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[L] [Lorien] [A Rosa]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Lórien, 15 Dez 2002.

  1. Lórien

    Lórien Última General de Nanto

    [Lorien] [A Rosa]

    No canto da sala estava jogada uma rosa. Cor de rosa, quase sem pétalas,
    que se espalhavam ao seu redor como uma memória esquecida de tempos
    imemoriais. Confinada à inércia de ser rosa sem ter perfume, de ser triste,
    de ser trágica, a trágica rosa que perdeu a beleza pisoteada pelos homens
    austeros da Incredulidade.
    Desalmada, a rosa. Quieta e fria, descrente, não venceria tal estado
    mórbido, não continha mais seiva, não tinha mais a textura suave que tivera
    outrora. Era uma rosa morta. No estado latente sepulcral de coisa
    abandonada, não chorava mais a rosa, pois suas lágrimas já tinham sido todas
    vertidas, e apenas o que lhe restava era um poeta triste para cantá-la, mas
    cansado demais para compor versos.
    Com a alma vazia, a mente estagnada, o poeta observava o jazigo
    incrédulo da flor. E se lembrava de como era bela a sua juventude, como eram
    belos os vestidos das jovens que com ele dançavam, deliciando-se ao ouvir os
    seus gracejos líricos entoados com a voz embriagada de vinho barato. Aquele
    poeta costumava caminhar pelos jardins de sua universidade munido de um
    lápis, um bloco de anotações e o desleixo típico de um estudante apaixonado.
    Assim, quando se sentia inspirado, sentava-se sob a sombra de uma árvore
    qualquer - mas que naquele momento parecia emitir um verde particularmente
    brilhante e poético - e sangrava o papel com a ponta do lápis, desenhando
    versos em homenagem a qualquer coisa bela que lhe atravessava os olhos.
    O que o jovem despreparado e desprendido poeta não sabia, era que as
    belezas que ele cantava eram só dele, frutos de uma imaginação pura,
    bucólica e pueril - mas principalmente, crente. Por isso, depois de cantar
    seus versos e deslumbrar as jovens, ele se encontrava sozinho, pois não
    sabia viver em um mundo que não fosse esse de sonhos e crepúsculos
    avermelhado; um mundo que não tem um céu azul de primavera imaculada, muito
    menos uma jovem de beleza atemporal senhora do amor e da suavidade, não
    sabia que o mundo não era feito de sonhos e ele não podia voar e nem viajar
    durante eras procurando caminhos escondidos entre as montanhas e horizontes.
    Quando se via sozinho, o poeta pensava que seu sonho era errado, e que sua
    vida era pobre e desprezível, queria ele queimar todos os seus versos e
    acabar com sua existência, para passar a jazer inerte como a rosa no canto
    da sala.
    Entretanto, ele observava, depois de muita dor e sofrimento causados
    pela solidão incompreensível, a flor em seu descanso eterno, e via que
    existe mais na vida do que a própria morte, e também há além da vida um
    lirismo natural das coisas naturais. Os sonhos são apêndices terríveis
    quando se não os controla. Depois disso, o poeta largou a pena, e passou a
    cantar com os olhos as verdades provindas do mundo que o cercava, deixando
    de lado o seu mundo inventado (inventado sem perceber, como se ele fosse uma
    percepção mais que natural da vida - o surrealismo o tomou de tal forma que
    ele próprio se distorcia como em uma câmara de espelhos), para procurar
    beleza e inspiração nas coisas palpáveis.
    Ele as encontrou, mas não se deixou levar por elas como havia se deixado
    levar pelos sonhos: sempre se recordava da bela rosa deitada ao chão, morta,
    destruída, recordando-se sempre de que nada é eterno, mesmo que seja belo.

    Ser iludido pelos conceitos dos sonhos é intenso, pois se tem controle
    sobre todos os resultados. Mas causa tensão muito grande por saber que na
    realidade nada acontecerá como planejado. Daí nasce o pessimismo, a
    insegurança, o Medo. O monstro de faces arroxeadas que emana vapores de
    embriaguês.
    Medo, medo, medo - livrarei-me eu destes grilhões gélidos e terríveis?
     
  2. Excluído004

    Excluído004 Excluído a Pedido

    Muito bom... A maioria dos poetas são românticos solitários... mesmo que tenham suas aventuras, casos, mulheres... poetas são assim... por ter a alma profunda onde o amor brota e jorra... não é mesmo?!

    Só quem é pode saber... :anjo:
     
  3. Sra. Pseudo

    Sra. Pseudo I'm a blueberry pie.

    Me identifiquei mt com o texto. Me fez lembrar de como eu estava me sentindo há meses atraz. Mt bom. :D
     
  4. Athos

    Athos Usuário

    Bonito artisticamente (pelo menos pros meus olhinhos leigos :anjo: ) e vai à raiz do pessimismo... muito bom. E tambem me identifiquei com um eu de uns tempos atrás :roll:

    * Athos ao som de Helloween - I WANT OUT *
     
  5. Clarice Starling

    Clarice Starling Usuário

    Muito bom Clau :*

    Isso me faz lembrar dos meus momentos depressivos... :osigh:
     

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