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[L] [lord kalaeth][Sexta-Feira, 30 de Fevereiro de 2003]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Lord Kalaeth, 29 Abr 2003.

  1. Lord Kalaeth

    Lord Kalaeth Cavaleiro de Mordor

    [lord kalaeth][Sexta-Feira, 30 de Fevereiro de 2003]

    Algures no fim do mundo existe uma casa onde sexta-feira, 30 de fevereiro de 2003 não é uma data ridicula. porque? Porque naquela casa os dias não passam.. só os meses e os anos.. A casa parou numa sexta-feira trinta de há 30 anos atrás.. Não é uma casa grande.. Nem é uma casa pequena.. É uma apartamento, numa qualquer cidade do leste da europa, onde há 30 anos pararam os dias.. Foi de noite, tão de noite que uma hora antes e seria para sempre dia 29.. Ela vivia lá sozinha há quase 6 anos, trabalhadora numa fabrica de relógios por profisão e pintora e pianista e escritora por gosto.. Escrevia muito, mas não escrevia para mais ninguem que não fosse ela.. E pintava.. Tinha pinturas lindas na sua casa, as paredes cobertas com quadros pintados sem tela, sem moldura.. Pintada naquelas paredes estavam os medos dela (na cozinha) as alegrias (no quarto) as memórias (na sala) e pelo resto da casa as paredes estavam cobertas com os escritos dela.. No hall de entrada, no centro de uma paisagem escura e bela, como só a escuridão pode ser, estava um relógio, que ela fizera em casa com peças de relógios que tinham saido avariados da linha de produção da fábrica dela.. Não era um relógio de pulso, nem um de parede.. Era apenas um conjunto de 6 pequenos mostradores encrustrados na parede, de frente para quem entrava.. O primeiro era o dos dias da semana, o segundo o dos dias do mês, o terceiro do mês, o quarto do ano, o quinto e o sexto tinham as horas e os minutos..3anos gastou ela com esse relógio,e outros 3anos funcionou ele.. Todos os dias ao acordar ela dizia bom dia ao relógio e todos os dias ao chegar da fábrica dizia boa tarde e à noite antes de se deitar despedia-se sempre dele com um beijo.. Sextas feiras era um dia de folga dela.. Ela passava as sextas em frente ao relógio (nunca lhe deu um nome, sempre disse que os nomes tomam vida própia e ela queria que o relógio vivesse só para ela), a ler-lhe os seus textos..

    Foi então, numa sexta de madrugada, que alguém entro na casa dela para lhe levar o dinheiro e os bens de valor.. Ela ouviu um barulho, levantou-se e foi ver o que era.. Morreu de frente para o relógio, e a partir desse dia nunca mais o relógio voltou a mexer os ponteiros dos dias, porque queria ficar para sempre parado nas sextas feiras de que tanto gostava..

    [foi encontrada apenas umas semanas depois, porque um vizinho se queixou do cheiro estranho que vinha daquela porta.. Nunca foi apanhado o homem que a roubou...]
     

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