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John Ashbery.

Tópico em 'Autores Estrangeiros' iniciado por Mavericco, 22 Ago 2013.

  1. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Como ele tem muito pouco publicado em português, uma biografia em inglês é coerência:

    Antes mesmo de iniciarmos a discussão, vou apresentar alguns sites que encontrei com poemas dele:


    Agora vamos ao que de fato interessa: quem aqui já leu algo dele? Se não leram, os links aí em cima, eu sei, são poucos, mas podem dar uma ideia do Ashbery...

    Ele é considerando um dos grandes poetas estadunidenses ainda vivos. Isso, é claro, quando escreve bem. Pois, para muitos críticos, quando ele o faz, ele fica ao lado de Hart Crane e Wallace Stevens, nos dizeres do Harold Bloom.

    Não sei até que ponto os poemas que selecionei podem dar uma ideia de fato da poesia do Ashbery, pois ainda estou me iniciando no estudo de sua obra; de todo modo, estou lendo um livro que é um estudo tanto de sua obra quanto de um poema em específico que é ótimo:

    O poema que ela traduz é o Autorretrato num Espelho Convexo, um poema de mais ou menos 600 versos que é espetacular. Até onde sei, e tirando uma edição portuguesa com poemas do Ashbery, é o melhor que dá pra encontrar dele nessas terras. (Isso sem contar que ele faz um intertexto com uma de minhas pinturas favoritas :) )

    [hr][/hr]

    P.S.: Encontrei a tradução da Viviana Bosi Concagh pro poema do Ashbery:

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    , Estud. av. vol.11 no.30 São Paulo May/Aug. 1997.
     
    Última edição: 22 Ago 2013
    • Gostei! Gostei! x 2
  2. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Legal. De passagem (por causa do tópico) olhei uns livros de poesia americana contemporânea hoje lá na biblioteca e achei uns poemas dele em dois livros. Um deles de poesia "pós-moderna", mas eu acho esse meio estranho já que incluíram, por exemplo, o Ginsberg... (Por isso desconfio que a poesia do Ashbery não necessariamente seja pós-moderna). Depois vou dar uma olhada no Ashbery (mais um para a lista). E quantos prêmios, hein?
     
    Última edição: 22 Ago 2013
  3. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    É, aí tem todo aquele balaio de gato da pós-modernidade... E de fato eu não acho que o Ashbury seja tão pós-moderno assim. Talvez em alguns de seus poemas mais recentes, não sei. Esse Autorretrato mesmo, para muitos é um retrato pós-moderno, e isso pode até mesmo ser possível ou se for uma pré-pós-modernidade (!!) ou se aceitarmos que a crítica precisa reciclar os termos pra não parecer tão confusa. Afinal de contas, um poema de 1975 já não fala muito dos problemas de hoje... Por mais que em alguns casos ele seja bem contemporâneo:

    E sim, é prêmio pra caramba, né? Como disse, ele é queridinho do Harold Bloom... O que é por si só um prêmio, convenhamos.
     
  4. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Bem, terminei de ler o livro da Viviana Bosi. Como dito, é um ótimo livro e é uma introdução bem fidedigna à obra do Ashbery. Só é uma pena que Ashbery continua com aquela defasagem de publicações, o que sem dúvidas dificulta mesmo na hora de acompanharmos sua obra sob um espectro muito bem realizado.

    Dito pela Viviana, existe um volume português com traduções do Ashbery:

    Mas é uma edição dificilmente encontrável pelo leitor brasileiro. Assim, por exemplo, um poema como o Patolino em Hollywood, que me deixou bem encucado, não deu pra ser conferido e posto ao lado do Autorretrato... Sobre a análise, aliás, que a Viviana faz do último, dentre os vários pontos apontados, é de se destacar o fato do Ashbery partir da contemplação de um espelho convexo, ou seja, um espelho que aproxima virtualmente a imagem do espectador, para uma análise da sociedade contemporânea que, apesar do que disse posts atrás, é sim ainda muito contemporânea.

    Uma ideia que gostei bastante na argumentação dela é: o que caracteriza o espelho convexo é o fato dele retratar de modo "hiperreal" o centro (esse "hiperreal é por minha conta) e de forma deformada as margens, ou seja, ele mantém as características do centro e de tal modo que o centro parece pular pra cima do espectador, ao passo que nas margens a coisa é defasada: no quadro do Parmigianino, isso se vê de forma bem clara a partir da mão, e a mão é por si só um aspecto bem notável no processo de composição literária, visto que ela é a razão de existir dessa atividade. Seja como for, a metáfora maior do espelho convexo pode ser posta como ponto de análise para o fenômeno do contemporâneo, em que a hipertrofiação ou a hipervalorização do centro implica numa deformação das margens, e o próprio processo de construção poemático o atesta: a primeira parte do poema começa falando descritivamente do quadro, e, já na segunda parte, a atenção é quebrada:

    "O balão estoura, a atenção
    Desvia-se, lenta. (...)"

    E isso aí resulta numa dialética, pois o Ashbery sempre volta ao quadro do Parmigianino, mas esse movimento de retorno é um movimento de hiper-realização, de retorno hipertrofiado ao real, o que adquire uma carga muito irônica: a realidade povoa o poema de modo mais denso não exatamente quando o Ashbery fala de "(...) mesa, papéis, livros, / Fotografias de amigos, a janela e as árvores", mas quando fala do quadro do Parmigianino:

    "(...) Eu vejo nisso apenas o caos
    De teu espelho redondo que organiza tudo
    À volta da estrela guia de teus olhos que estão vazios,
    Nada sabem, sonham mas nada revelam."

    E isso já é, por si só, uma granada nas mãos daqueles que acham a arte contemporânea em excesso metalinguística... Oras: é como se o Ashbery dissesse que a metalinguagem é, pura e simplesmente, a forma mais poderosa de chegarmos justamente à realidade, mais ou menos como o Parmigianino encontrou, na reflexividade virtual de um quadro que retratasse o pintor se olhando num espelho convexo, a forma mais fidedigna de retratar a si mesmo -- isto é, retratar tudo o que uma mera imagem jamais poderia descrever, retratar, em suma, o que só a arte pode retratar.

    Enfim. Por ser um poema bem complexo, necessito de uma convivência maior para poder formular uma opinião mais bem elaborada; de todo modo, é uma obra-prima.
     
    Última edição: 7 Set 2013
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  5. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

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