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[L] [Nessa] instante estranho

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Nessa Valië, 18 Dez 2003.

  1. Nessa Valië

    Nessa Valië Usuário

    [Nessa] instante estranho

    Instante estranho

    Duas da madrugada, duas e um, agora sim duas e dois,
    quem inventou os contadores de tempo esqueceu de ajusta-
    los às noites do meu quarto. Duas e quatro, que evolução
    entre um pensamento e outro eu não vi um minuto passar.
    Será que isto é um avanço? Duas e cinco. Bom, acho que
    vou seguir a receita dos carneirinhos... Tic tac tic tac
    tic tic tic tic!!! O meu relógio emperrou no minuto
    décimo da décima nona casa da hora quarta do ano estelar
    trigésimo segundo. Segundo meus pensamentos estamos
    perto do fim do mundo. Pois é as estrelas atravessam o
    meu teto. Nossa posso ver os meus poros. Os poros são as
    partes mais íntimas de uma pessoa, imagine são as
    menores portas entre o interior do indivíduo e o
    ambiente habitado, mesmo que seja inóspito, sem sequer
    uma habitação, e estão sempre abertas. Somos seres
    abertos ao mundo e nos sentimos vestidos! O mundo sopra
    ventos estranhos dentro de mim, no minuto anterior eu
    estava aqui, agora...bem agora cá estou mas estou nua,
    pelada e revelada. Gritei e eles me escutaram. E agora
    posso ver formigas que correm os trilhos dos trens de
    São Paulo. Do outro lado o travesseiro, não mais a minha
    irmã. Duas e seis, acho que o relógio começou a andar, e
    como de praxe devo voltar a dormir como todos mortais de
    minha raça. Então dedo por cima, passa, dedo por baixo.
    Duas e sete tic, outra formiga, desta vez na ponta do
    meu nariz, uma roda, uma moeda, um tum tum que se diz
    meu coração e o relógio desperta sete e quatorze da
    manhã, hora de Brasília. Levantar e voltar a dormir."
     
  2. Forfirith

    Forfirith Usuário

    nossa!! caraca, adorei!!meus parabéns!!
    a ultima frase dá margem a diferentes interpretações...muito bom demais!
     
  3. Minas Ecthelion

    Minas Ecthelion Usuário

    Enquanti lia esse texto veio direto na minha cabeça: Never, for ever, for ever, never. Num conto de machado de assis ele cita essas palavras para o tempo passar.

    Gostei tambem do seu texto, bem poetico.
     

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