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[L] [Melkor, inimigo da luz] [O Outono]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Melkor- o inimigo da luz, 23 Abr 2003.

  1. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    [Melkor, inimigo da luz] [O Outono]

    INTRODUÇÃO


    É outono. As folhas secas das árvores caem no chão com a leveza que lhe és dada pela natureza, os belos animais entram em suas tocas aconchegantes, as aves cantam suas melodias em tom mais baixo e as árvores começam a balançar com um suave vento refrescante. Nada como uma bela tarde de outono. Uma voz ao vento podia ser ouvida dançando por entre as árvores, e sua música fazia com que as flores que estavam a esperar com ansiedade a chegada da fada da primavera desabrochem antes do tempo devido. As árvores então param de balançar somente para escutar sua voz e os pássaros param de assoviar, pois sabem que a majestosidade na voz que ecoa no ar é muito maior do que a sua própria.


    Qualquer ser que ouvisse essa combinação perfeita de tons se encantava, era uma canção da floresta, uma canção suave como o vento ou o mar, talvez como a combinação de todos sons da natureza. Na verdade as palavras da canção não importavam e nem influenciavam sua beleza, o que importava era sua bela voz e a entonação dada, acentuada pela emoção contida em cada nota. Era isso e somente isto que tornava essa música tão bela. Sua simplicidade grandiosa, sua força humilde.


    Até mesmo a mais bela das flores se sentiu envergonhada ao ver a beleza indescritível da bela cantora que se aproximava e todos animais tentavam se aproximar para contemplar tão bela voz e beleza incomparável, pois nenhum ser sentia timidez ou medo em sua presença.
    O céu atrás, azul claro e perfeito, se tornava uma mistura de lilás com azul escuro, pois o azul que vestia a dama que vinha vindo era mais puro do que ele próprio. O frio deixava até mesmo de ser frio, como se a música trouxesse reconforto àqueles que ouviam.


    Seus olhos azuis entravam em um delicioso contraste com seu longo e negro cabelo de brilho acentuado e a simetria perfeita de sua face lhe concedia o rosto mais puro que já fora visto por este continente.
    Enfim a misteriosa mulher chegou ao seu destino: uma clareira na floresta. As árvores em volta, altas e de largas copas, impediam o sol de lançar diretamente seus braços na clareira deixando uma refrescante sombra que não deixava, porém, de ser clara. De sua cesta feita de galhos ela retirou pedaços de pães frescos e falando na língua dos animais chamou esquilos, pássaros, lebres e outros seres vivos amistosos.


    Pouco a pouco animais pequeno porte se aproximaram da cantora e com ela automaticamente se identificaram como se a conhecessem há anos, talvez há vidas e mais vidas passadas. Sentiam uma enorme presença materna, viam nela presenças femininas diversas que lhe agradavam, como a Grande Mãe da floresta ou a rainha do reino proibido.
    Uma raposa vermelha como fogo também chegou na clareira e os outros animais então se afastaram com sua presença, ela exalava um odor instigante e emanava calor de seu corpo. Seus olhos azuis eram provocantes e pareciam olhar dentro de suas almas. Se aproximando da mulher esta raposa abaixou a cabeça permitindo que seus pêlos pudessem ser afagados pelas mãos habilidosas da dama de vestido azul.


    Ela começou então com sua bela voz cantar mais músicas belas como a primeira, e ajoelhada sob o chão dourado de folhas ela passou a tarde toda lá com os animais até que seu sorriso branco desapareceu quando um barulho alto de passos veio do oeste e os animais começaram a fugir desesperados deixando-a sozinha com a raposa, que logo abaixou sua cabeça e correu também para dentro da floresta.


    Cerrando os seus belos olhos e levantando-se, a mulher olhou em sua volta e percebeu que o dono de tais passos via vindo pela floresta em direção à clareira. Este animal ou pessoa vinha em um passo acelerado e ela começou a entrar em desespero e então deu um passo para trás, tropeçando numa pedra e caindo sentada no chão forrado de folhas amarelas dando um grito de medo.


    Não houve tempo para tolices como a visão de sua vida nem tempo para que pensasse no que fazer, apenas houve tempo para que com o apertar do passo do ser que vinha em sua direção ela fosse tomada por tal medo e fechasse seus olhos com força.
    Os barulhos cessaram, não ouviu mais nenhum passo nem nenhum som de farfalhar de árvores. Nada, o silêncio era total e agonizava seu coração, até que ouviu uma voz doce como a voz dos lendários elfos.


    - Fique calma, minha bela mulher. Não penso em machuca-la, e nem forte seria meu coração para tal ato.
    Com o seu medo diminuindo ela abriu seus olhos lentamente e imediatamente viu um homem abaixado sobre seu corpo com olhos e cabelos com um tom de castanho claro semelhante à cor de mel. Seus olhos eram fundos e seu olhar distante, seu cabelo era suficientemente grande para cair sobre seus olhos, não sendo porém possível considera-lo comprido.


    Era magro e alto, não muito forte talvez, e permaneceram trocando olhares por algum tempo que nenhum dos dois saberia dizer exatamente quanto foi. Apesar de sua voz ser doce, era claro que não era um elfo.


    - Não seria digno de minha parte deixa-la, bela mulher, assim estirada ao chão – disse ele com um olhar estranho – porém seu rosto assustado é tão belo que temo levanta-la e nunca mais contemplar tal beleza mais uma vez em minha vida – então estendeu sua mão para que ela pudesse levantar-se.

    - Seria então digno de minha parte aceitar ajuda de um homem que não conheço? – respondeu ela de modo feroz – Porém não seria então ainda mais indigno não aceitar ajuda de um homem tão cortês? – então esticou seu braço e agarrou a mão do homem que a levantou com um olhar de triunfo no rosto. Permaneceram se olhando por um breve tempo até que ele quebrou o silêncio:

    - Posso saber então quem acabo de levantar do chão, cujos olhos refletem a luz da lua até quando ela não está no céu?
    - Isilmë é meu nome, e a lua não está só em meus olhos como em meu coração, senhor... E teu nome, não me dirás?

    - Diego, seu criado – disse ele – Mas não deveria estar em sua casa junto a sua família que deve estar a sua espera? – disse agora com um olhar severo – não acho bom para você andar na floresta sozinha, isto é coisa para aventureiros, não concorda?

    - Não se houver um belo cavalheiro que seja suficientemente corajoso para acompanhar a uma mulher até sua casa, alguém cujos olhos me encantem.

    - Meus olhos a encantam então? – disse Diego corando
    - Não foi o que disse, senhor.

    - Mas foi o que seus olhos tentaram me dizer – disse Diego – posso acompanha-la até sua casa então?

    - Não sei se devo... – disse Isilmë virando-se de costas para Diego bruscamente, não mais apresentando o belo sorriso em seu rosto.

    - Por favor – suplicou ele – Me dê a honra de acompanha-la. Encantei-me com sua voz e seus olhos, me dê somente esta honra e estará fazendo-me feliz.

    - Mas nem nos conhecemos, Diego – disse ela hesitante.

    - Como pode negar me conhecer? Não foram nossos olhos que passaram minutos se encarando? Não fui eu que levantei você do chão? Não foi o destino que nos colocou aqui juntos neste momento?

    - Não passamos tanto tempo nos olhando, meu caro – disse ela intrigada – e nem obra do destino foi nosso encontro desse modo, foi tua obra apareceres subitamente aqui e me fazer cair deste modo.

    - Para mim, foram muitos minutos – balbuciou Diego – e foram lindos minutos, se você quer saber. Olhe para o céu, veja! A lua já surgiu. O tempo passa rápido e nem sempre nós percebemos, minha doce amiga.

    - O destino, meu amigo, não é tão forte quanto pensas.

    - É tão forte quando penso e talvez mais ainda, pois o destino pode também se manifestar como o acaso e se você caiu aos meus passos ouvir foi somente porque assim estava escrito. Nada é coincidência, está tudo escrito.

    - Se o destino realmente foi o responsável pelo nosso encontro – disse ela severamente – então digas, Diego, já que consideras a si mesmo como o senhor do destino: O que a nós acontecerá agora?

    - Quer mesmo saber? – disse Diego se aproximando dela

    - Sim, senão não perguntaria a ti – disse ela impaciente.

    - Nós nos beijaremos como jamais beijaremos alguém em
    nossas vidas – disse Diego puxando ela pelo braço encostando seu rosto ao dela – E se o destino assim quer, não seja tola, não lute.

    Beijaram-se finalmente Diego e Isilmë na clareira onde se encontraram, e muitos minutos depois o beijo cessou. Isilmë caiu no chão ajoelhada como se tivesse tido suas forças sugadas pelos lábios de Diego. Deixou uma lágrima cair, e esta lágrima passou por todo seu corpo, finalmente chegando até o chão fazendo um alto e grave som como se todo o mar estivesse contido naquela única pequena gota. Ainda ajoelhada, cruzou os braços pensativa.

    - Não, por favor não se pergunte se deveria ter feito o que fez ou não, nem se está certa ou errada – disse Diego com tristeza na voz – Apenas deixe-se levar pelos impulsos, pois eles são mais inteligentes do que pensas e às vezes o errado é certo, até mais certo do que o certo.

    - Não brinques assim com palavras, meu querido. O certo é certo e o errado nunca deixará de ser errado. Você fala como um rei ou um sacerdote apesar de parecer aos meus olhos um belo jovem sem idade para ambos os cargos – disse Isilmë – E tens conhecimentos assombrosos sobre o destino, podendo até adivinhar sentimentos alheios.

    - Posso então adivinhar sentimentos?

    - Pelo menos adivinhastes todos os meus – Então com um olhar de quem não sabe realmente o que fazer, a mulher começou a correr para fora da clareira.

    Diego permaneceu na clareira, e ajoelhado no tapete de folhas caídas de árvores misturadas com a terra fresca formando o solo da floresta, onde a vida se origina, ele chorou. Nem mesmo ele próprio, que tanto sobre o destino e seus artífices julgava conhecer, podia explicar tudo que ocorrera naquela clareira no meio de uma singela floresta em uma tarde de outono. E lá, deitado junto à cesta esquecida por Isilmë, passou a noite e nenhum animal ousou entrar na clareira para perturbá-lo.
    Abriu seus olhos, despertado pelos majestosos raios brilhantes que vinham do imponente sol que acabava de surgir no horizonte. O céu tinha um tom alaranjado típico de um amanhecer belo, não havendo nuvens para obstruir a visão de quem tentasse contemplar sua beleza.


    Com um bocejo, levantou-se e perguntou-se se tudo aquilo de que ele se lembrava realmente havia acontecido, mas não precisava de certezas nem provas, o sentimento de amor que havia no seu coração era mais do que suficiente para lembrar-lhe de que tudo foi real e ele realmente estava apaixonado.


    Nem conseguia lembrar as circunstancias nas quais ele se apaixonou pela primeira vez, mas lembrava muito bem que não fora muito bem sucedido e então desistiu de tal amor. Todos seus amores haviam sido impossíveis e não correspondidos, mas agora se sentia imensamente apaixonado por Isilmë, um amor maduro como os outros não foram, e um amor que não era impossível e que fora correspondido.


    Porém agora havia algo que seus olhos românticos não perceberam na noite anterior. Não sabia de onde aquela mulher vinha nem o nome de sua família, não tendo como encontrá-la novamente.

    - Tão bela mulher, tão forte encanto – praguejou Diego – Deixou-me enfeitiçado por sua beleza e seus olhos não saem mais de minha mente, porém agora se foi embora e não mais a verei. Como poderei então olhar para a lua sem lembrar-me de seus olhos? Demônios! Como poderei ver o sol sem lembrar-me de sua luz? Não! Nem mesmo a queda dos pilares que sustentam os céus me fará desistir de teu amor, não fora ela que aceitou meu beijo? Então porque de mim fugiu, alias, porque a deixei partir?

    Diego sentia-se extremamente idiota por ter deixado seu amor partir sem saber nem onde encontra-la novamente, isso o perturbaria para o resto de sua vida se não a seguisse. Não havia outra escolha, se não partisse em sua busca neste exato momento ele poderia nunca mais encontrá-la, e assim não poderia viver.

    - Ó destino, a quem sirvo tão fielmente. Trouxe-me a mais bela mulher que jamais vi em minha vida e tirou-a de mim. Faça agora com que pegue o caminho correto e a reveja, pois não há nada neste mundo que eu deseje tanto.
    Então, sem pensar, seguiu a trilha que levava ao leste, pois fora o leste que sempre o atraiu desde sua infância.

    - Isilmë, agora filha da lua será seu nome para mim, e assim a chamarei até que o fim dos tempos chegue – gritou Diego – E como o sol persegue a lua, perseguirei você até que minhas chamas se apaguem e com elas minha vida. Que nada fique entre nós, pois neste caso não hesitarei em atropelar a tudo para contigo ficar.
     
  2. Vinci

    Vinci Usuário

    FeLiz AnIvErSáRiO mElKoR!!!!!!!!! Depois eu leio seu conto, passei pra lhe congratular a data!!! Parabéns pelos 15 anos! Eu só tenho 11 :( !
    Huahuahauahhau!
    Tchau!
    Vinci
     
  3. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    PARTE 1

    No momento em que iria deixar a clareira para seguir para o este reparei em algo que se movia dentro da floresta, mas não era humano, pois seus movimentos pareciam conter certa graciosidade que não poderia pertencer a tal. Pensei que pudesse ser a filha da lua por um instante, mas estava certo de que não era humano realmente, então não alimentei tais esperanças. Uma pequena raposa vermelha como o fogo saiu rapidamente da clareira com um olhar desesperado e quando seus olhos encontraram os meus ela parou e recuou.


    Ela apresentava um ar selvagem estranho, seus olhos pareciam arder em ódio. Ela parecia não acreditar que eu estava ali, parecia procurar por Isilmë virando sua cabeça de um lado pro outro rapidamente e quando ela percebeu que a dama da lua não mais ali estava correu para o oeste e o som de seus passos diminuiu até cessar. Sem entender nada apenas continuei a caminhar em direção ao leste.


    No início meu coração estava certo de minha decisão, porém quando o sol estava mais alto no céu o medo de ter seguido pelo caminho errado começava a tomar espaço em minha mente e meus passos já não eram mais seguros nem minha cabeça estava erguida como antes.


    Mas era muito tarde pra voltar. Meu coração sentia que era para o leste que deveria seguir, e somente se eu continuasse a seguir ao leste meu coração se aquietaria. Começava a me perguntar porque seguia aquela mulher, se o que sentia era mesmo amor e se este amor era verdadeiro.


    Não caminharia durante dias por alguém que simplesmente não amasse de verdade, não caminharia até o outro canto do continente para descobrir que meu amor não era correspondido. Se iria seguir, teria que ter certeza de que o amor era forte e recíproco, mas após refletir um pouco tive certeza de que valia a pena, e mesmo que não valesse, não sossegaria enquanto não resolvesse esse problema.


    Eu era, e talvez ainda seja, um homem de coração puro, mas ao mesmo tempo tolo. Confiava em qualquer pessoa e não possuía malícia. Acreditava em amor a primeira vista e incondicional e nunca haviam meus lábios tocado os lábios de uma mulher porque nunca julguei que chegara a hora. Não até conhecer Isilmë.


    Não costumava entrar em brigas nem tinha conhecimentos de lutas, muito menos práticas com armas. Sabia atirar com o arco, mas o fazia por diversão, não seria capaz de matar. Meu irmão me havia ensinado a atirar, mas como Philipe nunca houve um arqueiro e nunca haverá. Apesar disto, eu era capaz de ferir qualquer um com as palavras, pois as dominava como nenhum homem de minha vila. Naquela época meu mundo era reduzido à minha vila, pois como vi mais tarde essa superioridade sobre os outros rapazes de minha idade era insignificante no mundo. Sempre há alguém mais forte e mais sábio que você quando se viaja pelo mundo, foi algo que aprendi no momento em que deixei de comparar tudo com minha antiga vila.


    Existem os que não temem as palavras, mas se usadas com fúria e malícia, podem servir como veneno ou remédio para alguém. Preferi aprender a ler com o sacerdote de Raza que mantia o templo ao Deus do Destino do que aprender a lutar como faziam meus amigos.


    Muitos destes amigos estavam agora no exército do reino dos Tritânios, que exercia uma grande influência nestas terras, apesar de se situar bem ao norte. Só Raza sabia se eles voltariam, mas talvez meu destino não tenha sido tão diferente assim. Talvez eu nunca viesse a voltar daquela busca por amor, por felicidade, por algum sentido na vida.


    A trilha que seguia ao leste era praticamente uma linha reta e cada vez a floresta se tornava mais aberta. O sol passando no meio do céu podia já ser visto quando finalmente saí da floresta para uma planície aberta onde o trigo crescia até o horizonte deixando o chão em uma linda cor bege dourada pelo sol.


    Ao olhar para a planície longa que seguia até o horizonte, e talvez além, já não sabia se realmente havia tomado o caminho correto, mas nunca gostei de voltar atrás em minhas escolhas, então resolvi continuar o caminho para o leste. Desde a última tarde não comia nada, mas isso na verdade não ocupava muito espaço em minha mente e meu estômago entendia que era um sacrifício necessário, depois de achar Isilmë eu poderia comer um banquete junto à minha amada e então seria feliz. Comer realmente não era uma prioridade naquele momento.

    - Ó filha da lua, porque tomou o mais complicado caminho? Foi para me cansar e fazer-me desistir de você, minha amada? – disse em um lamento – Pois não desistirei de você e nem me cansarei de procurá-la, apenas indago como você conseguiu passar por essas plantações à noite tão rapidamente.
    Depois de murmurar estas palavras finalmente percebi que Isilmë não poderia atravessar a floresta e a plantação em tão pouco tempo na escuridão da noite, pelo menos ela devia estar por perto, e pelo que meus olhos viam nem ao menos ao horizonte suas formas belas surgiam.


    Ajoelhei-me e examinei o solo como faziam os caçadores de minha cidade. Sempre achei graça nos caçadores que ajoelhavam no chão para examiná-lo com o intuito de achar algum sinal de sua caça, nas poucas vezes que resolvi acompanhar os caçadores não pude conter o riso ao vê-los o fazendo. Meu senso cético me dizia que aquilo de nada adiantaria na caça, tal como suas preces, mas no fundo sabia estar errado.


    Mas agora era eu quem estava ajoelhado no chão e era eu quem procurava minha caça, meu alvo. Não empunhava arco ou adaga, mas pretendia prender comigo minha caça para sempre, claro, se assim ela desejasse.


    Andando pelas bordas da floresta em desespero finalmente achei algo no chão que me parecia importante.

    - Pelos céus, o que vejo! – exclamei pegando na mão um pedaço de pano azul e o passando pelo rosto – Cheguei tarde, minha amada está em apuros, também vejo cascos no chão! Ó pedaço de vestido azul, o que faz aqui solitário nas planícies? Porque afinal deixou sua dona? Será que um cavaleiro a levou ou tinha ela um cavalo?

    Sentei aflito em uma pedra e senti lágrimas quentes correrem por meu rosto liso. Estava desesperado, não sabia mais o que fazer. Estava em um lugar desconhecido procurando algo que talvez nunca achasse e pelo resto de minha vida olharia para o sol e a imagem de Isilmë veria espelhado nele. A lua me lembraria eternamente, enquanto estivesse cheia, dos olhos de minha amada.

    Olhei com meus olhos turvados pelas lágrimas e vi que ao longe o céu se pintava de vermelho e fumaça subia. Havia uma fogueira! Talvez fosse Isilmë, talvez fosse alguém que a havia visto, tinha que para lá ir rapidamente.

    - Não sei que mensagem o destino tenta me mostrar, mas onde há fumaça há fogo e incendiário também – murmurei.
    Saí correndo sem pensar em nada pela plantação de trigo, sem me preocupar com os perigos que a plantação alta pudesse esconder ou qualquer coisa assim. Corria tão rápido quanto o vento de uma chuva de verão. Cansado e ofegante cheguei na metade do caminho, após descer o morro inteiro, e o fogo estava escondido pelo morro que estava na minha frente.


    Meu braço direito estava um pouco cortado abaixo de meu ombro e na altura de meu cotovelo e o braço esquerdo estava um pouco arranhado. Era uma plantação muito fechada e os galhos podiam até mesmo cortar na velocidade com que eu corria. Passei cerca de dois minutos sentado no chão e levantei me para continuar a correr ao recuperar o fôlego.


    Porém não cheguei até a origem do fogo, pois meu caminho desviou-se muito para o norte. Ao invés disto, cheguei em um local onde se destacavam algumas pedras grandes no meio da plantação como um oásis e achei estranho não ter visto essas pedras antes quando olhei para o fogo.

    Subi na pedra que dentre todas pedras dali era a mais alta, apesar de ser muito estreita, e tentei olhar à procura do fogo. Percebi que ao sul o fogo se extinguia, a fogueira havia sido apagada e restavam somente cinzas e a fumaça que subia no céu. Os incendiários que acenderam aquela floresta já não estavam mais lá, e para isto teriam que ser muito ágeis e em pouca quantidade, porque senão seria impossível fugir dos meus olhos de que tanto me gabava por serem como os olhos das águias.


    Nem mesmo os elfos, que se movimentam em silêncio nas sombras, poderiam ser os causadores da fogueira, já que não aparecem por essas partes do mundo e também não costumam fazer fogueiras, pelo menos não costumavam, mas agora os costumes estão mudados. Os elfos não são mais o que foram, sua sabedoria foi talvez corrompida e sua bondade não mais é a mesma.

    Das outras raças humanóides conhecidas nenhuma faria tão rápido uma fogueira e desapareceriam como um raio, pelo menos que eu soubesse, afinal, nunca havia visto um ser humanóide que não fossem homens. Elfos, ents, anões, fadas e outros seres eu conhecia somente pelas lendas.

    Afinal, o que tudo aquilo significava?

    - Linda e suave como pedras de gelo que vem com as chuvas de verão – disse – Porém tão efêmera como tais. Por onde procurarei a dama da lua? Já não acho que ela tenha vindo pelo trigo, mas preciso continuar. Não importa se foi homem, elfo, fada, anão ou qualquer outro ser quem a levou, eu a acharei, jurei segui-la como o sol, e o sol não desistirá de nascer porque a lua não nasceu. Eu juro por minha alma, juro por mim, perseguirei minha amada até o fim.


    Após fazer este juramento um calafrio percorreu minha espinha e me senti mal, odiava prometer ou jurar, não obstante eu havia feito um juramento absurdo sem nem pensar duas vezes e agora me sentia preso a uma missão que escolhi por livre e espontânea vontade. De qualquer modo, a amava, mesmo sem entender o que era amor, e todo sacrifício seria recompensado.


    Depois de refletir por alguns minutos, resolvi dormir, já que o sol já se escondia e o céu tomava uma cor alaranjada como fora no amanhecer. Não era sensato dormir na mais alta pedra à vista, então achei um local entre as pedras que se assemelhava a uma caverna, onde me protegeria de animais e de uma eventual chuva. Deitei, mas não consegui dormir.


    Saí da cavidade e sentei-me na mais alta das pedras. Olhando ao céu refleti sobre tudo aquilo que havia ocorrido há um dia naquela clareira, de como saí de casa feliz dizendo para minha mãe que daria um passeio pelas montanhas e me aventurei até a distante floresta, encontrando uma mulher pela qual me apaixonei e agora procurava desesperado. Havia deixado minha casa, minha mãe, minha irmã menor e meu pai adoecido. Não dava sinal de vida há dois dias, mas era melhor que me considerassem morto, pois não pretendia voltar, com Isilmë ou não.


    Tinha planos melhores para minha vida, não pretendia ficar na pequena vila do Grande Vale, uma vila sem nome e de poucos habitantes, onde era um simples ajudante do sacerdote que ergueu o santuário ao deus do destino. O mundo era enorme e meu desejo era por ele viajar até que me cansasse, conhecer todas sensações e todos gostos, todas pessoas que pudesse. Queria testar todos caminhos, mesmo que levassem ao mesmo lugar.


    Malvina, minha mãe, trabalhava como camponesa, vendia sua força ao senhor daquela região, Rafael da Espada Longa. Rafael, por sua vez, era um funcionário do rei Luiz que comandava a região do Grande Vale em um sistema praticamente feudal, apesar de não ser um termo apropriado para esta política de produção.
    Sobre Rafael muito se sabia, pois era um herói naquela região e talvez por todo continente. Jovem extremamente ativo, lutou nas guerras contra o povo que veio do além-mar cerca de dez anos atrás e se destacou nos combates como melhor capitão de guerra do rei Luiz. Seu exército, que atuou naquela região, a mais atacada pelos povos desconhecidos, foi o que obteve menos baixas e matou mais soldados inimigos, em um calculo, é claro, aproximado, já que os números não são certos. Nada na guerra é certo.


    Sua espada, tão famosa quanto seu dono, era peculiarmente comprida e fina, daí o título que adotou quando foi presenteado pelo rei com o controle e administração da agricultura daquela região. As plantações de trigo estavam sob seu comando direto, enquanto as plantações de uva e cevada eram mantidas pelas amazonas do leste do vale, que prestavam contas a Rafael.
    Os camponeses ofereciam seus serviços a Rafael, e então assinavam com seu sangue um tratado que estipulava o pagamento de seu serviço e a carga de serviço com a qual teria de arcar. Malvina há muitos anos trabalhava colhendo cevada na pequena plantação que havia na extremidade oeste de sua vila. Seu sonho era trabalhar nas famosas plantações de trigo, onde eu estava agora, mas eram muito distantes para ela e deixar a família estava fora de cogitação.


    Olhando para o aglomerado de estrelas que sempre me chamou a atenção apesar de seu nome sempre ter sido a mim desconhecido, que hoje chamamos erroneamente de Plêiades, pensei em Isilmë e então uma estrela soltou-se do céu e caiu com fúria para além das montanhas. De algum modo soube que meus desejos se tornariam realidade.
    Entrei novamente na cavidade e desta vez não tive problemas para dormir.

    Acordei lentamente e quando meus olhos estavam abertos e acostumados com a claridade eu deslumbrei um dos mais belos amanheceres de minha vida. O céu estava roxo e entrava em contraste com o dourado dos campos de trigo, iluminados pelos primeiros raios do sol. Algumas borboletas azuis pousavam nas plantas e logo depois levantavam vôo juntas para pousarem novamente, como uma onda que após chegar na margem volta para o mar.
    Agora meu estômago pedia por algum tipo de alimento ou líquido, pois nada comia desde o inesquecível encontro na clareira da floresta, e não pode um homem só de amor viver. O amor pode nos elevar até onde pertencemos, onde as águias voam, no pico de uma montanha, mas o amor não pode nos dar energia para continuarmos a vida, e ela também é importante.


    Apesar de minha fome, nada havia para comer, então a viagem continuou seguindo para o leste, sabendo ter desviado seu caminho para o norte concertei seguindo agora um pouco para o sul enquanto ia para o leste.
    O sol estava alto no céu e não conseguia nem ao menos andar corretamente. A minha fome era intensa, me dava enjôos. Não lembrava o que havia comido no dia que antecedeu o encontro com Isilmë, quando já estava fora de casa, mas não devia ser algo muito nutritivo.
    Vi então o fim da plantação que dava lugar a um grande pasto, um campo verde onde o gado passava o dia. Era enorme, tanto quando a plantação, mas por lá era muito mais fácil locomover-se.


    Eventualmente encontrava alguns bovinos, e se tivesse uma faca comigo nem meus escrúpulos seriam capazes de evitar que matasse um dos bois e o comesse de modo selvagem.
    Passadas duas horas do meio dia caí no chão sem forças para me levantar, a fome era muito grande e minha boca estava seca. Então como um milagre ou um doce sonho ouvi barulho de cascos. Levantei-me e vi que ao longe uma mulher vinha em seu cavalo, mas as esperanças de que fosse Isilmë foram rechaçadas pelos longos e loiros cabelos soltos ao vento. Esperei ansiosamente que ela se aproximasse de mim para pedir-lhe que me levasse para um local onde houvesse comida.


    Esta mulher era muito bonita, porém traços selvagens marcavam seu corpo e rosto. Usava roupas de pele de animais e seus cabelos loiros cacheados estavam sujos e sebosos. Estava suja, ferida e suas roupas rasgadas, mas mesmo assim uma inexplicável felicidade era transmitida pelo seu sorriso branco.
    Ela retirou de um bolso na bolsa pendurada à sela do cavalo um pedaço de carne que deu água na minha seca boca. Estendeu o braço e a deu para mim dizendo com sua voz imponente:

    - Seca esta carne está, pois há cinco dias parti de minha cidade além do Grande Rio. Foi cozinhada e agora está dura, mas creio que para você ela parecerá saborosa.

    - E quanto a você, passará fome?

    - É parte de minha rotina, consigo lidar com a dor e a fome, cresci criada pelos nômades. Na verdade, esta carne era para você, não pra mim. E antes que me esqueça, trouxe água também – então deu um cantil para mim, que aquilo via como um sonho. Aceitei sem relutar, não pensei duas vezes para escolher entre minhas perguntas para a mulher ou a água. Enquanto comia a mulher me olhava com um olhar de pena. Ou admiração.

    - Diga-me, por favor – disse saciado – Por acaso você viu uma mulher trajando um lindo vestido azul passar por aqui, já que vem do leste?

    - Não disse que venho do leste. Saí de minhas terras ao leste e segui ao norte, de onde agora venho. Cruzei as montanhas e finalmente cheguei novamente ao Grande Vale, onde outro de meus cavalos me esperava. Alias, preciso buscar mais tarde o cavalo que ficou do outro lado das montanhas, boa lembrança!

    - Entendo – eu disse com melancolia – Mas quem é você, afinal?

    - Alguns me chamam de Blanca, alguns me chamam de senhora. A escolha é sua, mas saiba que sei o que procura, e o ajudarei nesta busca. Siga ao leste, não se demore mais aqui com perguntas tolas, quanto mais rápido partir melhor.
    - Como? Não entendo...

    - Ah, apenas vá! – riu, e saiu cavalgando para o oeste até entrar nas plantações que agora estavam no horizonte.

    Como aquela mulher de tudo aquilo sabia eu não podia responder, mas se tinha que seguir ao leste deveria fazê-lo o mais rápido possível.


    A caminhada pelo campo continuou até que o sol mergulhasse na escuridão e a lua surgisse, azul e acentuada pelo contraste com o céu escuro. Apenas deitei no chão negligenciando qualquer animal feroz ou perigo noturno e dormi bem até ser acordado pela luz do sol, que novamente renascia saído da escuridão.
    Fui por aqueles monótonos pastos que pareciam nunca acabarem até que nas bordas do campo uma floresta começasse a surgir. Mesmo que isso não alterasse o meu, já que o campo continuava entre as duas florestas, pelo menos agora poderia usufruir certa sombra.


    Mais ou menos às três horas daquele mesmo dia avistei um rio grosso e de forte correnteza que corria da esquerda pra direita deixando claro que naquele ponto era intransponível. Acharia um vau ou uma ponte em outro ponto de sua extensão.


    Cheguei mais perto do rio, não ousei mergulhar, apenas enchi minha mão de água e bebi rapidamente, depois me sentei na beirada do rio e pensei por uma hora. Deveria então escolher entre o norte e o sul. A escolha era simples, mas parecia a mais dura decisão que eu tinha de tomar em minha vida.
     
  4. Lord Kalaeth

    Lord Kalaeth Cavaleiro de Mordor

    comentario SdL
    até agora li só a intrudução.. quando ler o resto [re]edito este post :)

    comentário
    gostei bastante :) em expecial da parte em que eles se conhecem.. tou agora a tentar escrever uma coisa do tipo :) a ver vamos :)

    positivo
    gostei. uma pessoa fica apegada ao texto, e acaba no momento certo, para deixar alguém na espectativa..

    negativo
    não é bem negativo.. é um pekeno promenor: ele tem um nome demasiado "recente".. percebes o q eu kero dizer?
    ah..outra coisinha.. O incio mesmo não é tão chamativo como o texto em si..

    [hj tou excesivamente critico..] não percebi pk é que ele chorou.. revela uma fraqueza nele que antes não se notava.. sendo ele uma pessoa que luta pelo que quer [como se vê na parte do beijo] ele devia pelo menos ter ido a correr atras dela e depois se não a apanha-se, chorava.. [não ligues mt a isto :P]
     

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