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[L] [Minas Ecthelion] [A vida num sinal]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Minas Ecthelion, 15 Dez 2003.

  1. Minas Ecthelion

    Minas Ecthelion Usuário

    [Minas Ecthelion] [A vida num sinal]

    Era de manhã cedo, e um garoto esperava em uma rua o sinal fechar. Ele tinha vários nomes, desde moleque à pivete. Mas era um menino bom, e com suas roupas rasgadas esperava o sinal fechar, pois então seria a hora dele agir, hora de começar seu trabalho, hora da caçada! Não, ele não ia assaltar ninguém, pois como já disse, era um garoto bom. Ele iria apenas pedir esmolas no sinal. E isso ele sabia fazer muito bem.

    Já fazia vários meses que o garoto mendigava naquele sinal, e ele era bem experiente. O menino não ia passando de carro em carro não, ele escolhia aqueles que lhe parecia mais aproveitáveis. Afinal, como ele mesmo dizia, o sinal não ficava fechado para sempre, e não tinha como passar em todos os carros, e se houvesse alguma Madre Teresa ali, ele não poderia perder essa chance.

    O sinal mudou para amarelo, era hora de agir, ganhar a vida. Vermelho! O moleque passou os olhos rapidamente por todos os carros. Um Toyota estava na primeira fila, com o vidro fechado. Esse nem pensar. Logo atrás havia um Pálio, e uma mulher de aparência simples dentro dele. Esse sim era uma boa! O menino sem perder tempo aproximou-se do carro e pediu alguns centavos para o pão daquele dia. A mulher pegou umas moedas e lhe entregou. Eram cinco moedas, cada uma de um centavo! “ Deus te pague, piranha!” Está bem, o piranha ficou apenas em pensamentos, até porque esse moleque era bem esperto. Sabia que muitos carros passavam ali mais de uma vez, e ele tinha que fazer uma média entre eles. Como por exemplo a velhinha do fusca azul. Ela passava ali todos os dias, e toda Quarta-feira dava um real para ele. E ela era a que estava logo atrás do pálio, mas o garoto só acenou, porque ainda era Terça. Mais uma vez o sinal abriu, hora de descansar.

    Enquanto isso o menino refletia sobre a sua vida. Logo ele teria que aposentar dessa sua vida de pedir dinheiro em sinais, porque já estava ficando velho para aquilo. Ele não sabia ao certo a sua idade, não tinha documentos, mas deveria Ter uns 15 anos. Pensou em vender balinhas em ônibus, mas ele já havia feito aquilo. Aliás, o garoto jura que ele foi o legítimo inventor do célebre discurso: “Eu poderia estar roubando, mas estou aqui pedindo sua ajuda!” Por um tempo até que deu um bom lucro. Opa, sinal amarelo de novo!

    O primeiro carro da fila era um Vectra, e nele estava um homem gordo vestido de terno. Parecia ser um alto executivo. Esses eram uma loteria. Ao mesmo tempo que poderiam ser extremamente rudes, e fechar o vidro na cara de quem estava pedindo, poderiam também em outra hora dar uma quantia extremamente generosa. No primeiro caso, eles ficavam na memória do garoto como patrão. No segundo, ficavam guardados como burguês safado. E o garoto deu sorte com esse. Logo que pediu, ele já tirou uma nota de dois reais do bolso e lhe entregou. “Deus salve essas notas de dois reais!”. Pegou o dinheiro e já partiu para um Uno dirigido por uma outra velhinha. “As velhinhas são as melhores!”, ele sempre dizia. Mas essa era bem malvada. Antes de sequer poder começar a falar, ela pegou um spray de pimenta e apontou para o menino. “Nem tente vir abusar desse corpinho” , ela dizia “agora estou prevenida!”. O menino afastou-se dali como um raio. Quem sabe ele estava perdendo seus instintos? E, também, era a velha que estava louca ou ele que via mal?

    E assim o dia foi passando, as vezes o moleque dava sorte, as vezes não. Uma hora, por exemplo, por volta do meio-dia, parou no sinal um carro de igreja. Quando o menino pediu uma esmola para o padre, ele respondeu que daria se o menino fosse carinhoso, e falava acariciando de leve a mão do menino. Mas o menino já conhecia estes tipos e cuspiu na cara do padre de nojo. E por volta das três, parou um gol com um homem, uma mulher e um bebê. Os dois adultos sorriam como nunca, e deram para o garoto cinco reais. E explicaram também que o bebê era recém nascido, e que estavam dando aquele dinheiro para ele como agradecimento. O moleque já tinha recebido quantias maiores de outras vezes, mas viu que o casal estava realmente feliz e agradecido, e que para eles, aqueles cinco reais talvez fosse muito, principalmente agora, com mais uma boca para alimentar.

    E a hora do garoto sair do sinal estava chegando, pois já havia passado a hora do rush, e cada vez mais passava menos carros no sinal. Ao término de tantos vermelhos, o menino considerou aquele dia como “um dia morno”. Olhou para o sinal e ele estava verde. “Verde, siga em frente!”. Pensou ele, e já ia começar a partir quando um carro preto foi parando na calçada a uns dez passos dele. Já era noite e o farol estava desligado. O menino hesitou por um tempo, e resolveu fazer a última “mendigagem” do dia. Mas parou a cinco passos do carro, pois o carro era diferente. Tinha uma placa preta, era um carro do governo, e começou a passar por sua mente velhas histórias que ele ouvira de garotos como ele. Histórias sinistras que até sua mãe havia lhe contado por precaução. E agora, ele parecia estar no meio de uma delas.

    Essas histórias falavam de carros que o próprio governo encomendava para fazer uma “limpeza” nas ruas. Por isso era o carro da limpeza. E diziam também que à noite, se esse (ou esses, não se sabia) carro encontrava um mendigo, ou um pivete pela rua, pegava ele e dava um sumiço nesses indivíduos, jogando os corpos sem vida no rio das velhas.

    Então, morto de medo, o garoto se virou para correr, mas duas mão já o seguravam pelo pescoço, e o empurrava em direção ao carro. Ele se debatia desesperado, mas eram mãos fortes que o segurava. A porta de trás do carro se abriu, e antes que o menino fosse jogado dentro do carro, ele teve um último vislumbre do sinal. Tinha acabado de fechar. “Vermelho, o fim da linha!” , pensou, mordaz. E, no banco de trás do carro, numa semi-escuridão, antes que perdesse seus sentidos com uma pancada na cabeça, ele viu que havia um adesivo colado no vidro de trás. E era uma ironia mórbida. Era o adesivo da SLU(Serviço de Limpeza Urbana).

    E no dia seguinte de manhã, a velhinha amiga do moleque estranhou que ele não estava mais ali no sinal. “ Quem sabe esse menino arranjou um emprego? Fico feliz por ele.”, pensou guardando o um real que separara. Mas não tinha como ela saber, que a essa mesma hora, um corpo era encontrado no rio das velhas, e que a polícia consideraria como “desconhecido”, e que tinha sido provavelmente uma vítima do tráfico.
     
  2. Minas Ecthelion

    Minas Ecthelion Usuário

    Meu segundo texto aqui! Esse texto tem um contraste, pq no inicio parece que vai ser bem descontraido, e acaba sendo meio tragico. Mas, quando eu comecei ter a ideia de escrev-lo, sem pensar veio esse final na minha cabeça, e eu nao pude deixar de por. O titulo, como no meu outro texto, inventei quando criei o topico, entao nao foi nada muito refletido, mas ate que dá para ver por uns pontos de viostas diferentes.
     
  3. gostei do texto sim.....achei interessante a ideia de vc relacionar as cores verde e vermelho com inicio e fim da linha pro garoto jah no final......

    facil de ler, so tem alguns erros de concordancia, mas ta limpo ...no mais muito bom! :mrgreen:
     
  4. Minas Ecthelion

    Minas Ecthelion Usuário

    Valew, é bom saber que tem erros de concordancia para eu poder corrigir e ir melhorando.

    O engracado desse texto, é que a ideia dele veio quando eu tava escrevendo o outro da Segunda feira, que ja ate ppus aki tbm. Quis fazer alguma coisa no sinal.
     
  5. hehehe......mas a ideia e boa mesmo....e o da segunda feira tb e bem legal......sao coisas do cotidiano, gostei....

    eh os erros sao bons agente corrigir, pq ai facilita a leitura.....fica mais gostoso d ler! :mrgreen:
     
  6. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Gostei muito... É triste, mas é bonito. Tem alguns erros sim, mas acho que é só você arrumar eles que fica bom. A velhiinha com o spray foi o melhor, hahaha... Abusar deste corpinho...

    Parabéns, coloca mais textos! =)

    O CdE tá precisando de autores "novos"... ^^
     
  7. Thrain...

    Thrain... Usuário

    Gostei, a história tem um ritmo legal, a análize q o moleque faz dos carros e dos motoristas é bem interessante... Só achei os pensamentos dele muito "afiados" pra um muleque de rua q nem sabe direito q idade tem...

    Isso SIM!! Concordo plenamente.... Com as duas coisas....
     

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