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[L] [Largo Cavafundo][Gëaráv: A Criação do Mundo]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Largo Cavafundo, 6 Mai 2002.

  1. Largo Cavafundo

    Largo Cavafundo Usuário

    [Largo Cavafundo][Gëaráv: A Criação do Mundo]

    Bom, aqui esta o comeco de um textinho que eu fiz ilustrando o inicio do mundo segundo minha mitologia. Contudo, antes de mostra-lo tenho algumas coisas a dizer sobre ele.
    A primeira eh que sim, voces encontrarao muito de Tolkien ai. Por que? Porque eu nao tenho originalidade alguma :wink: .
    A segunda eh que vao ter MUITOS erros, porque eu traduzi rapidamente, e assim rusticamente, ja que foi feito em ingles.
    A terceira eh que eh apenas a primeira parte de quatro. Colocarei as outras quando puder (exato, vou fazer que nem com o Vaeklan, prometer e nao fazer nada :twisted: )
    A quarta eh que eh meio pequeno sim, pois eu fiz corrido. Eu pretendo extender mais o mito futuramente.
    A quinta: boa leitura!

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    Gëaráv e Mækuir

    No início, não havia nada, somente Ele: Ele não tem nome, mas homens inventaram o nome Ëaná Värùtân, e esse foi usado até o último dos Dias Alegres do Mundo. Mas Ëaná era solitário, e ansiava por alguém para fazê-lo companhia. E por causa disso ele criou os Dois, seus filhos. Ele os nomeou Gëaráv, "o sábio", e Mækuir, "o belo", e os deu duas jóias, uma para cada: duas pérolas magníficas, perfeitamente redondas, que eles usavam para ornamentar suas testas; juntos os três moraram alegremente antes que tudo o mais fora feito.
    Mas, embora Ele não tivesse um favorito, e amasse muito os dois, era sabido que Gëaráv era muito parecido com Ele, entalhado com perfeição por dentro, enquanto Mækuir tinha seu exterior esculpido com habilidade e carinho. Mas infelizmente Mækuir também sabia disso, e ficou com ciúmes do laço entre os dois, pois ele amava muito seu criador, "muito mais que meu irmão", ele começou a pensar.
    Um dia, quando seu pai não estava olhando, Mækuir aproximou-se de seu irmão com malícia. Ele perguntou com sua voz macia: "Meu caro irmão! Emprestaríeis-me vossa pérola, que trazeis em vossa testa? Eu gostaria muito de apreciá-la, pois é muito mais brilhante que a minha, e muito mais bela!". E o irmão respondeu: "Por que, irmão? Não vejo diferença entre elas! Mas sim, por que não? Mas eu vos imploro, tome cuidado, não deveis quebrá-la, ou eu terei de abandonar este lugar e nosso gentil Pai". E Mækuir riu, pois isso ele sabia, e ele tomou a jóia e fechou sua mão sobre ela. E ele quebrou-a vagarosamente, vendo Gëaráv cair em seus joelhos em sua dor, e ser abatido. E ele abriu sua mão novamente, vendo que toda a luz havia ofuscado, e apenas uma areia branca restou, a qual ele jogou no ar, e esta se dispersou. Mas em seu rosto havia dor e tristeza, pois ele vira o que sua loucura fizera-o concretizar.
    "Ai de mim, meu filho!" falou a voz de Ëaná, "Por que isso? Aonde quer chegar assim? Foi terrível o que fizestes, e devereis ser punido." Mas Ele não havia forces par air contra seu próprio filho, e Ele ainda o amava. Assim, Ele falou para Mækuir ir, e não voltar até que fosse ordenado.
    Então um túmulo foi feito, e este era esférico, de rocha dura e forte, com um anel enorme gravado na superfície, e um pequeno círculo no lado oposto: uma ilha situada lá, só, uma fechadura para o interior. A alma de Gëaráv foi colocada nele, e seu calor era tão intenso que fundiu a pedra grossa, deixando apenas uma crosta fina no exterior. E Ele pela primeira e última vez chorou, e suas lágrimas encheram o túmulo com água e sal.
    E Ele chamou Mækuir, que não mais tinha sofrimento em seu rosto, mas revolta e cólera, e a jóia em sua fronte estava escura. Ele o mandou para a ilha solitária no túmulo, e sua ascendência destruiu a superfície da rocha como ela era, criando cavidades e montanhas, e o anel não mais era um anel, e a água entrou nas rachaduras, formando lagos, mares internos e vales de rios, pois ele estava carregado com o peso de seu pecado.
    Assim Gëaráv, o Mundo, nomeado como a força dentro dele, começou.
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  2. Strider

    Strider Usuário

    HAHAHH! Eu me vi lendo o Ainilundale ou a Criacao do Mundo segundo a Igreja Católica... mas ta bomzinho Largo... mas eu quero o Vaeklan!!!!
     
  3. Largo Cavafundo

    Largo Cavafundo Usuário

    Ola ola!!! Aqui esta a segunda parte, "As Estrelas Resplandecentes"! Esta MUITO Tolkeniribitizada, e eu ja tenho ideias pra mudar, mas estava com preguica entao vai assim mesmo

    Boa leitura!

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    As Estrelas Resplandecentes

    Após a descida de Mækuir, Ëaná viu que, embora Gëaráv se for a, sua alma ainda poderia trazer alegria, e decidiu deixar o amor nascer de onde antes veio pesar. Para guardar tudo que seria feito, Ele criou as Três. Eram elas donzelas formosas e justas, e elas também traziam pérolas, mas essas não eram brancas ou negras, mas coloridas, com rosa, azul, amarelo e verde-claro.
    Elas andavam pelo grande continente com seus leves passos, e cantando canções de beleza eterna, que não possuíam palavras; mas apenas sons de água, vento e fogo. Elas criavam matas e animais; e ventos, e correntes nos rios; e mandavam água para os céus, onde esta faziam nuvens e chuva.
    Para ajudá-las, Värùtân mandou mensageiros de intenso poder (mas não tão intenso quanto o das Três), os Deuses, que caíram em Gëaráv como gotas prateadas de pura luz. Por eras elas trabalharam incessantemente, e não pararam para cantar ou dançar, a menos que o próprio Ëaná falasse para o fazerem, pois elas eram Suas filhas como Gëaráv e Mækuir foram Seus filhos.
    Outrora, enquanto elas bebiam o puro néctar e cantavam ao som das harpas dos Deuses e liras perto de uma floresta e do mar, um movimento foi visto num pequeno arbusto. Pensando que não era nada mais que um veado, elas colocaram comida perto do lugar, e esperaram para ele comer. Mas quando isso aconteceu, elas perceberam que não era um mero veado, mas um animal parecido com elas, que mantinham-se em dois pés e tinha pele clara, e poucos pêlos, exceto no topo da cabeça, e este não era marrom-escuro, mas dourado. Seus olhos eram azuis, e suas orelhas pontudas, e era alto e forte. E não andava nu como os outros animais, mas vestia roupas feitas de uma pequena planta chamada matira, parecida com o algodão. Era uma fêmea.
    Elas a pegaram, e deram para ela moradia numa clareira protegida entre as árvores de Elēï Iken, a Floresta Imortal. Depois de algum tempo, elas perceberam que ela temia a escuridão e era calma somente perto de um fogo. Mas de todos os problemas, o pior era a solidão que ela sentia; e ela pedia por algo para as donzelas, mas elas não entendiam, pois ela só falava “Fëalder! Fëalder!” e nenhuma palavra era isto. E elas imaginavam o que ela desejava, enquanto seus olhos olhavam sempre para o Sul. A incapacidade dos Deuses de trazer o que ela necessitava resultou em sua escapada. Ruërnì, Deus do sono (pois naquele tempo não havia dia ou noite), ainda estava vigilante, e a seguiu, invisível como as crianças de Ëaná podem ser se quiserem.
    Ela corria sem destino, pensava ele, mas o caminho pelas florestas ela conhecia até mesmo no escuro, e logo ela chegou ao lugar aonde ela fora encontrada pelos Imortais pela primeira vez. Lá ela parou e cantou, mencionando os Deuses e Donzelas, e repetindo no final “Fëalder, Fëalder!”. Para aquele lugar foram muitas outras daquelas criaturas, homens e mulheres, muito diferentes uns dos outros: a cor do cabelo, os olhos, o tamanho.
    O Deus retornou e relatou o acontecido para as Três, que foram para a pequena floresta, trazendo de volta para o Norte todas as criaturas. O lugar foi para sempre conhecido como Fëaldiniarkè Iken, o Bosque da Descoberta dos Elfos, os mais belos e sábios dos seres livres de Gëaráv.
    Mas ainda eles temiam as sombras negras da escuridão eterna, e não ousavam a deixar suas casas. Vendo isso, as Três procuraram por luz, mas não tiveram sucesso algum. Elas viajaram de um lado do mundo para o outro, até que pararam, sem esperanças. Mas uma delas, a Guardiã da Vida, achou, escondidos fundo numa caverna, pequenos insetos que brilhavam, lembrando-a da descida dos Deuses dos céus. Assim, ela os mandou para morar junto as nuvens, e lá eles permaneceram juntos, formando imagens de animais, Deuses e Elfos: as constelações.
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  4. *Lily*

    *Lily* Usuário

    Muito, muito, muito boa, Largo! Adorei! ( Haja criatividade...) :D :D :D
     
  5. Largo Cavafundo

    Largo Cavafundo Usuário

    Terceira parte aqui, falta so uma! Quem adivinhar qual eh a quarta ganha um premio :wink:

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    As Luas Gêmeas

    A Segunda Era do Mundo começou com muita felicidade, pois os Elfos moravam com os Imortais em imensas cidades de ouro e prata, que brilhavam com a luz das estrelas, e a ameaça de Mækuir estava longe no mundo – ou é o que eles pensaram, pois nunca esteve O Amaldiçoado contente ou satisfeito com nada: ele falava para si mesmo, tentando se convencer de que seu pai era o inimigo do Mundo, mas principalmente do próprio Mækuir , e que ele deveria destruir-lo e à tudo que Ele criara. Desses pensamentos de vingança vieram feitos negros: demônios e espíritos; dragões e trasgos; trolls e aranhas gigantes; e mesmo os pequenos ratos e insetos, que traziam doenças e morte de dentro. As criaturas do Mal estavam sob seu comando, e o ajudaram à escapar e chegar ao continente, onde o Bem estava em toda a parte, e o poder do Ódio era desconhecido.
    Alegres eram os Imortais quando viram os belos Elfos: criações de Ëaná como eles próprios, mas tão diferentes como as montanhas e os mares. Eles desejavam viver junto às únicas criaturas em Gëaráv que podiam falar e aprender com eles, e os Deuses e as Donzelas os amavam intensamente. Nunca eles esperaram mais criaturas incríveis como aquelas, quase tão sabias.
    O segundo dos Povos Livres da Terra eram os Anões. Nas cavernas profundas nas montanhas no Norte, eles nasceram de rochas rusticamente esculpidas, e tinham a pele grossa e as mentes ásperas. Grandes artesões eles eram, forjando armas e decorações, canecos e colares, anéis e pratos; de ouro, prata e muito mais.
    Mas eles temiam o escuro (pois seus olhos não viam tão bem quanto os dos Elfos) e não iam à lugar algum sem uma tocha, mas fora de seus salões o vento verificava que nenhuma luz existiria. Então raramente eles deixavam suas casas, apenas para tentar achar comida, uma ou duas vezes à cada vinte dias. E foi numa dessas vezes que o elfo Jëlòas capturou um, e o trouxe para a cidade dourada de Évaron, onde os Deuses viram em seus olhos o amor de Värùtân, e o pediram para ficar. Ele não aceitou, porém, pois os outros Anões não viriam tão longe no escuro.
    Como os Imortais desejavam muito a companhia desse novo povo, eles decidiram dar ao Mundo luz, pela segunda vez. Mais estrelas foram mandadas para o firmamento, mas não fazia diferença alguma, e as Três procuraram por algo mais poderoso, sem resultados. Mas é contado pelos anciões de hoje que desta vez elas desistiram mais cedo, pois seu amor por essas criaturas não era muito: elas amavam a beleza. E quando as duas irmãs mais velhas pararam a busca; a mais nova, a Dama da Luz, continuou, e ela veio à uma mata no Leste, onde ela contemplou os dois objetos mais esplendorosos que já foram vistos.
    Eram eles dois frutos, esféricos, um branco e o outro prateado, o primeiro levemente menor. E eles brilhavam como a Pérola de Gëaráv fez noutros tempos. Tão belos eles eram que animal algum ousava se aproximar, e a terra não os engolia. Nessa hora, a donzela sofreu, pois ela queria que a Terra tivesse luz, mas desejava os frutos apenas para ela.
    E por um segundo ela sentiu cobiça em seu coração e, caindo sobre seus joelhos, ela mordeu o fruto branco, e seu suco caiu no chão e foi absorvido pelas raízes das árvores, e ficaram no Mundo por muitas eras. E, como se ela acordasse de um pesadelo, ela chorou. E Ëaná veio à ela, e disse que Ele a perdoava, mas que o símbolo de sua fraqueza para sempre brilharia no céu, e falou para que ela mandasse os dois frutos para os céus, onde eles dariam sua luz para todo o Mundo, e eles foram chamados Ataráni e Érenan, as luas gêmeas. Ataráni era a mais bela, grande e prateada; mas Érenan era a mais mágica, misteriosa, com milhares de cicatrizes para mostrar o que acontecera naquele tempo.
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  6. Largo Cavafundo

    Largo Cavafundo Usuário

    E o vencedor da promocao foi.......[soam os trombones]........ eu! [URRAY!!! VIVA!!! MARAVILHOSO!!! LINDOLFO!!!!!]

    Bom, aqui vai a quarta e ultima parte de "Gearav, a criacao do mundo" (perdoem minha falta de acentos, mas esse teclado me odeia)!!! Boa leitura!!!

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    O Sol

    Quando as duas Luas vieram ao firmamento, Mækuir havia chegado ao continente há tempos, e no Sul ele construiu seu reino de medo. Altas montanhas foram levantadas para protegê-lo, e no meio destas erguia-se ameaçadora Tÿraníl, a Torre do Caos, feita pelo próprio imortal, sozinho. Lá ele ficou, na câmara mais alta, observando todo Gëaráv, e pensando em um jeito de destruí-lo como ele fez com seu irmão. E em pura cólera ele viu os Elfos e os Anões em suas cidades, e sentiu inveja das Três, que tinham aliados enquanto ele, muito mais poderoso, não possuía (pois ele via aquelas criaturas criadas por ele como escravos, sem direitos ou vontades – e de fato assim eram). Ele então criou os ogros, criaturas parecidas com os Elfos em estatura e forma, mas muito mais repulsivos e impuros. E para sempre eles foram vistos como desleais e traiçoeiros. Dragões, demônios, trolls, trasgos, morcegos e lobos, entre outros seres terríveis, foram libertados. No Mundo, eles procuravam por almas boas para destruir e delas se alimentar, mas não ousavam se aproximar das cidades élficas, pois essas eram protegidas pelas Três naqueles tempos.
    Os Anões não gostavam muito dos Elfos, e assim raramente vinham para suas cidades. Seus próprios túneis cresciam rapidamente debaixo do solo, e das montanhas no Norte as minas se estendiam quase até Elēï Iken no Sul, e aos limites do continente indo para o Norte.
    Nessa época, as cidades élficas foram fortificadas; espadas, arcos e lanças foram forjados para serem usados na luta contra as criaturas negras de Mækuir. Os Elfos os abominavam, mas também temiam o Mal, pois nunca antes eles o haviam visto. Exércitos foram mandados para as regiões ao Sul, mas daqueles que iam, nenhum retornava. Os Imortais, puros, ausentes de ódio, não concordavam com a guerra que aconteceria, especialmente as Três.Eles deixaram a cidade élfica e abandonaram todos que neles acreditavam, exceto alguns Deuses.
    Foi numa noite especialmente negra que o último dos grandes feitos à ser criado foi encontrado, nos limites de Tharinê, a maior e mais bela de todas as cidades já construídas, e também a mais alegre. Estava escondido em meio à arbustos, temendo todos, seus olhos brilhando com estupefação e desejo pela luz de algo que ele temia: fogo. Guardas o acharam, e quase o mataram, pois ele parecia uma das terríveis criaturas que vagueavam no Mundo nesses tempos. Mas eles não o fizeram, vendo que era quase como eles, mas menos nobre e sociável. Foi levado para o rei, Vironë, em seu palácio, que o tomou e deu-lhe vestes, moradia e comida. Foi chamado Aféin.
    Com o passar do tempo, mais e mais daquelas estranhas pessoas apareceram, expulsos por Mækuir e atraídos pelo calor e afeto do povo élfico. Eles aprenderam a linguagem dos Elfos, mas ainda usavam suas próprias palavras. Quando alguns Elfos as dominaram, estes descobriram que os Aféini (como aquele povo foi chamado conforme o primeiro deles) se chamavam de Homens, e Homens eles foram chamados até o último dos dias do Mundo Velho. Os Deuses que ficaram foram para o Oeste, onde as três belas donzelas viviam, e as contaram o que acontecera. Mas essas foram indiferentes à isso, e não ajudaram os Elfos no ensinamento das novas gentes, então os Aféini foram os menos sábios dos seres livres de Gëaráv, salvo os trasgos e ogros.
    Havia um Deus, chamado Myané, que se importava por Homens mais de que qualquer outra criação de Ëaná. Ele falou para eles irem embora, e construírem cidades apenas para eles, onde eles poderiam se tornar tão belos quanto os Fëalder. E eles responderam “Porque há escuridão”. E o Deus tentou criar luz, mas ele não era poderoso como as Três. Então ele pediu à Värùtân por luz, e Ele criou Arna, a Rocha de Luz. E é contado pelos melhores contadores de história que neste momento as montanhas de Mækuir caíram com o calor e clareza do recém-criado Sol, e que Ataráni foi queimada e não mais podia permanecer nos céus, e caiu no oceano, criando as ilhas que sempre existiram, e sempre existirão.
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  7. Li e adorei cada parte do conto. Tá muito bem escrito, fiquei realmente impressionado! Alguns trechos assemelham-se à Tolkien!
    Eu gostei principalmente das Luas Gêmeas. Tá muito bonita essa parte.

    Parabéns mesmo, continua com esse dom que você vai longe!
     
  8. Sauron_Body

    Sauron_Body Usuário

    Muito legal!
    Lembra bastante Silmarillion mas é muito imaginativo e fluente.
    Nao é cansativo, a informacao é passada num ritmo coordenado, sem pressa, sem nada. Muito bem escrito.
    Vc tem um grande futuro! :D
     
  9. Knolex

    Knolex Well-Known Member In Memoriam

    Ess pst é apenas para tornar o tópico mais visível aos eleitores do FA
     
  10. Largo Cavafundo

    Largo Cavafundo Usuário

    Estou começando a reescrever este texto para adicionar minhas novas idéias e tentar fazer uma história mais original e menos Tolkieniana ou mesmo Bíblica, algo menos cliché. Aqui está a primeira parte de novo, saída fresquinha do forno. Está um pouco maior e melhor, mas não há ainda muitas diferenças nas idéias (isso vocês poderão ver a partir da próxima parte). Os nomes das quatro partes são iguais, por enquanto.

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    Gëaráv e Mækuir

    Houve, num tempo imemoriável, distante demais para ser considerado parte do próprio Tempo, o Nada. E, do Nada, surgiu Ele: Ele não tem nome, pois dele toda letra é feita, mas ele é feito de todas as palavras e frases, e toda a Existência é muito pequena para conter seu Ser. Porém, para Ele os Humanos inventaram um; muitas eras depois daquilo que esta história conta, na língua antiga dos Elfos; Ëaná Värùtân, o Supremo Criador, e este foi usado até o último dos Dias Alegres do Mundo. Mas Ele era solitário, e ansiava por alguém para fazer-lhe companhia. E por isso Ele criou os Dois, seus filhos. Para cada um Ele deu características diferentes, e pela primeira vez a Existência teve múltiplas faces. E os nomeou Gëaráv, “O Sábio”, e Mækuir, “O Belo”. E Ele os deu duas jóias, uma para cada: duas pérolas magníficas, perfeitamente esféricas, que eles usavam como ornamentos em suas testas. Juntos, Ele e os Dois moraram alegremente por muito tempo, antes que tudo o mais fosse criado.
    E Ele amava muito suas duas criações, e quanto mais os amava, mais seu coração crescia para que houvesse espaço para mais sentimento. Mas Gëaráv havia sido feito mais parecido com seu progenitor, entalhado com perfeição por dentro, enquanto Mækuir tinha seu exterior esculpido com habilidade e carinho. E com o passar das eras, Gëaráv tornava-se mais e mais próximo d’Ele, e desenvolveu a mesma paixão por Criar, passando eternidades mostrando seus feitos ao Pai. Mas nenhum desses ainda era matéria, mas pura luz, calor e energia. Mækuir, sentindo-se afastar daquele que mais amou, passou a ter ciúmes da relação de seu irmão e Ëaná, e do amor pelo Pai veio o ódio pelo irmão, cujo amor por Värùtân era menos intenso do que seu, mas mais duradouro.
    Um dia, portanto, quando estava longe do olhar d’Ele, aproximou-se de seu irmão com malícia e todos os sentimentos horríveis derivados do ódio. Ele perguntou com sua voz macia e encantadora: “Meu caro irmão, Aquele que ilumina o rosto de nosso pai com vossa sabedoria e paixão! Emprestaríeis-me vossa pérola, que trazeis em vossa testa, dada por nosso pai naquele mesmo momento de nossa Criação? Eu gostaria muito de apreciá-la, pois é muito mais brilhante que a minha, e muito mais bela, e carrega em si um esplendor e magia inimagináveis por aquele que não o teve em suas mãos nem por uma vez!”. E o irmão respondeu: “Vos pergunto por quê, irmão meu? Não vejo diferença entre elas, e creio que em sua jóia haja tanta beleza e fascinação! Mas sim, por que não? Mas eu vos imploro, tome cuidado, não deveis quebrá-la, ou eu terei de abandonar este lugar e nosso gentil Pai para sempre. Jamais vos esqueceis que nossas pérolas são a própria fonte de nossa existência.” E Mækuir riu, pois isso ele sabia, e ele tomou a jóia e fechou sua mão sobre ela.
    Por entre os dedos de Mækuir podia-se ver luz como nunca se viu e nunca se verá no Mundo até que tudo tenha seu Fim. Contudo, esta luz ficava mais e mais fraca, à medida que o irmão d’O Sábio quebrava-a vagarosamente com a mão, vendo Gëarav ajoelhar-se perante seus pés, sofrendo com dor maior que seu corpo, sendo abatido e morrendo. E ele abriu sua mão novamente, vendo que toda a luz havia ofuscado, e apenas uma areia branca e translúcida restou na palma daquela que para sempre sofreu da mesma dor que o irmão daquele que a possuiu – pois é dito que a jóia sagrada queimou-o terrivelmente. Este pó, puro e claro como a água, ele jogou para cima, e viu-o dispersar-se. Mas em seu rosto havia dor e tristeza, pois ele vira o que sua loucura fizera-o concretizar.
    Mas seu pai voltou. “Ai de mim, meu filho!” falou a voz de Ëaná, “Por quê? Por que isso? Aonde quereis chegar assim? Foi terrível o que fizestes, e devereis ser punido. Não posso e não hei de destruir-vos como destruístes vosso irmão, aquele que amou-vos, aquele que mais do que ninguém, mais até do que Eu, era como vós. Contudo aguarde vosso castigo, pois pagareis por vosso ódio.” Mas Ele não havia forças para ir contra seu próprio filho, e Ele ainda o amava. Assim, Ele falou para Mækuir ir, e não voltar até que lhe fosse ordenado.
    E, de sua dor, Ëaná criou, pois esta era a maior paixão de seu filho, que não deveria acabar assim como ele. E Ele criou um túmulo, esférico como a pérola que Gëaráv carregava consigo, e que fora seu fim. Fez-la de rocha sólida e rija, mas completamente lisa, e entalhou em sua superfície um grande anel, que ocupava mais da metade de todo o monumento. No seu extremo oposto, foi esculpido um círculo menor, só e mais alto que qualquer outra parte da esfera, uma fechadura para o interior oco. E por uma última vez, Ele chorou, e suas lágrimas encheram as partes menos elevadas do túmulo com uma água salgada que, mesmo que imprópria para beber, era rica como as luzes de múltiplas cores dos espetáculos do filho falecido de Värùtân.
    Mas Ele chamou Mækuir, e Mækuir veio ao seu encontro. Seu rosto não mais portava tristeza ou pesar, mas revolta e cólera, e a jóia em seu rosto estava agora escura, e a única coisa que ele trazia que era igual a quando seu pai o vira pela última vez era o seu sofrimento e dor. Ëaná o mandou para a ilha solitária que guardava o interior do túmulo, e seu descenso destruiu a superfície da rocha como ela era, por causa do peso de seu pecado, abrindo rachaduras no anel e na ilha, que de montanha tornou-se uma ilha baixa e pequena. E a água das lágrimas do Pai encontraram caminhos nas rachaduras, cobrindo quase toda a esfera. E foram criadas cavidades e montanhas, depressões e planaltos, e jamais se viu novamente a Perfeição.
    Assim Gëaráv, o Mundo, nomeado como a força dentro dele, começou.

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  11. Largo Cavafundo

    Largo Cavafundo Usuário

    Aqui está a segunda parte da reescrita história "Gëaráv: A Criação do Mundo". Vocês já poderão perceber aqui vários elementos novos, além de esta versão ser bem mais grandinha do que na primeira vez que eu escrevi. Por favor, leiam e postem seus comentários!
    Boa leitura!

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    As Estrelas Resplandecentes

    Vendo a beleza da imperfeição que Mækuir acabara de criar, Ëaná se emocionou. Ele percebeu a singularidade de cada buraco na rocha que havia um dia sido lisa, viu o brilho da água de suas lágrimas no interior das cavernas recém-formadas, entendeu a complexidade dos túneis naturais cavados nos interiores das montanhas. Värùtân soube, no mesmo instante em que a pedra partiu-se e o mar entrou em cada fissura da terra que nada jamais seria perfeito como ele tinha imaginado, e que haveria de ter início um mundo imperfeito, mas belo e complexo. Ëaná viu que, embora Gëaráv se fora, sua alma ainda poderia trazer alegria, e decidiu deixar o amor nascer de onde antes veio pesar.
    Para guardar tudo o que seria feito, Ele criou as Três. Eram elas donzelas formosas e justas, e elas também traziam pérolas, mas essas não eram brancas ou negras, mas coloridas, com rosa, azul, amarelo e verde-claro. Seu pai as deu poderes além da compreensão de qualquer mortal, mas estes não eram tão cheios de grandeza e pureza quanto as forças dadas aos Dois. E não eram perfeitas, mas aos olhos de qualquer criatura viva eram o mais próximo deste conceito que se poderia chegar. Elas andavam pelo grande continente com seus leves passos, cantando canções de beleza eterna, que não possuíam palavras, mas apenas sons de água, vento e fogo.
    A elas fora dada a tarefa de moldar e cuidar de tudo o que já fora criado, e dos dois elementos dos quais o mundo era composto: a água e o fogo. Não se sabia para que elas faziam isto, mas era conhecido que o propósito era maior do que qualquer outro que existiu antes ou que existiria após aquela época. Elas retiraram, de depois da crosta sólida de Gëaráv, o fogo (a forma gasosa da rocha) e com seu calor transformaram a água em ar, cobrindo toda a esfera com esta substância. Elas regaram a rocha com a água rica dos mares, fazendo a terra. Levaram a água para o topo das montanhas, criando a neve e o gelo.
    Após eras passadas preparando os elementos, chegou o momento de iniciar as mudanças. Para isso, Ëaná criou, a partir do espírito de seu falecido filho, a Vida, o terceiro e mais misterioso e poderoso elemento do qual se há conhecimento. E ele enviou a Vida para todas as partes do Mundo, uniformemente, nos oceanos e na terra firme, e ela desceu como uma chuva de prata caindo sobre as obras realizadas pelas Três a partir do trabalho do pai. E aquelas gotas de pura luz penetraram o solo, e a alma de Gëaráv preencheu o interior de seu túmulo, aquecendo-o com seu fulgor e tornando-o fértil.
    As Três ganharam então um novo trabalho: cuidar da Vida em seu estágio inicial, e fazer dela uma imensidão de seres viventes, até que sua próxima e última tarefa lhes fosse dada. Para ajudar-lhes, as Donzelas criaram os Guardiões. Eles eram seres de imenso poder, mas que serviam a todo pensamento delas. Havia uma ligação vital entre criadora e criação, que quando quebrada fazia com que este segundo sumisse para sempre. E os primeiros Guardiões criaram outros inferiores, até que houvessem milhares povoando o Túmulo. Por eras elas trabalharam incessantemente, e não pararam para cantar ou dançar, a menos que o próprio Ëaná falasse para o fazerem, pois elas eram Suas filhas como Gëaráv e Mækuir foram Seus filhos. Elas criavam matas e animais, e peixes e aves; e sopravam ventos, e moviam correntes nos rios; e mandavam água para os céus, onde esta fazia nuvens e chuva.
    Outrora, enquanto elas bebiam o puro néctar e cantavam ao som das harpas e liras dos Guardiões perto de uma floresta e do mar, um movimento foi visto num pequeno arbusto. Pensando que não era nada mais que um veado, elas colocaram comida perto do lugar, e esperaram para ele comer. Mas quando isso aconteceu, elas perceberam que não era um mero veado, mas um animal parecido com elas, que mantinham-se em dois pés e tinha pele clara, e poucos pêlos, exceto no topo da cabeça, e este não era marrom-escuro, mas dourado. Seus olhos eram azuis, e suas orelhas pontudas, e era alto e forte. E não andava nu como os outros animais, mas vestia roupas feitas de uma pequena planta chamada matira, parecida com o algodão que conhecemos hoje. Era uma fêmea.
    Elas a acolheram, a levaram para o Norte, e deram a ela moradia numa clareira protegida entre as árvores de Elēï Iken, a Floresta Imortal, grande e majestosa possuidora de plantas que estiveram entre as primeiras a serem criadas. Depois de algum tempo, as Três perceberam que a criatura temia a escuridão e era calma somente perto de um fogo ou das próprias filhas d’O Sempiterno. Mas de todos os problemas, o pior era a solidão e incompletude que ela sentia; e ela pedia por algo para as donzelas, mas elas não entendiam, pois ela só falava “Fëalder! Fëalder!” e nenhuma palavra era isto na língua dos Eternos. E elas imaginavam o que ela desejava, enquanto seus olhos olhavam sempre para o escuro Sul. A incapacidade dos Deuses de trazer o que ela necessitava resultou em sua infelicidade, e então em sua fuga. E foi Ruërnì, um dos Guardiões do sono (pois naquele tempo não havia dia ou noite), que – ainda na sua vigia – a viu escapando da moradia ao ar livre dos Imortais, e a seguiu, invisível como as crianças de Ëaná podem ser se quiserem.
    Ela corria sem destino, ou assim pensava ele. Mas o caminho pelas florestas ela conhecia até mesmo no escuro, e logo ela chegou ao lugar aonde ela fora encontrada pelos Imortais pela primeira vez. Os vestígios do pós-refeição dos Poderosos, que ocorrera pouco tempo antes desse momento, ainda restavam no chão, mas os restos de néctar e ambrosia haviam sido devorados. Lá ela parou e cantou, mencionando os Guardiões e Donzelas, as belezas do mundo em suas regiões mais cuidadosamente preparadas e enfeitadas, e repetindo no final “Fëalder, Fëalder!”. Sua voz encantou o Guardião que, mesmo sem entender a língua rústica da jovem, se emocionou ao ouvir pela primeira vez uma música com palavras e frases. Seguindo a bela voz da criatura, foram para aquele lugar muitos outros daqueles seres, homens e mulheres, muito diferentes uns dos outros em diversos aspectos: a cor do cabelo, os olhos, o tamanho, a idade.
    E o Guardião voltou para o Norte, e pôs-se na frente das Donzelas para contar-lhes o acontecido, e Elas pensaram. Colocando-se no centro da clareira onde elas viviam desde que haviam descoberto a sua protegida, as Três afastaram as árvores, criando uma abertura maior ainda nas árvores. E cercaram o local com montanhas baixas mas vigorosas. Então, foram ao encontro da sua querida jovem e seus companheiros. E os conduziram, usando tochas do fogo mais puro que já existiu, até aquele lugar que tornou-se a primeira habitação de seres vivos civilizados. A floresta onde acontecera aquele pós-refeição foi para sempre conhecido como Fëaldiniárkè Ïken, o Bosque da Descoberta dos Elfos, os mais belos e sábios dos Seres Livres de Gëaráv.
    Mas ainda eles temiam as sombras negras da escuridão eterna, e não ousavam a deixar suas casas se não fossem acompanhadas das tochas dos Eternos, que não apagavam-se nem com o frio cortante do vento daqueles tempos. Vendo isso, as Três procuraram por luz, com a qual haveriam de iluminar todo o Mundo para que seus amados Elfos pudessem andar livres, pois elas começavam a entender sua última e mais importante tarefa em Gëaráv: proteger os Povos Livres em sua primavera, para que eles amadurecessem e se tornassem os donos, líderes e guardiões de todas as coisas, vivas ou não. Mas não tiveram sucesso algum. Elas viajaram de um lado do mundo para o outro, até que pararam, sem esperanças.
    Mas uma delas, a Protetora da Vida, enquanto caminhava por uma região desconhecida no Oeste do Grande Mar em sua última procura, viu um clarão vindo de um complexo de cavernas. Ela achou, escondidos fundo numa caverna, pequenos insetos que brilhavam, cintilantemente brancos, lembrando-a da descida de seu irmão dos céus. Assim, ela os mandou para morar junto às nuvens, e lá eles permaneceram juntos, formando imagens de animais, Imortais e Elfos: as constelações.

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