuva. O inimigo aproxima-se cada vez mais lento e logo cessa o seu andar monótono, parando dois metros à frente da vítima. A mulher tem a impressão de ele estar ainda mais alto, mais sombrio, mais altivo; uma altivez diferente, conferida a uma nobreza cruel, porém sem qualquer sinal de arrogância ou desprezo. É um ser nobre, acima de tudo. Fita a mulher com total indiferença, como se sua mente não se ocupasse com seus atos, com as nuanças da situação. É frio de uma forma a só focalizar a vítima, a persegui-la até o fim do mundo, e seus gestos até agora demonstraram isso.
    Ela volta a olhar atenta e hipnoticamente para aqueles olhos cintilantes, que parecem atravessar um véu negro sobre as órbitas. A chuva desce violenta sobre seu crânio liso e desenha formas abruptas na maçã rude e proeminente, contornando os lábios grossos e dirigindo-se para o tórax coberto pelo sobretudo negro de plástico, que resplandece sob a luz fraca do poste na calçada, o que não reduz a presença das sombras que agora envolvem completamente a alma minguante da mulher. Ela fecha os olhos.
     
  5. Evestar

    Evestar Usuário

    nossa tá muito bom :mrgreen: e muito triste :cry:

    ta 10
     
  6. FendiOrc

    FendiOrc Usuário

    Está muito bom, bem melhor que a primeira parte!

    Manda o resto logo!

    FendiOrc
     

Compartilhar