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[L] [Itarillë][O Demônio que Corrompe Todos Nós]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Itarillë, 8 Dez 2004.

  1. Itarillë

    Itarillë Usuário

    [Itarillë][O Demônio que Corrompe Todos Nós]

    Prosa em versos; mais um fluxo de consciência.

    É apenas a primeira parte, vai ter continuação.

    PS: Todo o conteúdo do texto é ficção. Nada de ficar pensando "Olha, a avó da Ita fez isso e aquilo" só porque o texto está em 1a pessoa, porque a personagem é totalmente fictícia.

    O Demônio que Corrompe Todos Nós

    Estou triste.
    Briguei. Com a minha mãe.
    Ela é muito dramática!
    E rancorosa.
    Não quer saber.
    Nem perdoar.
    Acha que tem que vomitar tudo e acabou.
    Que eu não posso nem me defender!
    “Sou sua mãe”, ela diz.
    Como se ser mãe fosse desculpa para sempre ter razão.
    Tudo por causa de dez reais!
    Eu até que quis dar eles de volta
    Mas ela não aceitou, dizendo:
    “Se precisar, eu pego.”
    E eu, a boba, pensei que ela havia perdoado.
    Mas hoje de manhã, sem mais nem menos,
    Ela veio e me cobrou tudo.
    Jogou tudo na minha cara,
    Só porque o dinheiro foi embora rápido.
    “Por que não aceitou quando eu te ofereci?”,
    Eu perguntei,
    “E agora fica jogando tudo na cara?”
    Ela veio com um papo muito sem noção
    E quando fui replicar,
    Disse que a magoei.
    Que a deixei triste.
    Que estraguei seu dia.
    Mas quem começou?!
    Eu tentei me redimir;
    Quem não perdoou foi ela.
    Mas com tanta chantagem emocional
    Pensei: “De quem é a culpa?”
    Fiquei pensando se eu não era mesmo a megera egoísta que ela pintou.
    E agora pergunto novamente: de quem é a culpa?
     
  2. Ka Bral o Negro

    Ka Bral o Negro Tchokwe Pós-Moderno

    Prosa em verso. Poema Modernista.
     
  3. Itarillë

    Itarillë Usuário

    Pois é :P
     
  4. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Feita outra belissíma história
    de uns versos e pensamentos
    (Lamentos d'outra memória)...

    Sem escória, sem choro,
    que ouro recobre uma mente.
    E dela faz surgir mais versos;
    reversos e belos, simplesmente.
     
  5. Muito bom, Itarillë. Você conseguiu transformar uma história aparentemente simples em versos lindos... :D
     
  6. Itarillë

    Itarillë Usuário

    Skylink, o tópico é meu! :lol:

    Aí vai a segunda parte (mais o último verso da primeira, para fazer a ligação entre uma parte e outra):

    E agora pergunto novamente: de quem é a culpa?
    Dela, que exagera tudo?
    Minha, que não deixei nem minha própria mãe ficar com 10 paus
    E exigi eles de volta?
    Do meu pai, que não dá valor a ela e deixou seu copo transbordar em mim?
    Da minha avó materna, que bateu tanto na minha mãe
    Que a deixou traumatizada?
    Do meu avô, que a detestava
    E que casou com ela só por causa duma barriga?
    Da minha bisavó, que foi mãe solteira
    E amante de homem casado?
    E que negligenciou minha avó para ter homens
    Deixando-a assim revoltada?
    Da minha tataravó, que batia mais na minha bisa
    Do que sua neta bateria na minha mãe?
    E que nem a ensinou que homens casados se aproveitam de mocinhas ingênuas de 16 anos,
    E depois de terem suas purezas, as largam,
    E que isso pode, indiretamente, afetar gerações posteriores,
    E agora, depois de uns 65 anos,
    Estar afetando outra mocinha de 16 anos
    Que sou eu?
    E que não engravidei (pelo menos até agora)
    Mas sofro pelos erros de meus antepassados?
    Ou a culpa é da minha avó paterna,
    Que mimou demais o meu pai
    E fez dele esse cheio-de-razão que é hoje?
    Ou a culpa é do meu avô, pai dele?
    Ou é da minha outra bisavó, que praticamente abandonou os 13 ou 14 filhos
    Tanto que chegou até a botar todos num orfanato
    Só pra poder viajar sosegada pro país de origem?
    Ou é dos meus tataravós, que a obrigaram a casar com um homem bem mais velho
    Aos 10 anos de idade, tendo que parir um filho por ano
    Com um marido que batia nela?
    E depois, só pra vir ao Brasil e continuar penando
    Até a morte do marido?
    Ou é da minha avó paterna (novamente), que casou só pra não ficar pra titia
    Só porque a sociedade considerava mulher solteirona um "aleijão social"?
    E até hoje é quase uma empregada dele,
    O qual a trata tão mal como se fosse a um cachorro?
    Uma coisa é certa:
    Não é culpa da minha bisavó, mãe da minha avó paterna.
    Pois ela casou sem ser obrigada,
    E sem ser amante de ninguém.
    Sem largar os filhos só pra ter namorados por aí,
    Sem ser maltratada pelo meu bisavô, marido dela.
    Deu uma boa educação pros filhos (até onde eu sei).
    E eles até que aproveitaram bem,
    Pois minha tia-avó casou bem
    E teve 4 filhas que, se hoje são fofqueiras
    A culpa não é da mãe delas.
    (Minto; apenas três, pois uma delas morreu há mais de dez anos.)
    E meu tio-avô era um chato, mas nunca deixou crianças por criar pelo mundo afora, pelo que eu saiba.
    E não chegou a casar.
    Só teve uma namorada durante muitos anos,
    Eles desmancharam não sei por quê,
    Mas tenho certeza de que ele não a deixou com uma criança
    No colo pra criar sozinha.

    Off: ainda não acabou.
     
  7. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Nhauv, é só um comentário em forma de poesia sobre o seu texto. E, claro, uma sacanagem com o Kabral :)
     
  8. Itarillë

    Itarillë Usuário

    Eu sei, tava só brincando. :mrgreen:

    A última parte:

    Será que a culpa é de todos eles?
    Ou de ninguém?
    Ou dos meus antepassados, que porventura educaram mal meus tataravós?
    Se for indo assim, vou acabar jogando a culpa
    Em Adão e Eva.
    A culpa, afinal, é de quem??
    A culpa não é de ninguém.
    É só dela mesma.
    Nós seres humanos somos apenas fruto
    Do que o mundo nos oferece.
    Somos todos inocentes.
    A culpa é da própria Culpa
    Ela, e somente ela, tem culpa por existir.
    E só existe porque temos o impulso de jogar os erros nas costas dos outros.
    E porque a culpa é fruto do rancor,
    Pois seria logo apagada
    Se o perdão predominasse
    E o arrependimento também.
    Se estivéssemos dispostos a perdoar, e esquecer
    Definitivamente tudo que nos fizeram,
    E se tivéssemos capacidade de virarmos
    Totalmente as costas aos nossos erros e nunca mais os desenterrássemos,
    Seria bem mais fácil minha mãe
    Aceitar os 10 reais
    E esquecer todo o resto,
    Independentemente do que ela passou.
    E aí tudo ficaria bom
    E a culpa cessaria,
    E eu não precisaria escrever toda essa baboseira
    E ocupr o tempo de quem está lendo.
























    Agora sim, eu gostaria de agradecer o pessoal que leu (até o Ka Bral :mrgreen: ), e principalmente o mini-poema do Sky! Adorei! :grinlove:

    PS: Não liguem pro final do texto! :lol:
     

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