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[L] [Green Arrow] [Cipreste Branco]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Green Arrow, 6 Mar 2003.

  1. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    [Green Arrow] [Cipreste Branco]

    Bem, sei que todos vão odiar e mandar mensagens de conforto para este pobre arqueiro que tenta escrever algo. Vou ver se prendo a atenção de alguém que não tem mais nada o que fazer.

    Minha história é bastante estranha e vcs vão achar uma tonelada de erros (se gostarem dela, pois ninguém vai gostar). Pretendo terminá-la aqui.

    CIPRESTE BRANCO

    CAPÍTULO I

    TREZENTOS E TRINTA E TRÊS

    A PORTA se abriu. Agora não tinha mais volta. Teria que entrar.
    O cheiro de mofo entrava-lhe pelas narinas e aprisionava seu ser de maneira aterrorizante. Logo se via milhares de partículas de poeira, microscópicas, a dançar e rodopiar em volta de tudo; elas perambulavam também em torno de sua cabeça, deixando-o tonto. Teve ânsia, vontade de vomitar, de expelir aquele mal enorme que lhe sugava através dos poros. Mesmo assim, mesmo com todas estas podridões, teria que entrar. Era sua tarefa, e teria que cumpri-la.

    Entrou.

    O assoalho rangeu. Pisara com muita força ou aquilo era velho mesmo? Não sabia. Sabia apenas que teria que continuar. Passos firmes, porém cautelosos.
    Aproximou-se do relógio. Um pêndulo descrevia sua habitual trajetória e parecia cada vez mais belo, cada vez mais belo... Desprendeu-se da visão do pêndulo e seguiu firme. Parecia mais perto de seu objetivo. Encontrou uma escadaria, uma longa jornada para cima, talvez centenas de degraus.

    Decidiu subir.

    Provavelmente se enganara. Não eram centenas, mas milhares de degraus. Resolveu contá-los, para passar o tempo. Um, dois, três, quatro, cinco, seis... Trinta e sete, sua idade, trinta e oito, trinta e nove, quarenta... Cento e dezenove, a idade do motivo de sua missão. Perguntou a si mesmo porque estava fazendo aquilo. Porque, meu Deus?! Não era sua obrigação, nem de ninguém. Mas é claro que não. Era sua responsabilidade sim. Era de todos, mas ele assumira. E agora, se fracassasse, seria pior para todos. Duzentos e doze, duzentos e treze, duzentos e catorze... Será que era mesmo necessário? Talvez para ele fosse realmente. Dissera rápida e afobadamente: “Sim, eu vou”. Poderia se culpar? Talvez fosse mais necessário para ele que para os outros, até mesmo para quem estava fazendo isto. Trezentos e vinte e oito, trezentos e vinte e nove, trezentos e trinta, trezentos e trinta e um... Estava no fim. Finalmente saberia. Finalmente poderia começar a realizar sua missão, para ir embora o quanto antes. Trezentos e trinta e dois, trezentos e trinta e três. Acabou.

    Acabou.

    Estava lá.
    Diante de seus olhos estupefatos uma grande biblioteca erguia-se. Era ali. Tudo compensara. Agora estava finalmente aonde deveria estar. Respirou ar puro vindo da janela aberta, por onde também entrava luz. Olhou por esta janela e maravilhou-se.

    A vista era linda.
    Uma pequena colina erguia-se altiva, bela e verdejante. Por detrás dela via-se claramente as árvores grandiosas que caracterizavam o vale próximo de onde se encontrava. Olmos, plátanos e ciprestes apresentavam-se como refúgio para pássaros, sim, pássaros que nada mais queriam, a não ser fazer seus ninhos. Mais atrás o horizonte e o sol, raiando, raiando como nunca vira numa aurora de primavera.

    Examinou o cômodo.
    Havia dezenas de estantes repletas de livros, cada qual com suas dúzias de livros. Bem ao centro estava depositada uma grande mesa de madeira maciça, provavelmente de lei. Havia uma porção de papéis e documentos recém-explorados, o que contradizia toda aquela poeira do início. Estes documentos estavam espalhados em cima da mesa. Uma cadeira havia sido puxada há pouco tempo, constatou ele, olhando que havia mais poeira nas outras do que nesta, que estava fora de seu lugar. Resolveu olhar as estantes antes de mexer nos documentos.

    Havia inúmeros volumes lá. Passou os olhos e notou que as estantes estavam organizadas de acordo com a data de publicação dos livros. Reparou na primeira estante. Havia números talhados: 1000 AC – 500 DC. Olhou os livros. Dois volumes juntos da Odisséia. Outros três da Ilíada. Havia muitos livros da época romana, como de Plauto, Cícero, e também gregos como Sófocles e Hipócrates com seu conhecido juramento. Havia também um exemplar da Eneida e um outro do Decameron. O que ele estaria fazendo ali? Afinal, deveria estar na terceira estante, de 1000 DC – 1500 DC. Mas isso parecia não ter importância. Não estava lá para procurar livros medievais. Sua missão antes de tudo, e então se sentou na cadeira puxada.

    Examinou os documentos. Estavam todos datados. Observou que estavam postos fora de ordem. Resolveu então recomeçar o trabalho de arrumá-los, pois provavelmente quem havia sentado ali estaria tentando fazer o mesmo trabalho.
    Mas ele sabia quem havia se sentado.

    Há uma semana atrás, exatamente uma semana, depois de anos de abandono, a biblioteca da cidade havia recebido seu último visitante: o mais velho habitante da cidade, com seus cento e dezenove anos. Logo depois de sair, o velho teve um enfarte. Logo ele, tão cheio de vitalidade! Tinha cento e dezenove com cara de oitenta. Caminhava todo o dia, pelo menos umas duas milhas. O que será que teria acontecido lá dentro, para atrapalhar o coração de uma pessoa tão saudável? A princípio, pensou que era a poeira. Mas ele ficara horas dentro do prédio. Agora suspeitava dos papéis. O que teriam eles de tão terrível? Resolveu organizá-los. Tarefa difícil, havia umas trezentas folhas grandes, e outros dezenas de documentos menores.


    Tão logo terminada sua tarefa, pôs-se a ler, atentamente, todos os documentos. Quando terminou, levou um susto.
    Era da cidade que se falava.
    Todos os duzentos e trinta anos da cidade estavam ali, resumidos.
    Só que havia um porém.
    As folhas grandes falavam apenas dos últimos cento e vinte anos.
    Sabendo que ali é que deveria estar algo importante, começou a lê-las.
    Depois de ler oitenta páginas ouviu um barulho vindo de baixo.
     
  2. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    Acho q esta minha história é um tanto grandinha... :?
    Ninguém vai conseguir ler... :(
    Tudo bem! Eu não ligo! Uma hora alguém vem dar um zoio aqui! :mrgreen:
    Mas se preparem: tem bem mais depois desse primeiro capítulo... 8O
     
  3. Sméagol

    Sméagol Usuário

    Pô, gostei...

    Quando você falou "Cento e dezenove, a idade do motivo de sua missão.", pensei que ele estava caçando um vampiro. :lol: Mas fiquei curioso sobre o motivo da morte do velhinho e quem poderia ter entrado nessa biblioteca antiga (e com muitos degraus!).
     
  4. Thrain...

    Thrain... Usuário

    tb gostei da parte dos degrais... ms assim q o kra entra na biblioteca ele ja ve a janela e o q ta depois dela d imediato? pudia flar primeiro da biblioteca e depois da janela...

    Ms continua sim q ta bom... :D
     
  5. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    Thrain, a história quis levar em conta especialmente que ele presta mais atenção na janela primeiro, depois ao seu redor. Afinal, ele não parece ser alguém tão esperto a ponto de deixar de olhar o próprio chão que pisava, e vai direto para a janela.

    Sméagol, bem legal a seu questionamento sobre o numero de degraus ser grande. Ele vai ser explicado depois.

    Bem, agora que tenho dois leitores curiosos vou elaborar o segundo capítulo. Mas vai haver uma mudança grande em relação ao outro! :mrgreen:
     
  6. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    Bem, pode parecer um flood, mas não é:
    Vou tentar postar hj mesmo a história. Isso é mais para colocar minha msg no topo e p/ q o povo possa ler. Se procedo mal, sorry. :roll:
     
  7. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    CAPÍTULO II

    SERCEDINA

    OS DEGRAUS eram agora vencidos por uma outra figura, que fazia tal barulho quando pisava nas tábuas que rangiam como vários guinchos sub-humanos. Seus passos eram firmes e completamente seguros de si, sem qualquer influência da cautela necessária numa construção tão antiga. Desesperado, provavelmente, desferia golpes certeiros sobre as tábuas boas, mas não por esperteza ou conhecimento.

    Ele estava completamente apavorado.

    Os trezentos e trinta e três degraus eram grandes, e ele chegou a se questionar sobre as reais dimensões da biblioteca que adentrara. Não parecia ser tão grande, mas mesmo assim não havia tempo para isso. Ele não sabia porquê, mas deveria descer e verificar o barulho. Chegou a se esquecer completamente dos pergaminhos e continuou seu trajeto. Era outra pessoa que agora descia a escadaria. Se antes era um homem necessitando de proteção, pois estava num lugar onde jamais entrara, e de onde jamais sairia, como diziam alguns. Ele se lembrou disso e teve vontade de chorar.

    Mas não chorou. Chegou até o salão.

    Lá havia uma mulher. Ela estava vestida de cinza, e seus cabelos eram da mesma cor, porém reluziam sozinhos, sem iluminação, dando-lhe uma aparência prateada. Era bela, bela como a aurora, e assim mesmo triste como o crepúsculo. Ele ficou embasbacado, e ficou sem dizer palavra até que ela pronunciasse pausadamente estas frases:
    -Leste meu legado. Foste abençoado.
    Não teve resposta. Ela o fitou, e realmente disse mais, como o rosto dele parecia pedir:
    -Meu nome é Sercedina. E tu, esqueça de teu nome. Chamar-te-ei agora Edreno.
    Ele pareceu concordar, mesmo sabendo aquele não ser seu nome. Mas havia um motivo pela sua servidão.

    Aquela mulher lembrava muito sua mãe.

    -Recebeste meu nome, meu legado e minhas virtudes. Mereces algo mais?
    Ele olhou-a como antes. Mas agora parecia dizer: Não, nada mais mereço entre tantas dádivas. Mas ela disse de novo:
    -Podes não achar, mas mesmo assim terás a dádiva. Dentro duma semana fria, que será esta próxima semana, a receberás. E vais ter de me servir depois disso.
    Ele concordou com isso. Não se lembrava de mais nada, apenas de que deveria obedecê-la. Ela era sua mãe, se não fosse para obedecê-la, a quem mais? E ela disse mais uma vez:
    -Sobe agora, e termina de ler meu legado. E não deixe nada em ordem, senão tua dádiva será contrária. Pois ela não acontecerá, e quando for a hora, tudo que é belo neste mundo desaparecerá, e só restarão as coisas tristes.

    E então desapareceu como num passe de mágica.

    Ele subiu de novo, religiosamente seus degraus. Terminou sua leitura, e como foi pedido, não deixou nada em ordem. Olhou mais uma vez o Decameron. Pensou em colocá-lo na estante correta, mas libertou-se do pensamento. E desceu.
    DEsceu e não viu mais nada. Apenas foi, intuitivamente, até a porta e seguiu firme. Abriu-a. Era agora de noite. Estava fraco, e bastante cansado. Antes de cair, murmurou estas palavras:
    -Mas meu nome não é Edreno. É Húmero...

    E murmurando, Húmero caiu na noite.
     
  8. Thrain...

    Thrain... Usuário

    num sei se entendi mto bem....( :oops: )
    acho q vou teq ler de novo.




    vc pretende continuar a hist ou é só pra ficar escrevendo?
     
  9. Sméagol

    Sméagol Usuário

    Hum...o mistério está aumentando. Quem será Sercedina? E quais as virtudes que ela vai passar para o protagonista? Interessante...
     
  10. Green Arrow

    Green Arrow Usuário

    eu falei que ia mudar bastante a perspectiva!

    mas o q vc quis dizer com só escrevendo? Claro que vou terminar!

    Bem, o mistério está apenas começando. Mas há um erro na sua mensagem que vc só vai perceber depois... Vamos ver se vai ser tão interessante assim... Tomara!
     

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