1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Kappa e o levante imaginário (Ryunosuke Akutagawa)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por imported_Wilson, 8 Ago 2011.

  1. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    Eu ia escrever uma resenha para esse livro, mas encontrei essa no google, da revista Época, que já diz tudo que eu gostaria de dizer.

    Trata-se de um escritor extraordinário. Seus contos são uma oportunidade rara de encontro com o imaginário da cultura japonesa, e representam uma espécie de transição entre o passado feudal do Japão e o início de sua mentalidade moderna, quando o país passou a permitir influências estrangeiras. Destaques para o primeiro conto, que satiriza os costumes de uma sociedade imaginária, e para o último, autobiográfico, em que o autor consegue fazer com que o leitor mergulhe para dentro de sua cabeça.
     
  2. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    acabei de ver que criei o tópico em "literatura brasileira". algum dos moderadores poderia mudar? falha grave.
     
  3. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Dando um up no tópico, terminei de ler essa coletânea e outra, chamada Rashomon e outros contos, publicada pela Hedra e com traduções da Madalena Hashimoto Cordaro e da Junko Ota. Basicamente, nessa edição da Hedra você só tem, em comum com a edição da Liberdade, o Rashomon e o No matagal; os outros todos são contos distintos. É meio difícil dizer qual seleção é melhor, pois as duas são espetaculares. Akutagawa é fabuloso.

    Dessa edição da Liberdade, gostei muito de Os Salteadores. O Rodas dentadas é também impressionante, mas gostei particularmente dOs Salteadores pela contraposição que ele faz de uma trama romântica e em muitos pontos altruísta, com uma descrição crua da realidade. Por exemplo, em duas partes do conto, o Taro e o Jiro, irmãos salteadores que gostam da Shiko, estão andando e pensando em várias coisas ao mesmo tempo, especificamente e respectivamente no amor da Shiko pelo outro irmão e no amor do irmão. Só que, enquanto eles estão andando, o Akutagawa vai descrevendo carcaças e corpos apodrecendo, de modo que você fica com esse choque entre duas realidades que é muito forte e que obriga tanto as personagens quanto o próprio leitor a constantemente pôr o pé no chão.

    E a tal ponto que o final do conto, que é um final feliz, deixa o leitor com um pé atrás... Pois acho que os finais felizes são muito mais perigosos que os finais infelizes. Eles dão uma noção, pro leitor um pouquinho mais velhaco, de que algo está faltando, que algo deu errado, ainda mais quando estamos falando de uma realidade tão nua e crua como essa do conto. Mas, se você reler o conto do Akutagawa, vai perceber o quão habilidoso ele foi em tecer um final feliz numa história de todo infeliz -- ou seja, como ele fez com que as personagens vissem uma esperança no fim do túnel... e de como elas de fato encontraram a esperança no fim do túnel.

    O Rodas dentadas é lindo também. Possui um final impactante... Uma das coisas mais poderosas que já li.

    Particularmente, gostei mais da seleção de contos da Hedra. Terra morta é lindo: conta a morte do Matsuo Bashô, o grande haicaísta japonês. Só analisando o título é o suficiente pra você ver as nuances da narrativa do Akutagawa: o haicai é famoso por ser uma espécie de celebração objetiva da natureza, ele eleva a natureza para o que muitas vezes nos esquecemos que ela é: isto é, ela mesma, a natureza em tudo que de amplo ela possui. Assim, a morte do Bashô, ao ser associada com a terra morta, é a um só tempo uma ironia, uma homenagem, uma catástrofe... pois o Bashô não queria fazer com que a natureza dependesse de sua poesia. Ele, quando muito, queria que as pessoas passassem a ver a natureza de modo mais integrado e amplo a partir de seus poemas, o que é um aspecto fundamental do haicai: o despojamento, a humildade.

    Enfim. O que pude perceber, lendo Akutagawa, é que sua literatura faz uma ponte de contato muito forte e sólida com a cultura ocidental. É algo que nomes como Yukio Mishima terminariam de solidificar. Mas, de todo modo, são narrativas com tudo o que as narrativas podem possuir de refinado e poderoso: análises profundas que não necessariamente recaem em abismos filosóficos; mas, antes, acontecem na superfície, deixam ao leitor a maior parte das dúvidas e, como diz o Yukio Mishima ao falar sobre o funcionamento da arte, deixa o leitor à beira do abismo, sozinho.

    Pra quem quiser ter uma noção disso que estou dizendo, o conto Rashômon é um excelente exemplo. Sem dúvidas, é um dos melhores contos do Akutagawa -- mas só lembrando, a respeito do filme homônimo do Kurosawa, e como dito pela matéria da Época citada pelo Wilson, que existe pouco do conto do Akutagawa no filme do Kurosawa; o Kurosawa usou muito mais o conto No matagal que de fato o Rashômon. Basicamente, podemos dizer que, a partir de No matagal, o Kurosawa chegou às questões sutis que o Rashômon incute no leitor.
     
    Última edição: 6 Out 2013
    • Gostei! Gostei! x 1

Compartilhar