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Jair Bolsonaro e a Síndrome de Boromir na política

Tópico em 'Artigos Valinor' iniciado por Imrahil, 5 Out 2018.

  1. Imrahil

    Imrahil Kyknos kyknón

    Já faz alguns dias, vi a frase mais famosa do Faramir em “O Senhor dos Anéis” (a clássica sobre “não amar a espada luzente por sua agudeza, nem o guerreiro por sua glória”, mas “amar apenas o que eles defendem”) usada num meme do Bolsonaro. Achei curioso, porque, dos dois filhos de Denethor, é difícil associar o Capitão ao mais novo. Do meu ponto de vista, pensando em termos tolkienianos, o problema do candidato (um deles, ao menos) é sofrer de Síndrome de Boromir.

    Reparem: Boromir não é um vilão. Pode até ser considerado um herói trágico, segundo a tradição clássica. (Não sei se Bolsonaro tem as virtudes de Boromir. Se, como diz o Senhor, a boca fala do que o coração está cheio, parece que não, mas não sou Deus pra julgar o que está no coração do cara.) O problema do Boromir está muito claro no texto de “O Senhor dos Anéis”, no entanto:

    “A coragem precisa de força e, depois, de uma arma. Que o Anel seja vossa arma, se tem tal poder como dizeis. Tomai-o e avançai para a vitória!”

    Ou, na conversa fatídica com o Frodo:

    “É loucura não usá-lo, não usar o poder do Inimigo contra ele. Os indômitos, os impiedosos, apenas esses alcançarão a vitória. O que não poderia um guerreiro fazer nesta hora, um grande líder?”

    E então ele começa um monólogo sobre “muralhas e armas, e a reunião de homens; e fez planos para grandes alianças e vitórias gloriosas que viriam; e derrotou Mordor, e se tornou ele próprio um grande rei, benevolente e sábio.”

    A resposta do Elrond?

    “Ai de nós, não. (...) O mero desejo do Anel corrompe o coração.”

    Chamo a atenção de vocês para o ponto que me parece crucial: o desejo que move o Boromir é “mau”? NÃO! É perfeitamente legítimo (fora a parte em que ele, sem querer, usurpa o trono do Aragorn, mas deixa pra lá...). A questão são os MEIOS. A ideia de que é possível “derrotar o mal” na base da força superior, sem levar em conta as consequências do uso dessa força, é que “corrompe o coração”.

    E outra força corruptora poderosa é justamente a crença de que, estando disposto a ir até as últimas consequências para impor o “bem”, você não corre o risco de se transformar naquilo que está combatendo. É justamente o contrário: é quando você está nessa posição que você corre o maior risco imaginável.

    É essa crença “boromiriana” inabalável na própria bondade e justiça que vejo no Bolsonaro e numa parcela significativa de seus apoiadores. (Uma crença que, paradoxalmente, também está presente em muitos na esquerda.) O que eu sugeriria a eles (não me perguntaram, mas como alguns são meus amigos e outros são colegas fãs de Tolkien, digo assim mesmo): duvidem um pouco mais dos seus próprios motivos antes de agir. Se vocês acham que “sabem” o que fariam quando chegassem às Sammath Naur, é porque não se olharam direito no espelho.

    O paradoxo da política é esse: com frequência, a fé excessiva na própria virtude é que produz os males. Sujeitos levemente venais, mas que têm crença menos ferrenha na capacidade de produzir o bem absoluto, às vezes causam menos estrago.

    Um último ponto: acho difícil questionar o fato de que o centro de gravidade ético da obra de Tolkien é a compaixão. Poder sem compaixão é tirania. Independentemente de quem vença o atual certame, essa é a verdadeira prova dos nove.
     
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  2. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    @Imrahil você soube dizer muitas coisas que eu penso mas não sei expressar. Obrigado por compartilhar.
     
  3. Haran Alkarin

    Haran Alkarin Usuário

    Acho complicado querer enxergar relações tão próximas entre personagens de Tolkien e personalidades do mundo real. Seria o mesmo que fazê-lo com personagens da Bíblia. Sempre haverá uma dose de subjetivismo e arbitrariedade, do contrário não teríamos tantos cristãos interpretando a Bíblia de forma tão diferente e fazendo escolhas tão diferentes entre si. A verdade em obras como O Senhor dos Anéis é uma verdade de tipo simbólica, espiritual, que tende a escapar até mesmo a racionalizações, quanto mais a aplicações tão diretas à realidade.

    Mas se insistirmos por esse caminho, o que temos na obra? Temos Boromir querendo usar a arma do Inimigo para construir boas coisas com ela, mas colocado sob o risco de acabar se tornando algo parecido ao Inimigo. Bem, isso é um padrão bem genérico, com criatividade dá pra se encaixar muita coisa nisso...

    Um jeito de tentar diminuir a subjetividade é se perguntar: o que é o Anel? Isso foi objeto de discussão no tópico
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    , e a conclusão que chego é que o Anel é uma máquina de dominação (cujo modo de funcionamento é irrelevante para os contos):
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    Acho que o grosso da questão pode ser respondido rapidamente encarando o Anel simplesmente como uma máquina de dominação:

    Já o anel, vejo-o como uma desvirtuação desse caráter "artístico" para um caráter científico e tecnológico. Sauron ensina os elfos a fazer anéis (estes, parece-me, sendo feitos de uma técnica criada pelo próprio Sauron) e eles são criados aos montes, como tecnologias e não obras de artes que tem tiragem limitada, quando não única. Além disso, os anéis tem um caráter bastante tecnológico, quase de uma máquina (de um computador, em especial): Sauron consegue "invadir" (Sauron o hacker?) os anéis élficos mesmo sem nunca ter tocado neles, como um técnico que conhece e faz o que quiser com um determinado tipo de máquina de sua especialização.
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    É de se esperar que, sendo uma máquina de dominação tão poderosa, requeira do criador um grande depósito de "energia vital", naquele sentido que se diz que os elfos "colocam parte de si da criação". Fosse uma obra comum, como as Duas Árvores ou as silmarilli, isso implicaria em Sauron abrir mão dessa energia, que estaria retida para sempre na obra (ou, no máximo, poderia ser recuperada caso Sauron destruísse o Anel e tomasse a energia para si, assim como Yavanna quisera as silmarilli para reconstruir as Duas Árvores). Porém, pode ser que a energia seja tão grande, justamente por ser uma máquina tão singular, que Sauron não pudesse abrir mão dessa energia, caso o fizesse implicaria em sua destruição - então fez do Anel uma máquina de tal forma que essa energia fosse acessível a ele, como uma extensão de seu corpo. Então, embora Sauron tenha sim dividido sua energia entre seu corpo e o Anel, a vantagem é que o Anel é uma máquina que cumpre melhor seus objetivos.

    O funcionamento dessa máquina eu encaro mais como uma questão secundária - pode-se tentar explicar o funcionamento dessa máquina, se ele manipula o "elemento Morgoth", ou manipula os maus pensamentos de todos habitantes da Terra-Média, ou qualquer coisa que o valha, mas são respostas que pouco me agradam, afinal é uma "máquina mítica", seria o mesmo que tentar explicar o funcionamento das palantíri ou da Ferroada - a explicação encontra-se numa "ciência mítica" inacessível à lógica comum. O próprio Tolkien me parece pouco preocupado com isso, pelo menos enquanto escrevia O Senhor dos Anéis, e se posteriormente ligou o "elemento Morgoth" ao Anel, fora porque conjecturava mais sobre o elemento e a corrupção de Arda, e não sobre o funcionamento do Anel.

    No cenário brasileiro atual, qual seria a máquina de dominação que Bolsonaro e Haddad estão buscando? O poder através do Estado. "Ih, lá vai o cara querer enfiar Estado Mínimo em Tolkien, nada a ver, o Estado somos todos nós". Pois é, mas o próprio Tolkien parece subscrever uma forte aversão ao Estado, defendendo uma forma de "anarco-monarquismo":

    De uma carta para Christopher Tolkien 9 de novembro de 1943
    [No verão de 1943, Christopher, então com dezoito anos, foi convocado pela Força Aérea. Quando esta carta foi escrita, ele estava em um campo de treinamento em Manchester.]

    Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional”.

    Eu prenderia qualquer um que use a palavra Estado (em qualquer outro sentido que não o do reino inanimado da Inglaterra e seus habitantes, uma coisa que não tem poder, direitos nem uma mente); e, após uma chance de retratação, executaria todos se permanecessem obstinados! Seria muito melhor se pudéssemos voltar aos nomes pessoais. Governo é um substantivo abstrato que significa a arte e o processo de governar, e deveria ser uma ofensa escrevê-lo com um G maiúsculo ou usá-lo para se referir a pessoas.

    Se as pessoas estivessem acostumadas a se referirem ao “conselho do Rei George, Winston e sua turma”, isso ajudaria a desanuviar certas concepções e a reduzir a assustadora vitória esmagadora da Elescracia. Em todo caso, o estudo apropriado do Homem é tudo, menos o Homem; e o trabalho mais impróprio a qualquer homem, mesmo os santos (os quais, de qualquer maneira, ao menos relutavam em realizá-lo), é mandar em outros homens. Nem mesmo um homem em um milhão é adequado para tal, e menos ainda aqueles que buscam a oportunidade. E pelo menos isso é feito apenas a um pequeno grupo de homens que sabem quem é seu mestre.

    Os medievais estavam certíssimos ao considerar nolo efiscopari como a melhor razão que um homem poderia dar aos outros para que dele fizessem um bispo. Dê-me um rei cujo principal interesse na vida seja selos, estradas de ferro ou corridas de cavalos; e que possui o poder de mandar embora seu vizir (ou seja lá do que for que você queira chamá-lo) se não gostar do corte de suas calças. E assim por diante, o tempo todo. Mas, é claro, o ponto fraco de tudo isso — afinal de contas, apenas o ponto fraco de todas as coisas naturais boas em um mundo mau, corrupto e não-natural — é que só tem como funcionar e tem funcionado quando o mundo inteiro está bagunçado da mesma boa, velha e ineficiente maneira humana. Os briguentos e vaidosos gregos conseguiram derrotar Xerxes; mas os abomináveis químicos e engenheiros colocaram um poder tal nas mãos de Xerxes e em todas as colônias de formigas que as pessoas decentes parecem não ter qualquer chance.

    Estamos todos tentando fazer uso do toque alexandrino — e que, como a história ensina, orientalizou Alexandre e todos os seus generais. O pobre tolo imaginava-se (ou gostava que as pessoas imaginassem-no) como o filho de Dionísio, e ele morreu por causa da bebida. A Grécia que valia a pena salvar da Pérsia pereceu, de qualquer forma, e tornou-se um tipo de Hellas-Vichy, ou Hellas-Lutadora (que não lutou), falando sobre honra e cultura helênicas e prosperando com a venda dos equivalentes mais antigos dos cartões postais obscenos. Mas o horror particular do mundo atual é que toda a maldita coisa está num mesmo saco. Não há para onde fugir.

    Até mesmo os infelizes pequenos samoiedas, desconfio, têm comida enlatada e um auto-falante na aldeia contando histórias de ninar de Stalin sobre a democracia e sobre os malvados fascistas que comem bebês e roubam cães de trenós. Há apenas um único ponto brilhante, e esse é o crescente hábito de homens descontentes de dinamitar fábricas e estações de energia; espero que isso, agora encorajado como “patriotismo”, possa permanecer um hábito! Mas isso não causará bem algum se não for universal.

    Bem, até logo e tudo o mais para você, filho querido. Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não saberíamos, ou muito amaríamos, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção da água. Também temos ainda pequenas palavras para usar. “Eu não me curvo à Coroa de Ferro, nem meu cetrozinho dourado enterro.”2 Enfrente os Orcs, com palavras aladas, hildenáeddran (víboras-de-guerra), dardos mordentes — mas tenha certeza do alvo antes de atirar.

    (52) 1. Latim, "Não desejo me tornar um bispo". 2. Dois versos do poema não-publicado de Tolkien "Mythopoeia", escrito para C.S. Lewis.

    [3] Retirado de As Cartas de J.R.R.Tolkien, editora Arte & Letra, tradutor Gabriel Oliva Brum, o @Tilion do fórum.

    É divertido ver Tolkien parecendo um anarcocapitalista moderno, falando inclusive que quer prender e matar quem usa a palavra "Estado". :lol: Uma brincadeira, obviamente. Mas se ele estivesse aqui no Brasil de hoje, é capaz que, com esse trecho, ele saísse em uma matéria da Folha sobre o aumento da intolerância e radicalismo contra aqueles que têm visões diferentes.

    Logo após a crítica ao poder controlador e impessoal do Estado, ele utiliza a imagem de Alexandre, de um reino decadente, derrotando o grande poderio de Xerxes, mas ao final se orientalizando e decaindo de vez. Isso é bastante similar à imagem de Boromir, de um reino decadente, derrotando o grande poderio de Sauron, mas ao final se "sauronizando" (por usar o Anel) e decaindo de vez. Dessa forma, não parece tão forçado associar ao Anel algum tipo de poder estatal. Além disso, o "anarco-monarquismo" também está presente na estrutura política dos bons povos da Terra-Média. Especialmente no Condado, onde o Thain exerce um poder bem simbólico. Mesmo os reis de Gondor e Rohan parecem ter poucas funções, exercendo funções mínimas para o funcionamento do reino. Sequer impostos são mencionados nas obras, se me lembro bem.

    Alguém poderá falar que isso é inevitável em um épico de caráter medieval, afinal na Idade Média as monarquias exerciam menos funções se comparadas ao Estado moderno. Bem, Game of Thrones está aí para desmentir isso: os reis de G.R.R. Martin têm também um caráter medieval, mas é feita uma crítica bem direta ao poder demasiado dos reis e dos aristocratas, que oprimiriam seu povo com impostos e guerras inúteis. Dá até pra tentar extrair um ataque à desigualdade social e à opressão por parte dos privilegiados. Em Tolkien, por outro lado, as desigualdades são naturais e desejadas por Deus, sejam as desigualdades de caráter monárquico e aristocrático, ou mesmo as de caráter material (visíveis especialmente nos bolseiros do Condado). E naturalizar as desigualdades é uma definição clássica (
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    ) do que é direita política.

    Agora, das forças políticas aí presentes no cenário político brasileiro, evidentemente nenhuma delas será totalmente condizente com a visão "anarco-monarquista" de Tolkien, o próprio Tolkien admite que não é possível aplicá-la ao mundo como o temos hoje. Mas me parece evidente que tanto a direita conservadora quanto a direita liberal se aproximam mais desse espírito de pensamento do que a esquerda, especialmente no que diz respeito a busca pela redução do poder estatal, redução que se daria (entre outras coisas) através da subsidiariedade, isso é, fortalecimento dos municípios e redução do poder central. Liberal-conservadores monarquistas e tradicionalistas monarquistas parecem seguir ainda melhor a receita tolkienriana (os tradicionalistas, aliás, têm o mesmo ressentimento de Tolkien em relação a industrialização e urbanização desenfreadas, o que não é presente nos liberais e conservadores como um todo). Enfim, a equipe do Bolsonaro está comprometida em fazer um novo pacto federativo que visa privilegiar a subsidiariedade e reduzir o poder estatal... O alerta contra a tentação do Anel é sempre útil, mas é muito mais necessário à esquerda política do que a Jair Bolsonaro.










    Pegando um gancho no tópico, tem sido comum usar a frase de Gandalf...

    Muitos que vivem merecem morrer. Alguns que morrem merecem viver. Você pode lhes dar a vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém a morte, pois mesmo os mais sábios não podem ver os dois lados.​

    ...para criticar Bolsonaro. Uma crítica pode até ser feita sim, mas não é possível interpretar a frase tão literalmente e cair em um cenário em não é possível tirar a vida do mal-feitor em hipótese alguma, até porque em Tolkien há diversos trechos em que está presente uma certa legitimação da pena de morte:

    - Agora eu o tenho bem na mira - disse Anborn - Não devo atirar, Capitão? Nossa pena para os que vêm a este lugar sem permissão é a morte.

    (....)

    Gollum soltou o peixe da mão. - Não quero peixe. - disse ele.
    - O preço não está fixado no peixe - disse Faramir. - Apenas vir aqui e olhar para o lago acarreta pena de morte. Poupei-o agora por causa das súplicas de Frodo, (...)

    (...)

    Então digo a você - disse Faramir, voltando-se para Gollum - Você está sob uma sentença de morte; mas enquanto acompanhar Frodo estará livre, de nossa parte. Mas se alguma vez for encontrado por qualquer homem de Gondor sozinho, sem estar na companhia dele, a sentença será cumprida. E que a morte possa encontrá-lo depressa, dentro ou fora de Gondor, se você não lhe servir bem. (...)

    E o Rei disse a ele:
    — Beregond, através de sua espada o sangue se espalhou nos Fanos, onde isso não é permitido. Além disso, você abandonou seu posto sem a permissão do Senhor ou do Capitão. Por essas coisas, antigamente, a pena era a morte. Portanto agora vou pronunciar sua sentença.
    "Toda a pena fica remitida devido ao seu valor em batalha, e mais ainda porque tudo o que fez foi por amor ao Senhor Faramir. (...)"

    Lentamente Aragorn desafivelou o cinto e colocou ele mesmo sua espada de pé contra a parede. - Aqui a coloco - disse ele -; mas ordeno que não a toquem, nem permitam que qualquer outra pessoa ponha as mãos nela. Nesta bainha élfica está a Espada que foi Quebrada, e foi forjada de novo. A morte virá para qualquer um que brandir a espada de Elendil, a não ser o seu herdeiro.
    O guarda deu um passo para trás e olhou espantado para Aragorn. - Ao que parece, você chegou nas asas da canção, vindo de dias esquecidos - disse ele. - Será, senhor, como ordena.

    A guerra foi bem sucedida, e a ruína limitada à pequena (embora bela) região de Beleriand. Morgoth foi então de fato feito prisioneiro em forma física (9), e naquela forma tomado como um mero criminoso para Aman e entregue a Namo Mandos como juiz – e executor. Ele foi julgado, e eventualmente levado para fora do Reino Abençoado e executado: isto é, morto como um dos Encarnados. [Mitos Transformados VI]

    Logo, quando Eöl foi levado à presença de Turgon, não obteve misericórdia alguma. E o levaram até o Caragdûr, um precipício de rocha negra no lado norte do monte de Gondolin, para ali jogá-la do alto das muralhas escarpadas da cidade. E Maeglin estava presente sem nada dizer; mas no último instante, Eöl exclamou - Quer dizer que você renuncia a seu pai e a sua gente, filho desnaturado! Aqui você vai perder todas as suas esperanças; e que aqui você um dia morra a mesma morte que eu.
    Lançaram então Eöl do alto do Caragdûr, e foi esse seu fim. Para todos em Gondolin, isso pareceu justo, mas Idril se sentiu confusa e, daquele dia em diante, não mais confiou em seu parente. (...)

    Isso não é grande surpresa, já que a própria
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    . O padre mostra que a aplicabilidade da pena de morte é menor nos dias de hoje, mas a ideia em si é legítima. E se a pena de morte é legítima, também o é a morte em situações mais delicadas, em que o mal-feitor não está neutralizado e acaba inevitavelmente sendo morto no processo de neutralização.
     
    Última edição: 27 Out 2018
  4. Meneldur

    Meneldur We are infinite.

    Ahn, na verdade, recentemente (esse mês) a Igreja
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    , mudando de posição e afirmando que a pena de morte é sempre inadmissível.
     
  5. Haran Alkarin

    Haran Alkarin Usuário

    Interessante. Mas eu não diria que a Igreja mudou "de posição", apenas de texto e de direcionamento pastoral. O ensinamento é essencialmente o mesmo nos dois textos, o que difere é que o texto recente frisa a situação atual da aplicabilidade da pena de morte. Até porque os redatores atuais do catecismo não poderiam simplesmente contrariar a tradição de dois mil anos de Magistério.

    Nesse sentido, o novo texto do catecismo me parece de acordo com o vídeo que postei, que aponta que a pena de morte enquanto possibilidade é legítima, mas torna-se menos aplicável nos dias de hoje, na medida em que hoje há meios viáveis de apartar definitivamente o criminoso da sociedade. O texto anterior do catecismo era:

    O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de comprovadas cabalmente a identidade e a responsabilidade do culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.

    Se os meios incruentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana.​

    A "novidade" que o texto recente do catecismo reconhece é que, de fato, hoje "todos meios incruentos" bastam para "defender as vidas humanas contra o agressor (...)", então a pena de morte perde aplicabilidade no presente. Repare que o texto recente afirma que "foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes" e logo em seguida aponta que "Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível". Essa tendência já estava presente nos textos anteriores. E não significa que a pena de morte é "sempre inadmissível", a qualquer momento as condições podem mudar novamente e a pena de morte se tornar admissível, assim como fora admissível no passado. Portanto, não é que seja ilegítima a pena de morte enquanto tal, como uma leitura equivocada da fala do Gandalf pode levar a crer, e sim que, na presente situação penitenciária, não há motivos para aplicar a pena de morte.
     
    Última edição: 28 Out 2018

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