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John Fante

Tópico em 'Autores Estrangeiros' iniciado por Anica, 4 Abr 2009.

  1. Anica

    Anica Usuário

    [align=justify]Excelente artigo da Gazeta do Povo, resolvi compartilhar com vocês e aproveitar para abrir um tópico sobre o Fante aqui no Meia. :timido:

    [size=large]O escritor que saiu do pó[/size]
    Nascido há cem anos, o criador da saga de Arturo Bandini só teve seu gênio reconhecido depois da morte, em 1983

    Até 1980, John Fante, que completa neste ano seu centenário de nascimento, não era considerado um dos grandes ficcionistas norte-americanos do século 20. Sequer era conhecido. Depois de publicar dois romances e um livro de contos, passou 40 anos mergulhado na indústria de roteiros de Hollywood. Não como o gênio rebelde ou intratável que foram F. Scott Fitzgerald, Raymond Chandler e outros, mas como um operário-padrão da “fábrica de sonhos”. Era o que precisava para manter um bom padrão de vida na Califórnia com mulher e quatro filhos. Um estilo que nada tinha a ver com a fome e o desespero de Pergunte ao Pó, romance que publicou em 1939 e foi logo esquecido e esgotado. Mas tudo mudou em 1978, quando o romancista e poeta Charles Bukowski publicou estas linhas no livro Mulheres:

    – Quem é seu autor favorito?

    – Fante.

    – Quem?

    – John F-a-n-t-e. Pergunte ao Pó. Espere a primavera, Bandini . . .

    – Por que gosta dele?

    – Emoção total. Um homem muito valente.

    Bukowski se identificava com Pergunte ao Pó porque enfrentou as mesmas desventuras do protagonista, Arturo Bandini. Tentava se lançar como escritor, morando num hotel barato no centro de Los Angeles, bebendo muito, comendo pouco. Só havia publicado um conto em 1944 mas, a partir de 1960, sua carreira decolou. Fazia questão de proclamar que os livros de Fante tinham salvado a sua vida. O editor de Bukowski ficou curioso e quis ler Pergunte ao Pó. Só havia um exemplar surrado na Biblioteca Pública de Los Angeles. Foram feitas fotocópias e o editor concordou com Bukowski: o livro era um “clássico”.

    Em janeiro de 1980, Pergunte ao Pó foi relançado pela Black Sparrow, seguido pela aclamação da mídia. “O Grande Romance de Los Angeles” foi uma das manchetes e, já em março, o Los Angeles Times afirmava que “um culto se formou em torno da longamente esquecida obra-prima de Fante”.

    Não só nos Estados Unidos, mas no resto do mundo, Pergunte ao Pó se tornou um livro cult da juventude, como O Apanhador no Campo de Centeio o fora para sucessivas gerações desde sua publicação em 1951. E ambos são cultuados até hoje. Impelida pelo sucesso do Pó, a Black Sparrow relançou obras esgotadas de Fante (Espere a Primavera, Bandini e O Vinho da Juventude) e lançou obras inéditas como O Caminho de Los Angeles, 1933 Foi um Ano Ruim e A Oeste de Roma. Além disso, publicou em 1982 um novo romance, Sonhos de Bunker Hill, que Fante, cego desde 1978, ditou para a mulher. Sofrendo de diabetes a partir de 1955, ele ainda teve de amputar uma perna, e morreu em 8 de maio de 1983.

    John Fante nasceu em Denver, Colorado, no dia 8 de abril de 1909, filho de imigrantes italianos. Não é preciso ler sua biografia para saber de sua família, infância e adolescência. Está tudo ali, em Espere a Primavera, Bandini, seu primeiro romance, lançado em 1938. A sequência natural, publicada no ano seguinte, é Pergunte ao Pó, que mostra o jovem escritor lutando para sobreviver num hotelzinho de Bunker Hill, em Los Angeles.

    Em 1933, John Fante já está esculpindo em palavras o seu alter ego Arturo Bandini. E começa a aparecer. Neste ano, o Los Angeles Examiner publica um artigo pitoresco sobre Fante: “Garçom de noite, autor de dia. Jovem de 22 anos prefere ser bom carregador de pratos a mau escritor. Primeiro romance vendido.”

    Outros jornais noticiam as vicissitudes de Fante no terremoto de Long Beach em 1933, que ele descreverá em Pergunte ao Pó: “ESCRITOR ENFRENTA DRAMA REAL. Drama real interrompeu a ficção quando o terremoto de Long Beach arremessou ao chão inconsciente John Fante, 21 anos, escritor de Hollywood, que estava à sua máquina de escrever”.

    Mais do que o perfil de um escritor, Pergunte ao Pó é uma história de amor desesperada entre o carcamano aculturado Bandini e uma mexicana selvagem, Camilla Lopez. O personagem foi calcado em Marie Baray, uma modelo mexicana que não só sustentou Fante, como cuidou da sua saúde quando ele estava na pior. Segundo ele, a maior parte do tempo “brigávamos como tigres, terminando nossa relação com uma briga amarga da qual nunca mais nos recuperamos.” Dois anos depois, Fante sai do impasse trágico Arturo-Camilla e conhece Joyce Smart, uma moça de boa família – boa até demais para o descendente de italianos filho de um pedreiro.

    Proibido de frequentar a casa, os dois costumam sair no carro de Joyce, uma pequena coupé Plymouth que ganhou da mãe ao completar 21 anos. É no carro que as coisas acontecem e é no carro que eles atravessam a divisa do estado de Nevada e se casam secretamente em Reno, em 1937. Mas o segredo é difícil de guardar e Joyce acaba deserdada, enfrentando um começo de casamento difícil com o escritor pobre. Ela lembraria depois: “A tensão subia a ponto de um de nós fazer as malas e se preparar para partir. Quando não brigávamos, fazíamos amor louca e entusiasmadamente — no chuveiro, no chão da cozinha, onde quer que nos desse vontade, até cinco vezes ao dia. Éramos verdadeiramente obcecados um pelo outro. Havia algo em John. Não conseguia sentir raiva dele. Quando olhava no seu rosto, eu me derretia.”

    Joyce ficou com John até o fim, 46 anos de um casamento em que – ao contrário do trágico epílogo de Pergunte ao Pó – o amor acabou triunfando.[/align]

    Fonte:
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  2. imported_Barbie

    imported_Barbie Usuário

    Eu li!!! Li "Pergunte ao pó, achei muita viagem, muito louco.

    John Fante fez uma mistura incrível ali...apareceram coisas que menos se espera.
    Bom, vou tentar traduzir isso: o início foi arrebatador, assim como Dostô nos prende em suas obras, no meio, o livro vira um estilo Saramago (catástrofe imaginária) e depois cai na modinha de Caco Barcellos. Não consigo dizer se gostei ou não por completo, me deixou em dúvida...é bom e ao mesmo tempo confuso...rs!

    Vou confessar, fiquei com a mesma vontade de escrever um livro, engraçado isso.
     
  3. imported_Barbie

    imported_Barbie Usuário

    Comentando mais...

    O prefácio já é intrigante...a mudança e transtorno que o livro faz na vida de Charles Bukowski é de se prestar atenção.

    No todo é um livro confuso, onde a confusão é feita na cabeça do nosso amigo Arturo Bandini, o qual tem uma vida solitária, rodeada de alucinações e seres imaginários (muitos ali achei que só houvesse na cabeça dele).

    Arturo de forma geral é um cara com aguçada auto-estima e arrogante. A arrogância de Arturo é tamanha que na oração que faz, pergunta se Deus já havia lido Nietszche (Fiquei boquiaberta nessa hora).

    Vive em um mundo que ele mesmo cria, tem claustrofobia e talvez por isso teve alucinações terríveis no terremoto (que para mim, foi imaginário).

    O livro mostrou um "quê" a mais qdo Arturo que se dizia honesto rouba o leite do conhecido de Hellfrick. Acredito que John Fante quis passar que todo ser é honesto até certo limite, a partir do momento que suas necessidades não estão ao extremo. Mas isso não é uma desculpa para tal transgressão, tanto que o castigo é imediatamente dado ao nosso personagem...Arturo roubou o leite que odiava, leitelho.

    Outro ponto interessante é a maneira como sempre tratava Camilla, o mesmo tratamento que citou que recebeu com seus amigos Parker, Smith e Jones, os quais o empurraram para os livros. Ele acreditava que tal tratamento corrigisse qualquer ser, mas isso no ponto de visto egocêntrico. Mesmo assim mostra-se sensível diante da vida de Camilla e do estado doentio de Sammy. No fundo ele era frágil e sensato.

    Em vários momentos nosso amigo nos mostra ser um perfeccionista, um medroso, um ser volúvel e que nunca termina aquilo que começa, vive num pé e noutro.
    [/b]
     
  4. imported_tales

    imported_tales Usuário

    Fante escreve de modo coloquial, assim como Bukowski. Não se assemelha ao Dostoiévsky, que escreve no estilo formal, muito menos ao Saramago, cuja construção gramatical é mais rebuscada. Nem é passível de menção a comparação com Caco Barcellos, cuja linguagem é descritiva. Dostô? Dá licença...
     

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