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Insônia I (apenas um fragmento)

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Daisy_Lee82, 3 Jul 2009.

  1. Daisy_Lee82

    Daisy_Lee82 Humano, Demasiado

    Insônia I (fragmento)

    (...) Vela seu sono. Passa as unhas pelas costas dele, estrategicamente, sem acordá-lo. Persegue a força de seu arrepio. Por mais que pareça loucura, prefere estar ali a qualquer outro lugar do mundo – mesmo traindo a si mesma, mesmo sendo desonesta e obscura.

    Sente o cheiro adocicado de seus longos cabelos; desliza as unhas vermelhas pelos seus músculos cansados. Beija-lhe a pele como se quisesse tomar para si um pedaço de sua carne – um troféu. Não há como reparar o mal, tudo vibra por estar ali. Já está feito. E por mais que pense no que fez, ela não fraqueja – nem se quisesse seu corpo obedeceria. Está onde quer. Treme ao sentir o gosto doce de sua pele. Treme e, sem acordá-lo, vira-o para si. Desliza a mão que ferve por todo o seu corpo. Por onde andara esse corpo? Analisa os vestígios que traz; cicatrizes, não alcança nenhuma com seu olhar. Passa seus lábios, quase sem encostar, nos lábios dele – imóveis e igualmente cansados. Ela - alerta, febril, vibrante - explora-lhe o abdômen com os lábios, com um cuidado incisivo, felino – e, desta forma, antes de tudo, vela seu sono. Quer este momento só para si.

    ...

    Parte em busca daquilo que lhe dá sede. Não se importa mais se ele irá acordar, se o assustará. Ela é mulher, e toda mulher deveria render-se a própria vontade, deixando as trivialidades, o mundinho da atual mediocridade feminina de lado, e partir em busca de seus instintos perdidos. A língua é um prolongamento de seu coração, que lateja, retirando-lhe, aos poucos, o ar de seus pulmões. E numa dança hipnótica perde-se, em movimentos, ora regulares, ora em contraponto.

    ...

    A penumbra da noite fresca - inebriada pelo vento brando que vem de longe - é cortada pelo olhar lascivo daquele que antes dormia, agora mero observador – não fosse pela força que se projeta dentro de seu corpo. E, antes que pudesse ousar qualquer movimento, seu corpo já havia sucumbido - caiu de muito alto mesmo sem jamais se mexer, lançando sua consciência para longe. Contorcia-se plenamente. Está onde sempre quis estar.

    ...

    Ela também o observa, com olhos de gato, sem se importar em explicar-se. Por alguns segundos, atem-se a cena que causou, com estranha curiosidade. Sorri sutilmente, levanta-se e caminha, rumo a solidão da noite insone.

    (2008)
     

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