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[L] [KADU][SEM TITULO]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por KADU, 28 Jul 2003.

  1. KADU

    KADU Estão vendo esta caneta?

    [KADU][SEM TITULO]

    Bem pessoal, o que vou colocar aqui eh o inicio de um livro que estou escrevendo(escrevo-o por hobbie, porque passo pra ele muita coisa que penso, questiono e anseio da vida e do mundo, mas isso eh outro assunto...). Como eu disse eh apenas o inicio, tenho varias outras paginas jah escritas, talvez coloque mais depois, mas nao muito mais. O quero que opinem eh sobre o trecho em si, se ele flui bem, se esta bem, mal ou razoavelmente escrito, enfim coisas do tipo. Nao se foquem na historia pois o trecho eh pequeno demais pra se formar alguma opinião sobre ela. Ah, ela(a historia) ainda nao possui titulo:


    Ao longe podia-se ver os dois, sombras preguiçosas se movendo a luz branda do crepúsculo. A viagem foi longa e agora estavam perto de seu destino. Já podiam vê-la, a casa tão pequena perto do oceano que ficava logo atrás. Uma luz discreta saia por suas janelas e indicava que alguém estava ali, o que os alegrava.
    Todd parou, sentia dores por todo o corpo devido as horas passadas no dorso do seu cavalo.
    - Chegamos Rulf! - disse ele.
    - Enfim! Estou faminto! E o que voce acha que esta fazendo, suba logo ai, assim chegamos mais rápido.
    - Foram dias nesse cavalo companheiro grandão. - disse Todd com tom de gozação -Precisamos pelo menos acertar nosso caminhar pra não chegarmos feito duas rãs na casa de nosso amigo.
    A contra gosto Rulf desceu, quase não suportando o peso de seu corpo forte e pesado pois a muito não tocava os pés no chão. Rulf era alto e forte, e embora estivesse prestes a completar seus vinte anos tinha feições de uma criança, sem pelos no rosto, e usava sempre o cabelo raspado. Era engraçado também o modo como caminhava, parecia ainda não estar acostumado com seu tamanho. Sua voz era alta e desordenada, variando do agudo ao grave, principalmente quando ria.

    Os dois seguiram, a subida era leve e uma brisa aconchegante os acompanhava. Estavam em uma trilha, em ambos os lados uma vegetação baixa moldava a paisagem por quilômetros, e só ao longe no norte, conseguiam ainda enxergar com alguma dificuldade uma mata mais fechada que logo se tornava uma pequena floresta. Atrás da casa havia um abismo enorme de pedras que descia até o mar, o som das ondas quebrando na parede rochosa chegava suave e tomava toda a região.

    Todd se adiantou até a porta, não conseguia escutar nenhum som e não via ninguém pelas janelas mas haviam luzes lá dentro. Bateu três vezes na porta de madeira e recuou um pouco, como mandava a cortesia. Os dois ficaram entao parados ali, impacientes, quando notaram que um vulto os observava a algum tempo pela borda da janela e se dirigia para a porta, depois de alguns ruídos característicos de chave e fechadura a porta se abriu deixando que a agradável luz escapasse da casa.

    Em pé diante deles estava um homem de estatura mediana, os cabelos brancos ainda fortes naquele momento estavam presos. Era um homem de idade avançada, mas ainda tinha muita força e isso era fácil de se notar no seu porte altivo. Usava sandálias e uma calça que parecia bem confortável, talvez feita de algodão. A camisa era de um tecido simples, mas bastante apropriada para o clima ameno da região. Ele sorria para os dois.
    Rulf foi o primeiro deles a agir e saiu numa caminhada rápida, abrindo os braços num movimento característico de um abraço, rumo ao homem parado sua frente:
    - Demetrius! disse ele abraçando o homem com uma força um pouco exagerada.
    - Rulf, meu amigo. Que surpresa agradável vocês me fizeram, vamos, entrem, devem estar com fome não é mesmo? Sim, a viagem até aqui nunca é curta – disse Demetrius também cumprimentando Todd que estava logo atrás com um abraço e conduzindo-os para dentro da casa.

    Era uma casa feita de boa madeira, provavelmente retirada de arvores das florestas próximas. Apesar de pequena era espaçosa, as janelas eram grandes e passavam a maior parte do tempo abertas de forma que a casa sempre estava arejada. Os moveis eram algo a parte: objetos muito bem trabalhados de madeira, pedra, metais podiam ser encontrados por toda casa, as cadeiras eram estofadas e forradas com couro, foi em uma dessas que Rulf se sentou assim que entrou. Todd observava um quadro pequeno no qual estava pintada uma bela paisagem, podia-se notar uma ilha e em cima do seu mais alto morro o que parecia uma estatua imponente de um homem com os braços abertos, como se quisesse abraçar tudo o que estava abaixo. Todd sempre se impressionava com os objetos que encontrava naquela casa, todas as vezes que entrava nela notava algo novo e não sabia exatamente como Demetrius conseguia tantos objetos exóticos e belos, pois ele nunca respondia claramente sobre isso.
    - Um belo quadro, não é?! – Falou Demetrius ao notar o interesse de Todd; se alguma coisa denunciava sua idade era a sua voz, rouca; ouvi-lo falar por muito tempo dava a impressão de que tinha que fazer muito esforço para isso, mas Todd gostava de suas histórias como ninguém e o considerava um dos mais sábios homens que já conheceu dando pouca ou nenhuma relevância a este fato.
    - Sim...que lugar é esse? Perguntou Todd tirando um pouco de poeira do quadro com a ponta dos dedos.
    - Provavelmente um lugar onde o pintor gostaria muito de estar...
    Todd não entendeu, mas já estava acostumado com o jeito enigmático do velho amigo e deixou por isso mesmo.
    A paciência de Rulf ia diminuindo na mesma medida que sua fome aumentava. Demetrius logo percebeu, o que não era muito difícil:
    - Como não esperava por visitas não tenho carne quente para vocês, mas tenho aqui pães e frutas além de sucos e vinho o que os ajudará a esperar pelo jantar. Victorius saiu cedo, deve estar chegando, quando demora assim é porque teve um bom dia de caça.
    Rulf se animou:
    - Victor, aquele miserável! Será que ele não sente saudades de seus amigos?! Espero mesmo que eles nos traga algo suculento para comer. – resmungou ele acompanhado o anfitrião até a cozinha. Isso os fez rir.
    Todd continuava observando objetos pela sala onde entraram:
    - Acho que você devia começar a pensar nisso, não é mesmo Rulf ?! Caçar. - seu amigo que estava muito mais preocupado em comer naquele momento nem deu ouvidos a provocação.

    Após comer, todos foram para a sala e conversaram descontraidamente por algum tempo, Todd estava escorado na mesa de madeira que ficava no centro da sala, uma figura esguia: baixo, não chegando nem a um metro e setenta de altura, tinha os olhos grandes, de um verde bem claro, quase tão claros quanto sua pele branca. Seu nariz e lábios eram finos, seus cabelos eram lisos e castanhos e escorriam suaves até suas orelhas. Todd era o tipo de individuo em que todos que o via sabiam que não era tão frágil quanto sua aparência indicava. Naquele momento ele contava a Demetrius sobre algumas aventuras que tiveram no trajeto de Cevir até ali, sua voz era alta e nítida, tomava todo o ambiente, aqueles que não estavam acostumados com ele poderiam se espantar com isso. Disse também que tinha outro motivo além da simples visita para estar ali, mas que preferia falar isso com Victor primeiro uma vez que o assunto dizia respeito a ale.
    - Claro, mas acredito saber qual é o assunto e vocês não precisam ter receio de que eu saiba, pois Victorius já é um homem, dono do seu próprio destino. Eu lhe dou conselhos, não ordens. - disse Demetruis com um tom mais serio.
    Rulf e Todd trocaram olhares desconcertados. Mas antes que tentassem responder algo ouviram um som nítido de cavalgar se aproximando e tiveram suas atenções desviadas para isso. Demetrius se levantou com sua calma usual e caminhou rumo a cozinha, não antes de pedir licença aos dois amigos. Ouviram a porta dos fundos de abrir, e logo uma voz quebrou o silencio, não tinha o timbre poderoso da voz de Todd, era mais sufocada e seca mas parecia ter um grande peso e força. Eles então souberam que seu amigo chegara, e ainda cumprimentava seu pai da mesma forma que sempre o fez:
    - Meu pai. – foi o que escutaram, mas sabiam que ele provavelmente se ajoelhou na frente de seu pai ao dizer isso e que Demetrius tocou levemente em sua cabeça com a mão direita, saudando-o.
     

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