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[L][kiros][Mago: O Caminho]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por kiros, 20 Ago 2009.

  1. kiros

    kiros Usuário

    Título: Mago, O caminho
    Autor: Mateus Cavanholi
    Gênero: fantasia medieval


    Cap 1 - O Achado


    Ainda não havia amanhecido quando o jovem rapaz levantou da cama. Na noite anterior, antes de ir dormir, seu pai lhe mandara acordar cedo e ir buscar lenha, o tempo era de chuva, e eles tinham pouca guardada para usar na forja.
    Seu pai era o único ferreiro da pequena vila montanhosa, quando jovem, ele fora para a grande cidade aos pés da montanha estudar forja. Depois de alguns anos, ele voltara para sua terra natal e passara a fazer armas de excelente qualidades para a milícia. Porém, com o tempo os ataques dos goblins, criaturas humanóides de aparência horrenda e de coração malígno, pararam e a milícia perdeu sua função.
    As lanças viraram arpões na pesca do pequeno lago perto da vila, os escudos tornaram-se bandejas assim como os elmos viraram vasos para plantas que raramente floresciam, e as espadas acabaram perdidas em algum armário escuro.
    Erik nunca vira um soldado da milícia trajado para combate, tão pouco vira um goblin, mas achava que sabia indentificar um pelas histórias que seu avô lhe contava quando ainda era vivo.


    Ele tomou o pobre café da manhã rapidamente, tendo apenas algumas fatias de pão seco e um copo de água para ajudar a engolir. Assim que terminou, ele colocou mais algumas fatias junto com pedaco também seco de carne de bode e um cantil com água numa sacola de couro.
    Passou na ferraria, pegou alguns rolos curtos de corda que iria precisar para amarrar a madeira que ia pegar assim como uma pequena machadinha de lenha para caso de necessidade.


    Logo que saiu na rua, sentiu nos ossos o frio da noite de inverno, o grosso e surrado casaco de lã mal o protegia das pontadas de gelo do vento. O céu estava limpo e com poucas estrelas, de acordo com seu pai, teriam uma manha de sol com chuva vindo logo após o almoço. Em geral, seu pai acertava as previsões.


    Ele foi em direção ao sul, para o centro da vila, onde se localiza o Salão Comunal. Seu avô costumava dizer, que nos tempos de prosperidade da vila, durante o verão faziam grandes festas nele, e também armazenavam comida para o inverno quando chegava a hora. E em algumas ocasiões, se reunia toda a vila entre suas paredes para discutir sobre assuntos importantes que o mestre não podia decidir sozinho. Do Salão, passou pela frente da velha taverna, "O Belo Goblin", disse pra si mesmo. Ele sabia ler, com grande dificuldade, e conhecia todas as placas da vila.
    Não havia luz dentro da taverna, nas noites de inverno, nem os beberrões costumeiros ousavam ficar fora de suas casas.


    Conforme subia o caminho a sudeste do vilarejo, o vento ia ficando mais forte. Logo acima da trilha, ficava o caminho que levava para o abandonado quartel da milícia, mas não era por aquele caminho que Erik deveria proseguir, mas sim em direcão a Floresta Morta, como chamavam os aldeões o bosque de árvores que já não floresciam mais.


    Da trilha que subia pelas rochas Erik chegou a um trecho de terreno aberto, alí o vento era mais forte e o frio mais intenso. Não haviam trilhas naquela área, mas o bosque seco era facilmente visível a frente. O dia já estava clareando, e ele podia ver o céu azul, limpo, sem sinal de que iria chuver. Mas ele confiava no que seu pai lhe falara, e apertou o passo em direcão as árvores sem vida.


    Desde que tem memória, o bosque era daquele jeito, morto. Nenhuma folha brotava na primavera, nenhum pássaro cantava no verão naquele lugar. Segundo seu avô, o mago tentou fazer algum feitiço nas árvores, que saiu totalmente errado e as matou todas, porém deu a elas uma resistência que podia partir em dois o melhor dos machados. Essa parte da história podia ser facilmente confirmada batendo com algum objeto metálico em seus galhos nús, um som como se tivesse atingido uma pedra era ouvido, e se batesse com forca seu braco tremeria e você deixaria cair o que quer que estivesse carregando.


    Conforme ia andando pela trilha da floresta, preservada porque nada mais crescia ali, as núvens comecaram a preencher o céu, imensas e brancas a princípio. "Acho que o sol não vai mostrar sua cara hoje." Disse pra si mesmo tentando esquecer o frio. As árvores em volta de nada ajudavam contra o vento.


    Se as árvores de nada ajudavam contra o vento, ficou ainda pior quando ele saiu do bosque descendo em direção a plataforma dos bodes. Um larga área verde totalmente aberta ao lado sul do monte.
    A trilha ali era perigosa, não mais usada por humanos com frequência a décadas. Enquanto descia por ela, Erik observava a imensidão verde que se estendia apartir dos pés da montanha. Quando olhou para o lado, para a plataforma dos bodes, além dos animais que alí se encontravam, havia no meio deles um homem todo coberto por seu manto cinza.
    Ele já tinha sido visto por Erik uma ou duas vezes na vila, sempre perto da taverna, sempre sozinho.


    Mal Erik terminou a descida para a plataforma e começava a contornar uma grande pedra para poder chegar ao outro lado, os bodes começaram a se mover, passando a sua frente, prensando-o contra a pedra. Levou algum tempo para que todos eles passassem, não apenas bodes, mas carneiros, cabras e ovelhas também, e o velho acompanhando vagarosamente todos eles, nenhum caiu montanha abaixo, nenhum subiu para o lado errado do monte.


    Com cuidado Erik prosseguiu seu caminho trilha acima. Não demorou e o vento passou a ficar mais fraco. Ele estava agora protegido pela própria montanha. Porém o céu ficava mais escuro, e em pouco tempo ele não enchergava mais que 5 metros a sua frente. O barulho da chuva pesada vindo podia ser ouvido acima do assovio do vento.


    Ele apertou o passo, chegando a correr nos últimos instantes antes da chuva lhe atingir. O esforço em ter levantado sedo tinha sido em vão agora. Não haveria mais boa madeira para ser recolhida, apenas madeira molhada, que de nada serviria para ele.
    Correndo ele se manteve concentrado na tilha logo a seus pés, tanto que não reparou quando passou direto do ponto que ela se bifurcava e acabou indo direto montanha acima. Ele não viu também o bosque que estava a sua direita, nem a grande casa que se aproximava a sua frente até que já estivesse na soleira da sua porta.


    Ele nunca tinha ido alí, mas conhecia histórias sobre aquela casa a muito desabitada. Segundo todos os moradores mais velhos da vila, era a casa em que morava o mago antigamente. Sem pensar muito, querendo apenas se proteger do vendo e da chuva, Erik virou a macaneta da porta que estava aberta e entrou, fechando a porta atrás de si.


    Demorou algum tempo para que ele se acostumace com a escuridão dentro da casa, mas ainda assim alí ele enchergava mais do que se estivesse na chuva. Num dos cantos do pequeno cômodo, havia uma velha cadeira de madeira, ainda em bom estado, uma pequena mesinha ao seu lado com livro grosso e pesado sobre ela, e também uma antiga lanterna ao lado do livro.
    Ele caminhou lentamente até a cadeira empoeirada e se sentou nela, mas não antes sem tirar o grande casaco todo encharcado que estava usando, deixando-o no chão, ao lado da cadeira.
    Colocou os pés sobre a cadeira e abraçou seus joelhos. Ele estava cansado, pois não era de seu costume correr tão rápido por tanto tempo, molhado e tremendo de frio, mesmo assim acabaou dormindo enquanto os trovões roncavam do lado de fora.


    Quando acordou o silêncio era completo, não havia mais sinal de chuva e a luminosidade dentro da casa havia melhorado. "O céu deve estar limpo lá fora." Ficou pensando enquanto se levantava da cadeira e dava mais uma olhada em volta.
    Além do que ele havia visto quando entrou desesperadamente na casa, havia também, na parede oposta uma grande pintura, manchada e empoeirada de forma que ele não conseguia indentificar mais do que uma forma vagamente humanoide dentro dela. "Deve ser o tal mago." Disse pra sí mesmo. Fora isso, não havia mais o que se ver naquele cômodo. "Acho que vou olhar por aí e ver se acho alguma coisa que me sirva como lenha." Foi o que disse. "Ao menos não volto de mãos vazias."


    Olhou mais uma vez para os móveis daquela sala e deu uma examinada no livro. Pegou-o sem abrí-lo. Era de fato pesado. Por um momento lembrou de quando seu falecido avô lhe ensinava a ler e a escrever e resolveu levar o livro consigo, guardando-o na mochila junto com a corda, os pães secos e o pedaço de carne também seco.


    "Cof-cof." Ouviu alguém tossir quando colocou a mochila por sobre seus ombros e se preparava para entrar na próxima sala. O som parecia vir do lado de fora e, por um tempo, não deu um passo se quer. "Cof-cof-cof." Ouviu novamente, havia alguém fora da casa e estava bem próximo da porta. Sem pensar direito saiu correndo para a outra sala, esbarrando nas caideiras de uma grande mesa de jantar e caindo junto com elas, quebrando algumas. Rapidamente se levantou e foi em direcão a primeira porta que viu, do lado oposto da sala de jantar, que era onde Erik estava naquele momento.


    Ele passou correndo pela porta a fechando sonoramente em seguida. Apenas esperava que quem quer que fosse não o tivesse visto. Talves fosse o velho dos bodes, que a uma mosca sequer fazia mal, mas pouco a pouco a idéia de que o mago não estivesse morto tomou espaco em sua cabeça e ele passou a ficar horrorizado. Alí naquela casa abandonada era fácil pensar em magos malígnos comandando mortos-vivos para atacar aqueles que ousassem entrar em seus domínios.


    Após algum tempo recuperando o fôlego, Erik deu uma olhada em volta. O que viu não ajudou em nada no seu medo crescente do antigo mago. A sala estava quase que totalmente queimada do lado de dentro. Pilhas e mais pilhas de madeira queimada e cinzas cobriam o centro da sala e as paredes. Não havia mais cortinas nas janelas quebradas. As únicas coisas inteiras alí eram a porta por onde havia entrado e uma outra do outro lado da sala.


    Por algum tempo ficou debatendo com sí se seria seguro sair dalí ou não. Como não ouvira mais sons vindo de lugar algum, acabou decidindo que era melhor se arriscar e talvez sair daquela casa do que esperar anciosamente por algo que talves viesse, talves não.
    Com cuidado, e mesmo assim fazendo muito barulho, Erik foi em direcão a outra porta. Através das janelas podia ver que ainda era dia. "Talves eu chegue em casa antes do anoitecer." Foi o que ficou pensando constantemente enquanto caminhava para evitar pensar no velho mago.


    A porta abriu com muito barulho, e se ouvesse alguém dentro da casa certamente saberia onde Erik se encontrava agora.


    O que viu do outro lado da porta o deixou desnorteado. Uma cama numa das paredes, várias mesas e armários ao longo das outras, nada quebrado, nada queimado, apenas cobertos por uma densa camanada de poeira.
    Talvez, se vasculhasse o quarto, achasse algo de interessante, algum objeto mágico valioso. Quem sabe conseguisse algumas peças de bronze, ou até de prata por uma bola de cristal ou varinha mágica.
    Mas ele não encontrou nada disso alí. Nem se deu ao trabalho de procurar quando viu mais uma porta perto da cama. Pensando apenas em sair dalí ele se dirigiu rapidamente para a porta, abriu-a sem se importar com o rangido e acabou se encontrando numa escada de pedra, protegida ao lado e acima como se fosse um túnel. Porém escada acima, mais ou menos na metade do caminho, a luz do dia entrava por uma abertura na parede.


    Um resmungo pelas costas de Erik o fez esquecer toda a precalção e correr em direção a passagem. Naquele ponto, a escada também estava quebrada, e seria impossível continuar até o topo. Sem parar para verificar a altura ele pulou da passagem, errando por pouco as pedras que se amontoavam abaixo e ao lado da escada. Rapidamente ele contornou a casa e chegou até a porta de entrada, de onde seguiu caminho pela trilha que passava ao lado do bosque.


    Quando chegou de volta no ponto que descia para a plataforma dos bodes Erik parou para descansar, olhou em volta e como não viu nem ouviu nenhum sinal de estar sendo seguido resolveu sentar e comer o que havia trazido consigo.
    O pão estava meio úmido por causa da chuva que havia pego, e com isso estava horrível, já a carne, apesar de já não ter mais gosto nenhum, não estava mais seca, e foi um pouco mais fácil de engolir.
    No final ele acabou comendo tudo e tomado toda a água que tinha trazido. Quando terminou, o sol já estava quase mergulhando pelas montanhas do outro lado da vila, apenas algumas núvens avermelhadas pelo sol baixo restavam no céu, nenhum sinal de que havia chovido, a não ser pela lama e pedras molhadas no chão.
    E lama foi o que Erik encontrou quando chegou na plataforma dos bodes, a bota afundava facilmente, tornando difícil andar por alí. Mas com calma ele foi indo, passo a passo, até chegar na trilha de subida para a floresta morta.
    Alí ele encontrou mais dificuldade ainda, pois as pedras lisas molhadas escorregavam sob seu pé coberto de lama. E por várias vezes ele quase caiu, rolando trilha abaixo, sempre recuperando o equilíbrio no último instante.


    A caminhada pelo bosque seco foi mais tranquila, tempestade alguma tinha o poder de mudar aquela área, nem as árvores, nem a terra debaixo delas. Foi olhando em direcão a passagem na montanha ao norte que ele viu, ou ao menos pensou ter visto, alguma coisa se mover, era pequena, e se movia sorrateiramente, mas como logo desapareceu ele não deu importância e continuou seguindo seu caminho para casa. Apesar disso, manteve sua mão sobre a machadinha que estava carregando.


    Não havia ninguém na rua quando ele chegou na vila, e o vento começava a soprar frio novamente. O que era pior para Erik que não estava totalmente seco. Não se demorou na rua e foi direto para casa. Sua mãe estava preocupada, pois a tempestade havia caído muito antes do que se era esperado. Ela rapidamente esquentou uma sopa e lhe trouxe roupas quentes e secas, que ele não tardou em vestir.


    Enquanto estava sentado na cozinha, após ter comido um pouco, seu pai chegou, da ferraria que era anexa a casa e perguntou se ele tinha conseguido alguma coisa. "Vamos ter dificuldade neste inverno se não conseguirmos mais lenha." Disse ele quando Erik terminou de contar o que havia acontecido, como tinha pego chuva e ido parar na velha casa, e de como havia dormido lá. Mas obviamente não contou sobre o livro ou sobre ter ouvido alguém mais na casa, nem sobre o que achou ter visto na passagem acima nas montanhas.



    A noite avançou e uma chuva calma começou a cair sobre as montanhas. Logo Erik estava deitado em seu quarto sob uma coberta de peles quentes. A lanterna ainda estava acesa e ele olhava com curiosidade o livro. A fraca luz o impedia de ver detalhadamente como era a sua capa. "Talvez amanhã eu de uma olhada em você!" Disse em voz baixa, e então colocou o livro perto da cama, apagando a lanterna para poder dormir.


    <nota do autor>
    <a história se passa em Forgotten Realms, numa vila completamente esquecida nas montanhas ao norte de Haruaa>
    <mais partes podem ser vistas em
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , porém eu irei postar semanalmente um capítulo aqui nesse forum>

    <a história que está no meu blog, apesar de ser mais avancada (ligeiramente apenas) possui varios erros e pode sofrer leves modificoes quando for postada aqui>
    <exístem outras histórias no blog também>
     
  2. kiros

    kiros Usuário

    [L][kiros][Mago: O Caminho] - Cap 2

    Cap 2 - Primeiros Passos

    Durante a noite, Erik teve um sono agitado, sonhando com magos, anéis e goblins, chegando a falar enquanto dormia, algo que tinha acontecido pouquíssimas vezes com ele, e ele de fato não lembrava do sonho. Porém dessa vez foi diferente, além de se lembrar do estranho sonho da noite anterior, de goblins tentando encontrar algum anél perdido na casa do mago, ele também achou ter ouvido alguém falando. "Goblins." Foi o que disse a voz em meio ao seu sonho. "Vejamos, uma aula de conhecimento de criaturas então. Goblins são criaturas baixas, tendo em torno de 1 metro de altura, e são também bem leves, pesando apenas uns 20 kilogramas. Eles são feios se comparado aos humanos, e horripilantes se comparados aos elfos. De fato, competem em feiúra com os Orcs e só perdem para criaturas terrivelmente mais maléficas que eles."​
    "Porém, apesar de tais critauras existirem, não significa que os goblins sejam confiáveis. De fato, não são, nem um pouco. Se te ofertam algo, ou é amaldiçoado ou eles vão logo tomar de volta a um alto custo à quem negociou com eles. Mais possivelmente as duas opções."​
    "É claro que ao longo da história muitos seres, muitas pessoas puderam lidar e comandar tais criaturas, tais pessoas em geral eram magos ou feiticeiros cujos corações eram voltados ao mal, e do mal recebiam poder para comandar tais criaturas."​
    "Há um dito antigo que diz: 'Se você tem problemas com goblins, ache alguém que tenha problemas com kobolds e deixe que os problemas se enfrentem e se anulem.' Visto que são duas racas, que apesar de malígnas, não toleram umas as outras."​
    "Agora que já lhe expliquei o que são, me responda: Que tipos de criaturas os goblins usam como montaria? Um reconhecimento extra será garantido caso saiba o correto nome e descrição de tais criaturas. Me avise quando tiver encontrado a resposta."​

    Aquele fora o sonho mais estranho que Erik tinha recordacão. Agora lembrava em muito das explicações que seu avô dava para tais criaturas. E o que eles montavam, "Worgs." Resmungou enquanto se levantava da cama. "Agora, o que são kobolds e orcs?" Ficou se perguntando enquanto se dirigia para a cozinha. O barulho na ferraria indicava que seu pai já estava trabalhando. A chuva continuava do lado de fora.​

    Logo ele estava ajudando seu pai. Ele trabalhava numa espada antiga, tirando a ferrugem e lhe dando um novo fio. Perto dele havia mais algumas espadas, lanças e facas amontoadas.​
    "Vieram do Quartel da Milícia." Disse ele ao ver o olhar curioso do filho. "Venha, pegue aquelas no canto e amole elas." Falou apontando para um lado onde jaziam algumas espadas brilhando como se fossem novas. "Elas precisam estar bem afiadas. E cuidado, algumas ainda estão quentes."​
    Este último aviso preveniu Erik de pegar uma espada recém trabalhada no fogo, mas não impediu que ele se queimasse um pouco ao tentar escolher uma não tão quente.​

    Durante todo o dia Erik ficou ajudando seu pai no trabalho com as espadas. Mesmo quando seu pai saiu ao meio dia para se encontrar com alguns moradores, Erik apenas parou por alguns minutos para comer algo e voltar a trabalhar. Quando a noite caiu eles jantaram juntos, e em seguida foram dormir, sem dizer uma única palavra a respeito do trabalho. O que não lhe era novidade, pois sempre que seu pai se engajava em algum trabalho só comentava a respeito quando estivesse quase acabando.​
    Naquela noite Erik dormiu sem tocar no livro. Se teve sonhos não lembrou do que era, estava cansado do trabalho na ferraria, e na manhã seguinte teriam mais e mais.​
    "Muito bem. Worgs são as criaturas nefastas que servem de montaria para os goblins. Mas faltou a descrição de como eles são. Em todos casos, alguma recompensa já lhe é de direito." Foi o que Erik ouviu a noite, mesmo não tendo sonhado com nada mais.​

    Essa rotina durou mais uns quatro dias antes que seu pai lhe falasse qualquer coisa do porque estar renovando as espadas a tanto sem utilidade.​

    "Há alguns dias, no dia que você foi buscar lenha. O filho do taverneiro foi caçar nas terras acima da Floresta Morta." Começou seu pai quando ambos foram a taverna do Belo Goblin ao meio dia. "Porém, sorte sua ou azar dele, quando a chuva o pegou, ele buscou abrigo nas cavernas que ficam pras bandas de lá. E acabou sendo atacado enquanto repousava."​
    "Por algum milagre de algum deus benevolente ele sobreviveu ao ataque. Muito ferido ele foi encontrado pelo pastor dos bodes, e trazido para cá em segurança. O pastor demorou muito para falar onde o econtrou, e quando disse, disse apenas que era ao norte dA Floresta."​
    "Pelo tipo de ferida e pelo que ele falava enquanto dormia dia e noite, alguns moradores mais antigos da vila chegaram a conclusão de que um mal que parecia ter ido embora com o mago estava ainda intacto nas cavernas."​
    "Isso pôde ser confirmado pelo que o jovem disse ontem quando acordou. Ele não conhece nada sobre goblins ou criaturas antigas, mas a descrição bate com a que os mais velhos lembram."​

    "Criaturas baixas e magras, de feiúra malígna, que atacam sempre em maior número." Erik interrompeu seu pai nesse ponto, se lembrando do que ouvira algumas noites atrás e do que seu avô contava quando criança. "Eu sonhei com goblins entrando na antiga casa do mago na noite após a tempestade."​

    Por algum tempo seu pai não falou nada, apenas ficou ponderando o que Erik dissera. "Devia ter me falado antes." Disse ele após uma caneca de cerveja. Nesse momento Erik reparou que seu pai estava com uma espada curta cingida na cintura e que uma das mão constantemente ia repousar sobre ela. "Nós iremos amanhã pela manhã. Sairemos antes de o sol nascer além das montanhas." Falou seu pai apenas para que Erik ouvisse. "Você não deve sair de casa, e deve manter tudo trancado."​

    Durante aquela madruga, um acordado Erik ouviu o barulho de pessoas na ferraria, devia ser os aldeões pegando as armas para ir de encontro ao que quer que fosse. Antes de sair, seu pai apareceu em seu quarto, apenas deu uma olhada em seu filho e saiu.​

    A impaciência cresceu no coração de Erik. E não encontrando forma de dormir, tomou o livro e uma lanterna e se dirigiu a cozinha. Alí ele colocou o livro bem abaixo da luz da lanterna, que ficava num suporte para permitir maior iluminação do lugar.​
    Ele abriu o livro com cuidado, com medo de que suas páginas virassem pó ao serem tocadas depois de tanto tempo. Mas era um cuidado desnecessário, pois nada disso aconteceu, e de fato este livro ainda se encontraria em situações muito piores antes que alguma página sua caísse.​

    Na primeira folha estava escrito 'Dareo', e várias outras letras que Erik não reconheceu junto a cada uma das letras do nome. Na página seguinte, apesar das letras pequenas ele conseguiu ler 'de-deter-tec-tar, detectar mag-ma-maia, detectar maia.'​
    "DETECTAR MAGIA" Disse uma voz familiar, fazendo Erik se levantar rapidamente da cadeira e caisse junto com ela no chão.​
    "É Detectar Magia." Continuou a voz. "Por acaso não sabe ler. Mas que raio de aprendiz você é. Ao menos leia direito.​

    Erik tinha a forte impressão de que a voz vinha do livro, e de que já tinha ouvido ela antes. Ou isso ou ele estava sonhando. Mas dessa vez não era sonho, e levou algum tempo até que Erik se desse conta do que estava realmente acontecendo. Afinal, ele havia pego aquele livro na casa do mago, era de se esperar que fosse, de alguma forma, mágico. Mas um livro falante, Erik não espera por isso nem em seu mais ambicioso sonho.​

    "Desculpe." Disse Erik em voz baixa para evitar acordar sua mãe. "Mas o que é você?"​
    "Ora essa." Disse o livro. "Como assim o que sou? Além de não saber ler é cego? Sou um livro. E um livro de magia é o que sou. De fato Grimório sou chamado, e meu nome dentre os grimórios pode ser lido na primeira página do livro como você bem o leu anteriormente." O livro falava calmamente, e em tom de voz normal. Mas sua voz era dotada de uma autoridade que Erik nunca tinha ouvido antes, nem seu pai parecia ser tão iponente quanto aquele livro.​
    "Me diga jovem." Continuou o livro. "Em que nível de aprendizado você está? E quem é seu mestre, visto que não lembro de ver um mago a algum tempo."​
    "Não sei do que você está falando. Agora quanto a mestre, só se for o meu pai, ele quem me ensinou o que sei sobre forja."​
    "Ora essa. Um completo novato." Retrucou o livro mal deixando Erik terminar de falar. "Muito bem, pegue um papel, pergaminho ou qualquer coisa para escrever que você possa guardar e carregar consigo em seguranca." ​

    Obedecendo ao comando do livro Erik rapidamente procurou por um antigo livro de desenhos, havia muitas páginas em branco nele, e mesmo as com desenhos já estavam quase totalmente apagadas, pegou também uma pena e um tinteiro, que achou com certa dificuldade.​

    "Agora preste atenção." Comecou novamente o livro quando Erik se postou a escrever. "Esse livro será o SEU grimório, nele VOCÊ escreverá as magias que você APRENDER." ​
    Durante o restante da noite Erik escreveu com cuidado, de forma que poderia ler novamente, tudo o que o livro lhe passou. Parando apenas quando ouviu barulho vindo do quarto de sua mãe, indicando que ela estava acordando.​
    Rapidamente ele fechou tanto o livro mágico quanto o seu próprio grimório, apagou a lanterna e foi para o quarto.​

    "Ora essa. Onde já se viu um iniciante me tratar assim. Nenhum um mago poderoso me desonraria dessa forma muleque." Reclamou o livro ao ser fechado e carregado como se estivesse sendo roubado.​

    "Desculpa. É que minha mãe já está acordada." Respondeu Erik. "E ela não pode te ver."​
    "Ora essa. Agora, não se esqueça de estudar todo dia sobre o que lhe ensinei. Quando se sentir pronto execute o que você escreveu. No meio tempo irei lhe ensinar mais truques básicos."​

    O inexeperado trabalho noturno deixara Erik cansado, mais cansado do que quando ficava o dia todo trabalhando com seu pai. Quando deitou novamente em sua cama era apenas para ficar alguns momentos até sua mãe vir chamá-lo para o café, mas acabou caindo em sono pesado e só acordaria no final da tarde.​
    Porém a sua mãe passou pela cozinha antes de ir até o quarto dele, ela notou a lanterna ainda quente e não o chamou como ele esperava. Apenas sentou em seu lado.​

    "Durma bem meu querido." Ela começou a falar aos sussuros para não acordá-lo. "Eu sei que você está acordado desde que seu pai saiu. Eu também estou, mas ainda não consigo dormir. É um alívio pra mim ver que você finalmente conseguiu." Tendo dito isto ela saiu do seu quarto e ficou o dia todo tendo se manter ocupada mas muito preocupada com seu marido.​

    Erik acordou muito tempo depois, ainda se sentindo sonolento, ficou se perguntando se sua mãe viera chamá-lo ou não.​
    "Sim ela veio." Disse o livro que nunca dormia. "Mas resolveu não acordá-lo. Ela sabe que tu passou a noite toda acordado."​

    Ele então se apressou para a cozinha onde a encontrou limpando o fogão, talvez pela centésima vez naquele dia. Ele saiu para a rua sem comer nada, e procurou por sinais de pessoas na aldeia. Andou da ferraria até o Quartel da Milícia, depois voltando, contornando o Salão Comunal e indo aldeia abaixo até a Casa dos Barcos na margem do lago. Ouviu alguns sinais de vida dentro das casas, mas ninguém ficava na rua.​
    Quando subiu novamente para perto da taverna pode ouvir sons de pessoas chegando. Se escondeu por entre as casas para ver quem estava chegando. Um pássaro preto desconhecido naquela região grasnou alto perto de onde Erik estava, dando-lhe um susto e revelando-o para os que chegavam. Por um breve momento Erik achou que o pássaro tivesse gritado para ele.​

    Quando voltou sua atenção novamente para a entrada da vila, viu que eram os homens que haviam ido de encontro aos goblins. Alguns vinham cantarolando a frente, outros mancando e tapando ferimentos atrás. Nenhum dos jovens da vila havia ido junto. Só os velhos pescadores e antigos membros da milícia. "Vocês crianças não sabem segurar um bastão de madeira pra abater um cabrito." Riam eles mais tarde quando a maioria se reuniu na taverna.​

    Com a barulheira as pessoas saíram de casa e se juntaram aos seus familiares. O Belo Globin logo encheu e eles abriram o Salão Comunal para fazer uma grande festa de inverno.​
    Erik correu para sua casa assim que avistou seu pai vindo, um pouco ferido mais inteiro, e voltou com sua mãe no encalço.​

    "Atacamos cedo e silenciosamente." Começaram a narrar. "Eles não esperavam um ataque, muito menos com a quantidade de pessoas que levamos. Logo suas cavernas ficaram abarrotadas com seus corpos. Ao meio dia tinhamos limpado as cavernas de mais fácil acesso."​
    "Dos que esacaparam da caverna. Ou aprenderam a voar ou se espatifaram montanha abaixo." Bradou um outro, começando a falar alto devido a quantidade de cerveja que estava tomando.​

    Nenhum homem tinha sido gravemente ferido. E os que se machucaram logo receberam curativos e foram para a taverna comemorar.​

    A festa inexperada durou até tarde da noite, e muitos acabaram dormindo na taverna ou no Salão, ignorando o frio que fazia.​
    Nenhum goblin atacaria naquela noite, mesmo se tivessem planejado para tal.​

    Erik demorou para dormir, pois havia dormido todo o dia anterior. E quando finalmente embarcou num sono pesado, foi acordado por seu pai.​

    Eles estavam reunindo um conselho no Salão, e todos que pudessem deveriam comparecer.​
    Apesar de muitos terem acordado sedo, como Erik e seus pais, o conselho demorou a começar, muitos custaram a levantar e a se reunir no Salão, outros julgavam desnecessária a presença e demoraram para ser convencidos a participar. A manhã foi passando e já era perto do meio dia quando a reunião finalmente começou.​

    A princípio foi parabenizado os que lutaram e esmagaram os goblins. Mas logo a conversa mudou para um assunto mais sério. A reativação do Quartel da Milícia e a início do treinamento dos mais jovens. Pois com a inércia militar da vila, as crianças cresceram aprendendo apenas a caçar e a pescar.​
    Tais habilidades eram importantes, mas eles precisavam também treinar como lutar em grupo, sem atrapalhar seu companheiro, e a reconhecer quando deviam recuar ou quando poderiam sobrepujar o inimigo.​

    Foi decidio, no final da tarde, que os jovens, como eram poucos iriam sair junto com pessoas mais brem preparadas, antigos membros da milícia, que seria de fato reativada. Também começariam a fazer rondas nos limites distantes da vila, para evitar supresas desagradáveis como a que pegara o jovem filho do taverneiro.​

    "Isso vai lhe dar bastante trabalho." Disse o mestre da vila ao pai de Erik. "Principalmente porque seu filho também irá participar das rondas e do treinamento.​

    A cada dia da semana um grupo diferente sairia para a ronda. Nos primeiros dias, Erik continuou ajudando seu pai. Mas depois ele o liberou dizendo. "Vai achar um local para treinar sozinho. Pra te acostumar com a armadura e a espada." Lhe entregando também um colete de couro batido e uma espada curta.​

    Erik já sabia para onde ir. Mas antes de sair de casa, passou em seu quarto e colocou o livro mágico, o seu pequeno livro, tinteiro e pena para escrita em sua mochila.​

    Ao meio dia do terceiro dia após a batalha contra os goblins ele estava indo entusiasmado, correndo boa parte do caminho até a plataforma dos bodes. Chegando lá, ele ficou longe da trilha que dava acesso ao outro lado da passagem, assim não seria visto facilmente.​

    A princípio ele tentou alguns golpes com a espada, mas sempre acabava se acertando e deixando a arma cair. Logo desistiu do treinamento e tomou o livro mágico consigo.​
    "Espero que tenha treinado arduamente nesse tempo todo." Disse o livro ao ser tirado rudemente da mochila. Erik logo se preparou para escrever, mas como o colete o deixava desconfortável ele o retirou, deixando-o de lado junto com a espada.​

    Durante toda a tarde e o dia seguinte, ele estudou o que o livro lhe ensinara e tentava repeteir os encantamentos corretos. Alguns materiais, ele demorou um pouco para conseguir, mas no final acabou tendo tudo o que precisava. Uma semana ou duas a mais e teria aprendido todos as magias de nível baixo, ou truques como o livro chamava, que ele tinha disponível para aprender.​
     
  3. kiros

    kiros Usuário

    [L][kiros][Mago: O Caminho] - Cap 3

    Capítulo 3 - Erros e Falhas

    No quinto dia após A Batalha, como estava sendo comumente chamada na vila, Erik foi chamado para fazer parte do grupo de ronda. Seu pai estava orgulhoso dele, porém ele estava temeroso quanto a ter de lutar pois ainda não sabia sequer segurar a espada direito, quanto mais lutar com uma, e também não se sentia seguro quanto a usar magias. O grimório lhe advertira que uma magia mal executada, mesmo um mero truque, podia lhe causar sérios danos e as pessoas em volta.

    Além de Erik, se encontrava também Igor, o irmão do taverneiro, Hugar e Hagar, dois velhos pescadores mas habilmente treinados para batalha, e Karl, o jovem filho do taverneiro. Ele ainda estava ferido mas insistia em fazer parte do grupo, sendo asism, o grupo de Erik era o único que tinha dois inexperientes.

    O dia estava começando a nascer quando o grupo passou pela trilha que dava acesso ao Quartel da Milícia. "Nós vamos começar indo para as cavernas pela Floresta Morta." Disse Igor, que era o líder do grupo. "Ficaremos perto do Rio Novo até mais ou menos o meio dia. E então desceremos pela trilha que passa pelo Bosque Mágico, passando perto da casa do mago. Isso é claro se não tivermos nenhum imprevisto."

    Karl ia mancando mas alegre, ficava balançando a espada de um lado para outro com certa perícia. "Parece mais uma criança com um brinquedo novo." Pensou Erik. Hugar e Hagar ficavam um de cada lado do grupo, cada um portando uma pesada espada larga desembainhada.

    Durante todo o caminho pela Floresta Morta e acima na passagem para as cavernas não se ouviu nada além do som dos bodes e carneiros a distância. "Devemos ficar seguros por hora." Disse Igor que ia a frente do grupo, era o que tinha a melhor visão e audição de todos. "Não sei como, mas aquele velho pastor e seus animais estão sempre longe de locais que apresentam perigo. Ficar perto deles da uma certa segurança."
    Mesmo com essas palavras, Erik não se sentia nem um pouco seguro, para ele um goblin podia pular de qualquer monte de rocha a qualquer instante, exatamente sobre ele que não saberia como reagir e seria abatido facilmente, e seria motivo de piada na vila caso sobrevivesse.
    Caso Erik conhecesse um pouco mais sobre os goblins, saberia que tais criaturas jamais atacariam de forma suicida como ele estava imaginando. Seria mais típico deles arremessar pedras de cima dos montes do que tentar combater um grupo visivelmente armado.

    O barulho suave de um pequeno riacho podia ser ouvido quando eles deixaram a companhia das árvores secas. Não demorou muito Erik pôde ver a pequena ponte de madeira que o cruzava e a trilha além dela que subia ainda mais nas montanhas.

    As marcas do grande número de pessoas que passara por alí dias atrás ainda podiam ser vistas na grama.
    Por algum tempo ficaram próximos a ponte, mas então resolveram fazer uma pequena ronda no terreno acima do alagado, uma área de terra tão baixa que o pequeno rio se espalhava por cima dela como um pequeno pântano de grama. "Tem uma caverna que não averiguamos outro dia pois estávamos em número muito grande para ir seguramente aquela área." Disse Hugar após terem cruzado a ponte. "O terreno é alagadiço e fofo, e mesmo os animais leves como as cabras e ovelhas ficam atoladas irremediavelmente se forem muito para o centro da área."

    O caminho acima do alagado não foi difícil. Seguiram em linha reta pela pequena trilha feita pelos animais e logo estavam numa área mais larga acima do pequeno pântano. A escosta era íngreme e acidentada, e eles demoraram um pouco para checar todas as entradas na pedra até acharem a caverna.

    Porém eles não foram muito longe da luz quando começaram a ouvir vozes vindo na direção a eles.
    Era um idioma que Erik não entendia, mas era feio e escutá-lo lhe dava uma espécie de enjôo, começou a pensar nas magias que tinha estudado antes de sair de casa. Talvez ele conseguisse usar duas ou três se ouvesse uma batalha e surpreender os inimigos.
    "São goblins." Disse Igor que entendia o idioma. "Parece que eles estavam checando a caverna atrás de algum humano ou algo do gênero. Eles querem saber se não há emboscadas para o grupo. É o que estão dizendo."
    Pelo que ele conhecia sobre essas criaturas, eles devia estar em um número pequeno, de 4 a 5 goblins.
    "Melhor irmos para fora e pegá-los de supresa." Falou Igor novamente, com a voz cada vez mais baixa até se tornar um sussurro. "Qualquer coisa podemos empurrá-los para o alagado."

    Dessa forma fizeram, os irmão Hagar e Hugar ficaram um de cada lado da entrada. Karl e Erik também se dividiram dessa forma. Igor ficou junto de Karl e Hagar.
    "Não se preocupe." Disse Hugar para Erik, os outros não podiam ouvir o que ele falava de tão baixo. "Deve ser um grupo pequeno, ataque se estiver seguro, e nunca com força total. Em todos casos eu irei cobrí-lo. Mas se for um grupo grande e eu lhe mandar correr. Corra. Vá para o Bosque Oculto, é de onde os sons de animais estavam vindo antes. Igor tem razão no que falou, o velho está sempre fora do alcance de perigos como esses."

    Alí, acima do rio, o som dos animais não era mais audível e Erik se sentia completamente inseguro. Na sua imaginacão os goblins estavam andando amontoados pela pequena caverna. E sairiam de uma forma que logo seriam cercados e seria impossível fugir. "Ao menos não serei piada na vila." Disse pra si mesmo.

    Novamente se Erik soubesse alguma coisa sobre golins além da aparência, saberia que era de fato apenas um grupo pequeno como Igor falara.
    Logo o grupo saiu para fora da caverna, porém antes que saíssem todos, Karl se jogou no meio deles balançando a espada para todos os lados num acesso de raiva e ódio. Logo Hagar e Igor estavam golpeando os goblins pelas costas, pois estes tinham se voltado para o meio a fim de retalhar o insandecido Karl.
    Hugar também não perdeu tempo e atacou como pôde, arrancando uma cabeça de goblin no primeiro balançar de sua pesada espada.

    Erik estava estático, ele se obrigava a ir para cima e ajudar os outros, mas o medo o deixava paralisado. Suas pernas tremiam e ele não tinha sequer sacado a espada. Nunca havia visto um goblin antes, e o que sabia, apesar de estar bem próximo do real, não o preparava para a feiúra e maldade que estava vendo.

    A princípio os goblins, 5 no total, tentaram atacar Karl. Quando Igor, Hagar e Hugar atacaram, dois deles se viraram, visto que o terceiro morrera no primeiro golpe de Hugar. Mas logo outro se virou para atacar Hugar enquanto o último atacava Karl que mal conseguia se defender.

    Não demorou e outros três goblins estavam no chão, restando apenas o de Karl que tentou fugir quando se viu sozinho. Ele estava indo correndo bem na direção de Erik, quando este, levado pelo medo e ódio tirou a espada e atacou com toda a força o goblin fugitivo.

    A última coisa que o goblin viu antes de ter sua cabeca partida em duas de cima a baixo foi o desespero no fundo dos olhos de Erik.
    Em poucos instantes estava tudo acabado. Karl estava sendo segurado por Hagar, pois continuava a estocar os goblins mesmo estando todos mortos. Ele já estava todo coberto pelo sangue sujo deles quando finalmente parou. Sua face mostrara claramente medo e desespero assim como Erik, que por sua vez tinha caido de joelhos no chão estava vomitando avidamente.

    "Parece que os novatos tiveram sua iniciação." Riu Hagar. "Até que não se saíram tão mal. Um ficou louco por sangue e outro vomitou quando matou seu primeiro goblin. Lembro que você desmaiou em seu primeiro combate Hugar."
    "E você ficou um mês sem andar direito de tanto que suas pernas tremiam." Retrucou ele.

    Após os Erik e Karl terem se acalmado, Igor foi junto com Hugar fazer uma vistoria na caverna.
    "A caverna não é grande." Disse Igor pouco tempo depois. "E não tem nada lá."
    "Vamos voltar para a ponte agora." Continuou. "Ficaremos lá um pouco e depois iremos para casa pela trilha do Bosque Mágico.

    Erik se sentia fraco e tinha dificuldades para andar. "Você vai ficar melhor depois que tiver tomado um bom caneco de cerveja na taverna hoje a noite." Falou Hugar.
    Por outro lado, Karl estava abatido, sério e sem vontade de fazer nada além de andar. Toda a alegria que tinha antes se fora na loucura da batalha.

    Não muito depois do meio dia eles deixaram a ponte. A tarde de inverno era curta, e o dia ja estava rumando para o seu fim quando avistaram o bosque das folhas que nunca caiam.
    Havia uma caverna um pouco antes do bosque, mas devido a hora e ao estado dos dois rapazes eles resolveram seguir caminho.

    Sob a sombra larga das montanhas e das árvores eles já estavam descontraidos, cantando e falando alto. Não prestaram atencão no caminho como deveriam ter feito. Se o tivessem feito, talvez tivessem se saído melhor no que viria pela frente.

    Logo que atinigiram a passagem que dava acesso a casa do mago eles avistaram um grupo de goblins. Muito maior que o anteiror.
    No meio destes goblins havia um humanóide horrendo que estava olhando para eles.
    "Robgoblin." Disse Igor. "CORRAM!" Gritou ele recuperando a compostura. No susto, Karl acordou de seu transe e ficou parado sem saber o que fazer.
    Erik que já tinha começado a correr parou alguns passos depois. "Melhor morrer em grupo e lutando do que fugir e morrer fugindo e sozinho." Ficou se forçando a voltar, mas seu medo o mandava correr e suas pernas não sabiam o que fazer, se continuavam a fuga ou se voltavam para a batalha.

    Os demais goblins estavam parados e desatentos quando Igor gritou pela primeira vez. Mas o Robgoblin, mais alto que um humano comum e coberto com uma armadura de metal estava preparado e já estava vindo para cima do grupo ordenando e incentivando com chutes e palavrões os goblins a fazerem o mesmo.

    Antes que fosse tarde demais, Erik se lembrou das magias que havia estudado mais cedo, procurou um pedaço de lã em sua mochila, o que não foi dificil de achar pois havia deixado tudo separado e preparado para quando precisasse, como o grimório havia aconçelhado.

    Com a lã em sua mão ele fechou os olhos e aproximou as duas mãos de seu corpo, erguendo-as em seguida ao nível de sua boca, soprou sobre a lã que imediatamente incandeceu. A atenção do Robgoblin que estava perigosamente perto do grupo se desviou momentaneamete para Erik. "Ei bosta de bode." Disse ele. No momento seguinte a lã soltou um fraco mas perceptível brilho que penetraram fundo nos olhos do robgoblin.
    Este por sua vez ficou parado, tentando entender o que tinha acontecido. Os demais membros do grupo também ficaram atordoados com o que Erik dissera, e antes que o robgoblin recuperasse os sentidos Igor começou a correr em direçao a casa do mago incentivando os outros a fazerem o mesmo.

    Uma oportunidade do tipo eles não teriam novamente.

    O robgoblin voltou a sí enquanto o grupo ia se afastando rapidamente. Logo estava chutando e socando os goblins a irem em perseguição. Eles todos tinham se amedrontado quando seu líder parou no meio de um ataque. Confusos, apenas correram em direção aos humanos e de longe do alcance da espada do robgoblin que deixara dois mortos no chão para descontar a raiva.

    Igor corria a frente do grupo, queria chegar na casa e abrir a porta em tempo de todos entrarem com o embalo da corrida. Hugar e Hagar ficavam atrás de Karl e Erik, mesmo podendo correr mais rápido, e constantemente olhavam para trás, prontos para virar e encarar o bando de goblins que vinha em seu encalço.

    Pouco a pouco os goblins, incentivados pelo ódio aos humanos e pelo medo do robgoblin, iam diminuido a distância que os separava de sua presa.

    Igor chegou na casa abrindo a porta rapidamente, no instante seguinte Karl e Erik entravam cabaleando porta adentro, seguidos bem de perto por Hugar e Hagar. Quando finalmente Igor entrou, Hagar já estava empurrando a porta para trancá-la e Hugar vinha com a trava da porta que não tinha tido dificuldades em achar.
    Colocaram a pequena mesa e a velha cadeira que Erik havia encontrado da outra vez contra a porta, assim como alguns móveis mais pesados da sala seguinte contra a porta.

    Os goblins davam batidas constantes na porta tendando entrar, mas a barricada que ia ficando rapidamente maior foi o suficiente para segurá-los do lado de fora.

    Assim que se sentiram mais seguros eles passaram para o próximo cômodo, trancando a porta atrás entre as duas salas e formando uma mais uma barreira com a grande mesa daquela sala e as cadeiras.

    Da outra vez que estivera alí, Erik mal tinha prestado atenção na sala, devido ao medo que sentia em ter alguém perseguindo-o. A sala era desnecessariamente grande, no centro ficava a comprida mesa que eles tinham colocado para barrar a porta, rodeada de cadeiras, algumas delas quebradas. A esquerda da sala havia uma porta que dava para uma espécie de cozinha. Dentro dela havia um grande fogão, vários tocos de lenha para o fogo, um balcão encostado na parede interna da cozinha e várias caixas espalhadas ao longo dos espaços vagos na parede.

    Se Erik tivesse olhado a casa com mais calma da outra vez que estivera ali teria pego a madeira para levar para seu pai. "Ele sequer sabe o que está acontecendo." Pensou tristemente.
    Se tivesse a oportunidade de voltar ali, Erik certamente não esqueceria da lenha.
    "Não há porta que dê pra rua." Erik observou. "E as janelas são altas. Os pequenos goblins não iram entrar." Mesmo assim ele estava desconfortavelmente inseguro.

    Na sala de jantar, onde os demais, a exceção de Igor, estavam. Ele pôde ver uma antiga lareira na parede que fazia divisa com a biblioteca queimada, perto, mais próximo da cozinha, havia uma porta, trancada como Erik pôde noticiar. "Deve dar para o quarto." Pensou ele lembrando um pouco das medidas da casa. "Ou isso ou é uma porta mágica para algum outro lugar."

    Quando pequeno tinha ouvido várias histórias que tinham elementos mágicos como este. E como aquela era a casa de um mago, ele não achava de todo impossível. Ao longo da parede haviam algumas pinturas, todas machadas e empoeiradas demais para se distinguir o que eram. A janela da sala também era alta o suficiente para evitar a entrada dos goblins.

    Do outro lado da sala, além da porta por onde Erik tinha chego a biblioteca queimada, havia uma outra a seu lado.
    Erik foi até ela e a examinou por algum tempo. Parecia normal como as outras portas. Ele girou a macaneta e entrou. Quando atravessou o marco da porta, ele sentiu algo de estranho percorrer o seu corpo, a estranha sencação durou apenas um momento e desapareceu.

    Não havia nada demais do lado de dentro. Apenas uma larga mesa no centro da sala, algumas mesas menores encostadas nas paredes. Não havia janelas naquela sala, então ele não precisava se preocupar com goblins ou robgoblins invadindo o lugar. Sobre a larga mesa, haviam vários papéis. Erik deu uma olhada sobre eles, mas não entendeu nada do que estava escrito, para ele, não passavam de rabíscos.

    Ele continuou a vasculhar as outras mesas, moedas, várias delas, algumas amarelas bem brilhantes e outras prateadas, porém muito mais reluzentes. Junto a essas moedas havia também um anel de formato simples.
    Uma pequena pedra vermelha estava encrustada nele. Sentindo uma atração parecida com a de quando achou o livro, ele pegou o anel e o colocou dentro de sua bolsa, depois disso ele saiu em direção a sala de jantar onde os demais aguardavam.

    "Como você conseguiu abrir a porta?" Perguntou Igor assim que Erik entrou na sala. "Eu tentei abrí-la antes mas não conseguí." Os demais olharam estranhamente para Erik, primeiro ele havia deixado o robgoblin momentaneamente paralisado e confuso, e agora tinha aberto uma porta que todos viram Igor tentar abrir e não conseguir.

    "Bem." Continuou Igor. "Talvez você possa abrir a porta no final dessa outra sala. Não ha nada alí, apenas madeira queimada e cinzas. Mas a porta no fim da sala está trancada. Acho que deve dar para a saída."
    "Não. Não dá." Repondeu Erik, deixando os demais ainda mais atônitos. "A porta da pra um quarto. No quarto a outra porta que da para uma escada em túnel. A escada está quebrada no meio, permitindo que se passe por alí."
    "Eu já estive aqui antes. Fiquei aqui durante a chuva no dia em que Karl foi atacado por goblins." Concluiu Erik ao ver os olhares espantados e inquisitores de todos.

    Depois de algum tempo discutindo o que fazer, se deviam se arriscar sair e tentar contornar o grupo de goblins sorrateiramente ou se deviam esperar alí até que a vila mandasse um grupo para ir atrás deles, eles resolveram arriscar sair. "Não sabemos quão grande será o grupo, nem se chegarão até aqui vivos ou se mais goblins ou criaturas piores não chegaram para reforçar o grupo que está lá fora." Argumentou Hugar, convencendo a todos.
    "Se esse plano falhar, vamos todos morrer." Disse Igor por fim. Ele tinha defendido a idéia de permanecer na casa, mas os argumentos de Hugar eram fortes e válidos.

    Eles mal tinham entrado na sala queimada quando avistaram os goblins e o robgoblin do lado de fora. Rapidamente Erik procurou em sua mochila por mais um pedaço de lã. Segundo as instruções do livro mágico, ele poderia utilizar até três magias naquele dia. Ele pensou bem de manhã sobre quais magias usar e agora iria tentar pasmar o robgoblin novamente.

    As janelas daquela sala não eram tão altas quanto as outras, os goblins não teriam muito trabalho em entrar, Erik tinha pouco tempo.
    Ele tomou a lã em sua mão, levou rapidamente as mão em direção ao corpo, na altura da boca. "Vai pastar sua cria de bode com porco do mato!" Disse Erik invocando a magia. A lã incandeceu e se desfez em cinzas como da outra vez, porém o resultado fora diferente. Ao invés de parar, o robgoblin investiu ainda com mais vontade contra a casa, rapidamente entrando na sala ficando entre o grupo e a porta que dava para o quarto.

    "Rápido, voltem." Gritou Igor, ele e Erik tinham sido os primeiros a entrarem na sala.

    Erik sem pensar correu para a única porta que não havia tentado anteriormente, abrindo-a sem dificuldades e passando por ela a frente dos demais. Hagar tratou de fechar a porta quando passou por ela, deixando os goblins trancados do outro lado. Inexplicavelmente, eles não conseguiam entrar, por mais que tentassem.

    O grupo não se demorou no quarto e foram imediatamente para a porta de saída, com Erik liderando-os. Pularam pela passagem e correram em para fora dos arredores da casa.

    Porém, antes de chegarem na metade do caminho ao lado do bosque, eles avistaram o robgoblin vindo sozinho em direção a eles. Se o robgoblin tinha conseguido passar pela porta ou se tinha dado a volta por onde tinham entrado, eles não sabiam. Mas assim que o viram, Hugar e Hagar se viraram para enfrentar o atacante.

    "Idiotas." Gritou Igor quando os viu virando em direção ao robgoblin.
    Erik não tardou em fazer o mesmo, se juntando aos outros dois, ele ergueu a mão direita para o alto, baixando-a em seguida, apontado para o goblinóide com o dedo indicador esticado. "Raio de Gelo!" gritou ele.
    No mesmo instante sua mão emitiu um brilho azul ficando gelada em instantes. Eric tentou mover os dedos mas percebeu que não os sentia mais.

    "Fique pra trás." Disse Hagar o empurrando. Erik tinha agora gastado sua última magia, e tinha terminado com a mão direita inutilizada. Nem a espada ele poderia tentar usar.
    Impotente ele apenas saiu do caminho dos irmãos pescadores.

    Hagar foi o primeiro a atacar, colocando toda a sua força no golpe com a espada. Seguido por Hugar num golpe lateral quando a esapda de Hagar foi parada pela arma do robgoblin. Mas a armadura dele preveniu boa parte do dano. Logo o robgoblin estava atacando causando um corte no peito de Hagar. Hugar não perdeu a oportunidade e golpeou o braço dele de baixo para cima.

    O golpe não teve muita forca, mas foi o suficiente para ferir o robgoblin. Hagar novamente atacou com força total, dessa vez o robgoblin não conseguiu erguer a arma em tempo. A espada resvalou no elmo e foi acertar o ombro com força.

    Num último golpe, Hugar golpeou a cabeça do robgoblin na horizontal, quase decapitando-o.


    Os goblins que seguiram seu líder após alguma discussão, chegaram em tempo de vê-lo caindo.
    Os irmãos, vendo a oportunidade de afugentar os goblins ou matar mais alguns, investiram gritando contra eles, que deram meia volta e fugiram, esbarrando nos que vinham atrás e que também acabavam fugindo quando viam o que estava acontecendo.

     
  4. kiros

    kiros Usuário

    [L][kiros][Mago: O Caminho] - Cap 4

    Capítulo 4: Problemas a Caminho


    Eles não se demoraram muito após terem vencido o robgoblin e afugentado os demais. Nenhum deles a princípio quis examinar o robgoblin caído, mas quando começaram a ir em direção a vila, Karl voltou rapidamente e pegou a espada para sí. "Vamos rápido." Dizia Igor. "Já está anoitecendo e já devíamos ter chego na vila, precisamos chegar lá antes que algum grupo saia em nossa procura."


    Eles correram e cambalearam a maior parte do caminho. Na descida para a plataforma dos bodes Erik tropecou e rolou a frente dos demais. Algo parecido aconteceu com Hagar na subida do outro lado, mas este soube evitar rolar trilha abaixo.


    Eles estavam cansados e famintos. Haviam comido quando estavam parados nas margens do Rio Novo, mas os eventos recentes faziam-los se sentirem como se não tivesse comido nada desde o dia anterior.
    Erik era o pior dentre eles, pois além de não ter conseguido comer direito após a batalha nas cavernas, ele continuava enjoado e com a mão direita congelada. Pouco a pouco ele começou a sentir os dedos, e logo eles começaram a doer insuportavelmente.


    Eles não ouviam som algum durante a passagem pela Floresta Morta, apenas os seus próprios passos e respiração. A quietude completa dava calafrios a todos e Karl quase teve um ataque de pânico quando viu luzes flutuantes floresta adentro, ao norte de onde eles estavam.
    "Voltem para vila!" Girtou Igor. Ele havia visto as luzes também, e havia indentificado como um grupo que saíra para ir atrás deles.


    Eles se encontraram no final do bosque. "Não há tempo para histórias agora." Disse Igor dois dos três homens do grupo de busca começaram a perguntar o que havia acontecido. O terceiro era o pai de Erik e estava preocupado com seu filho. Na luz fraca das tochas ele não pôde ver como estava a mão dele e apenas se contententou com um 'Estou bem pai.' dito pelo ofegante Erik.


    Rapidamente eles partiram, Igor e os dois que o haviam interrogado correndo a frente, os demais apenas em paço acelerado até entraram nO Goblin. Alí o pai de Erik mandou um dos jovens a ferraria para dar notícias a sua esposa.


    Nada foi dito pelo grupo de ronda por um bom tempo. Tempo em que eles ficaram bebendo a conta dos demais que queriam saber o que tinha acontecido, e porque estavam suados e feridos, e porque a mão de Erik estava além de imóvem, azul.
    "Seu filho é um ótimo mago." Disse Hugar cortando a história para a magia falha de Erik antes de terem contado como tinha terminado o encontro próximo do rio.
    "É, ele vomitou bastante depois de ter matado aquele goblin fujão." Disse Hagar voltando ao ponto anterior.
    Pouco a pouco os aldeões ficaram sabendo do que havia acontecido, com leves alterações e algumas contradições, Hagar e Hugar contaram como haviam derrotado os goblins na caverna, dando ênfase ao enjôo de Erik e ao banho de sangue ao qual Karl havia se entregado, como eles encontraram o grupo de goblins no caminho de volta e foram obrigados a fugir para a casa do mago. "É claro que não teríamos tido tempo de chegar até a casa e trancar a porta atrás de nós se não fosse pelo filho do ferreiro aqui." Gritou Hugar, ele fazia questão de engrandecer o rapaz, e se o tivesse achado, teria lhe dado um tapa nas costas que teria arremessado Erik por sobre algumas mesas.


    Erik havia pego uma mesa junto com seu pai, e mais alguns outros aldeões, em geral, jovens conhecidos dele, próximo a lareira. Alí enquanto sua mão pouco a pouco voltava a coloracão normal e a dor ia diminuindo, Erik contou quase a mesma história que os irmãos pescadores, com menos alterações e menos grandiosidade. Ele se sentia ainda muito enjoado por causa da morte do goblin. Nunca havia pensado que em algum dia estaria matando alguém ou alguma coisa, mesmo uma criatura malígna como um goblin. Era diferente de um animal, que era abatido para servir de alimento. O goblin morreu apenas porque tinha que morrer, por que era mal. "Mas o que é mal?" Ficava pensando ele, fugindo da história e perdendo o ponto.


    Quando todos já sabiam da história, Igor entrou na taverna, acompanhado pelos mestre da vila. Este contou, aos que ainda queria ouvir algo, a versão menos adulterada dos acontecimentos. "Seu filho tem potencial para ser um bom mago ferreiro." Disse ele em voz alta para que que todos ouvissem. "Não sei onde ele aprendeu, nem quem o ensinou."
    "O criador de bodes talvez." Disse alguém interrompendo-o.
    "Mas ele foi melhor com magia do que com a espada. Porém, precisa de mais treinamento. Ele não teve muita sorte na última magia que tentou lançar." Terminou Igor após a interrupção.


    O pai de Erik ouvia a tudo com atenção, e começava a desconfiar que a estada dele na casa do mago alguns dias atrás tinham algo a ver com tal mudança.
    Ele havia percebido algo de diferente naquele dia, algo que seu filho estava escondendo, somado com vozes desconhecidas a partir daquela noite e com o sonho que Erik tivera sobre goblins.


    Pouco depois disso uma nova comoção começou na porta da tarvena. Alguém sériamente ferido havia entrado nO Goblin. Alguém que não era da vila.
    "Ajuda." Disse ele, "Ajudem-nos." Após, ele caiu desmaido no chão. Rapiamente foi colocado sobre uma mesa, derrubando todos os canecos de cerveja que estavam por alí, cheios ou vazios, e os menos embriagados tomaram armas, que passaram a usar com frequência depois dA Batalha, e foram para fora da taverna.


    Dalí eles podiam ouvir barulho de pessoas e de batlha na direção da estrada que subia a montanha, que era o mesmo caminho onde ficava a ferraria. Erik e seu pai foram os primeiros a sair correndo em direção ao local. Mesmo estando com a mão ruim, Erik tomou a espada que tinha e preparou sua mente para uma batalha. Matar goblins que estavam saindo de uma caverna era completamente diferente de matar o que quer que fosse que estivesse atacando sua casa e sua mãe.


    Haviam dois goblins tentando derrubar a porta com golpes de pequenas espadas, e mais três amontoando entulhos ao lado da casa com a intenção de incendiá-la. Assim que eles viram Erik e seu pai vindo, eles mudaram seu alvo e se prepararam para atacar, mas quando outros moradores vieram logo em seguida, os goblins deram meia volta e fugiram estrada abaixo para a escuridão.


    Alguns dos aldeões que possuiam arcos tentaram em vão acertar os goblins em fuga.
    Erik foi diretamente para a porta, com a mão ruim ficou batendo na porta chamando por sua mãe, enquanto segurava a espada com a outra, atento a qualquer ataque surpresa.


    Seu pai e os demais deram a volta na ferraria e examinaram os arredores para se certificarem de não havia nenhum goblin por alí escondido, ou alguma pessoa ferida e inconciênte.
    Não achando nada além de rastros que se perdiam na escuridão, eles voltaram a atenção para a casa, onde a mãe de Erik já havia aberto e puxado seu filho para dentro.
    Erik ficou supreso com o que viu. Na sala de entrada se encontravam algumas pessoas que não eram dalí. Assim como o jovem que correra até a taverna, eles estavam usando mantos pesados de viagem, muitos com um capuz cobrindo a cabeça.


    Um dos forasteiros estava encostado num dos cantos da sala, tocando um pequeno alaúde de 5 cordas. A música que ele produzia era suave e acalmante. Por um momênto Erik ficou encantado com a música, tendo esquecido dos horrores que havia visto durante aquele dia, mas o encanto quebrou quando seu pai entrou na casa fazendo bastante barulho.


    "Os que podem andar devem vir comigo para o centro da vila." Disse ele depois de checar se estava tudo bem com a casa e com quem estava alí dentro, principalmente sua esposa.
    "E o que?" Disse o músico interrompendo sua música e liberando os demais do transe hipnótico em que estavam. "Sairmos daqui e sermos atacados por goblins novamente?" Com essas palavras outros começaram a murmurar também contra a idéia.
    "Os goblins que estavam alí fora foram derrotados. E há também um grupo de aldeões armados que irão nos acompanhar até o Salão Comunal."
    O estranho hesitou por um momento, como se fosse rebater o que o dono da casa havia dito. "Já que 'nós' iremos." Disse frizando bem a palavra nós. "Não vejo problemas." Tendo dito isso ele pendurou o alaúde nas costas, tomou sua espada que estava ao chão atrás dele e saiu para a rua.


    "Derrotados?" Gritou ele do lado de fora. "Achei que goblins derrotados deixavam corpos no chão. Ou já deram rapidamente um fim a eles." Sem esperar pela resposta ou pelo grupo de escolta ele foi sozinho na escuridão em direção ao centro da vila.


    Quase todos os que estavam alí foram para o Salão, com exceção apenas das crianças.
    "Não! Você fica e toma conta da casa." Disse o pai de Erik quando ele tentou ir junto. "E trate de descançar um pouco. Você ainda está exausto."


    Erik ficou em casa como seu pai lhe ordenou e depois que as crianças foram devidamente acomodadas, três no total, ele se retirou para o seu quarto. Lá ele tomou o livro mágico e perguntou porque sua magia não havia funcionado.
    "Como lhe ensinei." Comecou a explicar o livro. "A magia é uma arte muito perigosa se mal utilizada."
    "Mesmo magos fortes e idosos cometem erros que terminam com a sua morte. Um mago jovem, ainda mais um jovem sem nenhuma instrução como você, comete muito mais erros devido a inexperiência."
    "Tudo deve ser perfeito quando invocar a magia, a concentração, as palavras, os gestos, o material. Tudo, sem exceção."
    "É de se admirar como você conseguiu executar corretamente uma magia pelo menos em tão pouco tempo. Certamente numa academia, sob os devidos cuidados de alguém experiênte, você se tornaria um excelente mago."
    "Não que eu me menospreze como tutor, pelo contrário, fui um dos melhores na minha época de professor, mas eu não tenho como lhe 'mostrar' como a magia deve ser feita, apenas lhe falar e esperar que você tenha entendido bem." Erik não sabia sobre o efeito que uma armadura tem sobre a magia, quando esta delimita os movimentos, também o girmório não sabia que Erik estava usando uma no momento que executou os encantamentos, se assim fosse ele lhe teria explicado.


    Cansado do geito que estava, fisica e mentalmente, Erik caiu sobre sua cama tão logo o grimório terminou de falar e adormeceu imediatamente.


    No Salão Comunal os forasteiros estavam reunidos juntamente com o mestre da vila, o ferreiro e vários dos mais velhos. Um guarda foi montada e rondas eram feitas em torno da vila, todos estavam prontos para o caso de haver mais algum ataque de goblins durante a noite.


    No salão, o músico cantou como eles tinham deixado a cidade de Talathgard e subido a montanha num grupo razoavelmente grande e bem preparado para as maiores adversidades. A subida foi mais difícil do que se esperava devido a estrada abandonada e praticamente inexistente em alguns pontos. Muitos desanimaram, mas a música reaquecia os corações e eles voltavam a árdua tarefa de subir a montanha.


    Não muito longe da vila eles se depararam com o caminho bloqueado, árvores cortadas e colocadas no meio da estrada. Enquanto a maioria dos homens trabalhava em limpar o caminho, um grupo de goblins atacou a caravana por trás.
    Eles lutaram e quando parecia que iam prevalecer mais golbins chegavam vindo de cima da estrada.
    Mais uma vez os humanos tinham se mostrado superiores. Com algumas baixas eles tinham matado a maioria dos goblins e afugentado os demais.


    Quando finalmente passaram pelo bloqueio, um grupo muito maior que o primeiro e o segundo veio em direção a eles pelas costas. Sem chances de sobreviver, eles correram como puderam, carregando as crianças e deixando os pertences para trás.


    "Foi assim que chegamos aqui. Os que conseguriram pelo menos." Disse quando terminou a música.
    "Mas isso não explica o que vieram fazer aqui." Disse o mestre da vila. "Porque resolveram vir para uma vila que provavelmente nem consta em mapas, não há nada além deste lugar."


    "Isso talvez seja culpa minha." Disse uma pessoa de certa idade. Alguns aldeões se perguntaram como poderia ele ter escapadao e fugido dos goblins. "Há uma história que me foi contada pelo meu pai, e pelo pai dele pra ele. Sobre um generoso mago que morava por aqui."
    "Convenci essa caravana de vir comigo sob a promeça de comércio. Mas ví que me enganei mais do que uma vez." Continuou ele. "Não ví nenhum sinal de mago por aqui, e também com todos os nossos bens destruídos e perdidos não temos como fazer comércio algum."


    "Precisamos mandar alguém montanha abaixo para pedir ajuda." Disse o mestre após o encontro enquanto estava sendo escoltado para a sua casa que ficava próxima ao lugar da reunião, descendo em direção ao lago da montanha. Eles não tinham descoberto muito mais dos viajantes, apenas que o grupo de goblins era realmente grande.
    "Eu já tenho idéia de quem poderia ir." Disse Igor que o acompanhava, explicando-lhe sua idéia. Sua casa ficava um pouco além da casa do mestre. "Só não tenho idéia de como ele poderia descer a montanha com o caminho bloqueado. Isso se o que eles falaram for verdade."
    "Isso não será um problema tão grande." Continou o mestre. "Amanhã pela manhã mande um grupo de patrulha estrada abaixo para checar o que eles disseram. Eu tomo conta do nosso emissário."
     

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