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[L] [Forfirith][Duas rosas no jardim]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Forfirith, 28 Ago 2004.

  1. Forfirith

    Forfirith Usuário

    [Forfirith][Duas rosas no jardim]

    Duas rosas no jardim

    Naquele dia, na troca de turno da manhã, os polícias encontraram dona Rosa mechendo no jardim. Mesmo velha, catava a enxada e ia, e vinha, revolvendo a terra.
    _Bom dia, D. Rosa!- complementou a saudação com uma continência - Arrumando o jardim, é?
    _Ah, pois é, não? Achei que já estava ficando velho demais! - e fechou com um sorriso fraco.
    _E como anda seu Graciliano?
    _O marido anda bem, forte como cabra velha! - E voltou-se novamente para a terra revolvida. Os polícias continuaram andando.

    No fim da mesma semana, nas bocas dos faladores do bairro, corria que Dona Rosa arranjara emprego. D. Rosa aparecera, pintada, para o gerente do mercado da vizinhança. Pedira emprego, coisa de velha desocupada. Dona Rosa era cheia das manias de velha. Certa vez passou batom naquilo que lhe restara de lábios para ir à padaria, comprar pão. E todos sabiam que ela vendia pães caseiros. Coisa de velha.
    O gerente aceitou a proposta. O movimento era mesmo fraco, a velha nada poria em risco o capital do negócio. Então foi ela começar na segunda feira seguinte.
    Apareceu de coque. Pintou o cabelo. Os olhos verdes, opacos pela idade, mesma idade que lhe oprimia a coluna, tomaram um tom mais viçoso, envoltos pelo cabelo que voltara a ser negro. O povo se impressionou. Ninguém conhecia Rosa de mais nova. Da sua época, todos já tinham sido carregados pelas mãos de Deus - ou do diabo. A despeito das rugas a embaraçar-lhe a cara, todos admitiam que Rosa era prendada. Bonita. Até as raparigas que nada faziam além de invejar umas às outras.
    Logo Rosa ficou amiga das raparigas. Nada de mais, só um convercê. Elas lhe indicaram marcas de esmalte, e cremes para as mãos. Com o dinheiro contado do salário pobre, Dona Rosa comprou os cremes e os esmaltes. E um perfume.
    _Seu Graciliano vai encher o peito hoje, não é Dona Rosa?
    _Ah! Pois é! Ele chiou no começo, sabe como são esses velhos. Mas se acostumou. Agora até gosta!
    Catou as coisas, enfiou na sacola e saiu.

    No mês seguinte, não passou despercebida a nova mudança: ela comprara novos óculos. Típicos da década de sessenta, com os cantos arrebitados. Na estréia, fez escova nos cabelos. Chegou falando do marido.
    _O marido adorou! Não se aguentou na cadeira, teve que levantar!
    O júbilo foi geral, e Rosa estava extasiante. Era quase atração no supermercado. O movimento até aumentara. As vendas na pequena farmácia do mercado é que dispararam. A cidade voltou a saber da existência da mulher.

    Algum tempo depois, deram com Rosa no banheiro, fumando. As outras caixas se surpreenderam, e a velha, que já não parecia mais velha, encabulou-se. Disse que com toda essa remoçada, antigos hábitos voltaram. Ela fumava quando era jovem. Decidiu voltar. Perguntaram-lhe do marido. Ela respondeu que ele não sabia.
    Não demorou para o hábito se tornar público. Logo seu cinzeiro passou a fazer parte de seu caixa. As linhas da fumaça contornavam-lhe o desenho do rosto diariamente. Passaram a fazer parte do retrado da mulher. Literalmente, no fim do ano, tiraram uma foto dos trabalhadores: Rosa, pintada, de cabelo arrumado, acompanhada de seu cigarro, e um sutiã com enximento. Sobrevivente de seu armário. Como ela emagreceu, voltou a caber nela. Passou a fazer parte de seu cotidiano novamente. Ninguém reclamou. E o movimento na farmácia aumentava.

    Então um certo rumor passou a correr pelas bocas do povo, incaláveis. Rosa tinha apenas sessenta e cinco. Juravam que tinha pra lá de setenda quando entrou no supermercado. Foi um choque. Era consenso, Dona Rosa era realmente de surpresas. Mulher intrigante.

    Pois foi que, como Rosa passou a frequentar a noite na cidade, e a trabalhar durante o dia, o jardim foi esquecido, e passou a morrer. Não demorou muito para as flores e folhas que cercavam a casa velha murcharem e secarem, enfeiando a construção.
    O aniversário de Rosa chegava, e os amigos do supermercado lhe armaram uma festa surpreza. Iam arrumar a casa da mulher, e preparar uma festa para quando chegasse do trabalho.
    Deram um jeito de catar a chave da casa na bolsa de Rosa, e um grupo se reuniu. Foram cuidar do jardim e arrumar o interior da casa para a festa.
    Entraram. Notava-se a bagunça tremenda por toda a casa. Roupas espalhadas com maquiagem, pilhas de louça na pia, na sala. Seu Graciliano era mesmo um velho folgado. Nem pra ajudar na casa. Quando foram para o quarto, a cama estava fazia. Deram falta de seu Graciliano. Logo, o grupo que foi cuidar do jardim chegou, espasmecido. Encontraram o esqueleto enterrado no jardim.
     
  2. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Perfeito! Não estou exagerando não... Estou boquiaberto!

    Fantástico, amore!!!!!

    Estupendo... Ahhh, eu queria poder dizer o quanto eu gostei! É um dos melhores textos que li no CdE.... Não, é o melhor (junto com os Contos Mórbidos da Kementari)!!!

    A história é magnífica... Quer dizer, eu fiquei abismado, ninguém espera aquilo, é bizarro!

    E a narrativa... Perfeita... Com um quê delicioso de moderno... O texto flui, é muito gostoso.

    Eu adorei...

    Ou posso estar condicionado pelo meu amor =P

    Mas sério, tá muito bom MESMO. =)
     
  3. Forfirith

    Forfirith Usuário

    More, pode dizer o quanto quiser, senta-se desenfreado e liberto! :mrgreen:

    Nossa, pra me colocarem no mesmo degrau que a Kementari o texto deve estar bom 8O

    E pensar que concebi a idéia voltando de uma viagem chata e monótona, ouvindo pela terceira vez um cd da marisa monte... :osigh:

    Ambas as possibilidades me deixam em um frenesi incontrolável :grinlove:

    Brigada pela força, mô!! _O_
     
  4. Evestar

    Evestar Usuário

    Parabens super 10, muito bom mesmo adorei ..... :clap:
     
  5. Kementari

    Kementari É só marca do fogão!

    Nega, cacetete!!!!!!!!!

    Tá muito bom!! Putz, tá foda mesmo. Sem palavras.

    O começo ficou direitinho com o fim, perfeito. É maior difícil isso! Haja inspiração.

    :grinlove:

    FODOSO!!

    ----

    Detalhe que vc tá do meu lado. (É, foi pra me achar mesmo!!) - dormindo :obiggraz:
     

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