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[L] [Clarice Starling] [Coleção "A vida é assim"]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Clarice Starling, 18 Abr 2003.

  1. Clarice Starling

    Clarice Starling Usuário

    [Clarice Starling] [Coleção "A vida é assim"]

    Esta coleção de textos apresenta algumas peculiaridades. HEHEHEHE
    Alias, são varios textos contando historias de pessoas diferentes.
    First:

    A vida é Assim


    Mariana

    Mais um dia se passa na vida de Mariana: escola, casa, curso de inglês, seriado da Sony, Internet e cama.
    Todo dia acordava com os gritos de sua mãe. Sempre as mesmas frases irritantes: “Levanta, Querida! Você vai perder a hora!”. E, sonolenta, ela ia para o banheiro, prendia seus cabelos e tomava um banho de água fria, “Só assim para acordar”, dizia.
    Logo após o banho, escovava os dentes, vestia sua roupa, penteava os cabelos e ia tomar o café da manhã: pão com uma fatia de queijo prato e um copo de leite.
    Após esse simbólico ritual, Mariana entrava no elevador de seu prédio e ia para a garagem, onde esperava pacientemente por sua mãe.
    Neste pequeno tempo, ela se ocupava lendo o jornal. Era uma menina culta e informada. Diferente das pessoas de sua idade, sabia tocar perfeitamente piano, violino e flauta. Gostava de ler sobre filosofia, história e arte. Não assistia TV aberta porque pensava que era uma perda de tempo e raramente ia ao cinema, preferia o teatro.
    Quando sua mãe descia, ela fechava o jornal e pegava o seu “cd player”, no qual escutava música clássica até chegar no colégio. Ao entrar na classe, pegava seu material no armário e sentava na sua cadeira onde acabava de ler o jornal.
    Mariana não tinha amigos e era a “nerd” da sala. Quando alguém se aproximava, era para perguntar sobre algum dever ou trabalho escolar, mas ela pouco se importava, achava que os seus colegas eram retardados que não mereciam sua atenção. As únicas pessoas com quem ela conversava estavam na sua lista do ICQ, gente tão culta (e chata) como ela, sendo que a única diferença entre eles era a idade: ela tinha quinze e eles vinte e poucos anos.
    Sua mãe se preocupava com a vida que ela levava, pensava que não era normal uma menina tão nova não ter amigos e passar os fins de semana na Internet. Muitas vezes, quis levar Mariana em um terapeuta, mas a filha revidara e conseguira ficar em casa.
    Quando procurava saber na escola sobre a vida dela, os professores diziam que era uma aluna aplicada e não brigava com ninguém, chegava até ignorar a existência de outros alunos. Mesmo sabendo que Mariana tinha problemas, Dona Carmem, não fazia nada. Pensava que a filha não havia superado a perda do pai.

    E assim os meses se passaram, na mesma rotina de sempre. Até que, em maio, entrou uma menina chamada Helena sala de Mariana, fato indiferente para a mesma.
    Com o tempo, ela passou a falar um pouco com Helena, já que faziam todos os trabalhos em grupo juntas. Quando menos percebeu, a novata estava na sua lista do ICQ e se falavam todos os dias. A colega lia revistas em quadrinhos, jogava RPG, escutava rock, assistia os programas mais esdrúxulos da televisão e via os filmes mais “Trashs” do cinema. Embora abominasse tais passatempos, Mariana acabou fazendo amizade com ela.
    Dona Carmem começou a estranhar o comportamento da filha, que agora ia ao cinema e ao shopping nos fins de semana. Uma modificou a vida da outra e depois de algum tempo, era impossível falar em Mariana sem Helena ou em Helena sem Mariana.

    Um dia, Mariana aceitou um convite da amiga para jogar RPG. Arrumou suas coisas para dormir na casa de Helena e foi se aventurar no seu primeiro jogo. Chegando lá, ela viu o grupo de rpgistas: Helena, João Victor, Rafael, Débora e Aline.
    Quando Mariana e Rafael foram apresentados, eles se entreolharam de uma forma diferente, e todos puderam perceber que havia “rolado um clima”. Depois do jogo, todos foram assistir “O Chamado” no shopping mais próximo. Rafael e Mariana se sentaram juntos e ficaram conversando enquanto o filme não começava. Helena ficou irritada, pela primeira vez, sua melhor amiga havia ignorado sua presença e tudo isso em função do Rafael. Ela não conseguia prestar atenção no filme, só olhava o casal com ódio. De repente, o cinema todo gritou e Mariana agarrou-se a Rafael. A cena se repetiu várias vezes, já que o filme era de terror. Com meia hora de filme, os dois já estavam aos beijos, que só foram interrompidos quando Mariana olhou para o lado: Débora e Aline estavam se beijando.
    Ela ficou chocada, mas Rafael a fez esquecer disso por alguns instantes. O filme acabou e ela foi para a casa da Helena, que estava zangada. À noite, perguntou:
    - O quê foi, Lê?
    - Nada.
    - Você está chateada comigo?
    - Não... Imagina.
    - O quê eu fiz?
    - Caraca! Eu não acredito que você ficou com o Rafael.
    - Você gosta dele?
    - Não, mas... Ah! Sei lá.
    - Aliás, eu vi a Débora beijando a Aline.
    - Normal, elas namoram.
    - O quê? Você é amiga de lésbicas?
    - Sou sim, porquê?
    - Por nada...
    - Você tem preconceito?
    - Um pouco...


    Depois disso, Mariana dormiu. Helena não pregou os olhos naquela noite, estava muito confusa em relação à amiga. Quando acordou, Mariana encontrou Helena aos prantos:

    - Lê? Tudo bem?
    - Eu acho que não podemos mais continuar essa amizade.
    - Por que?
    - Não dá mais.
    - Me explica, por favor!
    - Eu acho que eu sou como a Aline.
    - Você acha que é lésbica?
    - É... Quer dizer, não. Ah! Eu estou confusa. Acho que sou bissexual.
    - E como você chegou a essa conclusão?
    - Mari, eu amo você e não quero ver você com ninguém. Ontem no cinema, quase explodi de tanta tristeza e ódio.
    - Espera aí! Será que você não está confusa com a nossa proximidade? É normal ter ciúmes dos amigos.
    - Não dessa forma. Eu não te quero como amiga, te quero de outra forma.
    - Não acredito que...
    - Sim, eu quero te beijar, te abraçar, ter você só pra mim.
    - Eu não sei o que dizer para você.
    - Não há o que dizer.
    - Mas eu não quero desistir de ti. Lê, eu te adoro!
    - Eu também, mas não da mesma forma. E acho que isso é um adeus...
    Desculpe, Mari, mas eu não quero te envolver, não quero te machucar, nem me confundir.

    Elas começaram a chorar desesperadamente e se abraçaram. Mariana segurou o rosto de Helena e deu-lhe um beijo, “Eu não vou deixar você ir”, suspirou no ouvido dela.

    As duas namoraram escondidas até os dezoito anos, quando prestaram vestibular para a USP, onde passaram em Informática. Com a desculpa de dividir as despesas, dividiram um apartamento em São Paulo e, alguns meses depois, resolveram contar para Dona Carmem que mantinham uma relação há mais de dois anos.
    Dona Carmem não foi receptiva, mas no seu coração, ela sabia que não podia reclamar, já que foi ausente na vida da filha e, quando Helena chegou, a viu como um remédio para a Mariana e deixou de se preocupar com a mesma. Após receber a noticia, sentou-se na sua poltrona e suspirou:
    -A vida é assim...
     
  2. Northern Lad

    Northern Lad Usuário

    Começo bem despretensioso, parte bruscamente pra algo mais pesado (talvez por ser um assunto meio que visto como tabu). Eu não sei o que dizer... gostei do texto, acho que ele se perdeu um pouco (ou mudou muito rapidamente, já que essa história poderia render um livro). Mas eu acho qeue ntendi o que o texto quis passar, tipo assim, uma hgistória que poderia acontecer com qualquer um... foi isso? A vida como ela é, hehe.
     
  3. Heruost

    Heruost Banned

    Clarice, vc virou uma maquina de bons textos, foi?? :lol:

    Esse para variar só merece um smiley como comentário: :clap:
     
  4. Clarice Starling

    Clarice Starling Usuário

    Você vai entender quando eu postar os outros textos da coleçao haha

    nao exagera :oops:
     
  5. Vinci

    Vinci Usuário

    Gostei, sim do texto... Eu não esperava isso, no final. Mas o texto ficou muito bom...!
    Posta os outros... Quando tiver alguma coisa nova me avisa no MSN...
     
  6. Ash Nazg

    Ash Nazg Usuário

    eu acho que vou fundar um Fã Clube Clarice Linspector heheeheh, Muito bom seus textos, suas tramas..... :D
     
  7. Thrain...

    Thrain... Usuário

    Acho que se forem como esse os outros textos, bem que podia virar uma mini-série da globo :lol:
    Está bem leve e gostoso de ler... podia ter expandido um pouco mais no desnvolvimento da amizade delas, mas tb mto bom assim, gostei :mrgreen:


    Só uma coisa: no comecinho a rotina dela envolve seriado da Sony, mas como se logo depois diz que ela achava tv uma perda de tempo e não assistia?
     
  8. Vinci

    Vinci Usuário

    É até meio furo. Mas tem gente que fala TV generalizando programas inúteis... Tipo... Tem gente que fala q TV é uma merda e assiste The History Channel.
     
  9. Clarice Starling

    Clarice Starling Usuário

    Desculpa, eu queria dizer TV Aberta.
    Já corrigi la :)
    Valeu.
     
  10. Clarice Starling

    Clarice Starling Usuário

    Nascida para morrer

    Não sei de onde vim, desde que me lembro estou nas ruas. Casa é praça, Deus é sorte e Amigo é pão. Assim vivem aqueles que são mais pobres que a própria pobreza. Assim vegetam os filhos da rua, sol após sol.
    Meu nome é Lurdes Maria da Graça. Quem me deu esse nome foi a minha mãe. Sim, eu tive uma mãe... Ela me criou até os sete anos, quando a polícia a carregou. Eu estava vendendo balas no sinal na hora do acontecido, nunca mais a vi.
    Abandonada à própria sorte, eu aprendi a me virar nas ruas. Apesar de tudo, eu tinha medo e chorava de noite com saudades da minha mãe. Foi numa dessas noites que conheci uma mulher chamada Rosa.Ela me perguntou a razão do meu choro e eu, ingênua, contei tudo. Rosa sorriu maliciosamente e disse: “Não se preocupe, menina. Se vier comigo, vai ver a praia, ganhar algum dinheiro e dormir numa cama”.
    A proposta era tentadora, não hesitei em aceitar. Foi assim que, aos sete anos, me prostitui nas ruas de Copacabana. Eu possuía mais clientes do que a maioria das mulheres da Avenida Atlântica. Meu preço era barato: quinze reais para Rosa e sete para mim. Por noite, eu faturava sessenta reais, estava satisfeita e infeliz.
    Com o tempo, meu preço caiu e as despesas eram cada vez maiores. Era impossível continuar daquela maneira, eu deveria arrumar um jeito de ganhar mais dinheiro. Um homem me fez uma oferta, disse que pagaria mais se não usasse a camisinha. A ignorância e a ganância me fizeram aceitar tais condições que, mais tarde, passaram a fazer parte do cardápio.
    Aos catorze deixei Copacabana, carregada pelo Juizado de Menores. Eles me levaram para um hospital público, ato que me condenou (oficialmente) à morte: estava com AIDS.
    Passei dois anos em instituições, onde aprendi a ler e escrever, mas fugi devida à falta de condições de vida. Voltei para as ruas, dessa vez como mendiga. Em alguns meses aprendi a arrecadar o único imposto brasileiro que realmente cuida dos miseráveis, a esmola.
    Ontem fui encaminhada para o hospital, agora em estado terminal. Aos dezesseis anos, realizei o meu primeiro e último sonho: dormir numa cama, sozinha.
     
  11. o primeiro texto ta muito bom Clarice, agora o segundo.....sem palavras....muito bom mesmo viu........puts.......legal seus textos, espero q escreva mais e q todos sejam tao bons qto esses! heheh
     
  12. Thrain...

    Thrain... Usuário

    Esse novo também está muito bom Clarisse, :clap: parabéns; mas gostei mais do primeiro.
     
  13. Heruost

    Heruost Banned

    Esse segundo texto está depressivamente delicioso.... :clap: Espero q os idiotas da comissão do FA leiam os seus textos antes do proximo Fa... É injusto vc nào ter sido indicada nme pra melhor texto nem para melhor escritora...
     
  14. Clarice Starling

    Clarice Starling Usuário

    Obrigada a todos :)

    Sinceramente? Eu não ligo pro FA.
    Se as pessoas que leram disseram que está bom, eu já fico mais do que feliz.
    Não quero ser a melhor em nada, so quero ser alguma coisa.
    Obrigada :wink:
     
  15. Inho

    Inho Usuário

    Vai abandonar esse tópico e me deixar com gostinho de quero mais?

    Ainda nem tinha lido o segundo texto. Prefiro o segundo, mas com a definição das linhas gerais da coleção, esta têm o status aumentado. Dái a sua OBRIGAÇÃO de continuar :evil: !! uau... :roll:
     
  16. Clarice Starling

    Clarice Starling Usuário

    Espere pra ver :mrgreen:
     
  17. Lembas

    Lembas Usuário

    Puxa Clarice...
    os dois textos estão bons, o primeiro eu até achei um pouco rápido demais, o que poderia fazer com que ficasse banal. Não é o caso. Mas acho que as duas amigas aceitaram muito rápido suas preferências, um tanto difícil de entender no caso da Mariana que disse que tinha preconceito.
    O segundo está genial. A originalidade não se apresenta nas linha gerais, mas no modo de narrar a história com sacadas sensíveis. Gostei
     

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