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Intertextualidade da música com a literatura

Tópico em 'Música' iniciado por Thorondir, 10 Fev 2009.

  1. Thorondir

    Thorondir Usuário

    Vou começar o tópico falando do artista que mais conheço, e vocês podem completar com outros casos que saibam.

    Chico Buarque tem várias intertextualidades em sua Obra. A começar pelo que é mais presente em seus trabalhos: Carlos Drummond de Andrade.

    Quadrilha (Drummond)

    João amava Teresa que amava Raimundo
    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
    que não amava ninguém.
    João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
    Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
    Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
    que não tinha entrado na história


    Em 1975, Chico Buarque e Paulo Pontes fizeram uma peça de teatro chamada "Gota d'água". Uma das músicas, que mais tarde seria gravada pro disco da Bibi Ferreira, chamava-se "Flor da Idade" e claramente trazia um diálogo com Drummond em um trecho.

    Flor da idade (trecho) (Chico Buarque)

    Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
    Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
    Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
    Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
    a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha


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    user rmboemer

    _

    Mais cedo, em 1968, Chico Buarque fez uma letra para Tom Jobim chamada "Sabiá". A música foi feita para o III Festival Internacional da Canção promovido pela Rede Globo, e, injustamente, sofreu uma vaia terrível ao vencer o festival. A intertextualidade dessa vez se dá com Gonçalves Dias. Vejam:

    Canção do Exílio (Gonçalves Dias)

    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá;
    As aves, que aqui gorjeiam,
    Não gorjeiam como lá.

    Nosso céu tem mais estrelas,
    Nossas várzeas têm mais flores,
    Nossos bosques têm mais vida,
    Nossa vida mais amores.

    Em cismar, sozinho, à noite,
    Mais prazer eu encontro lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Minha terra tem primores,
    Que tais não encontro eu cá;
    Em cismar –sozinho, à noite–
    Mais prazer eu encontro lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Não permita Deus que eu morra,
    Sem que eu volte para lá;
    Sem que disfrute os primores
    Que não encontro por cá;
    Sem qu'inda aviste as palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.


    O povo brasileiro, em plena Ditadura Militar, torcia para uma letra com uma crítica extremamente mais direta, chamada "Pra não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré. O que o povo não entendeu é que "Sabiá" também trazia uma crítica ao exílio.

    Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim)

    Vou voltar
    Sei que ainda vou voltar
    Para o meu lugar
    Foi lá e é ainda lá
    Que eu hei de ouvir cantar
    Uma sabiá

    Vou voltar
    Sei que ainda vou voltar
    Vou deitar à sombra
    De um palmeira
    Que já não há
    Colher a flor
    Que já não dá
    E algum amor Talvez possa espantar
    As noites que eu não queira
    E anunciar o dia

    Vou voltar
    Sei que ainda vou voltar
    Não vai ser em vão
    Que fiz tantos planos
    De me enganar
    Como fiz enganos
    De me encontrar
    Como fiz estradas
    De me perder
    Fiz de tudo e nada
    De te esquecer

    Vou voltar
    Sei que ainda vou voltar
    E é pra ficar
    Sei que o amor existe
    Não sou mais triste
    E a nova vida já vai chegar
    E a solidão vai se acabar
    E a solidão vai se acabar


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    user Tauil

    _

    Mais tarde, em 78, Drummond volta a aparecer na introdução de uma música de Chico, dessa vez com seu anjo torto.

    Poema de sete faces (Drummond)

    Quando nasci, um anjo torto
    desses que vivem na sombra
    disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


    A música "Até o fim" foi feita para o disco de 1978, popularmente conhecido como "Samambaia", quando a Ditadura começava a liberar músicas que antigamente haviam sido censuradas.

    Até o fim (Chico Buarque)

    Quando nasci veio um anjo safado
    O chato do querubim
    E decretou que eu estava predestinado
    A ser errado assim
    Já de saída a minha estrada entortou
    Mas vou até o fim


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    user nanata

    _

    Em 1969, retornando do auto-exílio da Itália, Chico teve sua primeira filha com a atriz Marieta Severo, a Silvia. Aqui Frederico Garcia Lorca aparece rapidamente.

    Romance sonâmbulo (F. Garcia Lorca)

    Verde que te quero verde.
    Verde vento. Verdes ramas.
    O barco vai sobre o mar
    e o cavalo na montanha.
    Com a sombra pela cintura
    ela sonha na varanda,
    verde carne, tranças verdes,
    com olhos de fria prata.
    Verde que te quero verde.
    Por sob a lua gitana,
    as coisas estão mirando-a
    e ela não pode mirá-las.

    [...]


    Declarado torcedor do Fluminense, Chico ganhou de presente do compositor Ciro Monteiro uma camiseta do Flamengo para a filhinha. Chico respondeu em forma de música:

    Ilmo. Sr. Ciro Monteiro (Chico Buarque)

    Amigo velho
    Amei o teu conselho
    Amei o teu vermelho
    Que é de tanto ardor
    Mas quis o verde
    Que te quero verde
    É bom pra quem vai ter
    De ser bom sofredor

    [...]


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    user fadochico

    _

    Também em 1969, Chico chama mais uma vez nosso Drummond.

    No meio do caminho (Drummond)

    No meio do caminho tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    tinha uma pedra
    no meio do caminho tinha uma pedra.

    [...]


    A canção da vez foi gravada pelo MPB-4 aqui no Brasil e pelo Chico lá na Itália.

    Cara a cara (Chico Buarque)

    Tira a pedra do caminho
    Serve mais um vinho
    Bota vento no moinho
    Bota pra correr

    [...]


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    user fadochico

    _

    Por último, acho que vale a pena destacar uma passagem de João Guimarães Rosa na obra de Chico. A música "Assentamento" cheira a Rosa, absolutamente. Prefiro que vocês ouçam ao invés de eu escrever o que cada passagem remete em Guimarães, porque ela é crivada de intertextualidade.

    Assentamento (Chico Buarque)

    Quando eu morrer, que me enterrem na
    beira do chapadão
    -- contente com minha terra
    cansado de tanta guerra
    crescido de coração


    Zanza daqui
    Zanza pra acolá
    Fim de feira, periferia afora
    A cidade não mora mais em mim
    Francisco, Serafim
    Vamos embora

    Ver o capim
    Ver o baobá
    Vamos ver a campina quando flora
    A piracema, rios contravim
    Binho, Bel, Bia, Quim
    Vamos embora

    Quando eu morrer
    Cansado de guerra
    Morro de bem
    Com a minha terra:
    Cana, caqui
    Inhame, abóbora
    Onde só vento se semeava outrora
    Amplidão, nação, sertão sem fim
    Ó Manuel, Miguilim
    Vamos embora


    É, na minha opinião, uma das mais bonitas do Cancioneiro Buarqueano, talvez por eu gostar tanto assim do Guimarães Rosa. :)

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    user fabonadio

    _

    Ufa, depois dessa, chega de Chico! [size=xx-small](ou não)[/size]
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  2. Alisson P.

    Alisson P. Usuário

    Muito bom o tópico, Tauil.
    Não sei se chega a ser interxtualidade, mas há uma música chamada Capitu, que foi gravada pela Ná Ozzetti, de autoria de Luiz Tatit, inspirada no enigma da personagem de Dom Casmurro.

    De um lado vem você com seu jeitinho
    Hábil, hábil, hábil
    E pronto!
    Me conquista com seu dom

    De outro esse seu site petulante
    WWW
    Ponto
    Poderosa ponto com

    É esse o seu modo de ser ambíguo
    Sábio, sábio
    E todo encanto
    Canto, canto
    Raposa e sereia da terra e do mar
    Na tela e no ar

    Você é virtualmente amada amante
    Você real e ainda mais tocante
    Não há quem não se encante

    Um método de agir que é tão astuto
    Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo
    É só se entregar, é não resistir, é capitular

    Capitu
    A ressaca dos mares
    A sereia do sul
    Capitã dos olhares
    Nosso tom tem tabu
    A mulher em milhares
    Capitu

    No site o seu poder provoca o o cio, o cio
    Um passo para o vício, o vício
    É só navegar, é só te seguir, e então naufragar

    Capitu
    Feminino com arte
    A traição atraente
    Um capítulo à parte
    Quase vírus ardente
    Imperando no site
    Capitu
     
  3. Anica

    Anica Usuário

    Tópico excelente, Tauil :sim:

    Minha contribuição (copiando um post lá do início do Hellfire):

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    Os Argonautas

    o barco, meu coração não aguenta
    tanta tormenta
    alegria, meu coração não contenta
    o dia, o marco, meu coração
    o porto, não
    navegar é preciso
    viver não é preciso
    o barco, noite no teu tão bonito
    sorriso solto perdido
    horizonte, madrugada
    o riso, o arco, da madrugada
    o porto, nada
    navegar é preciso
    viver não é preciso
    o barco, o automóvel brilhante
    o trilho solto, o barulho
    do meu dente em tua veia
    o sangue, o charco, barulho lento
    o porto silêncio


    Além, é óbvio, da menção ao mar (que é uma constante em Mensagem), fica claro o conteúdo sebastianista da letra, tal como acontece no livro de Pessoa. Só para comparar, aí vai uma poesia da segunda parte de Mensagem, Mar Português:

    Mar Português

    Ó mar salgado, quanto do teu sal
    São lágrimas de Portugal!
    Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
    Quantos filhos em vão rezaram!

    Quantas noivas ficaram por casar
    Para que fosses nosso, ó mar!
    Valeu a pena? Tudo vale a pena
    Se a alma não é pequena.

    Quem quere passar além do Bojador
    Tem que passar além da dor.
    Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
    Mas nele é que espelhou o céu.


    Como dá para perceber, ambos os textos falam sobre correr atrás dos sonhos, de não viver na letargia. Segundo o Marcelo, o Caetano em entrevista certa vez contou que ele com sua música queria ser o D. Sebastião do Brasil. É interessante isso, porque em nosso seminário foi levantada a hipótese de Pessoa ter a mesma intenção com Mensagem, já que ele deixa claro que quer resgatar as glórias de Portugal (dos tempos das navegações), através da cultura.

    Só para não deixar o negócio incompleto, D. Sebastião em Mensagem é apresentado tal como ficou conhecido pelo povo por conta da poesia do Bandarra, sapateiro que criou o mito de que D. Sebastião um dia retornaria para fazer de Portugal o Quinto Império.

    Além dessa conotação de resgate de glórias, D. Sebastião em Mensagem também representa a loucura como virtude. Na primeira parte, O Brasão, Pessoa além de colocar D. Sebastião nas Quinas (lugar reservado aos que representam a alma da nação), também termina o poema dedicado a ele da seguinte maneira:

    Ficou meu ser que houve, não o que há.
    Minha loucura, outros que me a tomem
    Com o que nela ia.
    Sem a loucura que é o homem

    Mais que a besta sadia,
    Cadáver adiado que procria?


    Como disse, é uma espécie de elogio à loucura. Seria essa loucura (aqui no sentido de meta impossível de conquistar, mas mesmo assim perseguida) que nos difereria dos animais e nos dá impulso para viver.

    ___
    Edit: "Marcelo" ali é Marcelo Sandmann, meu professor de Literatura Portuguesa na época. Esse cara é absurdamente foda. E eu tenho a política de não definir coisas como foda desde que alguém disse que "quem usa foda para definir algo é porque nunca teve uma boa trepada", mas com ele não tem muito o que dizer. Exemplo? Assistam esse video. Mas assistam mesmo.

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    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  4. Thorondir

    Thorondir Usuário

    Poxa, Anica, ter aula com esse cara deve ser ótimo! Gostei muito da poesia.
     
  5. Thorondir

    Thorondir Usuário

    Meu Mestre Maior, Tom Jobim tem uma parceria com Paulo César Pinheiro (outro craque) que também exala intertextualidade. Se vocês ouvirem essa música poderão notar a obra, principalmente, de dois grandes autores: Guimarães Rosa e Drummond. A obra também é dedicada a Mário Palmério, mas não o conheço para identificar.

    Vejam se conseguem notar.

    Matita Perê (Tom Jobim e Paulo César Pinheiro)

    No jardim das rosas
    De sonho e medo
    Pelos canteiros de espinhos e flores
    Lá, quero ver você
    Olerê, Olará, você me pegar

    Madrugada fria de estranho sonho
    Acordou João, cachorro latia
    João abriu a porta
    O sonho existia

    Que João fugisse
    Que João partisse
    Que João sumisse do mundo
    De nem Deus achar, Ierê

    Manhã noiteira de força viagem
    Leva em dianteira um dia de vantagem
    Folha de palmeira apaga a passagem
    O chão, na palma da mão, o chão, o chão

    E manhã redonda de pedras altas
    Cruzou fronteira de servidão
    Olerê, quero ver
    Olerê

    E por maus caminhos de toda sorte
    Buscando a vida, encontrando a morte
    Pela meia rosa do quadrante Norte
    João, João

    Um tal de Chico chamado Antônio
    Num cavalo baio que era um burro velho
    Que na barra fria já cruzado o rio
    Lá vinha Matias cujo o nome é Pedro
    Aliás Horácio, vulgo Simão
    Lá um chamado Tião
    Chamado João

    Recebendo aviso entortou caminho
    De Nor-Nordeste pra Norte-Norte
    Na meia vida de adiadas mortes
    Um estranho chamado João

    No clarão das águas
    No deserto negro
    A perder mais nada
    Corajoso medo
    Lá quero ver você

    Por sete caminhos de setenta sortes
    Setecentas vidas e sete mil mortes
    Esse um, João, João
    E deu dia claro
    E deu noite escura
    E deu meia-noite no coração
    Olerê, quero ver
    Olerê

    Passa sete serras
    Passa cana brava
    No brejo das almas
    Tudo terminava
    No caminho velho onde a lama trava
    Lá no todo-fim-é-bom
    Se acabou João

    No Jardim das rosas
    De sonho e medo
    No clarão das águas
    No deserto negro
    Lá, quero ver você
    Lerê, lará
    Você me pegar
     
  6. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Cara, esse é o melhor tópico que existe aqui nesse subfórum. Muito boa a idéia, ainda mais que a maior parte do que eu escuto tem de alguma forma a ver com literatura.
    Bom... vou deixar a minha contribuição também.

    A banda paulistana Dance Of Days, também tem muitos de seus trabalhos baseados em ícones literários. Diferente da maioria dos artistas, as referencias literárias ficam mais subliminares nas músicas, mas nem por isso deixam de ser interessantes ao ouvinte.
    Algumas comparações são:

    Corvos Do Paraíso
    Palavras mais palavras
    Malditas, desgraçadas...
    Outra vez jogadas contra o vento
    Tudo aquilo que senti
    Já não vale mais nada
    Agora que vejo o quão tolo foi acreditar
    Que o calor humano da revolução
    Jamais queimaria minhas mãos
    "Solidariedade proletária" escorrer
    Ver o sangue nas costas de meus irmãos...

    Agora que se contam corpos como grãos
    Com os mortos enterramos nossos ideais
    Como não alimentar
    O ódio em meu olhar
    Se a dor da traição aumenta cada vez
    Que lembro de teu discurso febril
    Escondendo a foice em teus olhos
    E me sinto tão usado, infantil
    E tão culpado, imundo, vazio, doente, imbecil
    Tudo por ter acreditado uma vez

    Que fala sobre a obra O Apanhador no Campo de Centeio

    Dorian
    Tantos motivos pra parar e
    Tantos motivos pra dizer que não
    Faz diferença estar bem

    Entre o corpo esquálido
    e o cálice vazio,
    entre os lábios rachados,
    entre as cinzas do que
    restou de ti frente a teus medos,
    do que contarás para teus filhos
    Entre o espaço dos dias
    que nunca se vão e o olhar
    deprimido frente a televisão
    trair tudo o que sentes se repete,
    quão mais tentes dizer
    saber que nao há

    Tantos motivos pra parar e
    Tantos motivos pra dizer que não
    Faz diferença estar bem

    "Por que me acordou?
    Por que me quer bem?
    Fecha a porta do meu quarto,
    não me importa ser exato
    no que desejei..."

    Narciso se olhou dentro de seus olhos,
    como se estivesse fora de seu corpo.
    Nunca se sentiu tão doente.

    "Estamos fora do ar
    temporariamente pois nossos
    transmissores estão em manutenção"

    Serei eu este anjo caído ao chão?
    Já não se parece mais comigo...
    Já não se parece mais Domingo.

    Mãe, diz que não foi nada...
    eu fui tão cego voando rumo a luz.
    Mãe, perdi minhas asas no fogo
    e agora meus braços sangram.

    Que tem refenrencias a história de Narciso e ao livro do Oscar Wilde O Retrato de Dorian Gray

    Nos Olhos de Guernica (Um Curto Verão em La Mancha)

    Que deixa claro a relação com o a história de Don Quixote

    Quem Vai Limpar O Quarto De Gregor Samsa?
    Não vou mais me levantar.
    Não vou mais tentar
    pois sempre acordo sem lembranças
    tentando dizer que nada mais vai me machucar.
    Nada mais vai me fazer acreditar
    ser capaz de mudar, então deixa amanhecer...

    Deixa outra vez sem saber porquê
    Deixa outra vez sem saber...

    Tentaram dizer que o garoto deveria viver
    sem lhe avisar que não lhe deixariam portas
    pra sair de seu quarto nem janelas.

    Não vou mais insistir.
    Não vou mais tirar de mim
    a maquiagem borrada
    e este gosto que não sabe parar.
    Não vou mais tentar fingir ser forte e sorrir
    quando nada mais me satisfaz...
    então deixa amanhecer...

    Deixa outra vez sem saber porquê
    Deixa outra vez sem saber...

    Tentaram dizer que o garoto
    deveria correr sem parar.
    Mas como correr se lhe arrancaram as pernas?
    Como escapar?

    Uma das músicas mais difíceis ed se fazer uma ligação com a obra literaria, pois além do título, não deixa muitas pistas sobre estar falando do livro A Metamorfose do Kafka
     
  7. Daniel Cowman

    Daniel Cowman Usuário

    Eu tinha pensado semana passada neste tópico, em criar mas fui adiantado de uma forma muito legal! Parabéns ae!

    Eu como fan assumido da Regina Spektor vou deixar algo dela aqui também. Algo que gostei muito dela são as referências a obras ou personagens, as vezes de forma breve e outras como próprio tema de suas canções.

    "Baobabs" (Pequeno Príncipe)
    You have tamed me
    Now you must take me
    How am I supposed to be
    I don't have my thorns now
    I feel them sprouting
    They'll grow right though if I don't watch it
    They'll grow right through even if I watch it
    And a sunset couldn't save me now

    These baobabs and baobabs and baobabs some more
    But you can't outwait fate

    And you have tamed me
    Now you must take me...
    taa-tt-ttaa-ttt-taa-tt-taake

    And I wouldn't raise my child inside this city anyway
    They grow up too savvy and they grow up too fast
    And they know about buying shit and they know about sex
    And they know about investment banking and also about brokerage firms
    And they know about the numbers and they know about the words
    And they know about the bottom line and also about stones
    And they know about careers and about the real deals
    And they all grow up and become people's people with people skills

    But you have tamed me
    Now you must take me
    How am I supposed to be
    I don't have my thorns now

    But you have tamed me
    Now you must take me
    How am I supposed to be
    I don't have my thorns

    Samson (Sansão e Dalila)
    You are my sweetest downfall
    I loved you first, I loved you first
    Beneath the sheets of paper lies my truth
    I have to go, I have to go
    Your hair was long when we first met

    Samson went back to bed
    Not much hair left on his head
    He ate a slice of wonder bread and went right back to bed
    And history books forgot about us and the bible didn't mention us
    And the bible didn't mention us, not even once

    You are my sweetest downfall
    I loved you first, I loved you first
    Beneath the stars came fallin' on our heads
    But they're just old light, they're just old light
    Your hair was long when we first met

    Samson came to my bed
    Told me that my hair was red
    Told me I was beautiful and came into my bed
    Oh I cut his hair myself one night
    A pair of dull scissors in the yellow light
    And he told me that I'd done alright
    And kissed me 'til the mornin' light, the mornin' light
    And he kissed me 'til the mornin' light

    Samson went back to bed
    Not much hair left on his head
    Ate a slice of wonderbread and went right back to bed
    Oh, we couldn't bring the columns down
    Yeah we couldn't destroy a single one
    And history books forgot about us
    And the bible didn't mention us, not even once

    You are my sweetest downfall
    I loved you first

    "Oedipus"
    I'm the king's thirty second son
    Born to him in thirty second's time
    Born to him the night still young
    Born to him with two eyebrows on
    And that's all I was wearing
    When I woke up staring at the world

    My mom had been a rather crazy queen
    But not at all a sex machine
    She liked to keep her body clean, clean
    Thought the world to be quite obscene
    But she retired to her chamber
    And we remain quite strangers

    And to see me made her awful sad
    And to touch me made her awful sad
    And to see me made her awful
    And to touch me made her awful

    I'm the king's thirty second son
    And all it took was thirty second's time
    But a spoiled little prince I was not
    Had a chamber maid and a chamber pot
    And there's thirty one others just like me
    There's thirty one others I can be

    Sometimes I'd stand by the royal wall
    The sky'd be so big that it broke my soul
    And i stood on my toes to catch a glimpse
    Of my mother's eyes and my mother's skin
    And she retired to her chamber
    And we remain quite strangers

    And to see me made her awful sad
    And to touch me made her awful sad
    And to see me made her awful
    And to touch me made her awful

    And one morning I woke up
    And I thought Oedipus, Oedipus, Oedipus, Oedipus
    Then one morning I woke up and I thought Rex, Rex, Rex
    Then one morning I woke up
    And I thought Oedipus, Oedipus, Oedipus, Oedipus
    Thirty two's still a goddamn number
    Thirty two's still counts
    Gonna make it count
    Gonna make it count
    Gonna oh oh

    Thirty two's still a goddamn number
    Thirty two still counts
    Gonna make it count
    Gonna make it count
    Gonna oh oh

    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the

    I'm the king's thirty second son
    There's thirty one others just like me
    There's thirty one others on the way
    There's thirty one others after that

    Sometimes I stand by the royal gate
    People screaming love and hate
    And they scream
    And they scream
    And they scream
    And they scream
    Long live the king,
    Long live the queen

    And to see me made her awful sad
    And to touch me made her awful sad
    And to see me made her awful
    And to touch me made her awful

    And one morning I woke up
    And I thought Oedipus, Oedipus, Oedipus, Oedipus
    Then one morning I woke up and I thought Rex, Rex, Rex
    Then one morning I woke up
    And I thought Oedipus, Oedipus, Oedipus, Oedipus
    Thirty two's still a goddamn number
    Thirty two's still counts
    Gonna make it count
    Gonna make it count
    Gonna oh oh

    Thirty two's still a goddamn number
    Thirty two's still a goddamn number
    Thirty two's still a goddamn number
    Thirty two's still a goddamn number

    Thirty two
    Thirty two
    Thirty two
    Thirty two
    Thirty two
    Thirty two
    Thirty two

    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king
    Long live the king

    Ao longo de suas canções ela faz referência a Fitzgerald, Hemingay, Ezra Pound, Shakespeare, Virginia Woolf e Margaret Atwood.


    Abraços! Fico devendo para depois alguns clipes!
     
  8. imported_Andréa

    imported_Andréa Usuário

    Uma das mais conhecidas:

    Monte Castelo
    Legião Urbana
    Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).

    Ainda que eu falasse
    A língua dos homens
    E falasse a língua dos anjos
    Sem amor, eu nada seria...

    É só o amor, é só o amor
    Que conhece o que é verdade
    O amor é bom, não quer o mal
    Não sente inveja
    Ou se envaidece...

    O amor é o fogo
    Que arde sem se ver
    É ferida que dói
    E não se sente
    É um contentamento
    Descontente
    É dor que desatina sem doer...

    Ainda que eu falasse
    A língua dos homens
    E falasse a língua dos anjos
    Sem amor, eu nada seria...

    É um não querer
    Mais que bem querer
    É solitário andar
    Por entre a gente
    É um não contentar-se
    De contente
    É cuidar que se ganha
    Em se perder...

    É um estar-se preso
    Por vontade
    É servir a quem vence
    O vencedor
    É um ter com quem nos mata
    A lealdade
    Tão contrário a si
    É o mesmo amor...

    Estou acordado
    E todos dormem, todos dormem
    Todos dormem
    Agora vejo em parte
    Mas então veremos face a face
    É só o amor, é só o amor
    Que conhece o que é verdade...

    Ainda que eu falasse
    A língua dos homens
    E falasse a língua dos anjos
    Sem amor, eu nada seria...


    Amor é fogo que arde sem se ver ...
    de Luís Vaz de Camões

    Amor é fogo que arde sem se ver,
    é ferida que dói, e não se sente;
    é um contentamento descontente,
    é dor que desatina sem doer.

    É um não querer mais que bem querer;
    é um andar solitário entre a gente;
    é nunca contentar-se de contente;
    é um cuidar que ganha em se perder.

    É querer estar preso por vontade;
    é servir a quem vence, o vencedor;
    é ter com quem nos mata, lealdade.

    Mas como causar pode seu favor
    nos corações humanos amizade,
    se tão contrário a si é o mesmo Amor?

    (Bíblia Sagrada) É no capítulo 13 da epístola que Paulo fala grandiosamente sobre o amor (em grego ágape) que, em algumas traduções, aparece com o vocábulo caridade:

    Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.
     
  9. Thorondir

    Thorondir Usuário

    Hoje, conheci mais um disco do sensacional Renato Braz, artista pouquíssimo conhecido. É a melhor voz masculina da atualidade, para mim. Tudo que ele faz é ótimo, o instrumental, os arranjos, as canções, o repertório, enfim.

    Em 2006, ele lançou seu último CD, o "Por toda a vida", com canções de Jean e Paulo Garfunkel. Uma das faixas fala da infância de Guimarães Rosa

    Menino quieto
    Deixa esse menino quieto
    Que é o seu jeito de ficar
    Quieto, brincando por dentro
    Brinquedo de imaginar

    Esse que a gente tá vendo
    Lendo, lendo sem parar
    Do avesso é bem travesso
    Tem talento pra voar

    Vai e vem a rede
    A varanda é o verde mar
    E um farol se acende
    Além de seu olhar

    Vira uma outra página
    Imagina o que virá
    Pensamento é vela ao vento
    Leva pra qualquer lugar

    Veja esse menino atento
    Todo assunto quer saber
    Se a linguagem dos insetos
    É difícil de aprender

    Construindo o mundo
    Com as pedrinhas do jardim
    Bem maior que tudo
    É o sertão sem fim

    Sabiá, sanhaço,
    Azulão, papa-capim
    Cantam no quintal da infância
    De João e Miguilim

    ps quem quiser baixar o disco (o Renato permite) acesse o blog www.umquetenha.blogspot.com e procure o nome "Renato Braz" na coluna da direita.
     
  10. Alan Pitrokvitch

    Alan Pitrokvitch Usuário

    Melhor banda do mundo pra mim, foi através das composições do Nenê Altro que comecei a gostar de literatura, leiam o livro dele, é bem nihiilista, mas é legal, mostra uma são paulo vista por baixo, uma temática que é bem ausente na nossa literatura.
     
  11. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Não mesmo!
    "Morte e Vida Severina", composta por Chico sobre poema de João Cabral de Mello Neto.
    Diz a lenda que o poeta não gostou quando soube que sua obra ia ser musicada, mas depois que viu o trabalho do Chico, virou fã.
    Também né? :pipoca:

    A letra:

    Esta cova em que estás, com palmos medida
    É a conta menor que tiraste em vida

    É de bom tamanho, nem largo, nem fundo
    É a parte que te cabe deste latifúndio

    Não é cova grande, é cova medida
    É a terra que querias ver dividida

    É uma cova grande pra teu pouco defunto
    Mas estarás mais ancho que estavas no mundo

    É uma cova grande pra teu defunto parco
    Porém mais que no mundo, te sentirás largo

    É uma cova grande pra tua carne pouca
    Mas à terra dada nao se abre a boca

    É a conta menor que tiraste em vida

    É a parte que te cabe deste latifúndio
    (É a terra que querias ver dividida)

    Estarás mais ancho que estavas no mundo
    Mas à terra dada nao se abre a boca



    E aqui um vídeo com a música, parte de um especial da TV Globo:

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  12. thiagobomfim

    thiagobomfim Usuário

    Videotape do Radiohead faz referências a famosíssima lenda de Fausto. Vai a letra aqui embaixo e o link para o vídeo no final.

    Radiohead - Videotape

    When I'm at the pearly gates
    This'll be on my videotape
    My videotape
    My videotape

    Mephistopheles is just beneath
    And he's reaching up to grab me

    This is one for the good days
    And I have it all here in
    Red, blue, green
    Red, blue, green

    You are my centre when I spin away
    Out of control on videotape
    On videotape
    On videotape
    On videotape

    This is my way of saying goodbye
    Because I can't do it fact to face
    So I'm talking to you before
    No matter what happens now
    I won't be afraid
    Because I know
    Today has been the most perfect day I have ever seen

    Vídeo no YouTube:
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  13. mandah

    mandah Usuário

    A música "A hora da estrela" do Pato Fu parece falar sobre o começo do final da Macabea, do livro da Clarice Lispector,
    quando ela está saindo da cartomante que lhe prometeu um futuro melhor, que muitas coisas boas vão acontecer com ela.

    A Hora da estrela
    Ela está pronta
    Pra mudar a sua vida pra sempre
    Já imagina
    Como tudo vai ser tão diferente
    E aquele lugar la na frente
    Vai ser seu

    Mais um minuto
    E tudo o que sonhou vai ser verdade
    Não há no mundo
    Quem não entenda a sua felicidade
    Que possa dizer com certeza
    Que o lugar é seu
    Que é de quem nasceu pra brilhar

    Uh, a hora da estrela vai chegar
    Uh, agora ninguém vai duvidar
    Não hoje, não mais
    Nem nunca, jamais

    Ela esta pronta
    Pra mudar a sua vida pra sempre
     
  14. LucasCF

    LucasCF Usuário

    O álbum do Pink Floyd, Animals, é baseado na Revolução dos Bichos, não é?
     
  15. Meia Palavra

    Meia Palavra Usuário

    Depois de fazer aquele artigo sobre a intertextualidade na obra do Chico Buarque, destacando alguns diálogos que suas composições fazem com obras literárias, resolvi expandir o horizonte e fazer outro abordando mais compositores, todos brasileiros. Faremos outro post só com música estrangeira. Aos que possam estar boiando, de acordo com o dicionário, “intertextualidade” é a relação entre dois ou mais textos.Vamos, então, à breve seleção:

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  16. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    essa vem do meu blog, se alguém quiser ver os links para as músicas, é só ver
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    .

     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  17. Ligéia

    Ligéia Odi et amo

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    Por isso eu tomo ópio. É um remédio
    Sou um convalescente do Momento.
    Moro no rés-do-chão do pensamento.
    E ver passar a Vida faz-me tédio.

    Estrofe retirada de Opiário de Álvaro de Campos e recitada no final da canção pelo vocalista Fernando Ribeiro.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  18. nanamft

    nanamft Usuário

    E intertextualidade com HQ? Pode?

    Lembro que, logo que li o
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    do Sandman, da editora Panini, pensei: "Ah tá... finalmente entendi aquela música da Luiza Possi" :timido:

    Olha só a parte do quadrinho:

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    E a música:


     

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