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[L][Bentus][Ainda sem nome]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Breno C, 10 Jun 2007.

  1. Breno C

    Breno C Quack

    Autor: Bentus (Breno)
    Nome: Nem sei ainda​

    Capitulo 1​
    Sobre a noite da morte, o novo Ministro e o exílio.​
    Tudo começou em uma noite cinzenta, que mais lembrava a terra dos espíritos do que a terra dos vivos aonde estavam. Era o começo da estação chuvosa, e a névoa subia sem que os soldados que montavam guarda nos portões de aço, percebessem a sua presença. Seria fácil para qualquer pessoa atravessar os campo entre as muralhas sem ser vista, isso, é claro, se essa pessoa passasse pelas duas primeiras barreira e trincheira que se encontram ao redor da fortaleza que também servia como castelo da União dos Sete Reinos.
    Os soldados estava em constante vigilância, pareciam aves de rapina prontas para abater os ratos que rondam os arredores de seu território sem pena nem remorso. Nem eles mesmo, que eram os melhores guardas de toda a união , entendiam porque a ordem de vigilância redobrada havia vindo diretamente da sala do general responsável pelos comandos internos. Havia algo de estranho em especial naquela noite, e todos notavam isso, mas não sabiam e nem tinham coragem de perguntar para seus superiores o que estava acontecendo. As ordens eram claras: qualquer um que passasse pelas trincheiras sem ser anunciado, deveria ser considerado como um alvo, deveriam atirar primeiro e depois fazer perguntas.
    Nada de anormal foi notado durante toda a noite, e com razão, pois a União dos Sete Reinos, nunca teve algum inimigo capaz de ameaçar suas defesas desde de a sua criação. E mesmo que estivessem travando uma batalha no território sul contra os rebeldes, que não aceitavam a unificação e eram ajudados pelo império vermelho, não sentiam medo, já que sua fortaleza principal, que também era a morada do Primeiro Ministro, se tornou com o tempo, o lugar mais seguro para qualquer um que defendesse a unidade dos sete reinos.
    A noite prometia continuar calma e sem grandes alarmes, apenas alguns lobos e animais estranhos que rondavam o sopé das muralhas foram empecilho para os sentinelas. Um deles jurava ter acertado um dos lobos com um os seus dardos de besta, mas quando foi se procurar o corpo do animal, nada foi encontrado.

    • Juro! Atirei um dardo de minha besta na parte traseira do animal. Vi ele fraquejar e soltar um uivo lascivo de dor. Não estou mentindo, não mentira sobre tal fato. – afirmava o sentinela consternado pela situação que começava a por sua honestidade em voga.
    No termino da noite nada foi anotado nos diários dos escribas de plantão, que residem nas casas de guarda dentro das muralhas, nem uma flecha usada a mais, nem um arco quebrado, nada, tudo voltou como veio.
    Mas foi na manha que a confusão se formou, e não se formou nas muralha e nem nos campos, aonde a névoa ainda persistia em derrotar os corações dos que ali passavam. A confusão se formou no interior do castelo. No inicio houve apenas um grito de mulher que vinha do quarto do Primeiro Ministro, era a camareira do ministro, que era uma mulher importante, pois tinha a incumbência de acorda-lo, servi lhe o desjejum, e vesti-lo para que pudesse, ai sim, começar seu afazeres como Ministro regente da União dos Sete Reinos. O grito foi alto e levado pelo susto que lhe fora pregado. A imagem que ela presenciou, deixaria qualquer um assustado, e poderia ter causado um desmaio em uma mulher menos treinada.

     
  2. Filiph

    Filiph Hardcore Soldier

    Envolvente, bom começo, vê se não demora para postar o resto.
     
  3. Breno C

    Breno C Quack

    Ver o corpo daquele homem longe de sua cabeça foi algo que aquela senhora, que estava na metade de sua vida, nunca havia imaginado. O grito foi seguido de passos rápidos pela escada que leva até o pináculo da torre aonde fica o quarto do regente. Alguns homens de confiança do Ministro que dormiam em quartos perto do seu, haviam escutado o grito estridente da senhora, e estava indo ao seu encontro. Estavam muito preocupados, afinal de contas um grito não fazia parte da rotina daqueles dias de tenção entre os sete parlamentares, que não aceitavam os termos de guerras propostas pelo Primeiro Ministro. Quando chegaram a porta do quarto viram a mesma cena que a camareira: um corpo sem cabeça e uma cabeça longe de seu corpo. Alguns fizerem menção a uma regurgitação de seu desjejum, outros viraram seus rostos afim de evitar o espanto. Era com certeza uma cena já mais vista dentro daquele quarto real.
    - Meu deus! O que houve aqui dentro? Em toda a minha vida, nunca vi nada igual a isso. É hediondo. Todo esse sangue. – exclamou um dos conselheiros chamado Reiran.
    - Não pode ser! Quem seria capaz de tamanha violência para com o Primeiro Ministro? – falou um guardas
    - Como pode ter tanta certeza que foi um alguém? Não acredito nem que uma pessoa possa fazer tal coisa com outra da mesma espécie, isso é totalmente inaceitável para os padrões de normalidade de um ser humano. Algum animal esteve aqui. – Reiran pronunciasse novamente.
    Os que ali estavam começaram um pequeno burburinho. Especulações começaram, e nem ao menos notaram a presença constrangida e ainda horrorizada da camareira, que derramava um choro que parecia sem fim e muito doído, ela não entendia como aqueles homens poderiam ficar parados enquanto aquele corpo estava estirado na cama, enquanto sua cabeça fitava a todos de cima de um dos pilares da cama.
    - O que faremos nobres senhores, não podemos deixa-lo ai, é um ser humano como nós, devemos lhe prestar auxilio – disse a camareira se recompondo e ainda com sua voz baixa e arranhada pelo choro recente, ao que não foi ouvida e voltou a perguntar com a voz mais alta – O que faremos?
    Os homens prestaram atenção naquela simples camareira, e viram em seu olhar o desespero que também estaria nos olhares de todos aqueles que estão sobre o poder da união, se soubessem como eles haviam encontrado o Primeiro Ministro. Eles se viraram e dessa vez olharam entre si, perceberam que qualquer decisão que fosse feita no futuro estaria ligada aquele momento. Havia na sala, junto a camareira, cinco homens, sendo eles: um clérigo chamado Hername, pertencente a ordem dos clérigos que servem ao deus dá lógica e racionalidade, dois conselheiros, Reiran e Junny, o segundo Ministro da União, Chay, e um guarda cujo nome nunca foi conhecido pelos que ali estavam, por motivo que será contado mais futuramente.
    No exato momento em que eles se olharam, perceberam que deveriam tomar uma decisão, deveria ser rápida, antes que assembléia, que era constituída pelos senhores de terra da União e seriam os primeiros a ver o ministro, percebesse o que havia acontecido com seu mentor e regente.
     
  4. Breno C

    Breno C Quack

    O primeiro a se mover foi o guarda. Ele fechou a porta, trancando os cinco mais a camareira naquele ambiente hediondo marcado pelo sangue que ainda parecia quente e viscoso, recém transladado de seu dono para a cama do mesmo. O segundo foi o clérigo, que pegando a camareira pelo braço magro e frio , a fez sentar em uma cadeira de madeira solida com rebites de ouro e prata, que se encontrava perto da janela, no caso a janela em que o falecido costumava sentar para tomar seu desjejum e pensar nas difíceis decisões que iria tomar em apenas uma manhã de trabalho árduo.
    - O que devemos fazer senhores? Não sei como vou dar essa trágica notícia de morte tão cruel aos outros ministros e constituinte da assembléia Eles não vão entender o que aconteceu dentro desse quarto, da mesma forma que eu mesmo não consigo entender metade de todo esse mar de sangue. O meu deus! O que será de nossa união, que é tão sagrada, sem nosso Primeiro Ministro? O que será do povo. – disse um dos conselheiros, com a voz ainda presa e muito pesada pelo horror de suas indagações.
    - É justamente dentro de todos esses dilemas, que nossa resposta se encontra. O problema deve ser resolvido por dentro, basta que esqueçamos nossos lados emocionais, e pensemos em prol da razão, que sempre fora a regente principal de todos os nosso atos. Se concentrarem-se, vão perceber que o conselheiro Junny está certo. O que será do povo sem seu regente? O que será da União? O que devemos sacrificar: a verdade que aqui se encontra, nua, crua e cheirando a sangue quente, ou toda uma nação que a cada dia se expande mais e se torna mais importante para as vidas que dela dependem? – falou de forma um pouco tanto que fria o ministro Chay.
    - O que o senhor sugerindo senhor Segundo Ministro Chay? Fale de forma simples e clara, para que todos nós possamos entender, pois ainda estamos chocados demais para entender o que está dizendo com palavras mascaradas. – disse o conselheiro Reiran.
    O locutor pareceu se ofender com a forma com que o conselheiro falou de sua pessoa. Não era sua intenção mascarar as palavras como um parvo ou um feiticeiro maldito, afinal de contas também estava horrorizado pela morte de seu regente, mas se conseguia falar de forma bela, mesmo em tais condições era porque havia sido bem treinado para o mesmo.
    - Não me julgue errado, senhor conselheiro. Não estou mascarando nenhuma palavra para lhes confundir. Se mesmo em tal momento sei usar as palavras de forma magistral é porque fui treinado a faze-lo e não porque quero deixa-los desnorteado, como já disse. Sou apenas mais um instrumento dentro dessa sinfonia chamada de União, e da mesma forma que o senhor, quero que isso vá a frente, por isso proponho que o que houve aqui dentro seja anunciado de forma diferente para os que estão fora daqui. Vamos deixa só entre nos o que vemos aqui dentro e de que formas chegamos aqui. Será selado um pacto entre nos cinco, e deveremos estipular uma história nova a contar. Se os senhores ainda não entenderam, posso apenas dizer que as indagações aqui feitas pelo conselheiro Reiran serão feitas pelos outros ministros e depois pelos generais de nossos inimigos. Para bem geral da nossa nação, devemos esconder a verdade, pois nem nós a conhecemos por inteiro.
    A situação já não era a mesma. Agora eles haviam ouvido uma opinião, estavam por ordem influenciados de forma diferente por alguém. O que eles estavam pensando naquele momento? Será que pelo menos haviam ouvido o que aquele homem, de opinião tão forte e afirmações tão firmes, que era um dos sete ministros, havia falado? O que fariam diante de tantas orientações não esperada e que mesmo assim pareciam lógicas. Olhavam entre si, procurando mais orientação dentro dos olhos de seus amigos de cena, estavam viciados em orientações. Parecia que agora haviam mais duvidas, mais até que antes, povoando a mente daqueles senhores.
     
  5. Breno C

    Breno C Quack

    Depois dos olhares terem se cruzado entre cada um dos homens ali presentes, um deles abriu sua boca e deixou escapar apenas uma frase que expressou a resposta e a segunda posterior indagação, de todos.
    - Concordamos. Mas o que será feito para redimensionar o que houve aqui? – disse o clérigo
    - Bom saber que posso contar com os senhores em um momento como esse e em futuros. Agora vou precisar de todo o apoio dos senhores já que sou o sucessor designado pelas regras, para substituir o Primeiro Ministro em caso de falecimento e ausência de herdeiros ao cargo, e como todos sabem nosso ministro nunca se casou e mesmo que tenha filhos eles não terão mais direito que eu.
    “As atitudes que tomaremos aqui nesse amaldiçoado quarto, deveram ser bem simples, e de acordo com as regras, leis e normas, para situações desse porte. Deveremos seguir de forma um quanto pessoal as leis que regem uma situação como essa, e nesse caso tão especial de morte noturna, devemos informar a União, o mais rápido possível, o ocorrido. Mas não sabemos o que aconteceu ao certo, sabemos pouco e temos fatos divididos dentro desse mesmo quarto. Sabemos que o ministro foi assinado, pois uma morte por decapitação não pode ser causada pelo suicídio, ela necessita de intervenção de um segundo elemento. Sabemos também aonde o ministro estava quando foi assassinado, e em que tempo foi morto, provavelmente durante a noite, quando ninguém poderia ouvir qualquer manifestação menor do que um grande grito . Mas ainda nos faltam alguns elementos para que possamos confirmar qualquer teoria, como por exemplo: quem seria o assassino? Acredito que não podemos informar um assassinato, sem antes ter um suspeito ou um acusado. Meu problema maior consiste em saber quem vamos usar para acusar de assassinato.”
    No momento seguinte a pergunta, o guarda que com eles se encontrava, cruzou o quarto desembainhando sua espada de forma magistral, demonstrando o quanto era um bom espada chim e conhecedor das artes da espada, e quando chegou a outra ponta do quarto aonde se encontrava a camareira sentada na cadeira e o clérigo ao seu lado, parou e com um único golpe, cortou a cabeça daquela que estava sentada na cadeira. A cabeça voou pelo ar com seus cabelos loiros, mas parecendo uma pomba de penas brancas amareladas pelo tempo, jogando um pequeno filete de sangue no rosto de seu arauto. Houve em tão um segundo de silêncio aonde o guarda se virou e com o rosto sujo de sangue falou:
    - Agora temos uma assassina, que por amor contido e não correspondido matou seu mestre, e logo depois cometeu suicídio, na esperança de não sofrer mais com o peso de seu atos.
    Os outros olharam para aquele ser bizarro, com sua sobrancelha baixa e grossa, sua espada com sangue, cabelos negros que não estavam mais protegidos pelo seu elmo e naquele momento notaram que o mesmo era monstruoso, perceberam também que aquele homem faria qualquer coisa por seus novos mestres. Mas sem saber ele agora havia lhes dado um novo problema, que além de não solucionar o antigo, os deixava mais afundado naquela trama sinistra de novas histórias, que parecia sem solução.
     
  6. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Aew! Gostei! Um assassinato misterioso e um clima de suspense policial. Só faltou definir o tempo cronológico da estória. É Medieval? Atual ou algum futuro alternativo? Sei que é chato situar a trama num determinado tempo, mas sem saber como será a forma de investigação - caso seja um romance de mistério - o impacto e o clima de tensão ficam dsfocados.

    No mais, está muito bom. Boa sorte e segue na luta contra a falta de tempo!
     
  7. Breno C

    Breno C Quack

    Você tocou em uma coisa interessante, a cronologia, 'mas só tem um problema, eu ainda não terminei essa história, e nem mesmo eu sei aonde vai parar, ainda vou difinir isso no segundo capitulo (só postei do primeiro), então se quiser me ajudar e dar ideias eu agradeço (não quer dizer que eu vá usa-lás). Só escrevi 16 páginas em fonte 12, arial.
     
  8. Breno C

    Breno C Quack

    - Sua ignorância e prepotência militar, nos deixou com um problema maior. Sei que seu ato fatal, foi sincero e de coração, mas agora só peço para que me explique como vamos desvendar a morte dessa reles camareira, para aqueles que ouvirem sua pobre versão, que era de idade mais avençada que o ministro? Me diga soldado, como? O jovem senhor não deveria seguir ordens antes de pensar? – indagou o segunda ministro.
    Vendo o tamanho da besteira que fizera, o soldado ainda tentou expressar desculpas ou talvez tentava apenas se defender, mas isso nunca vai ser solucionado, pois nesse momento o clérigo que estava posicionado a sua retaguarda e ao lado da nova morta, lhe golpeou nas costelas. O sangue quente e denso foi derramado mais uma vez. Dessas vez eram os olhos do clérigo que estavam monstruosos e duros, como nunca estiveram, pareciam procurar algo que sabiam nunca encontrar.
    - Esse jovem guarda, que era amante da camareira, soube que sua amada estava se deitando com o Primeiro Ministro, e sentiu tanta raiva que motivado pelo desejo de vingança, esqueceu seu posto na guarda e subiu as escadas em espiral da torre na noite anterior a esse dia, para confirmar suas suspeitas. Quando viu os dois jogados na cama, cegou sua razão e desferiu apenas dois golpes, um primeiro no ministro e outro que na camareira que antes de ser morta lhe feriu na região inferior de seu peitoral, o deixando em estado de torpor, e o pobre morreu durante toda a noite. E essa história que contaremos. – falou o clérigo assassino - Agora quero que algum dos senhores me ajude a despir os corpos da amante camareira e do coitado ministro.
    Prontamente, todos aqueles que restaram, concordaram com a idéia sugerida pela novo assassino, mas não se sabe se concordaram por que a idéia foi boa ou se foram motivados pelo puro medo de morrer para servir de explicação melhor a ser dada sobre aquele caso. Eles, que agora estavam em apenas quatro, se uniram e criaram com a maior perfeição e destreza, uma cena de assassinato, que continha três distintos corpos, de três postos diferentes na mesma sociedade, ligados por uma pequena malha de intriga e destruição. Não havia mais nada na mente dos que ali estavam, nem mesmo algum tipo de preocupação ou medo dos que estavam fora daquele ambiente. As palavras contadas pelo segundo ministro e pelo clérigo agradaram perfeitamente os dois conselheiros, e a eles foi prometido continuarem em seus postos, como ao clérigo foi prometido mais terras e posses, tudo em prol do silêncio que seria vital para os futuros planos. Todos, mesmo estando com expressões negras de tristeza, estavam contentes com o que ali havia acontecido, afinal de contas haviam acordado como simples e agora passariam a noite como grandes, teriam poder de opinião dentro da união.
    A história que seria contada pelos quatro quando eles fossem interrogados foi repassada, e agora eles deveriam voltar para seus quartos e se livrar das roupas que estavam suja com o sangue dos três. O clérigo e os dois ministros não deveriam sair do quarto até que o segundo ministro mandasse lhes chamar até a cena do crime, que não a seria tratada assim, e estando mais uma vez lá, eles deveriam ficar calados, pois estariam na presença de todos os oficiais que estavam dentro do castelo, como manda as leis. Aos oficiais seria contado a história que o clérigo inventara sobre a rede de amor e ódio ali criada, e seria contada pelo próprio clérigo que sendo um religioso virado para a lógica e razão estaria na condição de melhor detetive para o caso. Ele deveria contar o que via na cena, para depois fazer pequenas inserções de idéias sobre o caso até levar a todos a acreditar que sua teoria estava correta. Era verdadeiramente um plano perfeito, aprova de falhas.
     
  9. Breno C

    Breno C Quack

    Todos retornaram a seus quartos.
    Os conselheiro dormiam em quartos que estavam ao lado um do outro e sempre conversavam através de uma pequena janela que era suficiente para deixar seus olhos expostos, desta vez não foi diferente, conversaram sobre os acontecimento e como aquela situação era beneficiária para eles mesmo sendo tão triste. Quando ouviram o grito da camareira, que agora estava morta, não imaginaram que teriam suas vidas mudadas com tanta rapidez e violência.
    - Hoje foi um dia triste para todos nós. Ver o ministro jogado naquela cama sem sua cabeça, foi algo que eu nunca imaginei. Mesmo sabendo que ele era um homem odiado por alguns dos ministros que compõe a união. Fico pensando em quem fez aquilo com ele. Nos sabemos a verdade, sabemos que aquele história é mentirosa, pois fazemos parte de sua invenção, mas mesmo assim não consigo deixar de pensar que é uma história perfeita, e que mais perfeito foi a forma com que o clérigo a concebeu. – falou Junny.
    - Admito que também fiquei pensando nisso enquanto ouvia as palavras que o segundo ministro dizia com tanta destreza. No inicio pensei que ele já havia decorado todas aquelas palavras e idéias, antes de entrar na sala, mas depois com a morte daquele soldado e a entrada do clérigo Hermame na base da idéia principal do segundo ministro, pude perceber que aquilo tudo era uma loucura não havia forma de todos aqueles acontecimentos estarem interligados. Juro que pensei que era tudo um golpe do segundo ministro, e por isso fiz aquelas acusações indiretas que o deixaram constrangido. – disse Reiran.
    Os pensamentos do conselheiro Reiran, passavam pela cabeça do conselheiro Junny pela primeira vez. Em sua mente inocente de certa forma, ele não havia pensado que tudo aquilo poderia ser uma armação ou uma traição, havia pensado sim na possibilidade de um golpe arquitetado por inimigos da união, mas raciocinando melhor percebeu que, mesmo com toda a situação ruim ao sul com os rebeldes, não havia inimigos perigosos, que pudessem entrar dentro do castelo, não com as trincheiras lá fora ou as duas muralhas que cercavam o território do castelo ou até mesmo com os soldados que estavam entre os dois. Mas quem havia feito aquele ato macabro? Quem entrou naquele quarto e matou o Primeiro Ministro de forma tão hedionda? E porque havia feito aquele maldade com um ser da mesma espécie ?
    Batidas fracas na porta, acordaram os dois conselheiro de seus devaneios, que mais pareciam sonhos acordados. O primeiro conselheiro a atender os chamados foi Reiran, que ainda estava imaginando coisas em sua cabeça. Na porta estava um serviçal, um jovem pajem, e ele carregava uma carta lacrada, em sua mão. O conselheiro abriu a carta ali mesmo, na frente do serviçal sem se preocupar, e na carta estava escrito: “Nobre senhor conselheiro Reiran, da casa de Leitan, por favor, compareça ao salão do segundo andar, com urgência.” Ele sabia muito bem quem escrevera aquela carta, era a letra do segundo ministro, que ele estava muito acostumado a ver. Tudo estava ocorrendo como eles haviam planejado. Ele agora deveria ir até o salão do segundo andar, e igualmente faria seu amigo Junny, e todas as autoridades que estavam presentes no castelo naquele dia frio, que fora precedido de uma noite mais fria e sombria. O recado fora dado através de uma carta selada para evitar que os serviçais lessem o que havia em seu conteúdo, no fundo era apenas para evitar espionagem.
    Reiran e Junny se encontraram no meio do caminho para o salão. Já estavam com outras roupas, estavam limpos e com sua fome sanada, mas não falavam uma só palavra, foram pensando em tudo o que lhes fora dito, todas as ações que deveriam cometer, todas as perguntas e interjeições que deveriam fazer durante o tempo que estivessem na presença dos outros oficiais, fingindo reações de espanto e dor ao receber noticias de morte. Em parte do trajeto até o salão encontraram com o clérigo Chay, que também estava com roupas limpas e um olhar de satisfação, com ele também não falaram. Foram, os três, até o seu destino sem pronunciar uma única palavras, mas eles tinham certeza que o mesmo pensamento povoava sua mentes em conjunto, unindo-as em uma só, quase telepaticamente.
     
  10. Breno C

    Breno C Quack

    Quando atingiram as portas de carvalho maciço do salão, respiraram fundo antes de dar o próximo passo e entraram no salão. Mas quando entraram no salão, se viram em uma situação estranha. No salão só havia militares e guardas, nenhum dos outros ministros, que moram com Primeiro Ministro num total de três (contando com o segundo ministro), estavam presentes e nem seus conselheiros, só haviam espadas, lanças e escudos. Não entenderam, pois o procedimento padrão em uma caso de morte do alto escalão, era o aviso geral a todos os oficiais, independente dos cargos. Ficaram parados bem no sopé da entrada, sem entender o que estava acontecendo.
    - Entrem senhores. Só faltavam os senhores para nossa reunião estar completa. – disse o segundo ministro com uma voz arrogante.
    Caminharam até os lugares que lhes foram reservados, e ficaram bem enfrente ao segundo ministro, que agora estava sentado no lugar do Primeiro Ministro. Estavam em lugares que no geral são reservados aqueles que serão julgados pelo regente da União dos Sete Reinos que estiver em exercício naquele momento. Continuaram sem entender o que estava acontecendo, perguntavam-se porque o segundo ministro não estava seguindo os planos que arquitetaram juntos na manhã.
    - Excelentíssimo senhor segundo ministro, existe algum motivo em especial para que nós três estejamos aqui, já que é visível que essa reunião parece muito mais de âmbito militar do que diplomática. – disse o clérigo, que já estava desconfortável com toda aquela situação.
    - Sim existe! Eu gostaria de uma pequena opinião dos senhores sobre um caso que está me deixando muito intrigado. – respondeu o segundo ministro.
    - Se estiver dentro de nossas possibilidade ajuda-lo senhor, nós o ajudaremos. – desta vez quem se pronunciou foi o conselheiro Reiran.
    - A opinião que eu queria que me dessem é de cunho jurídico. Gostaria de saber qual é a punição dada para o ato traição a união e assassinato do regente principal da mesma. – perguntou com um entonação irônica.
    - Até aonde meu conhecimento se estende, a punição para a traição a união é paga de duas formas: na primeira o indivíduo é levado até um pequeno jure composto por todos os ministros da união e eles o julgarão e darão a sentença de acordo com a traição, mas no geral a punição dada é o exílio; e na segunda, que geralmente é aplicada em tempos de guerra, a punição é a morte sem julgamento. – disse o conselheiro Junny – Mas já no segundo caso, não sei muito bem qual seria a punição para quem assassinar o Primeiro Ministro, que é o regente principal de nossa união, já que isso nunca aconteceu fora de um campo de batalha.
    - Já que o seu grande conhecimento das leis não se estende até o assassinato do regente da nossa união, eu vou lhe dizer com maior prazer qual é a punição por assassinar o Primeiro Ministro, a punição é: a morte. O senhor conseguiu me compreender, senhor ex. conselheiro Junny?
    O salão ficou em silencio por um longo tempo. Os dois conselheiros e o Clérigo não conseguiam entender o que estava acontecendo. Nada mais estava indo como eles haviam arquitetado em conjunto nos aposentos do Primeiro Ministro. Perecia que aquele homem que estava na frente deles não era o mesmo que estivera a algumas horas antes, tramando algo bem diferente daquilo. Com a intonação que ele falava, mais parecia estar acusando os três pela morte do Primeiro Ministro. O que o segundo ministro Chay estava fazendo? E porque não seguia o plano que fora combinado.
    Um dos generais, que estava ao lado do segundo ministro, se levantou e veio na direção dos três. Olhou para eles com o olhar destinado a um assassino, se virou para os outros generais e militares dizendo:
    - Senhores que estão aqui presentes. Eu, General Yoran, não sou um diplomata e nem muito menos sou formado nas faculdades políticas, mas sinto que tenho que intervir nesse momento, pois acho, na minha qualidade de homem, que aos atos de traição e assassinato, só possa existir uma única punição, que é a morte. E essa morte deve ser rápida e indolor, para que a alma dos que estão sendo punidos não esteja pagando de forma precipitada aqui na terra, o que deverão pagar no inferno.
    - Ainda não entendo o que está acontecendo aqui. – interrompeu o clérigo Hermane - Porque o General está falando assim conosco? O que fizemos de errado? Apenas fomos chamados para comparecer no salão e aqui estamos.
    Naquele momento houve silêncio, e os generais e militares que estavam ali presentes se olharam. E mais uma vez o General falou de forma enérgica, e agora apresentava mais raiva em seu tom de voz.
    - Vejam, nobres senhores e generais: eles insistem em mentir, insistem em dizer que não foram eles, quando todos nós sabemos que foram eles que executaram esse plano macabro de traição e morte. Deus, como pudemos, no passado, consistir que esses dois se tornassem conselheiro do homem que eles mesmo mataram? E o senhor, um clérigo, como pode acoitar tal ato de assassinato.
     
  11. Breno C

    Breno C Quack

    Não havia sentido nas palavras daquele homem, pensava os dois conselheiros. Parecia que ele estava acusando os dois de terem assassinado o Primeiro Ministro. Porque o segundo ministro não intervinha naquela loucura? E vendo a expressão de perplexidade, que os dois apresentavam, o segundo ministro achou melhor contar lhes quais eram os fatos até aquele momento.
    - Os senhores estão sendo acusados de conspiração, atentado a Unidade formada pelos Sete Reinos e o assassinato do Primeiro Ministro. O senhor clérigo, está sendo acusado de traição, por saber de todo acontecido e não comunicar as autoridades. E eu, sinceramente, concordo com o General Yoran, também acho que deveriam pagar com a vida, mas agora como sou o novo regente dessa união, tenho que prezar pela leis e regras de convivência. Eu devo lhes dar a chance de serem julgados e terem uma sentença justa e de acordo com o seu crime. No momento gostaria de pedir que os generais e outros do corpo militar, que aqui estão presentes, se retirassem e deixassem me a sós com os acusados para que eu posso ouvir suas explicações.
    Mais uma vez os generais se olharam, e apesar de não gostarem daquele homem que vós havia falado, sabiam que deveriam obedecer as ordens que ele desse, pois agora ele era o novo regente, mesmo que não coroado.
    - Mas se deixarmos vosso excelência aqui com esses assassinos, eles poderão tramar uma nova morte, que agora seria o do senhor, senhor Segundo Ministro Chay.
    - Então que o senhor, senhor General Yoran, fique comigo, para me garantir a segurança. E devo acrescentar, que agora não sou mais o segundo ministro, e sim o Primeiro Ministro Chay, e como tal devo ser tratado.
    Sem concordar, os generais deixaram o salão, apenas ficou o General Yoran, que é responsável pela guarda das muralhas da cidade sede da União dos Sete Reinos.
    Havia no ar do salão um cheiro e uma temperatura diferente, agora que o salão estava praticamente vazio, e o ar podia passear entre os poucos que ali estavam. O corpo de algum exalava o medo e a incompreensão. Os três acusados ainda se questionavam sobre tudo aquilo, ainda não eram capazes de entender o que estava acontecendo.
    - Vocês não devem estar compreendendo o que está acontecendo, não é verdade? Pois que seja! Vou explicar tudo, ainda mais porque eu acho que antes de vocês morrerem pela minha ideologia, tem o direto de saber a verdade. – começou falando o Segundo Ministro, que agora era o Primeiro. – Tudo começou ontem a noite. O Primeiro Ministro me chamou; ele queria falar sobre assuntos de guerra. Conversou por horas, me contando sobre seus desejos perante a guerra, e eu ouvi tudo. No final, disse tudo o que eu achava e ele, infelizmente, não concordou. Achou ruim as minhas opiniões, dizendo que eu era um traidor, que deveria primeiro pensar no povo e depois em minha ambição, no final quis tirar meu posto de Segundo Ministro, ao qual tenho direito por ser herdeiro direto daqueles que lutaram e apoiaram a criação da União. Eu não podia aceitar aquilo, mesmo ele sendo o Primeiro Ministro e por direito sendo o regente principal da União dos Sete Reinos, afinal de contas eu também estou aqui por ser descendente de nobres, também tenho os direitos de governar meu povo, minha família lutou nas mesmas guerras que a dele, e lutou pelo mesmo ideal de unificação para melhor regimento de toda a terra.
    - O Primeiro Ministro queria desistir das guerras contra os rebeldes no sul – tomou a palavra o General Yoran - Ele havia sido acometido por um espirito de deserção, estava pensando em desistir de todas as guerras e todos os planos para a expansão da união. Ele queria que comandássemos os exércitos de volta para a casa, logo agora que estamos prontos a vencer o sul e partir para o oeste, e logo depois para o mar e novos continentes.
    - Naquela mesma noite, eu fui até a sala de guarda do General Yoran, eu sabia que ele não iria concordar com aquelas idéias loucas de deixar os planos de expansão e dar os territórios para os rebeldes do sul. Conversamos, e rapidamente tomamos a decisão de que não deveríamos deixar os planos de deserção do Primeiro Ministro irem a público. Corremos até seus aposentos naquela noite, já com a intenção de convence-lo de qualquer forma a não coloca-los em pratica. Quando chegamos ao seu aposento, ele nos recebeu com hostilidade, ordenou ao general que me prendesse, mas... – e nova mente foi interrompido pelo general.
    - Mas eu não obedeci a sua ordem, e ele puxou sua adaga para me ferir acusando me de traição. Juro que não queria mata-lo, mas naquele momento não pude segurar toda minha raiva, pois eu sempre lutei para ficar no cargo que à min fora concedido, e se os planos de deserção fossem a frente, eu iria para traz, provavelmente seria destituído do meu cargo de general e não teria nenhuma promoção que me levasse a lutar em alguma grande batalha para me tornar o novo Marechal de Guerra da União dos Sete Reinos. Fizemos o que fizemos por amor a nossa união.
     
  12. Breno C

    Breno C Quack

    As ultimas palavras foram duras para os ouvidos dos que estavam ali. Parecia muita hipocrisia afirmar que o assassinato do Primeiro Ministro, foi para o bem da própria população e do próprio ministro.
    Ver aqueles dois homens, em suas malhas de guerra, querendo persuadir três condenados, que não haviam nem sido julgados, era uma cena um tanto quanto cômica. No intimo de cada um dos condenados, uma pequena lagrima escorria, pois só agora eles sentiam que suas promoções à estatuís maiores, não ocorreriam. Mas eles ainda não entediam a necessidade de suas mortes, pois se a história verdadeira, fosse contada ainda nos aposentos do Primeiro Ministro, eles teriam acobertado e ajudado com os planos do general e do segundo ministro.
    - E porque usam de nossa morte em seus planos? Se houvessem nos contado todos esses fatos antes, nós os teríamos ajudado, pois apesar de sermos servidores do Primeiro Ministro, somos em prima servidores da união e não queremos que ela fique na mão de um bastardo que não deseja a ampliar ou não deseja expulsar os rufiões dela. – declarou o conselheiro Reiran.
    - Sua inteligência diminuta, muitas vezes me ofende. Se houvéssemos contado antes para vocês, logo teriam aberto suas bocas e teriam contado tudo para outros que cobiçam mais poder do que nós mesmos, que só queremos o bem da união. Não! Vocês devem morrer. Serão a morte que toda revolução necessita para se solidificar. E quando o povo souber que foram vocês que mataram o seu querido ministro, eles vão pedir suas cabeças para fazerem de exemplo para qualquer outro que os quiser roubar um bem precioso.
    “Eu como Primeiro Ministro devo aconselhar que haja um julgamento justo de acordo com os atos que cometeram. Devo esperar que o conselho do Sete Ministros esteja novamente reunido para que o julgamento sege feito, o que deve demorar uma semana, e depois deverei esperar até que sepultem o ex Primeiro Ministro e suponho que isso irá demorar mais uns três dias, toda essa soma me leva a acreditar que vocês ainda tem dez dias de vida. Aproveitem bem.”
    O general e o, agora Primeiro Ministro, Chay saíram do salão, e deixaram cinco guardas entrarem para que levassem os prisioneiros para suas celas. O ex conselheiro Reiran pensava em seu intimo: “Como pode? Acordei e não sabia que iria viver tantas emoções tão fortes, em tão pouco tempo. No meio da manhã, tinha de criar uma história sobre uma morte que eu não sabia como havia acontecido; no final da manhã, deveria ouvir a verdadeira história; e agora no inicio da tarde, sei apenas que sou acusado da mesma morte que, agora, sei como aconteceu.”
     
  13. Breno C

    Breno C Quack

    esse fui o final do ultimo capitulo, agora vou começar a postar o segundo capitulo e começar a escrever o terceiro, então é tempo dos puxões de orelha, falem o que agradou e o que não agradou...
     
  14. Breno C

    Breno C Quack

    Bom, já que ninguém fez nenhuma condenação, resolvi ir postando o que eu tenho já escrito aqui do segundo capitulo, para poder dar continuidade e não perdermos o fio da meada
    OBS: aviso que muitas vezes eu vou escrever aqui mesmo, sem passar por um editor de texto antes, logo erros serão frequentes, mas suportaveis

    Capitulo 2
    Sobre o cárcere e a fuga.

    Todos aqueles que moram no castelo foram avisados sobre os acontecimentos, até mesmo os nobres de mais baixo escalão, e souberam também do julgamento que seria feito, e os mensageiros da cidade já estavam nas estradas que levam aos outros seis reinos com cartas que comunicavam os acontecimentos e ordenavam a voltas dos três ministros que estavam faltando para o julgamento.
    Algumas horas depois, toda a cidade já sabia do ocorrido, e seus habitantes estavam agora parados embaixo da varanda dos salões de reunião esperando para ouvir o comunicado oficial do segundo ministro Chay, e quando ele apareceu trajando sua vestimenta oficial, todos se calaram e ouviram o que ele havia para dizer. O segundo ministro foi breve, explicou sobre a morte do Primeiro Ministro e disse já saber quem foram seus assassinos, nesse momento a multidão se levantou com raiva clamando por justiça para com os assassinos, mas o segundo ministro sabia que eles, na verdade, queriam as cabeças dos acusados antes mesmo de saber se eles eram culpados ou não. E como conclusão falou sobre o futuro julgamento e a futura decisão sobre a escolha do novo primeiro ministro.
    Enquanto toda a anunciação era feita, os três acusados eram levados para seus cárceres. Por serem nobres, suas celas não ficariam no calabouço, e sim em quartos especiais, aonde não havia nenhuma decoração e apenas uma cama, uma lareira, e uma mesa com uma cadeira. Das janelas, sem grades, de suas celas, eles podiam ouvir o povo clamando por justiça para com os acusados, e da mesma forma que o segundo ministro sabia o que isso queria dizer, eles também entendiam. No fundo de seus corações, tinham total consciência de que a sorte os abandonara, e os deixara desde a manhã, quando ouviram o grito da pobre mulher.
    Não demorou muito e a tarde acabou, dando inicio para a noite, que parecia estar mais fria, do que na noite passada, que também fora a noite da morte. Se os encarcerados houvessem olhado através da suas janelas, teriam visto que nos campos entre as muralhas, a névoa havia voltado, e com aparência mais forte e cruel do que aquela da noite da morte.
    Sentado enfrente a sua lareira, o clérigo Hermame, pensava e tentava calcular quanto tempo ainda lhe restava. Ele sabia que demoraria pelo menos um dia para um dos mensageiros chegar a outro reino, isso se não parasse em nenhum lugar, nem mesmo para comer, sendo assim e sabendo das condições das montarias e estradas, calculou que demoraria um dia e meio para o mensageiro chegar na cidade de Prata, que era a cede do reino mais a leste dos reinos que compunham a união. Logo demorariam pelo menos uma semana para que a comitiva do sétimo ministro, chegasse a cidade central. Ele teria pouco tempo para não morrer. Teria pouco tempo para planejar um fuga ou quem sabe uma rebelião interna, pois ele sabia que ainda teria visitas mesmo sendo acusado de ter acoitado um crime como o assassinato do Primeiro Ministro. Os outros monges e clérigos deveriam ir até sua cela, seja para ouvir seu depoimento ou para rezar uma ultima prece ao deus de raciocínio e piedade.
    As idéias do clérigo não estavam erradas, ele realmente teria visitas, e seriam visitas de sues amigos de religião. Na manha do segundo dia eles vieram, e vieram o mais rápido do que ele pensava. Por estarem em um retiro espiritual, só souberam de tudo que havia ocorrido na noite em que o clérigo foi preso e já não podiam visita-lo, e quando tiveram a primeira oportunidade na manha seguinte, foram até a cela do clérigo ouvir sua versão do acontecido.
    O caminho até a cela do prisioneiro assustou os monges, que viram no percurso muitos guardar, e consideraram isso um mal sinal, já que o monge não havia sido acusado de assassinato, fora acusado somente acobertar o assassinato e a isso ainda poderia sair em sua defesa alegando que o fez para sua própria proteção.
    Quando chegaram na porta do cárcere imundo de seu companheiro foram parados por dois guardas com armaduras de guerra, que disseram que dali eles não passariam sem que fossem acompanhados, pois essa havia sido uma das ordens impostas pelo então primeiro ministro em exercício Chay. Os monges não gostaram do que ouviram, pois era direito de qualquer prisioneiro ter visitas em total estado de privacidade, sendo ele acusado de qualquer ato, então eles recitaram para os guardas o conjunto de leis que dava o devido direito ao prisioneiro e ainda disseram que se eles não cumprissem a lei como ela deveria ser cumprida, os ministros que estavam a caminho iriam ter consciência do que ali se passara. Vendo que os monges eram irredutíveis em sua decisão de entrarem sem companhias extras e com medo de futuras repreendas por parte dos ministros, os guardas deixaram que os três ministros entrassem, e fecharam a pesada porta de madeira após sua passagem.
     
    Última edição: 29 Jun 2007
  15. Breno C

    Breno C Quack

    Ao olhar e ver que seus amigos entram pela porta, o clérigo Hermame, saiu de trás da cama onde havia se escondido, por achar que o Ministro Chay poderia tentar alguma coisa contra ele antes do julgamento. Seu amigos caminharam até sua cama e nela se sentaram junto com o clérigo.
    - Que deus seja louvado mil vezes, pela sua piedade! Conseguimos chegar antes que o senhor fosse assassinado injustamente. – disse um dos monges que parecia o mais novo do grupo.
    - Fico grato por se importarem comigo, mas ainda é sedo para se louvar qualquer forma de piedade. Ainda posso morrer por um crime que não cometi, meu destino ainda está nas mãos erradas da uma mão cruel. – respondeu o clérigo.
    - Ainda não entendemos bem o que aconteceu. Viemos os mais rápido que podemos quando ficamos sabendo que o senhor havia sido feito prisioneiro, pois estávamos em um retiro fora dos muros da cidade como o senhor bem sabe. Ao entrar na cidade ainda nem sabíamos do mal que havia se abatido sobre o Primeiro Ministro a quem amamos tanto, e ouvimos coisas horríveis sobre o senhor e os conselheiros do ministro, não quisemos acreditar no que as bocas diziam, por sabermos quem o senhor é um ser que não teria coragem de ferir ninguém. Mas agora nos diga o que aconteceu, porque o que ouvimos foi aterrador e não podemos ouvir tudo novamente.
    - Não posso concordar com você, jovem Alqueri, pois ontem mesmo, matei um ser vivente criado por nosso deus, e agora me arrependo amargamente, mas creio que nosso deus irá me perdoar, pois ele sabe que fiz o que fiz, por amar em demasia algo que não deve ser tão amado. – e naquele momento o clérigo Hermame contou tudo o que havia acontecido, desde o grito aterrador à o momento dos cálculos em sua cela, ao passo que os monges ouviram tudo calados e interrompiam a história apenas para inserir uma expressão de espanto.
    - Irmão Hermame, nós tememos pelo senhor, pois essa história que pelo senhor foi contada, nos assusta e nos faz pensar qual será o futuro de nossa congregação perante aos atos do ministro Chay. O senhor não pode morrer assim. Nossa congregação não é nada sem sua presença. O senhor tem que fugir, tem que sair das garras desse destino cruel. – nesse momento um dos outros monges que estava ali se levantou, andou pela pequena cela e acabou dizendo junto aos seus irmãos de congregação - O senhor deve fugir, disso eu não duvido, e sei também que deve faze-lo de forma rápida! Não deve se demorar aqui nessa cela nem mais um minuto, pois o ministro Chay sabe, como eu, que o senhor ainda tem chances de sair desse julgamento com uma pena menor que a morte, pois a acusação contra o senhor é de cumplicidade com um assassinato e não de cometer assassinato.
    O semblante do clérigo mudou totalmente. Em momento algum em sua reflexão, ele havia pensado nessa hipótese de ter uma pena menor que as outras, seria essa uma esperança nova para ele ou apenas mais uma naufragada em meio a tantas que ele já tivera naqueles dia sombrios. Mas naquele mesmo momento, uma pequena nuvem escura se debruçou acima dos pensamentos do clérigo; se ele não foi acusado de assassinato, agora sim deveria temer seu carcereiro, pois se havia chances de ficar sair vivo do julgamento perante a lei, havia chances na mesma quantidade de morrer pelas mãos daqueles que estão junto ao novo primeiro ministro, antes mesmo do julgamento.
    Agora a necessidade da fuga era muito maior que antes. Deveriam, naquele momento mesmo, começar a tramar um plano de fuga, para manter o clérigo vivo e junto com ele a esperança de justiça para com a alma do Primeiro Ministro. Seus corações se inquietaram, afinal, como planejariam aquela fuga de um lugar que fora construído para ser um fortaleza aonde nenhum inimigo poderia entrar.
     
  16. Breno C

    Breno C Quack

    Eles pensavam sem parar e sem achar uma solução. Quando haviam se passado duas horas desde o inicio da conversa, um barulho forte atravessou a porta e logo depois ela foi destrancada e aberta, por ela passou, como um furacão em sua fúria máxima, o agora em exercício Primeiro Ministro Chay, e ele trazia aos puxões o soldado que deveria estar na sala de vigia durante todo aquele tempo.
    - Quais foram as minhas ordens soldado? eu me lembro claramente que lhe disse para não deixar que ninguém entrasse nessa cela sem acompanhamento. Então, porque vejo quatro monges confabulado livremente aqui? – o soldado apenas abaixou a cabeça e nada falou, e naquele momento entraram pela porta dois generais que estavam passando e ouviram os gritos do corredor. Eles entraram atônitos sem entender o que estava acontecendo.
    - O que está acontecendo? Ouvimos os gritos e viemos ver os motivos para exaltação. – disse um deles. E um dos clérigos tomou a frente - Não está acontecendo nada. Apenas viemos visitar um amigo que está sobe acusação, e a lei é bem clara, quando diz que podemos visita-lo a hora que quisermos e sem a necessidade da companhia de um guarda. Não é assim que as leis rezam, senhor Ministro Chay? – ao ouvir aquilo, o ministro se enfureceu mais ainda, mas conteve seu sentimento de raiva, afinal sabia que estava errado por dar ordens aos guardas para não deixarem passar visitas sem serem acompanhadas.
    - Você está correto, senhor clérigo. Eu cometi um pequeno erro, senhores generais. Indiquei aos soldados para que não deixassem passar visitantes não acompanhados, mas é bom saber que os soldados não cumprem minhas ordens. Acho que vou relatar esse acontecimento diretamente ao general responsável pela guarda. - no seu intimo, o soldado, estava chorando, sabia que se o ministro relatasse algo daquele tipo ao general responsável pela guarda da fortaleza, que era um dos seus grandes amigos, ele com certeza estaria morto antes mesmo de poder dar qualquer desculpa.
    Os presentes ficaram se olhando, tentando ler os pensamentos uns dos outros, na esperança de que conseguissem descobrir o que estava acontecendo. E foi a primeira vez que os generais desconfiaram do ministro Chay.
    - Então se estamos todos de acordo com esse encontro, devemos deixar os clérigos conversarem em paz. Vamos, senhor ministro Chay, temos que conversar sobre muitas coisas que nós ainda não entendemos.
    A expressão do rosto do ministro Chay ao sair da cela, foi demoníaca, e depois de vela, o clérigo Hermame sabia que, mais rapido do que nunca deveria fugir para bem longe, se ainda queria viver. E assim que os interlocutores saíram da sala, ele e seus amigos começaram a tramar um plano para sua fuga.
    A manha logo viria e seria um dia a menos a vida do clérigo, e foi essa a razão que o fez pensar mais rápido do que nunca e planejar um dos melhores planos de fuga jamais visto em qualquer parte do mundo. Ele sabia que não haveria formas de escapar pela força, logo a única forma de sair de dentro da cidade era de uma forma inteligente e que não levantasse suspeitas sobre quem o ajudasse para que eles não sofressem com sua partida, e ele sabia que deveria ir sozinho, não poderia levar os dois conselheiros com ele, pois se fosse pego no meio do caminho, seria acusado de ter ajudado e arquitetado a fuga de dois condenados a matar o Primeiro Ministro.
    - Tenho que deixar essa cidade. E tem que ser logo, de preferencia essa noite ainda. Já tenho idéias em minha mente. Idéias que me permitiram sair e sem levantar suspeitas. Mas para que essas idéias dêem certo preciso que vocês me ajudem a conseguir o material necessário e que prometam não contar para ninguém sobre o que se passar dentro dessa sala.
    Todos os três prometeram guardar o segredo e prometeram também ajuda-lo em sua fuga para fora da cidade. Então o clérigo começou a contar seus planos para deixar a cidade e deu instruções para todos os três lhe dizem aonde encontrar o que ele precisaria para fugir da sela e deixar, em segurança a cidade. E fez todos os seus planos protegido pelo voto de confiança que havia dado aos três clérigos que ali com ele se encontravam.
     
  17. Breno C

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    O plano do clérigo seria iniciado dois dias depois daquele em que eles haviam-no encontrado na sela, e o que seria o segundo dia em que ele estava preso, o que os deixavam com apenas cinco dias antes da chegada da ultima comitiva vindo da cidade mais a leste, aonde se encontrava o sétimo Ministro. Aos amigos, o clérigo pediu que encontrassem os objetos em dois dias, e cada um na medida do possível ia juntado aquilo que lhe foi pedido sem levantar suspeitas.
    A primeira comitiva que chegou, trazia consigo o Quarto Ministro, que governava a Cidade do Lago, que recebia esse nome por ficar exatamente aos pés de um lago de cor cristalina, que também era conhecido como o lago dos mil soldados, pois em suas águas morreram mais de mil soldados, que estavam voltando de uma das batalhas que fizeram parte das guerras dos Reinos, em circunstancia . Na comitiva vinham seus filhos e sua filha, que era tida como a mulher mais bela de toda União. E com eles viram os principais marechais de guerra que a cidade do lago tinha.



    A partir dessa parte, o conto está sem solução...
    Vou ver se eu tiro um tempo para escrever
     
  18. Breno C

    Breno C Quack

    A primeira comitiva que chegou, trazia consigo o Quarto Ministro, que governava a Cidade do Lago, que receberá esse nome por ficar exatamente aos pés de um lago de cor cristalina, que também era conhecido como o lago dos mil soldados, pois em suas águas morreram mais de mil soldados, que estavam voltando de uma das batalhas que fizeram parte das guerras dos Reinos. Na comitiva vinham os dois filhos, Moren e Sailin, e a filha, Durian, que era tida como a mulher mais bela de toda União. E com eles viram os principais marechais de guerra que a cidade do lago tinha e mais um pequeno batalhão armado de cinco mil homens, estrategicamente divididos entre arqueiros e lanceiros.
    O clérigo podia ver a comitiva chegando através de sua janela estreita. Ele sabia que a cada dia que se passava, ele e os conselheiros ficava mais próximos da eminente morte. Seus amigos deveriam ser rápidos se queriam salva-lo, não seria fácil achar os itens que ele pediu para poder fugir, mas eles deveriam tentar. Com a chagada da primeira comitiva, passou-se um dia inteiro, que para a cidade toda foi de festa, e para o clérigo foi de medo e apreensão.
    Já no final da tarde daquele dia o clérigo recebeu uma visita que não era esperada, quando estava se preparando para receber noticias de seus amigos, na esperança de ouvir de suas bocas que haviam conseguido achar os itens necessários para a fuga, duas pequenas batidas na porta foram dadas, como um aviso da entrada de alguma visita. Depois de um pequeno rangido, comum naquela porta sem manutenção, uma figura não tão comum entrou. Era simplesmente o Quarto ministro.
    Não é comum na União, que um preso sege visitado por um dos seus juizes, mesmo que não estivesse proibido nas cartas da constituição e nem estivesse nas bulas dos Ministros anteriores, esse ato era mal visto, e poderia ser até considerado como uma ofensa a imparcialidade do julgamento. Quando o clérigo viu aquela imagem imponente a sua frente, vestido com roupas de guerra, achou que já era tarde demais e que a sentença já havia sido dada, não adiantava lutar. Porém seus pensamentos estavam errados e precipitados.
    - Então foste tu que matastes o nosso querido, nobre e honrado Ministro? Foste tu o ser sem alma, que assassinou, de forma fria e macabra, o ser mais leal a união que já existiu nesse solo? Diga ser demoníaco?
    - Não, não fui eu. E nem precisa me tratar com distancia e repulsa, pois já não tenho mais obrigações para com sua União e seus ministros assassinos. Vieste aqui me acusar, fazer injustiça com meu nome e duvidar de minha humanidade, mas me pergunto se nãos és tu o mais errado, por me julgar, antes mesmo de me indagar e esperar respostas.
    Com aquele argumento nem mesmo o ministro poderia discutir, pois sempre foi costume, dentro da União, não se fazer pré julgamentos. Costume que foi ensinado pelos mandamentos da religião que é vigente como a oficial da União, eu por um acaso estranho e tosco, é a mesma religião a qual se pertencia o clérigo. Mas a União, já não se importava mais com a religião, ou mesmo com a razão, só haviam mentiras e mentes fracas à serem governadas.
    - Não posso discordar. Estou sendo injusto em acusar lhe de algo ao qual nem eu mesmo sei se fora verídico. Me envergonho nesse momento, e peço sinceras desculpas. Só o fato de eu estar aqui já fere a moral do julgamento ao qual o senhor se prestará daqui a alguns dias. Mas minha dor é tamanha, que não pude conter meu espirito, achei que tinha o direito de vir aqui e escarrar na face daquele que foi tido como assassino, porém agora me lembro que ainda não houve julgamento e que a história só me foi contada pela parte acusadora da questão. Me rebaixo, saindo do meu posto de ministro, para lhe pedir, pelo Deus racional e sabia, que habita acima de nós, que me conte o que aconteceu pelo seu ponto de vista.
    Então naquele momento o clérigo Hermame, contou todo o que havia acontecido, desde o grito na manha daquele dia de sangue, até aquele momento, e percebeu que mesmo tendo acontecido tudo aquilo de fantástico haviam se passado somente dois dias, e que foram os dias mais longos de toda a sua existência. O ar foi residência de um silencio mortal por alguns segundos após o calar da voz do clérigo, e ele pode perceber nos olhos do ministro um certo sentimento que nem mesmo o ministro saberia decifrar direito.
    - Se o que me contas, for verdade: existe então uma conspiração. Mas eu estou com os olhos vendados e não consigo ver ao certo o que está aconteceu, pois não vejo o objetivo dessa conspiração, mas também não consigo parar de me perturbar com o fato de que as circunstancias que me fizeram chegar aqui, foram bem estranha, se assim pode se dizer.
    - O que vossa senhoria quer dizer com isso? – Indagou o clérigo, que não estava entendendo.
    - Quando o mensageiro da União chegou em meu reino, não veio direto a min, foi primeiro na casa do exercito, ter com meu marechal de guerra uma conversa que eu não indaguei o conteúdo, pois logo foi comunicado da morte do primeiro ministro e então fiquei muito perturbado para pensar em assuntos menores. E também não estranhei quando meu marechal de guerra pediu para que ele me acompanhasse nessa viagem a capital da União, trazendo consigo um contingente militar muito maior do que é usado para a minha escolta. Admito que teorizei uma certa super proteção por parte do Marechal, mas agora com os olhos mais abertos e mais limpos, percebo que não é tão simples assim. Há algo de estranho em tudo isso, mas ainda sou incapaz de ver o que é.
    Depois de ouvir, atento, a história contada pelo ministro, o clérigo passou a temer mais ainda pela sua vida. As circunstancia estavam cada vez mais estranha. Ele ainda não conseguia ver conexão entre o ministro Chai e o exercito da cidade do Lago, pois todos os exércitos dos Reinos eram independentes e não deviam ordens entre si, apenas se ajudavam caso alguma batalha fosse grande demais para apenas um deles lutar, mas mesmo assim, essa situação não acontecia havia anos, desde a ultima invasão rebelde a um dos sete reinos.
     
  19. Breno C

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    Após mais alguns minutos de conversa, o quarto ministro deixou a cela do clérigo, e esse ficou mais desesperançado, pois um pouco antes de sair o ministro lhe alertou de uma ação que ele não havia pensado antes.
    - Refletindo sobre o seu caso naquele quarto real, que foi palco três mortes, não pude deixar de pensar que o senhor não tem tanta chances assim de não ser enforcado, afinal de contas matou um soldado, e mesmo que alegue que foi induzido a tal ato, não terá o perdão dos próprios soldados e pode ter certeza que eles também tramaram contra a sua vida. Agora devo lhe deixar. E não digo que estou certo de sua inocência, apenas ouvi sua história, pois queria ter certeza de que não estaria julgando mal. Sinceramente espero que o senhor se livre de tudo isso, porque nunca apresentei bons sentimentos quanto ao segundo ministro Chay e não quero que ele se torne o primeiro ministro. Até o seu julgamento e que nosso Deus sege misericordioso convosco.
    A noite que veio após aquela tarde, foi tenebrosa para com o clérigo. Agora ele tinha menos um dia no seu plano de fuga, e mais uma coisa para se preocupar. Temia mais ainda pela sua vida, e queria cada vez mais fugir para bem longe dali, deixar a União, deixar aquele continente, mas sua mente se enchia de perguntas e ele não sabia o que iria fazer depois da fuga, não sabia nada sobre a terra que estava afrente daquele que ele habitara durante a sua vida inteira, não sabia qual Deus por eles, os que moravam além do mar, era louvado, não sabia se seria aceito.
    Quando a manhã veio trouxe com ela um mar de névoa, como nos dias anteriores. A visão estava tão escurecida por aquela sombra, que era impossível, até mesmo, ver as cordilheiras que cercam a lado oeste da cidade fortaleza da União. O clérigo Hermame olhava de sua cela, e não conseguia enxergar nada, agradeceu a seu Deus, por ter lhe mandado aquele presente, pois ele sabia que sem aquela névoa, não seria possível para seus companheiros lhe trazerem os itens que ele requisitou para sua fuga. Aquela manhã, seria a ultima que ele pretendia passar preso naquele cárcere. Se tudo ocorresse bem, ele estaria dentro das montanhas antes mesmo da terceira comitiva chegar, e assim nem teria tempo nem mesmo de haver julgamento e ele estaria livre para chegar ao outro lado das cordilheiras e se encontra no porto com a primeira embarcação que saísse mar adentro o levando para terra novas, aonde não seria reconhecido.
     
  20. Breno C

    Breno C Quack

    Duas horas depois do clérigo tomar seu desjejum, alguém com um punho vacilante bateu a sua porta, era o primeiro dos seus companheiros que havia se comprometido a ajudar em sua fuga, era o jovem Alqueri, que trazia consigo os itens que lhe foram pedidos: uma bengala, um manto velho, cordas, óleo de cozer e roupas limpas da ordem a qual eles pertenciam.
    - Muito obrigado Alqueri, Deus olhara por todos vocês no final e lhes salvará, lhes tirara do meio desses dragões. Não se esqueça das minhas palavras, pois elas tocarão ao seu ouvido no futuro, e você se lembrara de min no meu refugio. Mas agora tenho que lhe indagar: como passaste com essas encomendas pelos guardas? É o que me intriga nesse momento?
    - Muito obrigada pelas palavras de bom agouro. Sempre me lembrarei do senhor no futuro, mas queria que o senhor estivesse ao meu lado nesse tão esperado futuro. O senhor deseja saber como passei com as encomendas pelos guardas? Pois lhe digo que foi muito simples, uma vez que o guarda que está de sentinela hoje tem uma leve paixão pela cozinheira do castelo, apenas me assegurei que ela passasse enfrente a ele e que lhe chamasse, assim quando ele veio a porta de sua cela ficou desprotegida e eu pude passar com tudo que o senhor me pedira. Agora só não sei como meu amigos vão fazer para passar com suas encomendas, pois a cozinheira não poderá segurar o sentinela por muito tempo.
    - Sua explicação me deixou mais perturbado, pois agora teremos que ter certeza de que os outros conseguirão passar, pois sem as coisas que lhe pedi não vou poder sair daqui.
    O tempo estava passando, já fazia um bom tempo que Alqueri havia chegado, e nem sombra dos outros clérigos. O clérigo Hermame sentia cada vez mais que seu plano não daria certo. Agora deveria temer não só pela sua vida, mas também pela vida daqueles homens que ele havia envolvido naquela trama de fuga. O ministro Chay não perdoaria nem mesmo eles, provavelmente iria manda-los para campos de trabalho forçado como prisioneiros de guerra e lá eles morrerão de tanto trabalhar.
    Os pensamentos estavam tão obscurecidos que ele nem mesmo percebeu quando a porta foi aberta e por ela passaram os dois últimos clérigos que faltavam com os itens que ele havia requisitado. Dessa vez os itens não eram simples ou agradáveis. E quando o clérigo percebeu, finalmente, a chegada tão esperada dos amigos, deu um pulo e ficou de pé recebendo dos os com um forte abraço.
    - Deus é mesmo misericordioso comigo, vocês vieram e pelo que posso ver trouxeram tudo o que eu pedi.
    - Sim, é claro que viemos. Nunca deixaríamos o senhor na mão desses cães imundos. Sempre estaremos ao seu lado, mesmo quando o senhor for. E trouxemos tudo o que o senhor pediu, e ainda mais algumas coisas: provisões para poder atravessar as montanhas sem sentir fome ou cede e dinheiro para que posso pegar a embarcação seguro.
    - Agora vejo que deus me abençoou com amigos leais e espertos. Mas não pude deixar de temer por suas vidas. Como passaram pelo sentinela lá fora? Ficaram invisíveis? – os dois olharam para ele sem entender bem o que ele queria dizer.
    - Não foi necessária tal façanha! Simplesmente não havia sentinela alguma e a porta estava destrancada, o senhor poderia ter saído e ter ido aonde quisesse dentro do castelo que não seria incomodado. Quando vimos que não havia sentinela até achamos que o senhor havia posto outro plano, que não o planejado, em pratica.
    O clérigo sabia que se não havia sentinela na porta, só existia um motivo; ainda estava com a cozinheira, e pela primeira vez louvou a luxúria do ser humano.
    - Senhor – disse Alqueri – devemos usar essa dadiva para acelerar nossos planos. Vamos coloca-lo em pratica logo, pois assim o senhor poderia estar longe antes mesmo de escurecer.
    - Sim Alqueri, você está certo, isso foi uma dadiva e vamos utiliza-la. Mas antes devemos fazer checar todos os itens para nos certificarmos que estão todos aqui, pois se houver uma agulha a menos, nada vai dar certo.
     

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