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[L] Noite Feliz.

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Lord Seth, 30 Jun 2005.

  1. Lord Seth

    Lord Seth Banned

    Autor: Lord Seth
    Gênero: Horror

    A ceia de Natal deste ano da família Moura foi especial.

    Estavam presentes as cinco mulheres da família: a Laurinha, a Carla, a Ana, a Bete e a vó Su. Cada uma delas com seus respectivos filhos e filhas, e maridos.

    A Laurinha, com o Caíke, um menino agitado e nervoso. A tiracolo ela trazia o marido Luciano, empresário do ramo de importação e exportação de alimentos.
    A Carla e seu namorado novo, o Raimundinho, trazendo nos braços deste as gêmeas pré-adolescentes Lucia e Luciana.
    A Ana e seus três filhos, o Paulo, o Mathias e a Camila (a mais menorzinha). O marido da Ana, o Francis, chegou com as cervejas.

    A Bete... Bom, a Bete trouxe desculpas, porque sua filha adolescente Tuca estava viajando para a Europa. Mas ela veio com o seu marido Mario, famoso por seu churrasco à milanesa e seus espetinhos de coração na manteiga.

    E, finalmente, a vó Su, uma septuagenária cansada e encurvada pelos anos, com rosto comprido, ornamentado com um nariz decidido. Que, claro, não trouxe filho nenhum e nem marido algum.

    Com todos à mesa, depois de trocados os presentes e alguns abraços quase fingidos, a Bete bateu algumas vezes no copo, chamando a atenção para o discurso:

    — Pessoal! Eu quero agradecer a todos pela sua presença em mais este ano de confraternização. Quero agradecer em especial a nossa querida empregada, a Maria Paula, que praticamente se matou na cozinha...

    Risos.

    — É... Que praticamente se matou na ozinha de tanto trabalhar em nossos pratos. Quero agradecer ao seu Mario, que não está aqui hoje por motivos que todos nós sabemos. E agradeço a vó Su aqui presente por ter-nos dado a receita de seu tempero de cuminho e arruda.

    Palmas para vó Su.

    — Então, neste momento, façamos uma oração (todos abaixam os olhos e unem as mãos) a todos os que não podem compartihar do congraçamento e da união deste momento. Obrigado, senhor meu Deus, pela mesa farta e pela alegria plena. Obrigada!

    E todos em uníssono: "obrigado".

    — Vamos comer! — disse Bete, esfregando as mãos, iniciando o corte do lombo direito do cadáver fervente da Maria Paula, enquanto que as crianças avançavam, famintas e de bocas e garras abertas, em cima de alguns bebês bem temperados e assados ao ponto, com molho rosé.

    Cordialidades foram esquecidas, cerimônias apagadas, e todos trataram de se saciar, atacando os pratos com órgãos cozidos, peles fritas, ossos ensopados, e toda carne que tinha origem humana, disposto hora delicadamente em aranjos coloridos com celofane, arroz e passas, hora em pratos grandes com arros a grega, hora em cozidos fumegantes e vaporosos.

    No frenesi alucinado, roupas foram rasgadas, cabelos desgrenhados, talheres e pratos esquecidos, frutas e verduras (sempre tem um natureba nessas festas) desprezadas, copos quebrados, bebidas esparramadas, coisas e mais coisas quebradas, entortadas ou desbaratadas.

    Caíke mordeu Paulo, que lhe unhou a face, rolando os dois para debaixo da mesa, disputando um ante-braço.
    Luciano botou seu pênis para fora e o enfiou na cabeça de um cadáver, cobrindo-se de molho e tomate amassado.
    Raimundinho arrancou a espinha de Maria Paula (ou do que sobrou dela), e saiu agitando-a sobre a mesa, gritando "Yipi-yaiei, yipy-yaiô", as vezes chupando os ossos da defunta.
    As gêmeas esqueceram a carne tão disputada e faziam um "69" apaixonado e ardente, sobre o tronco de um outrora mendigo, assado no molho de laranja.

    Ana amarrou seus filhos pelo pescoço e os dependurou no lustre, mas sem mata-los, deixando-os serem espancados por qualquer um, inclusive incentivando a serem penetrados com um taco de basebol.
    Seu marido esfregava na testa alguns cacos de vidro, enquanto passava giletes em todos os olhos dos cadáveres, chupando o caldinho quente que escorria.

    A música ambiente (pagode e as vezes Ray Connif) foi abafada pelos gritos agudos, pelos berros, urros, pelo som de ossos esfregados e dentes rilhando.

    A orgia familia de morte e sexo durou a noite toda, só sendo interrompida quando começaram a estourar os fogos de artifício lá na rua.

    Alguém disse:

    — Viva o Brasil! — e todos aplaudiram, se banhando de cerveja, trapos, pedaços de coisas quebradas, guardanapos, espetinhos, confete e sangue.

    Quem nada dizia ou fazia era vó Su, que estava sentada em um sofá, olhando a tudo e a todos com seus olhos cor de mármore.
     
  2. Lord Seth

    Lord Seth Banned

    Este autor gostaria de ressalvar que o Horror é, para mim, mais um estilo de expressão e não a motivação básica de minha vida.
    Não tenho preconceitos com temas e escrevo sobre qualquer coisa...
    Bem, talvez não escrevo fanfic, que eu acho uma forma de sub-arte abjeta. Mas de resto faço de tudo um pouco, e quero pedir às mentes mais sensíveis que eu transito pelos estilos com grande facilidade, sem obrigação de manter-me nele para toda a vida.
     
  3. Aldamar

    Aldamar Creating a shining future...

    Bom, apesar de não sem nem de perto meu estilo preferiso, o texto ficou bem escrito.

    Na classificação deveria ser Horror Gore :)
     
  4. Lord Seth

    Lord Seth Banned

    As vezes a gente precisa conhecer outras coisas.
    Pois até o tema que não gostamos pode ter algum detalhe que está nos passado desapercebido.

    Aparentemente se trata de um texto de Horror, mas sem ser Gore.
    Porque o Gore parte do princípio da "podreira" como objetivo.

    E no meu texto ha mais uma crítica cínica à família, esta instituição tão semelhante a um Reinado.

    O uso de elementos considerados violentos são só um recurso.

    O final foi muito estranho...
     
  5. Skylink

    Skylink Squirrle!

    :lol:

    Certo, eu curti. Tua revisão foi quase perfeita, comeu apenas uma letra no texto inteiro e tal, mas nada que importe muito.

    Eu só achei as personagens um pouco inertes demais, mas pelo jeito esse é o objetivo... uma espécie de crítica à hipocrisia, a visão considerativa dos mais velhos... Uhn, não achei o final tão estranho, achei interessante.

    E bem, em relação a critícas, acho que eu procuraria mostrar onde foi parar o espetinho de coração, apenas. Mas... tu leu Sandman já, não? O marido me lembrou o Coríntio devido à pequena tara por olhos.
     
  6. Lord Seth

    Lord Seth Banned

    Eu raramente reviso o que escrevo.

    Creio que o texto tinha muito de humor.
    Doentio e perturbado, mas ainda assim humor.

    Sei lá, uma velha com olho de mármore olhando todo mundo numa orgia de sexo, sangue e cadáveres, tem alguma coisa que incomoda...

    É que eu gosto de espetinho de coração!
    A primeira parte do texto pretende mostrar ao leitor uma coisa mais formal, careta, sem graça até, mas com alguns ganchos de interesse.
    De repente vira um pandemônio infernal e lá se vai tudo, inclusive o espetinho de coração que eu tanto gosto.

    Li a muitos anos, mas com certeza a correlação está apenas em seus olhos! :-D
     
  7. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Justamente, isso é legal porque motiva a pensar, a tentar entender, etc...

    Provavelmente, mas isso não impede que eu a use de forma objetiva. É algo divertido, por sinal ^^
     
  8. Regente

    Regente Serenity Painted Death

    Mas que conto bizarro, :eek: Parece mais a versão hardcore da Família Adams.
     
  9. Lord Seth

    Lord Seth Banned

    A velha é, pra mim, o horror.

    É..
    Eu não tinha visto por este lado...
     
  10. Lord Seth

    Lord Seth Banned

    Esse conto é a sua família, como deveria ser.

    Resta saber o que você faria nessa situação.
     

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