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[L] [Kementari] Flores Assassinas.

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Kementari, 27 Jan 2004.

  1. Kementari

    Kementari É só marca do fogão!

    [Kementari] Flores Assassinas.

    Flores Assassinas.

    "Suas pétalas adquiriram uma coloração diferente naquela tarde bucólica. As matizes que haviam sido tão sanguinolentas eram agora icterídeas, e aos poucos voltavam à terra, murchando e escurecendo até a completa renovação.
    E a íris embranquecida da menina quase tocava o hibisco, outrora grandioso, mas que não sobrevivia àqueles tempos modernos. E o próprio vampirismo agora o deixava em sua morte solitária.
    - Mamãe, os hibiscos sonham?

    Ela não compreendia.
    Por tanto tempo havia conversado, explicado. Mas as flores não ouviam. Elas fingiam ouvir. Fingiam pois não podiam; mas afinal para que vivem as flores? Talvez quando envelhecessem e quisessem voltar a serem jovens morressem. E virariam outras flores maiores e mais vermelhas, doces gotas de orvalho.
    Impacientemente crescia a menina, e não se conformava com a morte da sua companhia. Queria crescer junto com ela, e a maturidade começava por mais jovial que a sua mente naqueles tempos fosse por fim a conhecer a menina. Desejou que a terra a levasse também.
    Foi um pensamento rápido, e a menina não se lembrava dele. Afinal de que se faz a infância se não da ignomínia do crescer.
    Levantou-se alegre, pensando em nadar.

    Seus cabelos caíam-lhe, e ela teimava em ajeita-los com as mãos de unhas roídas e de barro entre os dedos. Movimentos doces de uma adorável criança áurea como os hibiscos gregos.
    Ah, a flor.
    Levava a flor delicadamente por entre os dedos de sua mão direita. Talvez vovó a trouxesse de volta. Vovó era teimosa. Teimava em pentear-lhe os cabelos, enquanto os preferia emaranhados. Escorria-os o pente, e as conseqüentes mãos o sujavam com a doçura do chá.
    Era isso, estava decidido. As saudades de suas tardes divertidas cheias de confusão eram maiores que o medo por vovó. Além do mais poderia pedir para que mamãe a levasse. Não, mamãe não compreendia. Falava que flores não dormiam ou brincavam. Ah, mas elas brincavam. Ela bem sabia que elas brincavam.
    Elas eram por sua vez bem mais divertidas que mamãe.

    - Mamãe, minha flor morreu.

    Seguiu-se um barulho estacado precedido por um olhar onde coexistiam desdém e compaixão, e pelo pé de mamãe, que cavou a cova onde repousaria a sua companheira, por entre comidas velhas.
    Pobre florzinha. Não havia tido sequer a chance de escolher o seu caminho. Talvez pudesse ter sido feliz, e virado novamente uma semente, ou melhor, duas sementes que cresceriam rápido até virarem novos hibiscos, e eles cresceriam tão rápido que a menina ainda seria criança para vê-los novamente definharem chorosos, mas alegres, pois logo seu jardim seria repleto de hibiscos, e mesmo os filhos dos filhos de seus filhos poderiam ter suas próprias flores, e poderiam brinca-las e acaricia-las, e ter-las para eles. E naquele jardim a infância se cresceria de uma forma bondosa, multiplicando-se pelo ar e perpetuando-se em todas as suas formas, e em seu chão não cresceriam mais gramíneas malévolas e cochicheiras, mas sim repousaria o sangue derramado de crianças assassinadas pelo vento, em meio à folhagem espessa dos arbustos onde cresciam frutos de inúmeras vidas em forma de pétalas que transbordavam.
    Mas a flor havia sido impiedosamente descartada. Aquele jardim estava fadado à vida pura e simplesmente, e choraria mamãe por toda eternidade, em ecos infundados por sua sofreguidão.
    A menina aprendera a ser ordinária. Deixara de lado tudo aquilo que acreditou em momentos esquecidos, que agora não mais viviam em sua mente.
    É afinal o que tem de se acontecer. E nunca se perpetuarão afinal os jardins como o que aquele poderia ter sido, com a breve vida de um hibisco; testemunhos de chacinas jocosas de almas risonhas que por fim entendiam, e não precisavam mais explicar, pois sabiam que as flores já sabiam de tudo aquilo, e agora poderiam cantar aos ignorantes a beleza daquelas flores eternamente jovens como os seus sorrisos sangrados e fantasmagóricos."


    :|
     
  2. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    sabe quanto tempo eu demoreri até sacar que ela apertou o pedal da lata de lixo?

    Eca.Que pleonasmo!
    Eu jurava que isso não existia.

    Muda esse smile pro :D ,tá muito bom!
     
  3. Kementari

    Kementari É só marca do fogão!

    Ah isso de não existir pra mim não existe... e o pleonasmo foi intencional. :oops:

    Ah obrigada? :eek: :obiggraz:
     
  4. Kementari

    Kementari É só marca do fogão!

    Eu to com uma vergonha desgraçada desse texto :obiggraz:
     
  5. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    Mutcho buono o texto,sim!
     
  6. Forfirith

    Forfirith Usuário

    Nega, agora que você voltou e escrever eu não pude me conter, fiquei com saudades dos seus contos antigos e simplesmente TENHO que postar aqui, senão eu morro!!
    Adoro tudo que você escreve!!!!
     

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