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Indo ao mercado

Raphael_Dias

Usuário
Um homem se aproximou de mim na rua
me pedia dinheiro
mas não podia ajudar
até tinha alguma coisa, mas nenhum trocado
estava a caminho do mercado
talvez o ajudasse na volta
se o visse
procurava o setor de bebidas
encontrei
em algum lugar uma criança chora
isso me irrita
Jack Daniels está em promoção
mas ainda não posso pagar
beberei vinho do porto, então
já não escuto mais a criança
preciso comprar mais alguma coisa
espero que não
talvez escreva alguma coisa
quando chegar em casa
o vinho deve ajudar
por que a mulher do caixa me olha
como se fosse culpa minha ela trabalhar domingo a noite?
Não vi aquele homem novamente
mas no ponto de ônibus
estava um cara suspeito
seguro minhas chaves e a garrafa para me armar
caso ele avance
nada acontece
devo estar paranoico
não deveria reagir de qualquer forma
não me sinto bem
não sei porque
vou beber esse vinho
para melhorar
amanhã trabalharei de ressaca
 
posso parecer radical
mas concordo com o ariano suassuna
qdo ele diz q isso
q vc fez
ñ é poesia.

vc comunicou 1 fato por escrito
cortando em linhas as orações
mas isso ñ torna o seu texto
poesia.

ñ encare como uma crítica a vc
antes só uma constatação
óbvia
d leitor.
 
Pois então.

Concordo com o JLM, mas já discuti isso demais no Orkut, em comunidades de poetas, e me dá uma preguiça infinita só de pensar em começar tudo de novo.
 
O único jeito de fazer poesia de verdade é se a página em branco fosse um espelho de mim,quando coloco as letras só forma uma visão embaçada do que penso.Também acho que ficar procurando por uma perfeição métrica corrompe muito com a idéia.
 
O único jeito de fazer poesia de verdade é se a página em branco fosse um espelho de mim,quando coloco as letras só forma uma visão embaçada do que penso.Também acho que ficar procurando por uma perfeição métrica corrompe muito com a idéia.
há uns dentre a humanidade q, diferente d nós, conseguem ñ só superar estas limitações, mas tb usar & abusar da perfeição métrica como se ela fosse uma simples ferramenta d trabalho. a estes chamamos poetas.
 
Realmente, não sei nada de estrutura poética. Provavelmente o que eu faço nem possa ser considerado poesia, mas é terapia pra mim.
Pretendo me preocupar mais com isso no futuro, ou talvez não leve jeito pra coisa.
 
Realmente, não sei nada de estrutura poética. Provavelmente o que eu faço nem possa ser considerado poesia, mas é terapia pra mim.
Pretendo me preocupar mais com isso no futuro, ou talvez não leve jeito pra coisa.
eu ñ diria tto, meu caro. é só vc sempre pensar q há oq melhorar e praticar aquilo q aprende zilhões d vezes. e procurar aprender com os mestres q vieram antes, ñ desfazendo-os sem entendê-los. ah, e eu já passei da fase da terapia, hj to na fase q a escrita é puro tesão mesmo, hehehhe.
 
Um poema em prosa se for fundamental a classificação do mesmo. Charles Baudelaire escreveu vários pequenos poemas em prosa. Continue a escrita (indo ao mercado) e cada vez mais aprimore a sua poética.
"Canto de Sabiá não é pra ser compreendido. É pra ser amado." O mesmo vale para a poesia. Um abraço!
 
Mas no caso do Baudelaire os poemas em prosa ainda assim são poesia, como muitos outros do nosso Cruz e Souza (alguns inclusive verdadeiras obras-primas), ou passagens do Livro do Desassossego (principalmente da primeira fase). O mesmo ocorre com alguns poemas que, apesar de serem escritos em verso, acabam caindo no campo da prosa, como alguns do Alberto de Oliveira.

É um terreno um pouco espinhento esse do que é prosa e o que é poesia, pois não bastaria simplesmente constatar o que está em verso ou o que está em prosa (e o próprio termo "prosa" confunde bastante)... Acho que no caso da poesia do camarada Raphael o que houve é que o poeta não buscou "interpretar" ou, mais corretamente, "decodificar" o ambiente na visão de um "eu poético": o que ele fez foi relatar as coisas sem passar por esse decantador que é fundamental para a existência da poesia. Como o próprio JLM disse, isso não diminui o valor do texto; apenas muda sua acepção existencial. O que pode danar um pouco nesse caso é o fato do texto estar escrito em primeira pessoa, o que tende a uma confusão entre as figuras do eu lírico e do narrador; o que danaria ainda mais seria o fato de que, se fosse colocado no campo da prosa, esse texto sem sombra de dúvidas é um utilizador do fluxo de consciência, o que embaralha ainda mais a visão e a impessoalização do artista na figura do narrador...

Mas a verdade é que, pelo menos no meu caso, as exiguidades teóricas me impedem de uma análise mais profunda. Assim, analisando o texto em si, não pude deixar de notar uma semelhança do começo do poema com o começo de outro do Álvaro de Campos:

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).
 
acabei d assistir ao documentário só dez por cento é mentira, sobre a biografia do poeta manoel d barros, e lembrei d outra característica + importante na poesia q a métrica ou os padrões formais: a sensação d encantamento q as palavras transmitem. manoel nunca escreveu uma rima ou verso e é 1 dos maiores poetas brasileiros vivos. claro, se o texto silencia a voz do leitor, pode apostar q está no caminho certo. senão, como poderíamos chamar d poemas as frases abaixo? lembrei tb do quintana q fazia a mesma coisa, encantava.

A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.”
 
Realmente, não sei nada de estrutura poética. Provavelmente o que eu faço nem possa ser considerado poesia, mas é terapia pra mim.
Pretendo me preocupar mais com isso no futuro, ou talvez não leve jeito pra coisa.

Cara, o simples fato de você estar preocupado com sua poesia já é um bom indício. Complicado dizer o que é ou não poesia - é tipo pênalti, saca?

Mas gosto de pensar que a poesia é mais que uma expressão emotiva e não importa muito se está em verso ou não. O segredo está em algum lugar onde mora um rigor que a gente tem com a palavra. A aventura de imaginar (ou ao menos tentar) o limite que a palavra tem. Em verso ou não, rimando ou não... em algum lugar vai haver um rigor.

Nós não podemos - de maneira nenhuma - deixar de olhar quem veio antes e quem está aí. É preciso ler bastante e nem supor que a coisa sai "do nada". É antes fruto de truques que se aprendem, de um rigor.

Ahhhhh.. também acho que o que escrevo não vale cocô de mosquito.
 
Não esperava nem metade desses comentários, muito obrigado pelas críticas e sugestões, vou pensar em tudo isso nas próximas.

Cara, o simples fato de você estar preocupado com sua poesia já é um bom indício. Complicado dizer o que é ou não poesia - é tipo pênalti, saca?

Mas gosto de pensar que a poesia é mais que uma expressão emotiva e não importa muito se está em verso ou não. O segredo está em algum lugar onde mora um rigor que a gente tem com a palavra. A aventura de imaginar (ou ao menos tentar) o limite que a palavra tem. Em verso ou não, rimando ou não... em algum lugar vai haver um rigor.

Nós não podemos - de maneira nenhuma - deixar de olhar quem veio antes e quem está aí. É preciso ler bastante e nem supor que a coisa sai "do nada". É antes fruto de truques que se aprendem, de um rigor.

Ahhhhh.. também acho que o que escrevo não vale cocô de mosquito.

É por isso que eu tenho uma pilha de livros para ler ainda, ver se aprendo alguma coisa com os mestres, mas é foda ter tempo, trabalhando, depois indo a faculdade e em época de tcc pra melhorar.
Realmente nunca vi um escritor amador ou até alguns profissionais, por melhor que fossem, que gostassem dos próprios trabalhos. Estou escrevendo faz um mês um conto envolvendo um casal jovem que descobriu que a criança que eles estão esperando é anencefálica. Cheguei a terminar ele uma vez e até gostei dele por uns cinco minutos, mas decidi fazer tudo de novo. Agora estou travado num diálogo deles com o padre da cidade há uma semana, já reescrevi três vezes aquela porra.
 
Estou escrevendo faz um mês um conto envolvendo um casal jovem que descobriu que a criança que eles estão esperando é anencefálica. Cheguei a terminar ele uma vez e até gostei dele por uns cinco minutos, mas decidi fazer tudo de novo. Agora estou travado num diálogo deles com o padre da cidade há uma semana, já reescrevi três vezes aquela porra.
faça como eu, se quiser saber se tá bom ou ñ posta aqui na seção prosa. certeza dq vai ter mta gente apontando oq gostou e oq ñ gostou, e daí vc pode usar esse feedback a seu favor, vendo como os leitores reagem aos trechos do seu texto e se essa reação era a q vc queria provocar. leitores-beta são importantes e aqui vc tem um monte deles, e d graça!
 
Claro, sempre existem exceções. Além de muitas vezes a desaprovação pelos próprios trabalhos ser na verdade uma falsa humildade não intencional, uma barreira psicológica usada para suavizar as inevitáveis críticas negativas (o velho, "nem eu gostava desse texto, que dirá os críticos...").
 
faça como eu, se quiser saber se tá bom ou ñ posta aqui na seção prosa. certeza dq vai ter mta gente apontando oq gostou e oq ñ gostou, e daí vc pode usar esse feedback a seu favor, vendo como os leitores reagem aos trechos do seu texto e se essa reação era a q vc queria provocar. leitores-beta são importantes e aqui vc tem um monte deles, e d graça!

Pretendo fazer isso assim que eu terminar de reescrever a parte que eu estou trabalhando agora e conseguir avançar mais na história. O bom é que eu já tenho ela planejada do começo ao fim.
 

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