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João Cabral de Melo Neto

Tópico em 'Autores Nacionais' iniciado por Excluído046, 12 Dez 2010.

  1. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Em 1999, sofri duas grandes decepções. A primeira, a morte do meu poeta preferido. E, a segunda, o fato de o meu time ter perdido a final do campeonato brasileiro.

    A segunda decepção, já superei. Mas a primeira... procuro pensar nela conforme a perspectiva de Guimarães Rosa, para quem "as pessoas não morrem, ficam encantadas".

    Talvez o termo "encantado" possa, de certa forma, ofender ao meu amado poeta, por isso, peço licença a Guimarães para substituir essa palavra, momentaneamente, por "incomunicáveis". Satisfeito, agora, poeta da comunicação? Não, o termo não é satisfatório, porque o imortal, que ocupou a cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras (cadeira que tem, como patrono, Tomás Antônio Gonzaga, o poeta de Marília) comunica-se conosco por meio de sua obra. Além disso, eu o chamei de poeta, o que não o deixaria satisfeito, embora ele tivesse essa pedra-palavra no seu encalço.

    João Cabral de Melo Neto nasceu no dia nove de janeiro de 1920 e faleceu no dia nove de outubro de 1999. Deixou-nos uma vasta obra poética, e fascina-me, desde sempre, pela lucidez de sua escrita, por aquilo que ele costumava chamar de "trabalho de arte".

    O poeta da enxaqueca defendia uma poesia pura, ou seja, que deveria ser destituída do que é acidental, anedótico; em suma, Cabral opunha-se à poesia de circunstância.

    É fato que a obra cabralina tem uma passagem pelo surrealismo, como podemos perceber em "Pedra do sono", mas o poeta fazia questão de ressaltar que era contrário ao automatismo da escrita. A poesia de Cabral, que, segundo o próprio, visava à comunicação, dialoga com Miró - "Miró não pinta quadros. Miró pinta" -, Mondrian, Valéry, Baudelaire (o poeta preferido de Cabral), Poe, dentre tantos outros.

    Dono de uma concisão estilística invejável, Cabral era adepto do lutar com palavras. Sua obra é dividida em duas águas (vertentes): a metalinguística e a social. Porém, esses limites não são tão petrificados, há poemas em que Cabral une a metalinguagem ao engajamento.

    Como aponta Antonio Carlos Secchin, ao falar sobre "Rios sem discurso" e "Tecendo a Manhã", a construção do percurso fluvial é, também, reflexão sobre o discurso da poesia; como em "Tecendo a manhã" não é preciso falar do social para que ele seja dito.


    Na Pedra do Reino, Suassuna entregou-me a Pedra do sono. Sonhei, e encontrei Os três mal-amados, que acabaram por me confundir com O engenheiro. Não satisfeitos com minhas explicações, baseadas em Poe, sobre a Filosofia da Composição, os mal amados obrigaram-me a teorizar a Psicologia da Composição. Senti-me como O cão sem plumas. Foi aí que avistei O Rio. Então, enveredei-me por Paisagens com figuras. Cuidado! Pensei, vai que eu me encontrasse com a indesejada das gentes? Ainda tenho muito para saber sobre essa minha Morte e vida severina. É preciso cortar os excessos da poesia. Lapidá-la com Uma faca só lâmina. Essa Quaderna, não Quadrilha, me lembra Dois parlamentos. Cheguei no Serial. Parei. Agora é hora da antilição, do silêncio, da dureza, da Educação pela pedra. Mas esse meu sonho é mesmo um Museu de Tudo. Vou até aprender com A Escola das facas e rir com o Auto do frade. Perdida por esses Agrestes, nem sabia do Crime na Calle Relator. Mas que bela Sevilha andando e Andando Sevilha. Já está na hora de alguém fazer Considerações sobre o poeta dormindo. Estaria Joan Miró pintando meus sonhos? A inspiração e o trabalho de arte são temas caros à Poesia e composição. Isso não escapa à Crítica literária. Podemos fazer tratados para falarmos Da função moderna da poesia, ou podemos falar sobre Como a Europa vê a América. Não falemos sobre o Elogio de Assis Chateaubriand. Tudo bem, falemos. Deixemos ressoar A diversidade cultural no diálogo Norte-Sul. E depois...
     
  2. Ponteiro

    Ponteiro Usuário

    Interessante o modo como você elencou os nomes de obras do Poeta Engenheiro. Admito que não conheço praticamente nada do que ele produziu, apenas aqueles números que todos podem tirar da Wikipédia ou o lance dele não ter ganho o Nobel de Literatura, mas uma 'indicação' como a desse tópico faz crescer a vontade de procurar mais coisas dele.
     

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