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Autor da Semana John Fante

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Cantona, 2 Jul 2013.

  1. Cantona

    Cantona Tudo é História

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    John Fante
    (08.04.1909 - 08.05.1983)


    Primeiro, antes de Fante, temos que dar uma olhada do outo lado do Atlântico, passar os olhos pela Europa redesenhada geopoliticamente no pós Primeira Guerra. Entre seus oito milhões de mortos e vinte e um milhões de mutilados, o confronto eliminou quatro dos antigos impérios do continente, transformando-o, segundo um mano theco, em “um laboratório em coma de um cemitério”. Com o espaço geográfico traçado a régua, os sistemas político-econômicos, de democracia liberal, comunismo soviético e nazifascismo disputavam a supremacia por aquelas bandas. Na refrega, a ideia liberal foi a primeira a ser golpeada, vendo a “mão invisível” do mercado revelar-se insustentável. Em países dizimados pelo conflito, os autoritarismos com vieses fascistas respondiam as demandas no curto prazo, à medida que traziam às massas alento para a miséria de todos os dias, bem como sustentavam as elites num panorama de ordem, onde os conflitos sociais eram mitigados. A crise de 29 foi a pá de cal e uma boa parte do mundo, então, viu no comunismo soviético uma frente de combate ao avanço autoritário de Mussolini e Hitler. Nos Estados Unidos, cambaleante o liberalismo, a minoria vermelha norte-americana não encontrou eco ao seu discurso e a crise cotidiana fez com que grossos setores da sociedade acalentassem o namoro com o fascismo, ou antes, e mais corretamente, com alguns aspectos que compõem a sua doutrina, como o nacionalismo exacerbado e a xenofobia que daí advém. E é nesse clima, permeado de miséria pela Grande Depressão e racismo, que o ítalo-americano e de família paupérrima, John Fante, passará sua infância, adolescência e início de vida adulta. Experiências que, somadas ao rigoroso catolicismo materno e as recorrentes bebedeiras paterna, serão constantes em toda sua obra, da primeira - Espere a primavera, Bandini (1938) – a última, ditada a sua esposa Joyce – Sonhos de Bunker Hill (1982).

    Fante nasceu em 1909, na fria Denver, Colorado. Como já adiantamos, berrou em berço de pobre. A mãe, Mary Fante, carola digna de altar, e pai, o pedreiro Nick Fante – que passava longos invernos desempregado – educaram o garoto na mais ortodoxa fé católica, reforçada pela escola paroquial em Boulder e o internato jesuíta Ginásio Regis. O contato com a fé de São Pedro moldaram a personalidade de John. Seu filho, Dante Fante, numa entrevista de 2012, na ocasião do lançamento de um livro de memórias, diz que seu pai:

    Essa aproximação com o catolicismo, como já dissemos, irá percorrer toda sua obra. Arturo Bandini, seu principal alter ego (Espere a primavera, Bandini; Pergunte ao Pó; Sonhos de Bunker Hill; O Caminho de Los Angeles), bem como Dominic Molise (1933 foi um ano ruim), Jimmy Toscana (O vinho da juventude) e Henry Molise (A irmandade da uva)- este último em menor grau - enfrentam graves dilemas de consciência entre um abstrato e inalcançável desejo de pureza e a concreta vida errante, de pequenos bicos, furtos, muita bebida, jogos e mulheres.

    Mas, me adianto. Fante ainda não era escritor em Denver. Foi depois de cursar a Universidade do Colorado e de juntar os trapos rumo a calorosa e pecaminosa Los Angeles, que ele nos apresentou seu novo ofício, bem como os dois espaços onde desfilarão seus personagens: o frio Colorado e a quente Califórnia. (CURIOSIDADE: Em Los Angeles há, uma vez ao ano, o passeio literário "tour Fante", que percorre os mesmos locais de Bandini. Na Ilustrada, encarte de cultura da Folha de São Paulo, saiu uma rápida nota: "Quase nada resta atualmente em Los Angeles do distrito de Bunker Hill, onde John Fante morou quando solteiro e que usou como cenário para várias tramas de Bandini, como em seu último romance, "Sonhos de Bunker Hill", ditado para a mulher quando já estava cego. A empresa Esotouric, que promove passeios literários na cidade, faz um "tour Fante" uma vez ao ano. O mercado onde Bandini comprava laranjas ainda existe, assim como o trenzinho Angels Flight. Há, com mais frequência, o "tour Bukowski", que passa por uma de suas casas em Hollywood, hoje patrimônio da cidade, e também pelo Pink Elephant, sua loja de bebidas favorita (
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    )". E no
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    dessa moça, que foi quem escreveu a reportagem, tem mais).


    Então, esses são os elementos principais de Fante. Ou seja, nada diferente da grande maioria. Em sua vida não há nenhum ato de bravura ou heroísmo, nenhum gesto de bondade incondicional ou qualquer outra coisa que o eleve acima dos mortais. Assim, como os ingredientes que o constituíram penetraram em sua obra, essa existência comum também deu o tom, levado a cabo por uma escrita enxuta, sem nada de excepcional. Suas tramas revelam-se simples, pouco elaboradas. Porém, mesmo com todas essas descaracterísticas, John Fante é considerado o precursor do movimento que explodiria na América nos anos 50, o BEAT, influenciando aquele que talvez seja seu maior expoente, Jack Kerouac. Por que? Porque Fante coloca em suas páginas, através de qualquer alter ego, o lado fodido do sonho americano. Nelas estão os Estados Unidos que não deram certo, seus pobres, seus bêbados, viciados, prostitutas, seus indesejáveis imigrantes italianos, mexicanos, filipinos. Tudo que a propaganda não mostra ao filmar os subúrbios felizes; tudo que se quis eliminar com o processo de esterilização em massa dos miseráveis, inspirados em teorias do século XIX, nas quais o mal é o pobre, não a pobreza. (Os beatniks de depois acrescentam ao todo concreto os desdobramentos no mapa subjetivo, combatendo as inúmeras formas sutis de controle sobre o corpo com sexo, drogas e jazz).

    Pelo bem da verdade, é bom dizer que Fante não foi nenhum militante de causa, não levantou nenhuma bandeira em prol disso ou daquilo. Mas o fato de retratar os "indesejáveis" da sociedade liberal, os trouxe à cena, deu-lhes voz. E o fez não com a compaixão que aleija, mas com a verdade das ruas, onde todos, inclusive seu Arturo Bandini, nos dizeres de Paulo Leminski no prefácio de Pergunte ao pó, são errantes, sempre em trânsito, santos aqui, miseráveis ali, "ora por cima, ora por baixo, se virando mais que charuto na boca de bêbado, para manter a cabeça acima da maré de merda".

    Bibliografia - ou parte dela
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    O primeiro romance de Fante foi Espere a primavera, Bandini , de 1938. Vai uma rápida "resenha" e apresentação dos principais personagens:

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    O mais famoso, Pergunte ao Pó, que há alguns anos foi ao cinema com a DELICIOSA e MARAVILHOSA Salma Hayek no papel de Camilla Lopez, é de 1939:

    Sonhos de Bunker Hill veio a público em 1982. Fante, já danado pelo diabetes, o ditou a sua esposa. Nele, Arturo Bandini relata suas experiências como roteirista de Hollywood. O autor, que realmente exerceu tal ofício, enchendo o rabo de dinheiro, trago pelas memórias de seu filho Dan: "Ele fez muita grana escrevendo todos os dias para os estúdios de Hollywood. Fazia uma reunião com sua secretária todas as manhãs e dizia para ela que anotasse todos os recados, então ia jogar golf. Ele fez isso por 20 anos".

    O Caminho de Los Angeles, saiu em 1985 pelos esforços de Charles Bukowski, grande fã de Fante (Então um dia puxei um livro e o abri, e lá estava. Fiquei parado de pé por um momento, lendo. Como um homem que encontra ouro no lixão da cidade, levei o livro para uma mesa. As linhas rolavam facilmente através da página, havia um fluxo. Cada linha tinha sua própria energia e era seguida por outra como ela. A própria substância de cada linha dava uma forma à página, uma sensação de algo entalhado ali. E aqui, finalmente, estava um homem que não tinha medo da emoção. O humor e a dor entrelaçados a uma soberba simplicidade. O começo daquele livro foi um milagre arrebatador e enorme para mim. Tomei o livro emprestado, levei-o ao meu quarto, subi à minha cama e o li, e sabia muito antes de terminar que aqui estava um homem que havia desenvolvido uma maneira peculiar de escrever. O livro era Pergunte ao pó e o autor era John Fante. Ele se tornaria uma influência no meu modo de escrever para a vida toda). O livro foi escrito por volta de 1936 e os manuscritos descobertos por sua viúva, Joyce. Temos o mesmo Bandini e suas andanças por Los Angeles, pulando de emprego em emprego, descontando nos mexicanos e filipinos o racismo de que era vítima por ter sangue italiano. É um Fante menos vigoroso, vamos assim dizer. Do quarteto que compõe a "saga Bandini" considero o menos empolgante.

    De Fante, no Brasil, ainda temos

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    , de 1985.

    O Vinho da Juventude, livro de contos, também de 1985.

    E, recentemente publicado,
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    A Bibliografia completa tá
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    , no bom e velho Wikipedia.

    John Fante morreu em 8 de maio de 1983, aos 74 anos.
     
    Última edição: 2 Mar 2014
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  2. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Arruma só a fonte preta que não aparece no template escuro =)
     

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