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[L] [Melkor, o inimigo da luz] [Das vozes de Deus]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Melkor- o inimigo da luz, 21 Mar 2004.

  1. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    [Melkor, o inimigo da luz] [Das vozes de Deus]

    Estou pronto pra ouvir que o fim ficou subjetivo... :roll:

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    Do ritual

    O sacerdote esperou que todos saíssem da igreja para que pudesse fechar as pesadas portas, com um suspiro, e sentar-se no banco para descansar. Fora um dia cansativo. A luz da lua entrando pelos vitrais pitorescos lhe extenuava os pensamentos.

    Guardou o cálice da missa, recolheu sua bíblia, cobriu com um pano o altar e apagou as velas sem hesitar. Quando chegou na porta que levava aos seus aposentos, ouviu a voz de Deus:

    “Acendas sete velas, ofereças para mim sete chamas para que eu possa me lembrar de minha própria perfeição, ó filho meu”. Atônito, ele apenas correu e acendeu as sete velas mais próximas que pôde encontrar, temendo a voz que nunca pensou que fosse ouvir.

    E a voz disse: “Vais, não pares! Agora quero mais chama, mais fogo, para lembrar-te de que Lúcifer ainda habita o seu reino pútrido e eu habito o meu. Sete fileiras com sete velas deves acender”. E assim o sacerdote fez.

    E a voz disse: “Vertes teu vinho em cima do pano branco do altar e entendas o sangue de Cristo, para que te amedronte o fim da Babilônia, mãe das aberrações, para que a enchente sejas capaz de temer”. E assim o sacerdote fez.

    E a voz disse: “Não hesites agora, meu filho. Por mim, quebras a hóstia, pois não foi o corpo de Cristo que violaram uma vez? A segunda não será pior que a primeira, garanto-te”. E assim o sacerdote fez.

    E a voz disse: “Agora apenas ajoelha-te diante de minha presença”. E assim o sacerdote fez.




    Da Fuga

    O sacerdote se mantinha abaixado, mas não conseguia mais ouvir a voz de Deus lhe dizendo o que fazer. Se Ele havia descido nele, não havia mais o que esperar. Já fazia um bom tempo que ele estava ali, precisava descansar para no dia seguinte poder louva-lo como se deve.
    Retirou o pano sujo do altar, recolheu os farelos de hóstia e foi para a porta. Só esqueceu-se das velas. Chegando na porta, ouviu mais uma vez a voz: “Do que corres, filho? Do que foges? Da possibilidade de ver-me, meu filho? Não temas a minha presença nem a minha força enquanto estiverdes ao meu lado, porque os que estão ao meu lado têm seus nomes escritos no livro da vida de modo que não podem mais ser apagados. Não abaixes a cabeça para mim como se faz à um líder, o faça como se faz a um pai”.

    O sacerdote deixou o pano deslizar da sua mão e deitar-se no chão e imediatamente ajoelhou-se, prostrado, decidido a ouvir veemente tudo que Deus lhe dizia. Suas mãos tremiam, como se escapassem do seu controle.
    A voz, então, lhe disse, em meio-tom: “Do que tua mão quer fugir, sabes? Do teu corpo. Quer fugir de ti e juntar-se a mim, como qualquer um que perceba a minha força. Do que corres, filho? Do teu passado? Mas ele não tem poder, ele já não existe! Eu só criei o presente, o passado é do diabo e o futuro dos homens; pelas minhas mãos só veio o presente e só no que eu fiz deve-se construir uma vida”.


    Ele segurou sua mão para que ela parasse de tremer, porém não encontrava forças para conte-la. Seu corpo inteiro parecia em um transe inexplicável, um quê de nervoso e admiração exalando aroma de beladona. E, por entre o aroma de beladona, a voz disse:
    “Do que queres tanta distância? Dos pecados dos quais não podes fugir? E porque foges destes então, se nem capaz de fugir és? Fugir porque sabes não poder fugir é fraqueza tamanha que me envergonho de ti. Pois nenhuma ovelha que habita a terra sob o sol foge à grama que tem de comer”.


    “Porque corres de noite?”, a voz continuou, “Achas que quando estás correndo estás livre do perigo? Ou apenas tens a sensação de que vais chegar a um lugar? Não vais! Quando corres e sentes o vento em teu rosto estás correndo em círculos, te digo”.


    O sacerdote levantou-se e olhou para os lados, ainda não acreditando em nada, nem na sua própria essência. Quando colocou a mão na maçaneta da porta, ouviu: “Fugir de um pai é o ato pelo qual todo filho devia apiedar-se de si próprio. Ouça o que tenho a dizer, meu filho, e não precisarás mais correr”.




    Das Acusações

    “Pois minha voz tu dissestes ouvir durante todo seu ofício. Por tua voz dissestes que eu falava, ó filho! E agora não podes me ouvir? Porque tanto temes aquele que tu clamastes ser o Deus da bondade? Proves um pouco de minha infinita misericórdia!”. Imediatamente, o sacerdote caiu de joelhos e levou sua cabeça ao chão.
    “Agora entendes? É contigo que quero falar hoje, e por meio de mim mesmo. Não quero que entendas lendo um livro que já não sei se fui eu quem escreveu, quero que entendas ouvindo-me e abaixado-se diante de minha voz. Pois foi o que pensastes durante tua vida toda, quando bem sabes que nunca ostentou em seu semblante o diadema da Fé”.


    E o sacerdote clamou, a Deus: “Mas fé eu procurei durante toda minha vida, a vossa voz sempre e inexoravelmente eu busquei, e nunca vos reveleis a mim”.
    A voz respondeu: “E não me revelo agora, filho? Achas que podes dizer a teu pai qual é o melhor momento sob o meu céu para mostrar-me ao meu filho? As palavras que te foram ditas lhe diziam para acreditar em mim com teu coração, sempre”.


    “Eu tentei, eu tentei, meu pai! Vos sabeis melhor que eu, ó onisciente! Porém eu nunca achei o que precisava nas vossas palavras, nem quando elas estavam em meu coração nem quando elas estavam no vosso livro sagrado”.
    A voz cessou por alguns instantes, mas redargüiu, rígida: “Nunca disse eu que instigaria a todos, em todos momentos, a verdade suprema. Pois não existem os ateus que buscam, em vão, a minha fé? O que eu sempre disse foi que a verdadeira fé deveria vir de dentro, posto que a fé que lhe ensinam não é tua fé”.
    O sacerdote disse: “Mas, Deus, não ouvi essas vossas palavras em momento algum de minha vida! E, se tivesse ouvido, não teria acreditado que eram vossas.”


    “Não ouvistes? De certo que sim, aquele teu amigo te disse isso por muitas vezes até que tua própria ignorância o afastasse. E aquele teu acólito, lembra-te? O pobrezinho puxava tua batina para perguntar-te porque ele não podia crer, e tu lhe dizias que era porque ele não queria. Aquele pobre mancebo só pode acreditar quando eu o trouxe para meu reino, sabias?”.
    Atônito, o sacerdote clamou, levantando a cabeça: “Ele disse a mim durante os últimos dias de sua vida, enquanto eu lhe fazia as vezes de barbeiro cirurgião, que acreditava em vossa Força mais do que qualquer coisa”.


    A voz disse: “E era em ti que ele acreditava acima de tudo. Não em mim. Ele nunca soube o que era a verdadeira fé. Nem o fez você. Mas deixemos a tua fé. Sei o quanto reprimirdes cada pensamento errôneo teu, mas sei também que os teve, meu filho. O que tens a dizer sobre isso?”.
    “Não tenho nada a dizer, pai. Eu os tive e sabeis como eu. Só posso vos dizer que eu os impedi conforme a força que vos coloqueis em mim”.


    Deus lhe disse: “Eu sei, eu sei. Eu sei de tudo que acontece entre mim e Lúcifer, e mais além. Então me diga porque te encontrastes no direito de julgar e atribuir punições àqueles que pecaram o mesmo pecado que ti?”.
    “É o meu ofício”, o sacerdote respondeu. E ouviu: “É o ofício que escolhestes para ti!”.




    Das Punições

    “Agora, às punições, meu filho. Ajoelhe-se e olhe para cima, como um bom rebanho esperando o que tem de entregar ao pastor”, a voz disse. O sacerdote o fez, vertendo as primeiras lágrimas, que macularam sua batina.
    “Não chores. Eu sou misericórdia, sou bondade, sou paz, não sou? Dissestes isso à todos aqueles que choraram por entre as paredes do confessionário sem sombra de dúvida, não o fizestes? Agora veja quão infinito é meu perdão”.


    Uma língua de vento rasgou a sala e apagou todas velas. “Não temas. Sou teu pai e nada lhe farei que não mereças. Pelo teu amor por mim, diante da fé falha, te castigo. Te castigo porque não se ama o que não existe. À tua mãe não verás nunca mais. Ela deixará de existir, para ti”.
    O pobre homem começou a chorar ainda mais desesperadamente, balançando a cabeça em negação, mas a voz não hesitou. “Pelas tuas palavras a meu respeito, quando tu não acreditavas em mim, queimo os olhos de teu rebanho. Nenhuma ovelha tua te olhará mais uma vez como a um pastor”.


    “Teu sofrimento não significa nada, enquanto estiverdes embaixo de mim, ouvindo minha força e sentindo minha voz. Tuas lágrimas descem a terra e alegram o Diabo, apenas. E por estas lágrimas, lhe tiro teus amigos, para sempre”.
    O sacerdote já não apresentava um resquício de controle. E ouvia, ainda: “Punistes as pessoas por pecados que tu cometestes antes. Tua casa não terás de volta até que entendas isto que te digo, não pela primeira vez, enquanto tu próprio dissestes isso para ti mais outras vezes”.


    “Por dizer que por ti eu falava, perderás tua voz e ninguém mais ouvirás tuas bazofias. Não mais a mentira caminhará ostentando tua bandeira. Por todas velas que acendestes para mim, pagarás: teu corpo arderá em chamas, um dia”.
    O sacerdote implorou: “Mas tudo que fiz foi por vos!”. A voz ignorou-o: “Na igreja, minha casa, que tão bem te acolheu na esperança de que tua fé viesse, não poderás mais entrar, nunca mais. Da porta não conseguirás passar”.


    “E, por não ter conseguido fazer teu pobre acolito feliz, deixando-o desfalecer na cama, sem conhecer-me, tua última pena: ninguém poderá mais te ver, nunca mais. Serás, para sempre, o que fui para ti”.




    Do pagamento

    O sacerdote continuou prostrado até que alguns minutos tivessem se passado e a voz tivesse cessado de fato. Levantou-se, cauteloso, e olhou à sua volta. Seria a última vez que veria esta igreja. Seria exilado, então. Não acreditava que merecia nada que a voz lhe dissera, mesmo sabendo que era a voz de Deus. Andou em direção à grande porta de madeira. Seus passos ecoavam como se fossem os únicos e os últimos.


    Tudo estava iluminado, um dia em meio à noite, e nada projetava sombra alguma sob o chão, somente ele próprio. Para ele, só havia a porta, seus passos e uma paz crescente. Sentia-se mais uma vez em transe, como quando Deus lhe falava, há alguns instantes...
    Ouviu uma risada de criança. Olhou para os lados, assustado e maravilhado, não doravante não viu nada, apenas sua própria sombra bruxuleando cada vez mais fraca.
    Fez menção de abrir a porta e o silencio implodiu. A luz tornou-se cada vez mais forte, sua sombra cada vez mais nítida, a porta cada vez maior e mais imponente diante dele... Mas nem sua respiração era capaz de quebrar o silêncio.


    E, em silêncio, o vento invadiu a sala, quebrando as janelas e escancarando a porta de madeira. Os bancos foram jogados nas paredes, o altar derrubado, as cortinas rasgadas como se por garras afiadas. As velas caíram de seus pedestais e rolaram no chão, quietas.
     
  2. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Eu gostei^^; Me pareceu que o diabo estava enrolando o pobre pastor idiota... E que este condenou a si própio por ignorância, apesar de ainda acreditar no que fazia.
     
  3. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

  4. Maria Pretinha

    Maria Pretinha Usuário

    Olha que engraçado... Eu entrei aki tem ns dois dias e já lí dois tópicos seus....

    Eu realmente tô impressionada com o quanto você escreve bem pra apenas 15 anos....
     
  5. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Muito obrigado! =)

    Você vai achar muitos tópicos meus aqui, eu sou o que mais me empolgo mesmo... ^^

    Mas a maioria não é tão legal assim... Esse texto é meu novo xodó... ^^

    Bem vinda, alias, moça! :grinlove:
     
  6. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    Diogo,my dear friend,mais uma vez ...(parte censurada pela moderação)...

    :clap:
     
  7. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Obrigado! =)

    Agora quero saber o que foi censurado =PP
     
  8. Evestar

    Evestar Usuário

    nossa ta muito bom :clap: , espero ver mais textos como este Melkor :wink: :mrgreen:
     
  9. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

  10. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    Se liga,você é subjetivo :lol:
     
  11. Maria Pretinha

    Maria Pretinha Usuário

    Brigadinha mocinho ! :obiggraz:

    Nem tudo que a gente produz é tão legal assim, mas são textos como esse que valem o tanto de erros e lixos produzidos ... ^^
     
  12. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    Só um comunicado,o fã incondicional,ferrenho,cego e número um aqui sou eu.Tá? :x



    (que post doente! :lol: :lol: )
     
  13. Maria Pretinha

    Maria Pretinha Usuário

    Calma Meneltar, depois a gente cai no tapa pra ver quem fica com o posto! :lol: :lol: :lol: :lol:

    Mas depois que eu conhecer um pouco mais.. Por enquanto fica tranquilo que vc ainda detêm o posto... :obiggraz:
     
  14. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    Depis que você conhece o Diogo há um ano,o seu conceito de normalidade muda :lol:
     
  15. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Nossa, simpatico saber isso... Hehehe...

    Nem sei se isso é um elogio... =P

    Mas... Fazer o que... Eu sou assim! ^^

    Estranho não, vocês que são estranhos pra mim =P
     
  16. Maria Pretinha

    Maria Pretinha Usuário

    Fala sério... Ser estranho é uma das coisas mais legais que tem!

    As pessoas normais são chatas... Entediantes....
     
  17. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Foi o que aprendi com a minha professora que expulsou 120 alunos de uma sala... u.u

    Ser normal é triste...

    =)
     
  18. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich


    O dia que eu tiver alguma coisa que não seja elogio pra dizer,eu terei a delicadeza ética de dizer por msn/telefone :obiggraz:

    Já reparou que você nunca sabe se o que eu posto é elogio? :eek:
     

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