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[L][Fëauryg Felagund][Canções da Terra Média]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Fëauryg Felagund, 22 Jan 2005.

  1. Da canção dos Ainur


    Em tempos longínquos, passados,
    moldados em templos do espaço,
    ecoou música; bela música, eterna,
    régia música que preencheu as terras
    E vibrou;

    e Manwë soou nobremente
    suas trombetas, saudando Eru
    eternamente; e o verbo da mente
    se fez som, cingiu tom ao de forma
    ausente; e nos céus as águias guinchavam,
    planavam sobre o vale oculto de Gondolin;
    e assim as brancas nuvens sorriam nos cumes
    congelados e voavam em poesia nos ares sem fim


    e Varda jorrou de seus lábios
    melodias luzentes que a todos
    guiavam; fulgiam as palavras
    e fulgia o pó de prata em suas mãos,
    que se espalhava na solidão da noite
    em chuva de orvalho brilhante; e lá
    estava a foice dos Valar, e Menelmacar,
    e os elfos a despertar sob o céu e o mar


    e Ulmo entoou seu cântico
    profundo, oriundo das mansões
    marinhas, das cristalinas frações
    do mundo; e das fontes matutinas
    o murmúrio se ouviu, sorriu a onda
    de Ossë em muitos matizes saudando
    do entardecer o sol que vai partindo
    sobre imenso mar perene refluindo...


    e de Yavanna brotou a sinfonia
    da terra nutrida, nutrida da água
    e afagada ao ar; e além, as sementes
    surgiam dormentes no seio de Arda;
    E altas se erguiam as árvores sagradas
    no solo de Valinor; e as florestas ao sol,
    com seus pastores, as dores do duro machado
    no caule; e os animais a pulsar sobre a madre


    e Aulë forjou nos acordes
    sons das profundezas terrestres;
    E faiscaram vislumbres de jóias
    trabalhadas, adornadas de cores
    várias, e as luzes sacras das silmarils
    riscando a história das eras; e as velhas
    serras formando cem baluartes de cal
    e pedra: as moradas pétreas dos anões


    e o velho Námo ecoou
    os presságios de tempos
    vindouros, de sangue e tesouros,
    de terríveis agouros e feitos grandes;
    E os mortos acudindo em bandos
    às Moradas de Mandos, e de Vairë
    as telas com mil pesarosos contos
    e uma peça de amor infinito em Ëa


    e a triste Nienna lamentou
    as dores do mundo, os azares
    e sulcos profundos dos corações;
    E chorou lágrimas pelos aflitos,
    pelos tantos conflitos, por pobres
    e ricos e pela sorte errante do homem;
    E com vinho melancólico regou o chão
    e na humanidade floresceu a compaixão


    e Oromë desbravou suas canções
    de poder ante todos; e distante surgia
    grande luz a cavalo e uma nota bravia
    aquecendo os corações; e as feras tremiam
    e tremiam os campos sob os pés do cavaleiro
    branco; na escuridão então passava o fogo
    qual raio indomável, armado soldado de Eru;
    de oeste a leste passando, e do norte ao sul


    e Melkor manifestou sua rebeldia,
    com fumaça cobriu noite e dia,
    das estrelas acima as fez sombrias,
    e congelada a bela água a qual corria;
    De Telperion e Laurelin, sangue caía
    rubro, as silmarils as levou em furto
    e inúmeras guerras criou no mundo;
    E lágrimas rolaram, de pais e de filhos
    pelos gritos de coragem sufocados;
    E eis vazio e prisão, e findou-se a canção.
     
  2. Do nascimento dos elfos

    Rugia vento em alvoroço
    e bailava dentre as vivas
    sardas salpicadas no rosto
    do céu: eterna noite acima

    Era noite, e cresciam trevas
    sob as réstias das estrelas
    virgens; e nelas mil feras
    corriam livres sob as trepadeiras

    Era noite antiga, noite fria,
    quando a luz de olhos élficos
    brilhou anterior à lua ou dia

    Quando dos eldalië a raça bela
    contemplou a régia abóbada
    deitada sobre prateada relva
     
  3. Da Grande Viagem

    Por rio e mata passando,
    passando da terra ao mar;
    Bela é a vaca pastando,
    é bela a floresta acolá

    E Oromë cruzando em brasa
    monte e campina, e em trilha
    pelas encostas com toda raça
    esperançosa e de luz faminta

    O grande rio, para onde vai?
    Oeste, oeste, onde hás de findar?
    Nas praias puras do mar...no cais?

    E, além do oceano, em Valinor
    reluziram as areias de pérola
    frente aos vanyar, aos teleri e noldor
     
  4. De Daeron, O Menestrel


    I

    Ó daeron, daeron,
    por que cantas, por que cantas,
    nos bosques de Doriath?

    Ó daeron, daeron,
    por que com voz encantas
    as aves de Doriath?

    Ó daeron, teu canto
    é o grave, o acalanto suave
    dos recantos de doriath?

    Ó daeron, teus versos
    são vastos, são belos,
    são os traços eternos de doriath

    II

    Ó daeron, daeron,
    por que amas, por que amas,
    a filha de doriath?

    Ó daeron, daeron,
    por que aos céus exclamas
    teu amor em doriath?

    Ó daeron, é tua canção
    só coração, só paixão
    a Lúthien de doriath?

    Ó daeron, teu amor
    é tua chaga, é tua amada
    a própria alma de doriath

    III

    Ó daeron, daeron,
    por que choras, por que choras,
    nos matas de doriath?

    Ó daeron, daeron,
    por que águas sem conta
    derramas em doriath?

    Ó daeron, já foi Lúthien
    embora, por que te demoras
    nas plagas de doriath?

    Ó daeron, vai avante,
    cruza beleriand e parte
    das frias tardes de doriath

    IV

    Ó daeron, daeron,
    a quem falas, o que falas,
    a tantas jardas de doriath?

    Ó daeron, daeron,
    onde ao leste desatas
    tuas mágoas de doriath?

    Ó daeron, de teu nome,
    teu cantar, quem lembrará
    dos sindar de doriath?

    Ó daeron, nos anais e runas,
    jazerá tua memória
    e de tua glória em doriath
     
  5. Dos lamentos de Daeron

    I

    Onde as estrelas forte brilham no céu?
    Onde as terras jazem dentre gaze e véu?
    E onde rubras pétalas ainda destilam mel...?

    Para onde, para onde se foi o meu amor?
    Para onde, para onde aquele homem a levou?
    Para onde, para quão longe, a minha andorinha voou?
    E para onde, pois, devo partir agora, e para onde eu vou...?

    II

    Mas quando, quando a beleza partiu dos bosques?
    E quando, quando se foi a certeza de minha sorte...?
    Mas quando, aqui, a primavera se foi e chegou a morte?
    E quando, em mim, brotou angústia e floresceu tão forte...?
    Quando, enfim, em que tempo abandonou-me ventura e acorde?

    Até quando, até quando lágrimas rolarão?
    E até quando, até quando as chagas persistirão...?
    Até quando, até quando eu vagarei a sós pelo chão?
    E até quando, então, minha esperança durará em vão...?
    Até quando, até quando por fim baterá meu coração?

    III

    Por quantas eras, quantas eras não voltará o dia?
    E por quantas eras não será minha voz ouvida...?
    Por quantas eras, quantas eras a floresta será fria?
    E por quantas eras tristes carregarei a minha sina...?

    Por quantas eras, ó Varda, será amarga e ingrata a minha trilha?
    E por quantas eras em Arda será minha runa em pedra escrita...?
    Por quantas eras, afinal, será lembrada...e cantada...a minha vida?


    Pois sou Daeron...de Doriath...
     
  6. Das tristezas dos elfos


    I

    Em hostes eras velhas correram
    correram em guerra e suor
    Águas sem conta olhos verteram
    e lembranças verteram sós

    Em canções do mundo antigo
    antigas mágoas em voz;
    Cruel então era o destino
    e era a sombra de Morgoth

    As lutas incontáveis, perdidas;
    Nas vargens, runas perecidas;
    À luz da tarde, as aves tardias
    se afastando da noite que caía...

    II

    Reis e reinos se fundavam
    e se findavam;
    Em placidez teia e novelo
    de negro se enredavam;

    Onde estão Númenor e Gondolin?
    Aonde foram Fëanor e Fingolfin?

    Quanta morte, quanta mágoa se passou!
    Do palácio prateado que ruína inda restou?

    A terra jaz coberta
    de túmulos do passado
    Nas trevas findas réstias
    de mundos apagados...

    III


    Rugosa é folha e faia,
    já as águas violadas;
    Idoso é bosque e mata
    já as frutas azedadas;

    Que mundo ainda resta, que resto
    ainda é belo como o era?
    Em que parte, que combate
    há de outrora leve idéia?

    Enfim, então, o tempo já chegou;
    Ao porto, agora, ao golfo de Lûn!
    Só do verde a cinza é que restou
    e a memória...de um tempo que passou...
     
  7. De hobbits do Condado


    I

    Ah, cama, que noite tão gostosa!
    Mas me espera o dia e luz formosa
    além da porta, além da toca
    e após o café que tomo agora!

    Lá fora, crianças brincam sem medo,
    e daqui de dentro com prazer as vejo;
    Azul céu e fresca brisa nos cabelos:
    quem quer mais na vida que esse zelo?

    A doce fruta está no pé, e o trigo na espiga;
    e o cogumelo está queimando na minha cozinha!
    Puxa, que pena! Mas há muitos mais cogumelos ainda
    para o chá das onze e pro almoço ao meio-dia!

    II

    De barriga cheia, a tarde está tão mansa!
    Vizinho, lago e horta, tudo é de confiança!
    Tão forte o sol, vou me deitar sob a sombra
    e tirar uma boa soneca até a janta...

    Já acordei, mas ainda não é janta.
    Não faz mal, sentarei-me na grama,
    pegarei um cachimbo, farei chama,
    e fumarei nossa erva de fama.

    Epa! Esperem, esqueci do chá das cinco!
    Vou lá em casa prepará-lo rapidinho
    e já, já volto, então não usem meu cachimbo!
    (Hmm...por via das dúvidas, levá-lo-ei comigo...)

    III

    Agora já escureceu, e hoje há festa no condado;
    É festa, e como sempre, é festa de aniversário.
    Mas o legal são os presentes, comida e bate-papo;
    As mil fofocas quentes e mil histórias do passado.

    Toca a música, que dancem Bolseiros e Boffins,
    Tûks e Brandebuques, Texugos, Bolgers e, sim,
    o Senhor dos Buques, o Prefeito e o Thain;
    Toda a noite, todo o dia, a bebida não tem fim!

    Acabou enfim...puxa, estou morto de cansaço!
    Mas amanhã é outro dia, há outro aniversário:
    ganherei mais presentes, falerei mais do passado.
    Assim é minha vida: meu futuro é ou não dourado?
     
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    Do Fim da Sociedade do Anel

    I

    Legolas: Ah, o mar...
    Me lembro de um dia...em que gritaram por mim gaivotas do mar...
    Me lembro que havia...brisas salinas nas encostas do mar...
    Ah, nas encostas! Tão perto....tão longe....dos ecos insones do mar...!

    Gimli: Ah, o mar!
    Já se passou o tempo dos feitos grandes;
    Já de cá se foram os sete andantes:
    os três ao mar e os quatro ao longe.

    Legolas: Ah, o mar...
    Meu rei partiu....dormiu para sempre...
    No céu de anil...uma estrela cadente...
    Aonde vai...onde...repousa a alma ardente...?

    Gimli: Ah, o mar!
    Afiei meu machado mais e mais;
    Em minha barba o branco cresce mais;
    Que me resta aqui? É tempo de ir...ao cais!

    II

    Legolas:
    E sobre as vagas do mar...
    Para onde vai o Anduin?
    Para onde, as águas sem fim?
    Para onde...para tão longe...de mim...

    Gimli:
    E sobre as plagas de cá:
    As terras bramem fúria, fogo, sangue,
    e a morte fria espreita dentre os montes;
    A vida é fraca e breve...e o mal, insone!

    Legolas:
    E sobre as vagas do mar...
    Quando as ondas levarão meu coração?
    Meu corpo e alma, quando os arrebatarão?
    Esperei muito...será já tempo de partir...ou não?

    Gimli:
    E sobre as plagas de cá:
    No norte, uma vez vi uma beleza sem par;
    E em meus tesouros possuo uma réstia solar.
    Mas a manhã se foi; Agora, onde a irei procurar?

    III

    Legolas: Ao mar, ao mar!
    Vamos, Gimli, é hora de velejar!
    Desceremos o Anduin, e depois...ao mar!

    Gimli: Não sei, não sei ao certo....
    Nunca um anão teve só estrelas como teto;
    O Anduin segue abaixo...mas sou tão velho...

    Legolas: Ao mar! Venha!
    Nada temas, nem maresia nem tormenta!
    Cortaremos o mar como o raio corta a lenha!

    Gimli: Não sei..mas, talvez....
    Veja a beleza matutina só mais uma vez;
    E possa novamente contemplar suave tez...

    Legolas: Ao mar agora, temos de ir!
    Meu coração já anseia por partir!
    Se decida, amigo; Vai, ou fica aqui?

    Gimli:
    Sim, sim, é tempo agora...
    Irei! Por ti e pela senhora
    enfrentarei o bravio mar afora!

    IV

    Legolas & Gimli:
    Vamos juntos, cruzaremos águas escuras;
    Do mar ocidental, venceremos a onda em fúria;
    De Ithilien navegando, até além do sol e lua!

    Legolas:
    Nosso barco cinzento passará do fim do mundo!
    Encontraremos a plana via perdida do céu ao fundo!

    Gimli:
    Duna d’água, encanto ou pedra, nada nos deterá;
    Galadriel, estou chegando, seu fio de luz comigo está.

    Legolas:
    Avante! Para além de memória ou lembrança!
    Nunca nos será erguido um túmulo como cama,
    mas uma vida! Sim, será a vida a nossa herança!

    Gimli:
    Ah, a vida, para sempre, eternamente!
    Navegaremos, eu na proa e tu ao leme
    além das cataratas, para as terras do antigamente!

    V

    Legolas:
    O grande mar em frente se ergue;
    Rumo oeste! Esqueçamos o leste,
    esqueçamos as casas e ciprestes,
    a relva, a faia, os reinos breves!

    Gimli:
    A imensidão se assoma infinita;
    Para oeste! Para uma nova vida,
    para a doce aurora esquecida,
    para ilhas imortais e longínquas!

    Legolas & Gimli:
    A espuma está branca de histórias;
    Ulmo, leve esse navio nas costas,
    em vôo de cisne por celeste rota!

    Legolas: Deixemos as campinas de sofrimento;
    Gimli: Em frente! Seremos qual vento!
    Legolas: A Valinor, Valimar, além do tempo!
    Gimli: Prata e jóia, aqui as deixaremos!

    Legolas: Dos elfos os grandes lá repousam;
    Gimli: E o pai dos anões lá tem morada;
    Legolas: Seguiremos aonde as gaivotas voam!
    Gimli: Nos guiará a luz da madrugada!

    Legolas & Gimli:
    Voaremos dentre as nuvens do destino;
    Até onde, quando? Que importa isso?
    Deslizaremos sobre algodão macio
    e tocaremos as gotas do orvalho frio.

    Gimli: Para sempre?
    Legolas: Eternamente!

    Gimli:
    Então abra as velas, que sopre a ventania;
    Que nos leve qual a flecha em chamas vivas!

    Legolas:
    Sim, as velas já se abriram;
    Agora ao mar, ao reino perdido!

    Gimli:Ao mar! Adeus, Terra-Média!
    Legolas: Adeus, florestas e serras velhas!

    Legolas & Gimli:
    Ao mar....para onde enfim...
    deve...todo rio...fluir...

    ____________

    (Autor: Bruno Neves Oliveira)
     
  9. Puxa, ninguém vai comentar? :osigh:
     
  10. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Guri... Tira essas cores, pelo amor da santa gil estrelinha! É bizonho tentar ler com elas nesse fundo preto...

    Quanto ao teus versos... Sinceramente, gostei bastante da idéia do primeiro, mas tu força demais. Eu defiinitivamente não gostei de algumas inversões como "feitos grandes" ou certas construções como as quatro rimas da parte de melkor. Tu se repete demais às vezes e quebra o ritmo... Whatever, tirando isso, achei estranho a idéia da música simplesmente acabar com a prisão do tio malvado...

    O segundo, ou "o soneto"...

    Eu adorei isso aqui:

    "Era noite antiga, noite fria,
    quando a luz de olhos élficos
    brilhou anterior à lua ou dia "

    Mas céus, pq trepadeiras? :eek: Pq sardas salpicadas? Pq elfos verdureiros, ou verdes? Sem contar esse condução, as duas primeiras quadras ficaram estranhas... forçadas.

    O terceiro

    Isso são hobbits felizes ou elfos alegres demais? Whetever, eles tinham medo... Medo! Medo, afinal não conheciam nada além de onde viviam...

    Daeron...

    Hm, ok, a primeira do Daeron ta legal, mas tu não precisava repetir sempre o mesmo primeiro verso...

    E tu passou do limite na segunda, tornando o pobre do menestrel abestalhado num troço dez vezes além de uma grande mala...


    Tristezas... uh...


    "Em hostes eras velhas correram
    correram em guerra e suor
    Águas sem conta olhos verteram
    e lembranças verteram sós "

    sem palavras...


    Hobbits.

    Ok, perfeitamente hobbitescos. Eu gostei, achei bem divertida... Só essa frase que ficou estranha:

    "De barriga cheia, a tarde está tão mansa! "

    Legolas e Gimli

    Hm, ficou legal, embora eu tenha sentido falta da personalidade do gimli no início. Mas a medida que os versos se constroem, ela aparece.

    O único problema é que isso é triste! O simples fato de deixar tudo que eles conhecem é um pesar, e a esperança na realidade da história é apenas velada; assim como incerta

    Bem, comentado então, apesar do trabalho e meio que da pressa.
     
  11. Bem, muito obrigado, Skylink, pelo seu tempo.

    Apreciei suas observações. As cores, eu acho que dão mais vida ao poema.

    De qualquer modo, eu discordo de alguns comentários, mas sei que cada pessoa tem uma opinião diferente, então deixo pra lá.
    (P.S.: Eu já vi gente que amou a do Daeron e detestou a da tristeza dos elfos...etc.)

    Só um detalhe: sobre os hobbits. A "tarde mansa" se refere ao sentimento que todos nós, após almoçarmos bem e ficarmos de barriga "cheia", sentimos. Um cansaço e um sopor que nos faz ficar meio moles, meio sonolentos....de fato, meio "mansos". E vemos tudo, as árvores, as pessoas, etc, sob a mesma lente de mansidão.

    É isso.

    Grato, mais uma vez,

    Bruno
     
  12. Do poema-despedida de Ori

    Do poema-despedida de Ori
    na câmara de Mazarbul


    Tum, Tum, Tum;
    Tambores, tambores nas profundezas;

    Tum, Tum, Tum;
    Quem, quem é que bate, das profundezas?

    Tum, Tum, Tum;

    Orcs, Trolls; Que, que mais jaz nas profundezas?

    Tum, Tum, Tum;
    Sombra, chamas. Um Balrog está nas profundezas!

    Tum, Tum, Tum;
    Vozes sob o chão: o inimigo vela, espreita;

    Tum, Tum, Tum;
    Balin partiu, e o futuro e a certeza;

    Tum, Tum, Tum;
    A ruína de Durin agora nas ruínas reina;

    Tum, Tum, Tum;
    Chegou o fim; O inimigo nos rodeia...
     
  13. Das Reflexões em Moria
    Por Ori, o anão

    I

    Ó Durin, Durin, Durin!
    Vazio jaz teu reino aqui,
    teu pétreo trono cor marfim;

    Vazios os amplos salões encolunados,
    vazias as forjas, e o ar está gelado:
    uma mina em rocha, tesouro abandonado

    Jaz então Moria escura e fria,
    mas em seus veios, prata brilha;
    E brilham chamas, nas ruínas...

    II

    Desde o triste dia, o dia malfadado
    desde então, várias gerações passaram
    mas as esperanças...ah, elas não passaram...

    Mas cremos que chegada é a hora;
    Avante, nós faremos história!
    De nosso lar, varreremos a escória!

    Em passo a passo diário,
    reconstruindo o lar do passado;
    Será, enfim, novo tempo de reinado?

    III

    Balin, filho de Fundin, é rei!
    Sob a pedra, cantigas comporei
    ao futuro, à fortuna que farei!

    Palmo a palmo descendo,
    e na mão, a picareta vai ardendo;
    Mithril, é seu refúgio que queremos!

    Alegria, felicidade sem par:
    A real prata refulge sob o luar;
    Fulge o dia, a harmonia enche o ar!

    IV

    Orcs, orcs por todo lado!
    À batalha! Ao machado!
    Vamos, hemos de expulsá-los!

    Fogo, sombra; Medonha memória
    se levanta dos ecos da história
    para o presente....se levanta agora!

    Balin...Balin se foi para não voltar;
    Mortal palidez se abateu em seu olhar,
    e espalhou...lúgubre perfume de pesar

    V

    Tocam, tocam tambores sob o chão;
    Os inimigos tomaram a ponte, o salão;
    Não podemos sair... e eles vindo estão...

    Estamos presos, já não há mais saída,
    não há mais alegria, sequer há comida
    e ouço...tambores, tambores em folia...

    O fim chegou, se foi nosso tempo;
    A esperança que tinha a levou o vento
    para longe, bem longe...com meu alento...
     
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    De Eregion e dos Anéis de Poder
    [Feito no final da quarta era]


    I

    Ouve, meu filho, ouve este conto meu;
    Te conto uma história que sucedeu
    num passado antigo, e num sonho meu...

    Ainda existiam elfos, e anões, e o escuro,
    que, até hoje, ainda permanece em tudo...

    E os reinos...os reinos, meu filho!
    Tantos haviam, de tantos tipos!
    Ora d’ouro, ora prata...quão ricos!

    II

    E, no cerne de grandes montanhas,
    vi pétreos pilares sem conta;
    Vi força; e uma brasa em sombras...

    O ferro, o bronze lá se forjava,
    e o machado, e o fio da espada;

    Eis Moria, ancestral morada,
    ou Hadrodhond, Khazad-Dûn anã;
    Eis as jazidas...da real prata....

    III

    Voavam labaredas soltas no ar;
    Martelos soavam em férreo tinir;
    Um reino élfico longe do mar:
    Além de Moria, jazia Azevim...

    Azevim, Eregion de tantos contos!
    Em memória, serás sempre um sonho,
    e em verso, terás sempre encanto...

    Lá estava o neto do ígneo espírito,
    lá morava de Celebrimbor a forja;
    um Mestre artífice, um noldor vivo,
    senhor versado n’arte de criar jóias...

    IV

    Naquele tempo, e não mais,
    elfos e anões ali viviam;
    Lado a lado, em plena paz
    mesclando aquilo que sabiam

    De Ost-in-Edhil aos portões de Moria,
    grandiosa, uma estrada havia,
    um comércio farto na rota rica.

    Não só de produtos intercâmbio havia,
    mas também habilidade; os ferreiros
    de Azevim se superaram em perícia,
    como nunca dantes n’outro reino

    V

    Dos noldorin que inda haviam,
    (ah, os fortes, bravos remanescentes!)
    em Azevim muitos se reuniam,
    num só coração, numa forja ardente,
    pulsante, enquanto sombras caíam...

    Havia também Gil-Galad, um elfo-rei,
    de Lindon senhor, nos Portos sua casa;
    Elrond meio-elfo, outro Grande que sei,
    também fizera dali sua morada.

    A oeste, numenoriana ilha,
    da face a frente para Aman;
    Seu suspiro já se ouvia,
    lamentos impuros da vida vã;
    “Que era a morte, e a que vinha?”

    VI

    Segunda Era, as sombras se adensavam;
    Do leste, frio e peste, e um vento de morte
    turvava olho e mente; os corações pesavam.
    Envenenada a água; trevoso o céu, o bosque,
    no qual, maléficos, mil olhos espreitavam.

    Na terra negra, negro poder se assomava
    em maldade, em crueldade e sutileza;
    Eco restante de uma mortal era passada,
    e de uma memória escura, no escuro presa.

    Em Mordor, onde deitam-se sombras,
    surgiu um trono numa torre negra;
    Aí veio o terror, e fátuas lembranças:
    Chamaram-no Sauron, cruel alteza
    de Mordor, onde se deitam sombras...

    VII

    Ora, Sauron, o Maia, grandemente poderoso
    em Arda, e de mais vassalos fortes desejoso,
    se embrenhou entre homens, e viu grande fraqueza,
    eram de fácil influência e perversão certeira.

    Não estava ele, contudo, de fraqueza cobiçoso:
    Era dos elfos que a adesão queria, pois assim sabia:
    desde o Início era o Primogênito o poderoso,
    e mesmo o mundo velho, muito poder ainda havia
    em sua mente, em suas artes e em seu imortal corpo.

    Sendo assim, por suas artes, se prontamente disfarçou
    como Annatar, nobre Senhor, e entre elfos se firmou;
    Em Lindon, rei Gil-Galad, inseguro, não pois o aceitava,
    mas, em Eregion, lhe saudavam os elfos a chegada....

    VIII

    Assim, em Azevim, Sauron muito os ensinou,
    pois saber detinha, e era sim um Maia ainda;
    Nessa época, sua arte enfim ao ápice galgou:
    na confecção de jóias, só Fëanor acima vinha.

    Os elfos, então, em seu auge refletiram,
    e sua mente trouxe um supremo pensamento:
    Porque não, com a habilidade que sabiam,
    criar anéis que abrir pudessem novo tempo?
    Com essa grande meta, muitos olhos luziam...

    Assim começou dos Grandes anéis a Forjadura,
    até ficou o céu com o fogo mais ardente;
    Muitos anéis eles fizeram, todos com bravura,
    e suas obras olhavam e exultavam de contentes.

    IX

    Sauron, entretanto, a par de seu esforço estava,
    e era uma obrigação impor aos elfos sua idéia;
    Em segredo, porém, já malignidade planejava...

    Então, numa montanha, Um anel foi forjado, na terra da sombra;
    e a cantiga que foi aí escrita duraria anos sem conta:
    “Um anel para a todos governar, Um anel para encontrá-los,
    Um anel para a todos trazer, e na escuridão aprisioná-los”

    Os elfos, contudo, se aperceberam da cilada,
    e os anéis todos os recolheram bem depressa;
    e esconderam; Não, ali Sauron não teria sua paga!

    X

    Sauron então atacou, com já grande fúria acesa:
    “Eis que aqui trago guerra, e os anéis eu ordeno
    se não forem entregues, cairá Azevim com certeza”

    Mas os elfos partiram; Sim, fugiram correndo,
    e três anéis salvaram, três imaculados;
    Foi aqui Celebrimbor assassinado,
    e Azevim em pó esfarelada ao vento...

    Foi fundada então uma fortaleza,
    um refúgio contra os males do tempo:
    A Imladris élfica, por Elrond feita.

    XI


    E assim foi cumprida a lenda cantada:
    “Três anéis para os reis-elfos sob este céu”:

    Sob estrelada Imladris, portava Elrond safiroso anel;
    Nos jardins de Lórien, u’a diamantina estrela brilhava;
    E, em marinho abrigo, poderosa flama jazia oculta...

    Três jóias, três forças dotadas da magia mais pura,
    que as luas vencia, contra o negror que avizinhava...

    XII

    Muito após, de Númenor a ilha já tragada,
    volveu Sauron à negra terra, e planejou batalha;

    Houve então guerra, foi Sauron derrotado,
    assim como o foi Gil-Galad e outros Bravos;
    Foi a era segunda finda, e o Um... extraviado.....

    Ouve, filho... este conto que sucedeu
    num passado antigo... e num sonho meu....

    ___________

    (Autor: Bruno Neves Oliveira)
     
  15. Esse último poema foi uma realização pessoal. Fazia tempo que queria escrevê-lo, pois achava a história fascinante. E, finalmente, ele se realizou. O que acharam?
     
  16. Bem, eu gostei de todos! :D Acho que algumas frases poderiam ser um pouco diferentes, mas são poucas... Achei criativo e bem escrito.
     

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