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Invocação de Eru

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Ecthelion ¥, 22 Abr 2005.

  1. Ecthelion ¥

    Ecthelion ¥ Usuário

    Olá a todos!

    Posto abaixo um texto elaborado por mim, que contém o meu ponto de vista em relação do porquê da invocação de Eru feita por Manwë diante do estopim da Guerra entre Númenor de Ar-Pharazôn e Valinor. espero que gostem, opiniem :mrgreen:

    -------------------------------------------------------------------------------------

    Da invocação de Eru por Manwë

    É dito n’O Silmarillion que ao ver as naus de Ar-Pharazôn desembarcarem em Tol Eresseä, para uma luta contra as hostes de Valinor, Manwë abdicou à sua posição de Regente de Arda e invocou Eru, o único, para resolver a situação.
    Manwë, quanto Regente de Arda, tinha a obrigação de construir Arda junto com os outros Valar para esta estar preparada para a chegada dos Primogênitos e dos Homens, as raças criadas por Eru, que seriam enviadas por ele para Arda, para lá habitarem.
    Conclui-se nesse ponto que, desde a preparação de Arda para a chegada dos Filhos de Ilúvatar e da luta insistente contra Melkor (que destruía os feitos dos Valar), os Valar já amavam os Filhos de Eru.
    Primeiro, a chegada dos Elfos, os Primogênitos. Logo, Oromë soou sua trompa e os guiou do Cuiviénen, onde despertaram, até Valinor, as Terras Imortais, onde viveriam pela eternidade. Manwë tinha total visão de seus atos dentro de Valinor, das Taniquetil abençoava os Primogênitos e seu amor por eles crescia.
    No entanto, Fëanor, filho de Finwë dos Noldor veio ao Mundo. Com ele, nasceu a ambição e o poder a flor da pele, apenas esperando uma ocasião para desabrochar. E essa situação chegou, com o roubo das Silmarilli, sua obra perfeita e do assassinato de seu pai, Finwë. Cheio de Ira, Fëanor convocou os Noldor a um juramento, onde sairiam de Valinor e iriam para o Leste onde se encontrava Melkor para fazer vingança.
    Sem o consentimento daqueles que o guiaram, daqueles que construíram um Mundo para eles, daqueles que ofereceram proteção contra o Lado Negro, Fëanor reuniu as hostes noldorim e começou sua viagem para o Leste.
    Manwë então entristeceu-se, pois dera tudo do melhor aos Primogênitos e eles apenas o ignoraram, como se ele fosse um carcereiro que os prendia. Claro, que Manwë e os outros Valar não foram totalmente abandonados, pois tiveram ao seu lado a hoste de Finarfin e o povo Vanyar, chefiado por Ingwë.
    Os anos se passaram, e finalmente vieram ao Mundo os Homens, Filhos de Ilúvatar. Abençoados com a mortalidade, suas vidas seriam breves no entanto faria de muitos daquela raça honrosos. Mesmo não tendo contato com os Homens, os Valar os amavam, simplesmente por serem mais uma obra d’O Único.
    A Guerra da ira então veio a ocorrer; e nela, Elfos e Valar selaram a paz entre si juntando suas forças para derrotar o Inimigo comum: Morgoth. As Três casas Edain lutavam ao lado de Valinor, mostrando lealdade e bravura, como todos os homens deveriam ser.
    Com o fim da guerra, e o sabor da vitória nos lábios dos Valar, Edain e Elfos, os Poderes de Arda fundaram Númenor. Ulmo ergueu terras do fundo do oceano e a transformou em uma ilha, onde os Edain poderiam ali viver.
    Esse homens eram leais e bondosos de início, com o Reinado de Elros e seus descendentes mais próximos. No entanto, os anos foram se passando e a linhagem honrosa de outrora foram se dissipando e o sangue leal e bondoso estava cada vez mais escasso no trono numenoriano.
    Ar-Pharazôn então, envenenado por Sauron, declarou guerra contra Valinor. O motivo, algo inadmissível: Invejava a imortalidade daqueles que naquelas terras viviam não entendo o conceito de mortalidade que Eru os havia imposto de início.
    Ar-Pharazôn então, montou o maior exército que Arda já viu e rumou em direção a Valinor, chegando primeiramente em Eresseä.
    E é nesse momento que Manwë renuncia a seu posto de Regente de Arda, e invoca Ilúvatar para resolver o problema. O motivo, será explicado nos parágrafos seguintes.
    Da primeira vez que houve uma “traição” de uma das Raças Filhas de Ilúvatar para com os Valar foi na época de Fëanor. No entanto, nessa traição, em momento algum aqueles Elfos envolvidos pensaram em atacar os Poderes; Queriam apenas liberdade. Uma rebeldia natural nas fases de amadurecimento de qualquer ser, e no caso uma raça. E os Valar entenderam, e por isso não lançaram sobre os Elfos suas tropas. Lançaram uma sina, que seria um castigo aos Noldor.
    No entanto, o que ocorreu em Númenor não ocorreu dessa forma. Naquela situação, os numenorianos, liderados pelo ambicioso Ar-Pharazôn queriam atacar e portanto matar os Elfos que viviam em Eresseä e Valinor. Queriam tirar a felicidade dos poderes. Queriam destruir uma Terra Sagrada.
    Manwë então se viu em uma situação delicada; Ou aceitava a Guerra contra aqueles que deveria oferecer proteção, ou cedia, deixando-os atacar. No entanto, foi sábio, lavando as mãos de seus poderes.
    Não queria atacar aqueles que foram o motivo para construirem Arda. Não queria atacar os Filhos de Eru. Não queria atacar o povo que outrora os ajudara em uma difícil batalha contra Morgoth. Enfim, um duelo contra um povo criado sob seu olhar não apeteciam a seu gosto.
    Ponderou então que se chamasse Eru Ilúvatar para intervir estaria entregando a responsabilidade para o Criador da raça, em outras palavras, para o Pai das crianças. O Pai tem direito de brigar com sua prole, tem direito de colocá-la em castigo se tiverem como objetivo final não o sofrimento de tal, mas sim a melhoria (no caso a purificação) de seu Filho.
    E assim fez Manwë diante da situação em que se encontrava.
     
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  2. Aldamar

    Aldamar Creating a shining future...

    Bom texto Ecthelion :)

    É isso o que eu penso também: Manwë não queria sujar suas mãos no sangue dos Filhos, então invocou Eru para decidir o que fazer, da mesma maneira que uma babá chamaria os pais da criança quando esta faz algo errado.
     
  3. Ecthelion ¥

    Ecthelion ¥ Usuário

    Muito obrigado :mrgreen:

    Foi exatamente essa a idéia que tentei transmitir com o texto.

    Até!
     
  4. Erúnamo Kalring ¥

    Erúnamo Kalring ¥ Templo do Conhecimento

    Maravilhoso, Echtelion. poucos textos mostram tanta clareza e lucodez a respeito do assunto, concordo plenamente com vc.
     
  5. Dyeison

    Dyeison Usuário

    Tri legal cara, Tri legal.
    Achei muito bala, e eu concordo, MAnwë não poderia guerrear contra os Homems, muito menos destruir Valinor, portanto, pediu a Erua que resolvessa a questão.
     
  6. Galadhir

    Galadhir Usuário

    Concordo com Kalring. Um texto maravilhoso. Parabéns pelo texto.
    Nunca havia conseguido analisar o assunto com muita clareza, mas, depois de ler seu texto....concordo com você.
     
  7. Shantideva

    Shantideva Adoro elfos ruivos!

    Parabéns Ecthelion ¥, gostei muito do seu texto, mas tem alguma partes que eu gostaria de fazer comentários, só algumas palavras que pra mim soaram de maneira estranha.

    Sem o consentimento daqueles que o guiaram, daqueles que construíram um Mundo para eles, daqueles que ofereceram proteção contra o Lado Negro, Fëanor reuniu as hostes noldorim e começou sua viagem para o Leste.

    Os elfos não precisava do consetimento de nehum Vala para saírem de Valinor, Eles não eram prisioneiros, como vc mesmo completou mais adiante, o que houve alí foi uma visão equivocada dos elfos Noldor, principalmente causada pelas intrigas que Melkor semeou.

    E os Valar entenderam, e por isso não lançaram sobre os Elfos suas tropas. Lançaram uma sina, que seria um castigo aos Noldor.

    Não acho que os Valar lançaram qualquer tipo de sina sobre os Noldor, apenas retiraram sua "benção" sobre eles. As palavras de Mandos não foram de lhe impor qualquer tipo de castigo, foi apenas uma "previsão" aquilo que aconteceria se eles insistissem na viagem à terra-média. O único castigo dos Noldor, foi imposto por eles mesmos, quando aceitaram seguir Fëanor e seus filhos após o juramento.

    Uma rebeldia natural nas fases de amadurecimento de qualquer ser, e no caso uma raça.

    Eu também encaro a atitude dos homens como uma rebeldia, e um processo de amadurecimento, e acho que os homens, assim como os elfos Noldor, tiveram seu discernimento turvado, dessa vez pela palavras de Sauron. Eu se que o que os homens fizeram foi muito mais grave que a atitude dos elfos, mas acho que aí, vc usou dois pesos e duas medidas, pra situações bem equivalentes, situações de rebeldia de dois filhos de um mesmo pai, dois filhos de natureza bem diferentes, se rebelando a sua maneira. Mas nos dois casos, tenho certeza que a lição foi aprendida.

    Bom, essa é a minha opinião. E mais uma vez, parabéns pelo texto.
     
  8. Ecthelion ¥

    Ecthelion ¥ Usuário

    Bem, eu vejo dessa forma pelo seguinte motivo: Por exemplo, você ficará em um hotel que a sua empresa pagará. Lá, eles te dão do bom e do melhor por vários dias, você não perde sua liberdade, podendo sair a hora que quiser. No entanto, quando você for sair do hotel, você geralmente vai e agradece as pessoas que ali te propiciaram uma boa estada. Confesso que me expressei mal neste trecho com a palavra "consentimento", deveria ter usado outro termo.

    Concordo com você nesse trecho, alterarei no texto :mrgreen:


    Obrigado pelas parabenizações :mrgreen:
     
  9. Ondon Rincewind

    Ondon Rincewind Usuário

    Rapaz, é um texto do Dan! Apesar de não participar do fórum mais, isso não diminui seu FANTÁSTICO texto.

    Rapaz, que grilo! :P
     
  10. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Me interessei bastante na parte do título sobre em que condições poderia ocorrer a invocação do poder de Eru.

    Certamente Manwë, semelhante aos outros Valar não conseguia se lembrar de 100% da música de criação. De sorte que nesses momentos ninguém mais nos círculos do mundo conseguiria enxergar com clareza as opções adiante e alguém que conhecesse a música completamente deveria ser chamado. Eru era então convidado a mostrar aquilo que suas criaturas não viam. Normalmente Manwë consultava Eru apenas em seu coração quando a questão era difícil, mas se a questão estivesse além do alcance de qualquer um nos círculos da criação não havia outra alternativa a não ser pedir em nome de tudo que existia.

    PS: Devia consumir bastante MP, hehehehe...
     
  11. Arien Sun

    Arien Sun Usuário

    Ecthelion ¥ estás de parabéns, e concordo com os apontamentos de Shantideva, os quais vc mesmo já comentou. O texto ficou bastante coerente e me fez analisar a questão mais a fundo...
    Congratulations :clap: :ueba:
     
  12. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Eu acho que os Valar entregaram o destino dos Numenoreanos a Eru por um motivo importante: Envolvia a alteração do mundo criado. Vejamos, enquanto Valinor e Eressëa existissem no mundo físico como um lugar a ser encontrado os homens invariavelmente iam ser tentados a procurá-las, isso era próprio da espécie humana após corrompida por Morgoth e tendo passado a ver a morte como um castigo e não como uma dádiva. Então o único meio era retirá-las definitivamente dos círculos do mundo para evitar que a tentação fosse forte demais aos humanos. E alterar a conformação original do mundo acredito que seja uma prerrogativa somente de Eru.

    Apesar dos Valar terem participado ativamente da criação e moldagem de Arda, alterar o plano original, ou a Partitura, já que falamos de música, cabia somente a Eru. O único Vala que alterou significativamente a obra por maldade e inveja, foi Melkor e isso resultou no desfiguramento de Arda só vindo daí desgraça e sofrimento.
    Portanto foi necessário que os valar abrissem mão do controle dos poderes do mundo para que Eru pudesse agir. Não acredito que tenham querido evitar sujar a mão com o sangue dos humanos, principalmente se isso representasse a vontade de Eru, bastava que ele se mostrasse resolvido e eles acatariam a sua decisão, ainda mais sabendo que todos os atos de Eru tem um objetivo maior, mesmo que incompreensíveis num futuro imediato.
     
    Última edição: 8 Jun 2009
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  13. Katrina

    Katrina Usuário

    Mas, isso não implicaria dizer que Manwë já sabia qual seria o desfecho da situação?

    Sou mais favorável a idéia que Eru foi convocado pois tratava-se de decidir qual seria o futuro de seus filhos, futuro esse que não caberia aos Valar decidir e sim ao criador de tudo.

    Quanto a existência "física" da Terras Imortais, bem, é possível acreditar que se não tivesse ocorrido a reconfiguração do mundo e as TI não tivessem sido retiradas dos círculos do mundo novos casos como os de Númenor poderiam ocorrer. Mas, persiste a dúvida também, afinal, os numenoreanos só tentaram chegar até as TI pois de certa forma tinham um maior conhecimento e uma maior "intimidade" com as TI.

    Agora supondo que tivesse ocorrido a queda de Númenor, mas não tivesse ocorrido a retirada das TI dos círculos do mundo...

    Será que os edain da TM (como conhecemos na 3° era) tentariam chegar na TI também?

    Será que seria necessária a destruição de reinos tais como Gondor e Rohan?

    Eru seria invocado novamente?

    Agora, mudando da água para o vinho, e tendo por base o texto do Ecthelion...

    Em quais situações seria possível imaginar a necessidade de uma invocação por Eru?

    :think:
     
  14. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Invocação no sentido de renúncia ao seu poder efetivo e clamando para que Eru assumisse o poder total sobre Eä. Mas temos um problema aí: em que situação crítica os Valar renunciariam a seu poder? Casos de incapacidade de diálogo, ou mesmo de forças, na iminência de uma guerra destrutiva e sangrenta que só resultaria em perdas, mortes desnecessárias, suor e dor.

    Eu me pergunto qual o 'norte' desse tópico? (Além da qualidade literária, até científica, do texto do Ecthelion, algo além da sua arte, do texto que ficou muito bom)

    1-descobrir os motivos da renúncia dos valar, ou em que casos essa renúncia seria válida (como uma generalização da vontade dos Poderes, que idéia ousada!)

    2-o que é um invocação? Renúncia em favor de Eru, demonstração do poder do Um, oração pela nova configuração do Mundo?



    :lol::lol::lol::lol::lol::lol::lol:Essa foi fodástica! Saudades do meu FFXII...
     
  15. Finarfin

    Finarfin Usuário

    Eu sempre achei Manwë um banana. Não só nessa ocasião como em muitas outras. Sentia demais e fazia de menos.

    Ah, e matar os Homens não era realmente um empecilho para Manwë. Na Guerra da Ira o exercito mandado por ele não matou apenas ocs.
     
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  16. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Uma bichona, como foi Davi, Jesus, Santo Agostinho etc. Não posso dizer que esteja desencantado com Tolkien mas estou em um momento bem mais apreciador das naturzas frtes, a lá Melkor, Sauron, Ungoliant.

    Posso excetuar os rohirrim, justos e bons, mas bem fortes, viris, vigorosos...
     
  17. Verdade! Concordo contigo Finarfin!
    Sempre preferi Ulmo, Tulkas, Melkor e até Yavanna e Mandos, ao invés de Manwë!
    Manwë pra mim é um moleque que tem ciúmes de Melkor poder se rebelar e ele não...
     
  18. cerbero_grecia

    cerbero_grecia Usuário

    Muito bom, porém o uso dos nomes gregos postados, tem um nome em outra mitologia, q eu acho q todos entenderiam melhor como por exemplo: Silmarillion, é na mitologia grega Poseidon e na Romana é Netuno.
    Mas mesmo assim ficou show de bola.
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    Hera: Deusa do Amor
     
  19. Almirante Ackbar

    Almirante Ackbar Usuário

    Como alguns já colocaram, Manwën não podia fazer nada além do que fez, se ele travasse guerra com Ar-Pharazon teria que dizimar Numenor, Sauron estava lá, influênciando as futuras gerações, isso já descarta a ideia de apenas se defender do ataque.

    Na verdade os próprios Valar tem uma parcela de culpa no Akallabêth, a dádiva de Eru para os homens foi a "morte" e prolongar isso causa tentação de ter mais vida. Posso dar uma explicação mais detalhada se quiserem.

    PS: Lembrando que esse não foi o único erro dos Valar, eles falharam com elfos ao lhes convocarem para Aman. A explicação está no próprio Silmarillion.
     
  20. Finarfin

    Finarfin Usuário

    Os Homens em sua origem tinham vida mais longa, e isso não nega a dádiva de Eru.
    O que ocorreu com os Numenorianos foi a restauração dessa vida longa, como uma recompensa por sua luta contra Morgoth, e também decorrência da mistura genética de várias raças, inclusive imortais, no caso dos reis.

    E essa alteração no tempo de vida só cabe a Eru, os Valar não têm poder sobre isso.
     

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