1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

[L][Meriadok Malkav][Os Dois Lados]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Meriadok Malkav, 10 Ago 2005.

  1. Meriadok Malkav

    Meriadok Malkav Pssst...You're gonna die soon

    Autor: Meriadok Malkav (eu..=P)
    Título: Os Dois Lados

    1º Capítulo - Brigas, parte I

    Eram duas da manhã. Acordaria cedo na manhã do dia seguinte para trabalhar, mas mesmo assim não conseguiu pregar os olhos até aquele momento. A discussão aquela noite a atingira de tal modo que ainda revirava as cenas vividas há algumas horas, e não conseguia descansar a mente.

    Levantou-se, e sem a menor sombra de sono, foi andando pelo medonho caminho escuro até a cozinha, a fim de tomar um copo de água. Esbarrou nos ursos de pelúcia jogados no corredor e nas almofadas espalhadas pela casa; símbolos de uma fúria de amor.

    Nossa garota-modelo morava sozinha naquele micro-apartamento, desses modernos, cuja planta baixa na propaganda é magnífica, mas, quando colocamos o pé dentro do hall, nos arrependemos profundamente de um dia ter comprado tal imóvel.

    Pegou o copo e encheu-o de água. Virou e bebeu, e aquele líquido que entrava pelos seus lábios não tinha o sabor que ela estava precisando. Não tinha o gosto amargo da paixão, do amor, dos lábios grossos daquele que amava. Lágrimas molharam seu belo rosto, camuflado na penumbra da noite.

    Viu-se então beijando-o, abraçando-o, amando-o, e chorou mais intensamente. Sua alma jorrava sangue pelos olhos – puros e ingênuos; lindos. Sofrimento, saudade; raiva, desilusão – esses opostos sentimentos se misturavam em seu coração, e suas lágrimas, se fossem vistas por algum ser, seriam entendidas como uma defesa pessoal natural.

    Ligou o rádio e pôs-se a ouvir Legião Urbana, do sempre deprimido Renato Russo. Por que as pessoas ouvem músicas melancólicas quando estão deprimidas? Será que não vêem que este fato apenas aumentará sua tristeza? Pior são aqueles que ouvem músicas “pesadas”, talvez com o intuito de esquecer o que estão pensando. Então eu me pergunto, para que esquecer o sofrimento? Para que deixá-lo para depois? Por que não enfrentá-lo no momento certo, ao invés de fugir e, quando for tarde demais, olhar para o passado e se arrepender?

    Laura não se questionou a esse respeito, era sua vontade apenas dormir e esquecer de sua tristeza, que a corroia por dentro, deixando-a extremamente maleável.

    Voltou a cenas de sua infância, algo longínquo e agradável. Lembrou de seus sonhos e suas esperanças. Lembrou da sua ingenuidade e sentiu vergonha. Nesse momento, já havia esquecido o motivo por estar acordada até àquela hora, e já tinha descoberto muitos outros motivos para sofrer.

    Como a mente humana é curiosa em seus defeitos e em suas qualidades.

    Sempre inovadora e um tanto imprevisível, sempre pregando peças nos despreparados. O namorado, primeiro motivo que a levou a tal estado, não mais estava presente em seus pensamentos. Não?

    Há controvérsias sobre esta afirmação. Os sentados à minha direita, dizem que é verdadeira, ela esqueceu-o nesse momento, pois se lembrava do seu tempo de ingenuidade, da sua infância. Já os sentados à minha direita, dizem que, exatamente por ela lembrar-se da sua infância, ela pensava em seu namorado, indiretamente. Isto, explicam, deve-se ao fato de que em sua infância ansiava por alguém como ele. Sonhava, almejava um jovem que a completasse.

    Pura ingenuidade. Antes de comentar sobre o fato, deixo-me inclinar-me a opinião dos à minha direita, já que não sou o juiz do fato, e posso, pois, tomar partido.

    Continuando, então, meu pensamento. Pura ingenuidade, eu dizia. Sim, essas crises, à noite, é apenas o começo. Daqui a alguns meses, verá o tamanho do erro cometido, e não mais se iludira com o homem de sua vida. Pena, digo-te, leitor, que esse conhecimento, por mais que tentado, dificilmente é passado oralmente. Muitos se iludem para alcançar esse conhecimento. Tanto sofrimento seria economizado se fossem ouvidas pessoas experientes no assunto.

    No entanto, pessoas que não passam por tal experiência, tornam-se tolas no amor, e não entendem a verdadeira magnitude desse sentimento.

    Nunca foram levados às nuvens, nem se sentiram totalmente dominados pelo seu amor. Por isso, apenas o sofrimento nos trás a visão de mundo necessária para vivermos. Pois, a vida sem sofrimento não é vida, é algo inútil e indigno de ser real. No entanto, um eterno sofredor também não é digno de viver.

    Chego então, ao xis da questão. A vida deve ser equilibrada. Uma afirmação simples, mas cheia da essência da verdade.
     
    Última edição: 10 Ago 2005
  2. Fëanor

    Fëanor Fnord Usuário Premium

    Vejamos:

    O enredo está bem montado, e até conseguiu me deixar curiosos pela(s) seqüência(s).

    Alguns pequenos erros de ortografia (sabe que eu sou chato nesse ponto né?), mas
    nada de ridículo ou que faça alguma diferença efetiva.

    Achei que algumas coisas diferiram do contexto que eu estive formando da história enquanto a lia, como a questão de passar conceitos morais explícitamente.
    Mas isso não estraga o texto, apenas tira um pouco da curiosidade e do inusitado, parecendo (não necessariamente sendo) um apelo desnecessário.

    Mas eu gostei do modo como você colocou os fatos e tal.
     
  3. Meriadok Malkav

    Meriadok Malkav Pssst...You're gonna die soon

    1º Capítulo - Brigas, parte II

    Não, leitor; não me esqueci da Laura. Pois, então, senhor; voltemos ao fato real.
    Laura adormeceu em algum horário indeterminado da madrugada, exausta, sem em mais nada conseguir pensar.

    Acordou cedo naquela manhã, e esqueceu de seus problemas durante seu trabalho. Tantos relatórios a fazer, tantas pessoas a consultar, tantos problemas a resolver que se esqueceu de si mesma durante aquele dia. Tantas horas de sua vida destinada a trabalhar para outros, a não ser dona de si, a não ver si mesma diante da realidade. Quais são, pergunto-me, as vantagens do mundo moderno?

    Cansada, sonolenta, entrou no ônibus de funcionários que a trazia de volta todos os dias. Voltou, gradualmente, a sentir as sensações da noite anterior. À noite, o céu das verdades se abre - o céu dos verdadeiros sentimentos que abrigam nosso corpo.
    Ao abrir a porta de seu apartamento, sentiu aquele estranho, mas conhecido sentimento de arrependimento pelo péssimo negócio feito. Sentiu-se também sozinha, naquele minúsculo apartamento.

    Correu ao chuveiro, onde, sob cachoeiras de quentes águas, pôs-se a voltar a seus pensamentos da noite anterior. Agora, mais calma, chegaria a uma conclusão satisfatória.

    - Antes vou relaxar; aproveitar esses poucos momentos de felicidade que tenho. Esse momento para mim mesma. – estava na moda na época, valorizar os momentos consigo mesmo.

    O cheiro do shampoo a alegrava, um cheiro quase virginal que a excitava. Tal sabor fazia-a lembrar das noites passadas ao lado do namorado, de quando deitara, após um reconfortante banho, ao seu lado, apoiando seu queijo no peito do amado. O amor em seu coração aumentava proporcionalmente em que essa lembrança tornava-se mais nítida; já se tornara a realidade, não existiam mais naquele momento as paredes do banheiro – transportara-se para uma outra dimensão.

    Conseguia sentir o cheiro de seu amado, conseguia sentir os lábios desejados molhados a tocar os seus, conseguia ouvir em seu ouvido os sussurros de amor por eles pronunciados em momentos de ternura.

    De repente, em meio à fumaça da quente água, o sonho acabou-se – Trim, trim, trim! – o telefone estava a tocar.

    Desligou o chuveiro, pegou a toalha, mas não o atendeu e logo pôde ouvir a voz tão desejada falando na secretária.

    - Amor, onde você está que ainda não chegou? Estou com saudades, não me abandone ao vazio de minha existência. Você sabe que não sou nada sem a “little redhead” que dá razão à minha vida. Esqueça ontem, estou arrependido, você sabe, eu preciso de você, (Ouve-se um barulho de assuo de nariz), ligue-me quando puder, por favor, precisamos conversar.

    Rapidamente colocou um pijama branco adornado de flores – resquícios da não tão distante juventude.

    Discou o número há muito decorado. Mal tocou uma vez, alguém atendeu. Não foi surpresa ouvir aquela voz grossa e tão sua conhecida. No entanto, notou certa tristeza em sua voz, e certo pausar não antes característico da sua fala.

    - Oi meu amor, tudo bem?

    - Sim, quer dizer – disse ele embaraçado - mais ou menos, mas vamos indo. Onde você estava que eu te liguei e não tinha ninguém ai?

    - Estava tomando banho, desculpa, não consegui atender ao telefone a tempo.

    - Não tem problema, Lau. Desculpa por ontem, me exaltei, você sabe, tenho sangue italiano – tentou se justificar, abusar das desculpas, mas se arrependeu e após uma breve pausa completou – não adianta nada culpar minha ascendência. A culpa foi minha, meu amor, eu errei.

    - Eu também errei, desculpa. - Ela Admitiu quase mecanicamente, sem nem perceber o que dizia. De repente, sob um acesso de loucura instantânea, provocada por uma lembrança inconsciente da sua tristeza e, não tendo em quem desabafar, pronunciou tais palavras - Eu só não entendo porque você grita comigo, sendo que não gosta que eu grite com você. – disse ela.

    - Eu também não entendo essa sua atitude, mas não vamos brigar sobre isso. – Tentando nitidamente abafar o ânimo da sua companheira, para não brigarem novamente – já basta o que brigamos ontem, vamos esquecer isso. Vamos cada um olhar para nossos erros e tentar melhorarmos.

    - Tentar... Você está sempre tentando melhorar e nunca consegue!

    - Assim nós não chegaremos a nada, amor.

    Uma grande pausa acontece. Artur respira alto, tentando se acalmar. Esse ato irritou profundamente Laura, que já não respondia pelos seus atos.

    E assim segue-se cada vez mais negativamente a conversa. Ninguém ousando desligar o telefone, pois sentem uma atração pela outra pessoa, apesar dessa ferir profundamente seu coração.

    Como interpretar esse fato através da admiração? Incoerente parece ser a atitude de nossa heroína. Porém, se analisarmos o comportamento humano, perceberemos que não é tão incoerente assim esta reação perante o ser amado e desejado.

    Afinal, este fato é real, não é algo inventado. Laura, sem ninguém com quem mostrar suas emoções, a não ser seu namorado, sozinha no mundo, os familiares distantes, as amigas ocupadas. Tinha apenas a si mesma com quem conversar quando não estava conversando com Artur. A solidão trás pensamentos negros à mente das pessoas, e Laura não estava a par disso.

    Sofria e não tinha a quem recorrer para ser consolada. Precisava exprimir sua raiva. E o primeiro coitado a se propor a tal fora Artur. Apesar de amá-lo como nunca amara a outro ser, utilizava dele como lixeiro de seus pensamentos, e isso ele fazia com ela também.

    Ele, que a amava tanto, que tudo fizera e fazia por ela, não entendia a falta de compaixão da sua amada, a falta de amor que ela demonstrava. E isso o fazia sofrer demasiadamente demais.
     

Compartilhar