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Jovem americana com câncer opta por suicídio assistido

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por LuizWsp, 15 Out 2014.

  1. LuizWsp

    LuizWsp A torch in the dark In Memoriam

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    , em inglês).

    Em um determinado momento do vídeo, Maynard é vista abrindo a bolsa e retirando dois vidros que, presume-se, conteriam medicamentos para dar fim à sua vida.

    "Quando eu precisar, sei que estão aqui", ela diz para a câmera.

    O vídeo foi visto mais de 5,6 milhões de vezes.

    Ela diz que se sente aliviada sabendo que tem a opção de morrer "nos próprios termos" e quer que outros na mesma situação tenham acesso a esta alternativa.

    A campanha de Maynard reacende a polêmica sobre a moralidade do suicídio auxiliado por médicos e a perspectiva de que haja mais legalizações da prática nos Estados Unidos.

    "Talvez Maynard não leve seu plano a cabo no dia 1º de novembro. Estatisticamente, a maioria dos que obtêm medicamentos para dar fim à própria vida não os utiliza, embora quase todos relatem sentir-se tranquilos sabendo que têm os comprimidos em mãos", escreve Meghan Dawn no jornal Los Angeles Times.

    "Mas como ela compartilhou sua decisão com o mundo, seu legado será uma contribuição crucial para discussão a respeito de como vivemos - e morremos".

    O especialista em bioética Arthur Caplan diz que a história de Maynard tem o potencial de mudar a forma como muitas pessoas, particularmente os mais jovens, vêem a questão.

    "Uma geração inteira está agora olhando para Brittany e se perguntando por que seus Estados não permitem que médicos receitem doses letais de drogas para quem está morrendo", Caplan escreveu para a BBC News.

    "Brittany está tendo e terá um grande impacto sobre o movimento para que medidas sejam apresentadas a eleitores e legisladores".

    Capla acredita que opiniões em torno da questão do suicídio assistido podem mudar rapidamente, da mesma forma como mudaram em relação ao casamento entre homossexuais.

    REAÇÕES

    O blogueiro Matt Walsh escreveu na revista americana The Blaze que Maynard é "uma porta-voz muito convincente em prol do suicídio".

    No entanto, ele afirma estar preocupado com a reação que ela despertou na imprensa e nas mídias sociais, onde foi unanimemente elogiada por sua coragem e postura.

    "Fico aterrorizado ao pensar que meus filhos crescerão em uma cultura que venera abertamente o suicídio, com tanta paixão", ele escreve.

    "Se você está dizendo que é digno e corajoso que uma paciente com câncer se mate, o que você está dizendo aos pacientes que não se matam?", indaga o jornalista.

    Várias pessoas com doenças em fase terminal se pronunciaram sobre o assunto, oferecendo uma posição crítica em relação à decisão de Maynard.

    "O aspecto mais difícil de um diagnóstico terminal é não saber quando se morrerá", escreve Maggie Karner, que também recebeu um diagnóstico de câncer agressivo no cérebro.

    Mas Karmer diz que políticas públicas em relação ao suicídio auxiliado por médicos não deveriam ser centradas em casos extremos, como o seu e o de Maynard.

    O poder (de determinar) vida e morte deve permanecer nas mãos de Deus, ela escreve.

    Outra paciente, Kara Tippetts, que publicou um livro e tem um blog onde narra sua experiência com um câncer de mama em estado terminal, escreveu uma carta aberta a Maynard pedindo que ela reconsidere sua decisão.

    "O sofrimento não é a ausência do bem, não é a ausência da beleza, mas talvez possa ser o lugar onde a beleza verdadeira possa ser conhecida", ela escreve.

    "Contaram uma mentira para você, uma horrível mentira ao dizerem que a sua morte não será bonita, que o sofrimento será grande demais".

    Ela diz que médicos que receitam remédios para pôr fim à vida de pacientes estão dando as costas ao juramento de Hipócrates, um juramentop solene feito por médicos em suas cerimônias de formatura.

    Um dos trechos do juramento diz: "Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém".

    Tippetts conclui: "Serei parceira do meu médico na minha morte, será uma jornada bela e dolorosa para nós todos. Mas, ouça-me - não é um engano - a beleza nos encontrará naquele último respirar".

    Segundo registros, 1.173 pessoas já se valeram do Death with Dignity Act (Ato pela Morte com Dignidade) para solicitar receitas de drogas letais no Estado do Oregon.

    Deste total, 752 pacientes usaram medicamentos para morrer.

    Maynard diz que planeja gravar um depoimento em vídeo para os legisladores da Califórnia, que nesse momento discutem uma lei similar para regulamentar o suicídio com auxílio médico.

    Se tudo seguir conforme seus planos, há grandes chances de que sua mensagem seja entregue aos legisladores postumamente.


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  2. [F*U*S*A*|KåMµ§]

    [F*U*S*A*|KåMµ§] Who will define me?

    Já recomendei esse documentário antes e recomendo de novo: How to Die in Oregon. É de 2011.


    O que me espanta em muitas reações é como as pessoas tomam as coisas de forma pessoal, de forma agressiva a quem escolhe diferente (e temos milhões de outros exemplos em relação a isso que não convém citar agora para não transformar isso aqui em outro debate político).
    Uma pessoa na matéria diz que se alguém escolher a morte é porque ele tá rindo da cara de quem não escolhe a morte. Que se pra aquela pessoa escolher a morte é coragem, então ela está dizendo que quem não escolhe é um covarde.
    Não. É uma escolha. Ponto. Sem dicotomias, caralho. Sem essas bipolaridades agressivas, porra.
    Infelizmente numa situação dessas ambas as escolhas são difíceis, por isso que é 100% individual. E qualquer que seja a escolha, a pessoa já será corajosa.
    A mensagem que ela quer passar é a de que quem pensar igual a ela, não precisa se reprimir, porque é uma escolha válida e pode-se procurar onde consegui-la. Não é uma mensagem para o mundo de que todo mundo tem que ser assim, se suicidar e o caramba a quatro.

    Parece que o mundo só consegue sobreviver assim, com dicotomias, bipolaridades, maniqueísmos. Caralho. Isso dá no saco.
     
    Última edição: 15 Out 2014
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  3. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Bem, das pessoas que tentaram suicídio que conheci, pelo que entendi, existia um tipo de escala. Por exemplo, antes de tentarem o ato alguns tendiam a pesar e avaliar opções entre "morrer a troco de nada" e "morrer por algo importante". Isso porque a morte muitas vezes tem que ser movida por significado muito mais que cessar o sofrimento (para o morto e para os conhecidos). No extremo oposto da escala haveria vida a "troco de nada" e "vida por algo importante".

    Todas essas questões e raciocínios podem passar na cabeça de quem sofre a ponto de desejar o fim e são também influenciadas por abordagem equivocada na sociedade de que morte seja aquele ponto nítido delimitado e não um processo com muitas etapas (algumas das quais totalmente cinzentas) que inclui o antes o durante e o depois. E a vida também é assim, mas se a maioria não faz a reflexão nem durante a vida que será então dela na hora da morte...?
     
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  4. LuizWsp

    LuizWsp A torch in the dark In Memoriam

    Não entendi essa questão de escala...

    E vc conheceu muitas?
     
  5. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Em outras palavras, vida e morte tem preço, seja para os mais desesperados, seja com "efeito túnel", seja para aqueles que nunca deixam rastros ou razões para trás. Dos clubes de suicídio do Japão aos executivos que pularam de prédios nos Eua pela crise de 2008.

    Numa escala o que possui maior desejo de morte é o que não tem nada ou ninguém importante, ele desaparece fácil e invisível "morrer sem nada importante ou a troco de nada". A seguir vem a pessoa que ainda quer morrer mas tem algo importante (morrer por algo importante) e por aí vai...

    Só na faculdade conheci 3 suicidas (2 mulheres, 1 homem), acho que foram mais. É importante porque conceito de suicidío vem antes de morte assistida. (um conceito antigo que é o "tiro de misericórdia".) Mas suicídio é ainda mais velho que ele.
     
  6. LuizWsp

    LuizWsp A torch in the dark In Memoriam

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  7. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Parece que terça-feira passada ela disse que não iria tomar os remédios no dia marcado, porque ainda não estava tão ruim.
    Mas no fim acabou fazendo como planejara, indo embora no dia 1º de novembro mesmo. =(

    Bem, que fique em paz, e que o exemplo dela sirva pra que outros países também disponibilizem essa alternativa, já que é muito sofrimento pro(a) doente e pra família e amigos dele(a).
     
  8. Reverendo

    Reverendo Usuário

    Fim. Acabou o sofrimento. O que restava (se restava) de felicidade também.
    Ou não?
     
  9. Paganus

    Paganus Visitante

    Irresponsabilidade.
     
  10. LuizWsp

    LuizWsp A torch in the dark In Memoriam

    De quem?
     
  11. Paganus

    Paganus Visitante

    Dela, ué.

    Mas não faço um juízo moral, não posso me colocar no lugar dela e saber se faria diferente, se teria coragem, mas olhando objetivamente é uma irresponsabilidade o suicídio. É fugir das exigências da vida, para com o outro, saber que não se vive só para si. O suicídio na maioria das vezes é uma recusa arrogante, patologicamente egoísta, de recusar ao outro qualquer influência, estrato ontológico e axiológico na minha vida, é o autoconfinamento, o solipsismo. Individualista.
     
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  12. [F*U*S*A*|KåMµ§]

    [F*U*S*A*|KåMµ§] Who will define me?

    Concordo que o suicídio muitas vezes é irresponsável inclusive em termos práticos causados pelo imediatismo da decisão. Outros terão que se preocupar com o seu pós-morte, outros irão ter que esfregar carne humana do asfalto, etc. Não condeno, mas concordo com o termo irresponsável.
    Mas, como você mesmo disso, não é todas as vezes. E esse é um caso desses de excessão.
    A menina tomou conta dos preparativos, deu tempo para seus entes próximos absorverem o que acontecerá, e pode ter certeza que numa situação dessas a discussão com esses entes queridos existe (logo, não há privação de influência externa na decisão dela ou isolamento/confinamento diante das pessoas próximas a ela).
    Mas a decisão no fim das contas é dela. Isso não é individualismo, não é irresponsabilidade, é justamente o inverso, é ser responsável e consciente dos próprios atos. É saber que seu ato vai ter efeitos, mas assumi-los. Assim como seria responsável e consciente se ela decidisse não fazer isso e ir definhando junto a família até não conseguir mais, se tiver sido pensado e discutido com seus entes. Acho um pouco inocente achar que não fazer nada e deixar a vida seguir não seja també uma ação. Jogar tudo nas mãos do acaso apenas pra tirar peso das próprias costas, isso sim seria irresponsabilidade, ou talvez o melhor termo seja comodo.
    Numa situação dessas, qualquer que seja a decisão vai ter influência direta e pesada sobre quem está em volta.

    "Fugir das exigências da vida" e "não viver só pra si" me pareceram argumentos mais ligados a teologia, do qual não compartilho. Nesse caso não tenho como contra-argumentar.
     
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  13. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Esses termos também têm a ver com responsabilidade.
    De várias maneiras ela não estava sendo egoísta ao optar pelo suicídio, uma delas é não deixando as pessoas a volta dela sofrerem com seu próprio sofrimento causado pela doença.
    Até porque, muitas vezes, no final da vida, pessoas assim ficam inconscientes e o sofrimento fica mesmo com quem está próximo. =/
     
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  14. Paganus

    Paganus Visitante

    Bom, o caso dela não me parece mesmo de irresponsabilidade, mas de uma posição até responsável. É um caso raro de suicídio, não padrão. As outras consequências, pela própria responsabilidade, são assumida em seu ser interior, e tem mesmo um valor ascético, metafísico.

    A teologia nada tem a ver com esses argumentos assim como esses argumentos nada tem a ver com teologia. Dizer que a vida tem valor, que existe uma posição axiológica no mundo, um sentido não implica nem mesmo em uma metafísica, quanto mais religião ou Deus. É um dado de valor, axios, é uma posição ética, uma avaliação do ser da vida, enquanto dentro da vida.

    Você pode contra-argumentar, sim.

    Não há nada 'teológico' em negar que a vida tenha valor, que haja posições de princípio, que há um sentido nessa vida, um telos, uma direção, um todo determinado e axiológico. Aliás, a sua postura, FUSA, ao falar de responsabilidade é IGUAL à minha, apenas partimos de pressupostos diferentes, metafísicas diferentes. Você não nega o valor, o assume integralmente, só difere de mim no que eu fundamento essa axiologia em pressupostos metafísicos, religiosos. Até porque esse é o meu horizonte de princípio...
     
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  15. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Justamente por acreditar nisso é que sou a favor também da descriminalização do aborto e não acho legal que os suicídas (todos eles) sejam condenados pelas religiões e pela sociedade.
    Todo mundo tem capacidade para tomar uma decisão dessas e os que não têm, seja por demência ou deficiência mental ou tipo nos casos únicos e trágicos (guerra, miséria extrema) quando a pessoa só consegue ver uma saída através da morte, ainda assim vejo cada situação como única e não consigo acreditar nesse Deus de ira e castigo que muitos pregam por aí. :tsc:
    Cada ser humano é único, assim como sua alma, e só ele ou ela é quem sabe dos demônios interiores que carrega dentro de si.
     
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  16. Paganus

    Paganus Visitante

    Ninguém condena um suicida à morte eterna. É ele que se condena, como se condena quem comete qualquer pecado. A religião não é culpada pelos pecados do mundo (embora seus membros, enquanto humanos, tenham, e muita), o culpado é a consciência livre do homem.

    Agora há exceções, com o valor totalmente oposto, de libertação e redenção pelo suicídio.

    É o mesmo com o aborto. Em certas circunstâncias, o perdão divino sempre agirá, mas nunca deixará de ser um assassinato de inocentes, ainda piorado, quando transformado em bandeira ideológica. Quer dizer, nem sempre, eu não consigo conceber, por exemplo, que situações envolvendo a possibilidade de morte da mãe, que ela seja obrigada ao auto-sacrifício. Não se obriga tal ato, ele se dá livremente, é uma escolha da mãe, não se pode exigir martírio dos outros, do outro só se espera a liberdade. Só posso ser duro, irrestrito, dogmático, exigente, comigo mesmo.
     
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  17. LuizWsp

    LuizWsp A torch in the dark In Memoriam

    Eu gostaria muito de ter essa opção, mas acho que na maioria das vezes a religião atrapalha nesses assuntos, pois quem não as segue não deveria ser julgado por elas. Talvez seja medo do julgamento ou repulsa ao conceito de pecado.

    Pelo contrário, acho que seja a atitude mais humilde que um ser humano possa ter. É como um enxadrista que tomba o rei, reconhecendo a superioridade do adversário. Loucamente esperar um milagre enquanto adia a inevitável derrota seria a escolha arrogante, por não aceitar que ele seja capaz de ser derrotado. Arrogância é se propor a aceitar tudo quanto for preciso para lutar pela vida – dinheiro, honra, dignidade, felicidade alheia ou até outras vidas – por não aceitar a sua condição ordinária dentre todos os seres vivos, loucamente negando que alguém pode escapar ao inevitável destino da morte.
     
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