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[L] [Liurom] [O Último dos Arqui-magos] (completo)

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Liurom, 1 Abr 2003.

  1. Liurom

    Liurom Usuário

    [Liurom] [O Último dos Arqui-magos] (completo)

    Caros amigos, eu escrevi um romance intitulado “A Guerra das Sombras”. Já terminei as duas primeiras partes. Cada uma delas é um livro completo e somadas dão mais ou menos umas quinhentas e poucas páginas. Mas não se preocupem. Não vou postá-lo aqui. :lol: Aliás, só mencionei o romance para explicar que o conto que vou postar nesse espaço é passado no mesmo mundo, alguns milhares de anos antes. Trata-se de um universo fantástico, mais ou menos como o do Senhor dos Anéis (mas não é Tolkien-based). O narrador do conto é Liurom, que é o meu nick, mas também um personagem. Pretendo postar um pequeno capítulo por semana, isso se houver algum interesse, claro.

    Qualquer comentário será bem-vindo!
    Divirtam-se!!!! :D

    Agora o conto já está completo, num total de quatro capítulos
     
  2. Liurom

    Liurom Usuário

    Primeiro Capítulo

    primeiro conto
    O ÚLTIMO DOS ARQUI-MAGOS
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    Capítulo 1

    “Glória ao antigo império que tanta luz trouxe ao mundo. Ó sol que já está se pondo, ainda agarro-me a sua luz. Pois que será de nosso povo mergulhado na escuridão?” (Tenari Ademos)

    Naquele dia o sol queimou mais uma vez, amaldiçoando as terras áridas que circundam essas ruínas. O domo da velha catedral finalmente desabara por completo na noite anterior. Agora a praça central estava totalmente cercada de escombros, à exceção do imponente prédio dos arquivos, nosso maior tesouro. O povo estava assustado, cada vez mais aterrorizado. Antes fosse só a escassez de água e de comida que os tornasse melancólicos. Mas infelizmente havia algo mais...

    Terminei de atravessar a praça silenciosa e entrei no prédio central. Um homem me esperava.

    — Magistrado, há algo que precisa ver. Uma mensagem de Etaerosaiod.

    — Compreendo. Venha comigo, Aemar.

    Seguimos pelos corredores da grande biblioteca, resquícios de uma civilização que decaía a cada momento. A visão dos tomos incontáveis me deixava cada vez mais melancólico, conforme as possibilidades de defender aquele tesouro se tornavam mais insignificantes. Aemar, ao contrário, tinha o olhar esperançoso. Por muitos dias aguardamos por essa mensagem, por esse sopro de esperança. E agora finalmente ali estava a minha frente aquele papel, portador inocente do nosso destino.

    Cheguei a meu gabinete que ficava no último pavimento. Uma larga janela desenhava-se atrás de minha mesa. A outrora gloriosa Roduan estava agora reduzida a escombros e ruínas, que se estendiam por uma área considerável. A exceção era a cidade nova, um conjunto de habitações simples construídas ao redor do prédio central em que me encontrava. Muralhas circundavam as construções recentes, protegendo-as. Distraí-me ao observar aquela paisagem triste, ponderava sobre o passado, sobre as histórias de guerra. Aemar ansiava-se com isso, pois ele desejava saber, precisava saber! Enquanto isso, o papel repousava em minhas mãos, sem que eu lhe desse a devida importância.

    — Percebi sua ansiedade, Aemar. Não se preocupe. Vou ler a mensagem agora. Mas não espere demais de nossos amigos do norte. Eles têm seus próprios problemas, você sabe.

    — Eu compreendo. E obrigado, Magistrado.

    Percebi pelo tom de sua voz que minhas palavras não conseguiram acalmá-lo. Li o texto que a mensagem continha. Li vagarosamente todas as linhas, procurando apreender cada partícula de significado. No final, porém, vi que a mensagem era bastante simples, embora fosse muito surpreendente.

    — Magistrado, e então?

    — De fato, um exército vem do norte. Passaram ao largo de Tenari Aquinos.

    — A terceira legião? Então é verdade? Eles vêm em nosso auxílio? — exclamou o pobre homem, tomado de um intenso júbilo.

    — Não seja tolo. Há muito que não existe terceira legião. Os reforços não são nossos, mas sim do inimigo. Parece que são cerca de dez mil homens. Pretendem nos massacrar.

    Aemar nada disse em resposta, tamanha foi sua surpresa.[/img]
     
  3. Vëon_theOld_vb

    Vëon_theOld_vb Alegria da Criançada

    Posta o livro kra! Deve ser legal. :D
     
  4. Liurom

    Liurom Usuário

    Vëon, se você tiver interesse, pode dar fazer o download gratuito e integral da primeira parte do meu livro (chamada "O Livro de Dinaer") no seguinte link:

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    É um arquivo pdf.

    Ainda pode obter informações sobre o mundo e sobre a obra no meu site:

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    Qualquer dúvida, entre em contato comigo.
     
  5. Liurom

    Liurom Usuário

    Aproveitei para escrever o segundo capítulo logo, já que estou com tempo. Havia originalmente planejado postá-lo na semana que vem. Pretendo terminar os três primeiros capítulos o quanto antes. Quem ler os três vai poder ter uma idéia razoável do que é o conto e se vale a pena continuar acompanhando.

    Capítulo 2

    “Aqueles que eram conhecidos como magistrados neionaim eram os grandes arqui-magos a serviço do Antigo Império. Poucos foram os homens que alcançaram tamanho poder, em face do qual — dizem as lendas — exércitos inteiros, por vezes, tremeram” (Nemaelos)

    Meditei sob a estátua Bemoai, o senhor do leste, durante cerca de três dias, justamente quando as batalhas mais acirradas e sangrentas pelo domínio de Roduan foram travadas. Isso não significa que estivera alheio aos acontecimentos. Alguém como eu é capaz, em certa medida, de ouvir a “voz do mundo”, como a chamam os guardiões. No estado de Atonai, permiti que minha consciência se expandisse, ao mesmo tempo em que desfocava minha percepção, com o fito de reunir as forças necessárias para o inevitável.

    — Magistrado, preciso lhe falhar — balbuciou Aemar, que estava ferido no braço e muito cansado também.

    — Já o esperava, meu amigo. Por favor, entre.

    De fato, aquele era o momento e eu estava preparado.

    — O inimigo está sitiando nossas muralhas, Magistrado. Nossas posições foram dizimadas. Só nos resta a guarnição da cidade nova, com uns trezentos guerreiros. A situação é desesperadora e eles sabem disso. Exigem nossa rendição incondicional dentro de no máximo duas horas. Provavelmente, vão nos matar ou vender como escravos, eis o que farão!

    — Eu sei muito bem dessas coisas, mas...

    — Desculpe-me, Magistrado, mas como pode saber? O senhor ficou aqui meditando, enquanto muitos homens lutaram e morreram!

    — Compreendo seus sacrifícios e agradeço por terem cumprido minhas ordens, ganhando um tempo precioso. Tenho fé que esse derramamento de sangue não terá sido em vão.

    — Como pode dizer uma coisa dessas, Magistrado? Por acaso está em seu juízo perfeito?

    — Garanto que estou, afinal, eles ainda têm um obstáculo a enfrentar. Não pense que pretendo fugir da luta. Eu irei lidar com eles pessoalmente.

    — O senhor? Sozinho? — exclamou Aemar. Ficou muito espantado.

    — Ah, agora entendo... Você me chama de “magistrado”, mas acredita que sou discípulo de tenariam. Está equivocado. Minha ordem é a dos neionaim.

    — O senhor? Será possível? Mas...

    — Basta, Aemar! Nosso inimigo nos deu um ultimado. É preciso dar a adequada resposta o quanto antes, não concorda? Vamos.

    Deixamos o prédio dos arquivos. A população que restava, mais ou menos umas cinco mil pessoas, estava toda concentrada na praça central. A maioria daquela gente era formada por mulheres, velhos e crianças. A maior parte dos homens estava ferida. A multidão de maltrapilhos sentia sede, fome e estava cansada. Aliás, os trapos que usavam eram a demonstração mais evidente de que a guerra os exaurira por completo. Compadeci-me deles.

    — Meus caros amigos — falei, e todos se voltaram para mim. Os magos, como se sabe, podem falar à mente dos que os escutam. Por esse artifício, conseguem ser ouvidos com clareza, mesmo sem gritar.

    — Meus caros amigos — repeti —, quando meus mestres enviaram-me de Anisai há três anos, as instruções que recebi eram cristalinas: proteja em primeiro lugar o povo de Roduan e, em segundo lugar, os velhos arquivos. Hoje nem sei se aqueles que me incumbiram dessa missão ainda subsistem, pois grandes eram seus desafios... Mesmo assim, tentei cumprir minhas ordens da melhor maneira possível. Infelizmente, os tempos em que vivemos são terríveis e os obstáculos, grandes demais. Mas eu lhes digo: não irei fracassar. Não totalmente! Posso não conseguir salvar a maior parte dos arquivos, nem todos a quem vim proteger, mas escutem o que eu digo! Povo de Roduan, esse não será seu último dia. Eu juro que não será!

    As pessoas ouviram espantadas não só pelo conteúdo de minhas palavras, mas também em razão do tom ligeiramente alterado de minha voz, que possuía algo de místico, sobrenatural. Era uma decorrência da linguagem mental, que utilizara para me comunicar. Sem mais delongas, rapidamente cruzei a praça, dirigindo-me ao portão mais próximo. Ninguém falou comigo. Passado o espanto, por certo julgaram tratar-se de um delírio nascido de uma mente que perdera a razão. Pobres pessoas. Não sabiam como estavam enganadas...
     
  6. Liurom

    Liurom Usuário

    Terceiro Capítulo

    Aí está o terceiro capítulo do conto. Como disse, vou tentar continuar postanto um pequeno capítulo por semana.

    Capítulo 3

    “Ao que parece, a idéia de meta-espaço não tem nada de abstrata. É apenas uma percepção mais acurada da realidade concreta, com especial enfoque nas forças que a compõem. (...) Os velhos manuscritos sugerem que a compreensão do meta-espaço (que os estudiosos da Terra do Vento chamam de ‘a essência do Quinto Portal’) era a grande chave do poder dos magos dos tempos antigos.” (Jion Silai)


    Os portões abriram-se lentamente. O vento soprava forte, trazendo um frescor que não podia ser anulado por um sol que já se punha. Ainda restava, porém, suficiente claridade para que o inimigo visse meu vulto. Eu também os vi, mas não necessitava da intermediação do sol para isso. Lá estavam eles, cerca de cinco mil guerreiros enfileirados. Eram também pessoas miseráveis, desprovidas das coisas que os homens do passado consideravam comuns — e nisso se assemelhavam ao povo de Roduan. Mas estavam completamente corrompidos pelo tempo, pelas guerras que muitas gerações foram obrigadas a enfrentar. Reduzidos a meros bárbaros, cruéis e mesquinhos, mereciam meu desprezo, mas não minha misericórdia.
    Um homem a galope aproximou-se devagar. Sorria de forma cruel. Estava muito confiante.

    — Eu sou Atemos, o senhor da guerra do clã de Euon-maid. Suponho que você seja o líder dessa gente, aquele que chamam de o grande magistrado — disse ele, arrotando ironia e desprezo.

    — De fato. Nos últimos seis meses, desde a morte do nobre Laedos, assumi o fardo de liderar esse povo. Meu nome é Liurom.
    O inimigo ficou por um momento pensativo.

    — Pelo seu modo de falar, percebo que não é de Roduan. Além disso, a maneira como escolhe as palavras, certas declinações que utiliza, lembra-me, não sei por quê, os textos antigos, a velha língua central clássica e pura, que hoje já está morta. Mais precisamente a modalidade veradiana-anisáica é a que o senhor utiliza, não é mesmo?

    — Exatamente. É impressionante que tenha chegado a essa conclusão tão rapidamente, pois eu pronunciei apenas umas poucas palavras...

    — Vejo que está surpreso, magistrado. Esperava por acaso que eu fosse um analfabeto, um ignorante, como esses homens que me seguem? Ah, mas aí é que o senhor se engana. Se eu iniciei essa campanha, não foi para obter mais uma leva de escravos apenas. Reconheço que esse fator foi importante, principalmente para motivar meus guerreiros. Mas para mim, o grande tesouro são mesmo os arquivos. É sobretudo para deter o controle sobre o conhecimento dos antigos que decidi conquistar Roduan. Logo, estou longe de ser um bárbaro, como Laedos me chamava.

    — Pois eu concordo com Laedos. O senhor se julga superior a seus guerreiros e talvez até seja mesmo, mas só no conhecimento. Em termos morais, em razão de seu desprezo pela vida e pelos direitos dos mais fracos, o senhor não passa de um bárbaro sanguinário, um homem que, nos tempos do Antigo Império, seria equiparado ao mais reles dos bandidos, o mais torpe dos piratas.
    Atemos pareceu enfurecer-se. Divertia-me aquele comportamento tão previsível.

    — O senhor subestima-me, menospreza-me, como o velho Laedos fazia! E ele pagou com sua vida por esse erro. Pergunto-me se não acontecerá o mesmo com o senhor agora...
    Ele desembainhou sua espada com um ímpeto assassino. Contudo, deteve-se por um instante, um pouco surpreso, ao ver-me impassível ante sua ameaça.

    — Eu o subestimo? Mas é justamente o contrário! — afirmei. — O senhor é que está excessivamente confiante. Se não me subestimasse, jamais se apresentaria na minha frente desguarnecido, identificando-se como o líder dessa horda de bárbaros. Não devia ter se afastado dos seus guerreiros. Há de convir que isso foi muito imprudente, bárbaro.

    — Vejo que enlouqueceu, magistrado! Somente assim se explica tamanha empáfia na hora em que está para encontrar sua morte.

    — Basta! — trovejei. E meu brado não foi o do comum dos mortais. Era como se cem, duzentos homens gritassem ao mesmo tempo, pois minha voz ecoou de forma avassaladora na mente daqueles que me circundavam. A espada que Atemos tinha em suas mãos, eu o forcei a largar. Foi arremessada a grande distância, partindo-se em vários pedaços.

    — Então é um mago. Acha que tenho medo de magos? — balbuciou ele. Tentava ainda manter uma aparência de confiança.

    — Um mero mago? Meu caro tolo, você, que se julga conhecedor das coisas de outrora, não é capaz sequer de deduzir o que sou, a que ordem pertenço? Você mesmo adivinhou que vim de Anisai e sabe que meu título é magistrado. E então? Não percebe?

    — Não pode ser! É um blefe! É um blefe! — disse ele, tomado de um estranho pavor. Ele obviamente percebia. — Não importa! Não importa quem você seja, vai morrer, maldito!

    Fez menção de se afastar, amedrontado, mas não teria tempo para isso. Seu corpo, eu o desfiz em vários pedaços, que transformei no instante seguinte em finas cinzas, logo arrastadas pelo vento. Realizei o procedimento com muita classe, sem permitir que uma gota de sangue sequer se derramasse no chão. Essa manobra de dificuldade moderada resumia-se a um breve e sutil remanejo do meta-espaço, que até mesmo uma pessoa de capacidade mental mediana seria capaz de realizar (com o devido treinamento, é claro). O corcel, sem o cavaleiro, saiu em disparada.

    Os bárbaros mais ao longe — como eu esperava — ficaram visivelmente transtornados, amedrontados com aquele evento fora do comum. Por um momento, pensei que fugiriam — o que seria um alívio. Alguns de fato desertaram. A grande maioria, porém, permaneceu. No final recusaram-se a acreditar que cinco mil homens não seriam páreo para um só. Vencer um exército inteiro! Uma tarefa digna dos grandes mestres, sem dúvida. Eu mesmo não estava muito certo de que seria capaz de um feito desses.

    Veríamos.
     
  7. Vinci

    Vinci Usuário

    Li o primeiro capítulo. Pô... 10.000 homens? É povo pra caramba!
    E, vou ler mais pra ver se Roduan sobrevive...
     
  8. NaVegaDor

    NaVegaDor Usuário

    Comentário SdL

    Entendimento do Texto

    Liurom pelo que entendi Roduan seria uma das grandes cidades dentro desse seu universo que foi duramente atacada e a história fala dos que sobraram para resistir e proteger seu maior tesouro, os arquivos contendo antigos conhecimentos. Com destaque para o Magistrado Liurom, que parece ser mais do que aparenta...

    Pontos Positivos

    Muito bem escrito, há um certo floreado, mas parece adequado. Fica claro que o texto é um fragmento de algo muito maior o que dá um certo ar épico ao mesmo. Só não exagera nisso, citando tantos nomes e referências ainda desconhecidas, que na medida certa deixam um toque lendário legal. Ah, achei imaginativo, coisas como "meta-espaço" deixam minha imaginação à mil.

    Pontos Negativos

    Liurom me parece super poderoso demais, como se não bastasse ele ainda fica se gabando como em "com muita classe" e "até mesmo uma pessoa de capacidade mental mediana seria capaz ", assim não dá pra simpatizar com o cara... :mrgreen: Mesmo quando diz não estar certo se será capaz de realizar alguns feitos grandiosos (como diz ao final) dá a impressão que ele é o personagem "queridinho do autor"...
     
  9. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    Comentário SdL

    Entendimento do Texto

    Com toda certeza Roduan é importante no contexto deste mundo e deste universo, embora alguns fatores fiquem obscuros, como por exemplo: a mando de quem ou o quê Atemos atacaria Roduan?

    Pontos Positivos

    A História Antiga e as várias citações são ótimos elementos. A Classificação de Liurom como um cara antipático (como disse o Navegador) não é para mim válida, afinal o cara é um Arquimago e além disso os personagens devem ser assim mesmo: defeituosos psicologicamente.

    Pontos Negativos

    Algumas coisas ficaram mal explicadas, como por exemplo qual era o papel de Liurom como Magistrado de Roduan. Mas creio que isto pode ser remediado ao longo do tempo e de como o texto se desenvolver.
     
  10. NaVegaDor

    NaVegaDor Usuário

    Eu concordo Green, eu adoro personagens realistas que possuam (tbm) "defeitos" em sua personalidade. Só me incomoda que ele ao narrar mostre isso. É como, mal comparando por favor, ler a versão da guerra do iraque pelo filho do Bush. Mas isso pode ficar interessante, não sei. Apenas opinião inicial. :lily:
     
  11. Liurom

    Liurom Usuário

    Muito legais os comentários de vocês. Gostei dos elogios e das críticas :clap: :clap: :clap: :grinlove:
    Aliás esse estilo comentário SdL, com pontos positivos é negativos, é nota cem. Vou adotá-lo daqui para frente.

    Vou fazer algumas observações:



    É verdade. Roduan era mesmo uma das grandes cidades nos tempos antigos. Fazia parte do Antigo Império, que a guerra destruiu. No meu livro, eu não trato desse período de decadência, mas sim de um tempo em que uma nova civilização já ameaça surgir (uns dois mil mais a frente). É que a guerra que destruiu o Antigo Império não acabou de verdade. Entrou apenas num período que ficou conhecido por certos povos como "A Grande Lacuna". Pois bem, só que a fase final e decisiva dessa guerra ainda estava para acontecer, eu a narro no meu livro. O conto está sendo muito útil para mim, está me permitindo conhecer muitos fatos dos tempos antigos. Eu sempre quis saber como era Roduan e estou descobrindo agora. Outra coisa que eu sempre quis saber é como era o real poder dos magistrados neionaim, e isso eu vou descobrir no capítulo quatro do conto. Estou curioso...

    Você fez muito bem em criticar o floreado, ou o estilo muito formal, que é meu principal defeito como escritor. Juro que não faço isso por mal ou para me "exibir". Simplesmente, não consigo escrever de outro jeito. Estou trabalhando nisso e vou me aprimorar aos poucos. O problema é que o estilo épico da história também não permite um tom muito informal, entende? Ficaria até mais ridículo. O que eu preciso é achar um meio termo. Um dia eu chego lá... :osigh:
    A citação de nomes é inevitável nesse momento, até por que, pelos capítulos serem um pouco reduzidos, as informações ficam concentradas. Mas não se preocupe. A história vai surgindo e se explicando aos poucos. Vou jogando informações que parecem confusas agora, mas depois tudo vai ficar bem evidente.
    Essa história de meta-espaço foi uma idéia que surgiu no livro, mas não na forma que assumiu no conto. É que os magos de dois mil anos depois perderam muito desse conhecimento e embora haja alguns personagens que utilizem o poder do meta-espaço, eles não o chamam assim.

    Bem, a extensão dos poderes de Liurom nem eu conheço direito. Ele fica se gabando mesmo, porque é arrogante. Não espero que gostem dele como um herói épico perfeito. Entendam: ele pertence a uma "casta", os magistrados neionaim, que se consideram mesmo superiores aos outros homens. E ele acha que é especialmente superior aos bárbaros. Mas, apesar disso, Liurom tem certas qualidades heróicas, não é mesmo? Afinal de contas, ele ajuda os fracos. E quanto ao fato de ele ser meu queridinho, você vai ver que ele não é. Talvez essa impressão tenha surgido porque ele é o narrador, além de protagonista e o meu nick. Parece que ele está no controle de tudo. Mas não está. No devido tempo, vou providenciar para que ele descubra que é não tão poderoso quanto pensa ser...



    Green Arrow, os seus comentários são muito bons. Acho que já comentei a maior parte do que você disse. Quanto à função de Liurom como magistrado eu posso dizer o seguinte: nos últimos seis meses ele está liderando o povo, já que o líder original foi morto. As funções clássicas de um magistrado neionaim não foram ainda esclarecidas mesmo. Vamos ver se serão mais para frente.

    De novo, obrigado pelos comentários :D
    Hoje mesmo pretendo ler alguns textos recomendados pela SdL.
     
  12. Liurom

    Liurom Usuário

    Capítulo 4

    Eis aí o último capítulo desse conto

    Capítulo 4

    “Quero compreender o antigo despertar, aquela idéia única, capaz de desfazer todos os paradoxos que torturam meu espírito nesses tempos absurdos! Se o preço desse entendimento é a destruição, que assim seja! Pouco me importa que minha consciência seja dissolvida no infinito, desde que, ao menos por um mísero instante, eu compreenda enfim...” (Adoar de Quinos)

    A luz do sol nos deixara por completo. A lua, farol solitário, jogava seu tênue manto azulado sobre nós. Mas essa luz era fraca demais para que pudesse compreender as coisas com clareza. Fechei os olhos. Não precisava deles, pois o sentido que se abria diante de mim era mais perfeito. Era curioso observar meus opositores sob a ótica do meta-espaço. Enquanto as forças que formam o Universo pouco variam em torno dos objetos inanimados, grande é seu dinamismo nas proximidades dos seres viventes. Isso se dá porque a vida exemplifica de forma acelerada uma realidade que a tudo permeia: a mutação. O deslocar das forças era um reflexo da natureza aceleradamente mutante da vida. Cada troca de energia com o ambiente, cada pensamento, cada batida do coração humano representavam uma transformação que se expressava por uma alteração na ordem das forças. E como era interessante observá-las, enquanto expandia minha consciência para que, por fim, ainda que de forma tênue e precária, pudesse alterar sua forma, moldá-las de acordo com minha vontade. Tão sedutor é esse processo que não foram poucos os mestres que permitiram que sua consciência continuasse a se expandir indefinidamente, para que pudessem ver cada vez mais longe. Esses, não raro, perderam a coesão de seus espíritos e a morte os colheu. Mas eu não permitiria que isso acontecesse comigo. Logo, foquei minha percepção nas linhas inimigas.

    Violenta e subitamente criei uma distorção relativamente intensa (porém fugaz) no meta-espaço, utilizando para isso todo o meu poder. O plano da matéria respondeu a essa alteração de forma surpreendentemente atroz. Com um enorme estrondo, sob os pés de meus inimigos uma gigantesca fenda se abriu. Parte da terra elevou-se aos céus em impressionante explosão. Fragmentos espalharam-se por uma grande distância. Um eco inesperado produziu-se no meta-espaço, como reflexo da transformação que se operara no plano da matéria. A onda de choque confundiu meus pensamentos por alguns instantes, causando um leve tremor de terra que demorou a cessar, como um grito do próprio mundo ferido pela minha intervenção. Era mesmo quase um sacrilégio desestabilizar o equilíbrio das forças em um grau tão intenso, mas situações desesperadas reclamam medidas igualmente radicais. Contudo, um golpe tão contundente drenara minhas forças consideravelmente. Já estava bastante cansado.

    Assim que consegui equilibrar meu pensamento, reconduzi minha percepção para as linhas inimigas, logo compreendendo que quase a totalidade dos adversários fora eliminada ou desertara. Meu golpe havia funcionado. Havia, porém, uma divisão, justamente a cavalaria, que por estar mais afastada, sobrevivera praticamente incólume. Surpreso, percebi que eles se lançavam contra mim com ferocidade. Eram cerca de trezentos corajosos cavaleiros, que se recusavam a desistir, mesmo ante minha contundente demonstração de poder. Como já estava cansado, contentei-me em fazer surgir sobre mim dez grandes esferas flamejantes, que mantinha unidas pela força do meu pensamento. Lancei-as contra eles. Um grande número de inimigos foi assim abatido ou desertou. Restavam ainda aproximadamente duzentos. Vi que alguns deles, talvez duas dezenas, assumiam uma posição propícia e disparavam fechas. Chamei as sombras até mim. Nenhuma luz incidia sobre meu corpo, de modo que seria muito difícil acertar-me. Além disso, não pretendia ficar parado. Desembainhando minha espada, investi contra os demais. O poder mental impelia meu corpo adiante a grande velocidade. Se considerarmos que uma parede de sombras dificultava que me vissem, fica fácil entender por que consegui ferir vários deles e sobreviver. Passei pela coluna inimiga com grande rapidez. Mesmo assim acabei machucado na perna. Porém, pior que o ferimento era a exaustão mental. Ainda restavam mais de uma centena de inimigos. O que deveria fazer?

    Minha mente exausta não era mais capaz de sustentar a parede sombras. Novamente estava visível. Não foi preciso mais nada. Numa nova saraivada de flechas acabei atingido no ombro. Caí gravemente ferido. Nada mais podia fazer. Seria esse então o meu destino? Morrer ali? Possivelmente. Embora eu devesse perecer, talvez o povo de Roduan e uma parte dos arquivos se salvassem. Aqueles cavaleiros restantes não conseguiriam invadir a cidade central. Até que mais reforços inimigos chegassem do norte, meses se passariam. Sim, eu ganhara um tempo precioso que poderia ser usado para planejar uma fuga. Já tínhamos vários navios no porto e o velho Etaeros logo enviaria mais, eu esperava. Ao menos, a chance deles era razoável, cumprira bem minha missão. Lutara com todas as minhas forças, honrando a velha estirpe, como se fosse o último dos neionaim a andar sobre a terra — e talvez fosse mesmo. Estava satisfeito.

    Minha consciência se perdia em estranhos devaneios. Ainda vi que os cavaleiros me cercavam, mas houve um grito, ou melhor, vários gritos, e o som não partia deles. Quem estava gritando e por quê? Minha visão se embaçava quando vi algo que parecia impossível, uma miragem. Aquilo que restava da guarda de Roduan (os trezentos guerreiros) vinha em meu socorro e aparentemente alguns do povo também. Nada mais posso dizer, porque nada vi do que se passou.

    Dias depois despertaria ferido, mas vivo. As pessoas que me velavam sorriam satisfeitas pela minha melhora. Um novo vínculo de amizade e lealdade unia-me àquela gente, ao nobre povo dos arquivos. Pressenti que grandes desafios estavam por vir, mas isso não me inquietava. Ao menos naquele momento, sentia-me pronto para enfrentá-los.

    Aqui termina do conto "O Último dos Arqui-magos"
     
  13. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    Termina mas deixa muito para terminar. Bom final, que mostra a razão da arrogância do Arqui-mago: o seu surpreendente poder.
     
  14. Liurom

    Liurom Usuário

    Pois é. Originalmente, o tema do conto era um pouco mais amplo. Resolvi reformular essa idéia. A batalha de Roduan transformou-se no enredo central de "O último dos Arqui-magos". Pretendo escrever aos poucos outros pequenos contos auto-contidos, que vão abordar outros aspectos da vida de Liurom e da jornada de seu povo.

    O poder dele revelou-se mesmo surpreendente, mas é curioso que, apesar de tudo, ele não teria conseguido sobreviver à última leva de inimigos sem a ajuda de pessoas comuns. Seu poder, no final, acabou sendo insuficiente. Quem sabe ele fique um pouco mais humilde depois disso.
     
  15. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    Não acho (eu sei que você é o autor, mas isto é uma amostra de minhas idéias para o personagem).

    Creio que ele ficaria grato sim, mas não desceria do pedestal. Ficaria ali, poius esta era a natureza dele. Uma mudança por causa de uma ajuda de quem ele na verdade estava salvando não seria morivo para uma mudança tão radical.
     
  16. Liurom

    Liurom Usuário

    :think: pode ser, Green Arrow... O que você falou faz sentido.
    De qualquer forma, é difícil prever. Eu também estou longe de ter certeza se ele vai se tornar mais humilde. É possível que fique ainda mais arrogante agora que tem a consciência exata da extensão do seu poder. Só vou saber quando escrever. :wink:
     
  17. NaVegaDor

    NaVegaDor Usuário

    Bom deixa eu postar o que achei do final, né?
    Eu gostei. Você escreve muito bem Liurom, acho que desta vez deu até pra torcer pelo personagem/narrador justamente por nos parecer que havia perigo. Só achei o final meio previsível :mrgreen: .
     

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