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[L] [Elanor, a bela] [Anjos Caídos]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Elanor- a bela, 7 Mar 2003.

  1. Elanor- a bela

    Elanor- a bela Usuário

    [Elanor, a bela] [Anjos Caídos]

    Anjos Caídos

    Sentado aqui à mesa precariamente iluminada pela luz bruxuleante da vela. Trevas. Manto escuro que esconde imperfeição, meu manto covarde, meu guia cego. Seus olhos brilhantes fitavam-me de uma forma estranha, podia sentir seu sorriso sarcástico por debaixo deles. Ele respirou fundo, seguro do que fazia e com dois dedos empurrou a base da taça para mim. Ao passar em frente à vela o líqüido vinho brilhou, cintilando em meus olhos, colou em minha retina. O cheiro mágico impregnou meu olfato excluindo de minha mente metade de tudo que era racional. Então senti uma força subir por dentro e o amei por me ter ali, por me oferecer tal presente. Amei-o como demônio ama um anjo e derrama sua prole sobre o Céu povoando-o Inferno. Algo de vivo em mim ainda gritava, meu EU superior agonizava murmurando profecias, pragas, palavras sem sentido. Pois todos os meus sentidos abriam-se para esse vinho mágico, calmo, sereno sobre a mesa. Era a única vida que eu poderia ter pela frente: minha própria morte.
    A partir de então todas as sombras eram pequenos querubins caídos que dançavam a minha volta. As trevas, mansas brisas sussurrantes, minhas amantes perfeitas. Os Olhos. Eles fitavam-me, e nesse olhar estagnado riam. Odiei, tudo. Assim como quem odeioa por não saber amar. E tudo já era ânsia segurei a taça com força e a tive em meus
    lábios.E antes que meu corpo fosse invadido por instinto, uma migalha de
    razão manifestou-se em mim. Enquanto sentia o gosto forte na língua, como um rio que descesse pela garganta, enchendo-me por dentro, ansiando pela minha alma, vi meu corpo levantar-se da cadeira e tombar de joelhos ao chão. E quando a pedra fria machucava a carne minha voz entoava cânticos de reza. Eu era o Duplo: amor e ódio, sensatez e instinto, carne e espírito.
    O mundo rodou e as figuras mesclaram-se em seres deformes, pesadelos
    psíquicos. E enquanto tudo era enjôo , dor, malefício e as serpentes da
    morte me enroscavam pelas pernas, ouvi passos. Fortes como os
    trovões do infinito, cada vez mais perto...Entre santos e cristos, mártires sacros, houve uma luz no final do túnel. Luz amarela. Senti uma mão segurar-me pelo pescoço. Logo sucedida por uma voz doce e suave, quase melancólica dizer:
    -Não sejas tão tolo, querido. não existe vida eterna para aqueles que não
    podem suportar a dor. Dor é vida! Dor é o verdadeiro prazer... Esses teus santos, tantos deuses em pequenos nichos. Seus milagres são apenas sonhos podes sentí-los? Tocá-los? Não, não podes! Porque tú não és um deles! Nunca serás. Não és sonho, és realidade...
    Segurou meu rosto na altura do seu. Agora eu podia vê-lo melhor. Seus
    olhos azuis brincavam com os meus, eram como duas grandes bolas de gude que me sugavam. Seus nariz grande e fino sobre os lábiospequenos e rosados em contraste com a pele extremamente branca. Criança! Não deveria passar de treze anos, mas seu olhar vestia-lhe uma idade indefinida, seu semblante era carregado de sabedoria e... loucura. Tão lindo, pobre querubim. Senti as lágrimas verterem molhando meu rosto, imagem que vi traduzida em sua face com fúria:
    -Páre de chorar! Não me faças refém do arrependimento. Digo-lhe antes: se algo fizeres que da nossa raça não sejas digno, não terei remorço e de teu coração beberei!
    Ofereceu-me seu pulso cortado, realidade vermelha beijando meus desejos, ardendo meus olhos. Ele diz:
    - Isso é realidade! Isso é visão! Beba, cheire, lambuse... Isso é matéria.
    Não precisas de provas? Cá está, deleite-se.
    Todo o resto do seu ser sumiu, não havia mais seu rosto infantil, não
    havia sua beleza intocada. Todo o mundo desapareceu nas trevas, os meus próprios sentidos dissiparam-se no ar. Um cheiro forte me invadiu descendo a garganta, alcançando meu pulmão. Senti meu coração parar e o corpo cair. Umagota quente tocoumeulábio com a suavidade de uma pluma, porém com tamanha intensidade que parecia ter uma vida própria e superior à minha. A gota correu para a minha língua fazendo-me saborear o caos em líqüido, paradoxo em matéria. desejei morrer vivendo.Turbulência...

    ...Calmaria. Não lembrava mais de rezar, as palavras sagradas tinham
    todas caído ao chão. Quebraram-se. A gota desceu para a garganta e caiu queimando, atiçando o desejo até alcançar o coração. Tudo tornou-se Um . Meu corpo era uno com minha mente, com minha alma. Ao fundo ouvi passos como de um gigante apressado. E tive medo. Medo como quem teme o que não conhece. O som cada vez mais alto. Tudo, tudo era preto. Meu coração! Não eram passos, eram o meu coração ansiando pela gota. E quando pensei que meu corpo fosse parar de desejo, comovido pela procura do prazer, um rio de êxtase me tapou a boca, matou as palavras e o átomo da hesitação. Nenhum prazer carnal
    poderia ser comparado. Tentar descrever O Prazer, essa dilatação da alma, seria escrever meu nome entre os proscritos... Não o farei.
    Então tudo cessou, calaram-se todos os gritos, caíram todas as lágrimas.
    Meus olhos abriram-se. A mesma luz bruxuleante, a mesma mesa de madeira, a mesma cadeira, um novo ponto de vista. Tudo era mais belo e fulguroso. Todas as luzes, da vela e da Lua, mesclavam-se aos objetos como dançarinos astrais gozando a dança. Senti um resquício de vida permanecer no chão enquanto meu corpo se levantava.
    A respiração acabara, seria difícil adaptar-me a esse corpo não fosse a
    força adquirida. Sorri, agora eu era verdadeiro demônio. SEnti a presa
    machucar meu lábio inferior. Andei até a janela, olhei a Lua. Em breve o Sol nasceria. Serei mais um a fugir dos raios dourados, a vagar por ruas
    desertas, a beijar a madrugada, a procurar eternamente o vinho proibido.

    Inverno, 2002.
     
  2. Elanor- a bela

    Elanor- a bela Usuário

    Não sou muito boa em introduções, e tenho minhas dúvidas se o sou em qualquer coisa, por isso mandei apenas o texto. Todavia fiquei com remorso e resolvi mandar algo...

    O Texto acima é sobre um ser humano se tornando vampiro (dã!) e usei tantas imagens que ficou totalmente abstrato e sem sentido... se alguém entender, gostando ou não, me avise e dê sua crítica!

    Beijinhos chocolate!
     
  3. Thrain...

    Thrain... Usuário

    Fico legal, gostei da descrição do bater do coração como passos pesados, fico bem legal 8-)

    Fico mesmo meio confuso ms da pra intender :D



    Então esse é só o começo?
     
  4. Elanor- a bela

    Elanor- a bela Usuário

    Isso é um ensaio para um livro, que, claro, não vou publicar aqui...

    Valeu pelo elogio!!

    Beijinhos chocolate!
     
  5. Thrain...

    Thrain... Usuário

    Ms vc bem q pudia continua aki né :wink:
     
  6. Elanor- a bela

    Elanor- a bela Usuário

    O problema é que eu não consigo terminar um livro... esse conto é apenas um ensaio... não tenho a mínima idéia como poderia termniná-lo, faz tanto tempo que não tenho inspiraçõs interessantes para escrever... ai ai... :osigh:

    Beijinhos chocolate!
     

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