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[L][Dwain] [A Filosofia da Filosofia]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Dwain, 8 Jun 2007.

  1. Dwain

    Dwain Banned

    Bem, esse texto eu já fiz há um certo tempo, acho ele até interessante, até conversando com o amigo Goba resolvi coloca-lo aqui para que possam ler, e comenta-lo, não o fiz antes pois sempre há o medo do texto ficar esquecido, não receber caso algum e virar mais um no meio de tantos outros fantásticos que já pude ler, pois bem, sem mais delongas ele:


    A Filosofia da Filosofia

    As flautas correm em belíssimas melodias, sob as uvas dulcíssimas colhidas pelo próprio Caronte em vida! Brotam do ventre da filosofia mãe, deusa do pai, filha do espírito, senhora do ser - surge a vida! E viver é filosofar o porquê de ser o que sois julgados a não ser. Somos, portanto, produtos do expurgo mundial chamado de...

    Filosofia – irmã menor de Zeus –, rebelde em sua própria inexistência, estabeleceu a si a falta de poderes. Sim, Filosofia, diferentemente do patriarca divino, escolheu vagar pelo mundo, sem destino, sem vida e sem morte. Queria ser apenas Filosofia, filha dela mesma, sem irmão,pai ou parente!

    As flautas filosóficas de Filosofia eram distantes de qualquer outro instrumento conhecido, não emitia som. O vento, as pedras e a própria essência da vida, a questionaram sobre tal flauta.

    Filosofia, rebelde como só a falta de uma própria descrição, irritou-se com as perguntas, e deu um exemplo do quanto importante o instrumento poderia ser. Com suas deformadas mãos, levou-a à boca e então o mundo conheceu e soube do que a irmã sem irmãos estava falando.

    O nada foi ouvido, o nada quebrou o silêncio e o falso som que fingia preencher um nada nunca antes permitido. Algumas pedras se racharam; depois de conhecer o nada, a essência da vida vibrou e perdeu um pouco de sua fingida juventude. Filosofia mostrou aquilo que todos sempre ocultaram e não se permitiram a ouvir, o simples nada.

    A flauta filosófica foi alvo de perseguições; os deuses, como assim se intitulavam os opositores da Filosofia que pouco conheciam, entraram em colapso, e caçaram como único recurso de sobrevivência.

    Filosofia foi capturada e sua flauta escondida, por baixo das terras governadas pelo Plutão. Começou então o questionamento, a covardia se estabeleceu. Poucos realmente queriam ouvir o que Filosofia tinha a dizer, o problema é se ela não tivesse o que dizer, pois experimentar o nada novamente era tudo que mais temiam na corte divina.

    Ela se apresentou perante todos, perante o tudo, e perante o recém criado nada. Sua beleza não era compreendida, mas, por algo, temida. Todos então caíram, as algemas que prendiam Filosofia, falsa irmã de Zeus, não quebraram nem sumiram, apenas deixaram de existir; a flauta tão bem escondida reapareceu nas horrendas mãos.

    Quebrou-se, a flauta partiu-se ao meio, então se ouviu um som, um nada, a própria flauta havia se sacrificado, ela morrera assim como uma parte da Filosofia, lágrimas e sorrisos desceram do sol. Algumas das pedras que tinham se rachado, recuperaram a forma, e a essência da vida voltou.

    – Vocês incautos, reis do porquê, ardem em flamas, devolvo o que acham que de vós roubei. Tomai a tão sonhada calmaria e o previsível horizonte que nunca muda de lugar. Sairei de tuas terras, irmãos órfãos.

    Filosofia cumpriu então o prometido. Ainda abalada com a morte da flauta, ela desceu as terras mais quentes, então se alojou no fogo, o único que ainda a respeitava, e lá se fez sua morada.
    ASSIM, FILOSOFIA CRIOU O INFERNO, A MORADA DOS INSATISFEITOS.
     
  2. Anne Von Gaya

    Anne Von Gaya Usuário

    Re: [L] A Filosofia da Filosofia



    Adoreeei!!!!
    *relendo*



    Muito mesmo, essa parte em especial

    E a frase de encerramento, que fexou com chave de ouro.
    A filosofia infelizmente criou a insatisfação sim, porém uma insatisfação boa: a de sempre se querer saber mais!

    Bons ventos!
    :ruiva:
     
  3. Goba

    Goba luszt

    É quando os deuses se opóem e as flautas quebram os momentos mais importantes que santificam a chegada do inferno. Belo texto, amigo. :D
     
  4. Ulmo- o grande

    Ulmo- o grande Não quero + passear com esse

    Ai esta a obra do meu mestre...^^...Demorou meu querido, para colocar suas magnificas obras aqui...Seu culto ao vazio é assustadoramente bonito, embora as vezes me perturbe um pouco(ja te disse isso)...Essa foi a primeira obra que voce me mandou para que eu a lesse, e digo que magnifica mais uma vez...

    Meus parabens Dwain, muito bom mesmo...

    Abraços...
     

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