1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

[L] [Forfirith][Negrume]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Forfirith, 3 Out 2003.

  1. Forfirith

    Forfirith Usuário

    [Forfirith][Negrume]

    Negrume


    Os dois se conheceram em um dia qualquer desses que a gente até perde a conta.Ele,na biblioteca da faculdade,absolutamente perdido em meio a pensamentos, livros, anotações, e cálculos.Ela,novata na faculdade,praticamente ainda carregava no rosto a tinta guaxe que usaram no trote,quando recebeu a noticia que passou no vestibular.Podia ainda lembrar da sensação,o coração lhe pulando boca afora,respiração acelerada,todo mundo gritando,aquele fuzuê delicioso.Ainda desacostumada com os prédios da universidade, pediu informação a ele,onde que ficava a atendente da biblioteca,que queria um certo livro.
    _Aqui não tem atendente,tem que achar o livro sozinho.Mas se quiser,ensino a mecher no programa do computador que dá a localização...
    _Poxa,muito obrigada!
    Certamente que se apaixonaram no instante.Ela fazia questão alguma em esconder, e ele,bem,não costumava falar muito com gente.O simples fato de lhe oferecer ajuda,demonstrava tendências ao que ocorreria no futuro: se casaram quando ele terminou a faculdade,do fim do ano seguinte.
    Foram morar juntos,num sítio com uma casa de estilo vitoriano,bem como as de filme americano.Uma vez saíra na capa dessas revistas de construção,a capa da revista enquadrada e pendurada na sala da casa até hoje.Foi considerada,pela revista,a casa com o jardim mais bonito do ano.E era realmente.Em volta da casa,nos postes da varanda,primaveras se entrelaçavam,e no quintal de trás,pra esconder o muro,vários pinheiros pequenos e um gramado bem grande.Plantas com flores raras plantadas no chão,rosas,orquídeas.Uma piscina no canto esquerdo do jardim.Uma arvore enorme,com um balanço.Tudo bem bucólico.
    Porém,o jardim não era mais bonito que a vida deles naquele tempo.Dividiam tudo que viviam durante o dia em suas vidas separadas pelos empregos,conversavam sobre tudo que vivenciavam,tomavam café da manhã juntos,ela sempre entendendo,ele sempre raciocinando.Eram felizes.Eram amantes.
    A mãe dele não se conformava.Dizia que nunca fora daquele jeito,que tinha algo errado,aquele não era seu filho.E realmente não parecia o mesmo.Sempre fora individualista, calculista,e não demonstrava habilidade com sentimentos.A mãe da menina:
    _É,pelo menos minha filha deu um jeito nesse rapaz,coitado.Ela sempre soube lidar bem com os sentimentos,precisava ver ela no colégio,sempre ajudando as amigas,fosse o que fosse.
    E eram mesmo antíteses.Ele,embora possuísse,não entendia,nem demonstrava seus sentimentos,quase que nem a ele mesmo.Quanto a ela,sempre foi conhecida pelos queridos como “a menina dos sentimentos”.Sempre pronta a ajudar e a tentar entender os sentimentos nos outros.Porém,como diz a física ,os opostos se atraem.
    Não se enjoavam da felicidade,nem por um segundo.Não se enjoavam um do outro.E foi quando,certo dia,veio a noticia.Ela estava grávida.
    A alegria preencheu mais ainda a vida deles e de suas famílias.Os dois lados da família fizeram até churrasco no quintal de trás da casa,e ficaram a tarde toda sem discutirem,verdadeiro milagre.E ele,mais uma vez,não conseguia fazer transparecer o que sentia.Mas ela entendia,e sabia como ele se sentia.Sempre,sempre souber ver o que se passava nos outros.
    Dois dias depois do churrasco,estavam deitados na cama,edredom bem grosso,fazia frio.Assistiam qualquer coisa na TV,o programa era só desculpa para poderem ficar juntos.
    _Querida,não sabe como estou feliz.
    _Não,eu sei.Você irradia sua felicidade em cada movimento,cada mecher de olhos,transborda o que se passa dentro de você...
    Ele sorriu,um de seus sorrisos mais bonitos.
    _Que sorriso lindo meu bem!
    _Você não sabe como te amo...Esta alem de qualquer outro sentimento,qualquer outro pensamento.
    Ele sorriu mais uma vez,piscou,e aconchegou-se na cama para dormir.
    Mais tarde naquela noite,ela acordou,sentiu frio,viu que estava descoberta,e que o marido não estava na cama.
    Foi no andar de baixo tomar um copo de água,e viu que a porta da cozinha que dava para o quintal de trás estava entreaberta.Foi fechar e viu o marido no meio do quintal,de costas para ela.
    Ela o chamou.Quando ele se virou,ligeiramente assustado,e viu que era ela,deu um sorriso,o mais puro e sincero sorriso que já dera.Levantou o braço ligeiramente devagar e deu um tiro em si mesmo,na cabeça.
    Imediatamente seu corpo inerte caiu ao chão.Porém a moça continuou em pé.Olhava a cena sem demonstrar sentimento algum.Nem medo,nem susto,nem tristeza,apenas olhava.Olhava o sangue na grama,negro como tinta.
     
  2. Kementari

    Kementari É só marca do fogão!

    Muito bom, Forfa! :clap:
    Esse final me lembrou o Hannibal, pra variar um pouco... :roll: :mrgreen:
    Ele fala algo muito parecido no Dragão Vermelho... sobre o sangue sob a luz da Lua...
     
  3. #_Slash_#

    #_Slash_# Philip Marlowe Follower

    Fikou muito bom ..
    parabens ..
    coloque mais q c escreveu senaum eh coloco :mrgreen:
     
  4. Kementari

    Kementari É só marca do fogão!

    Reli hoje, não me lembrou o Hannibal :grinlove:
     

Compartilhar