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Ian Mcewan

Tópico em 'Autores Estrangeiros' iniciado por Sonífera, 2 Dez 2014.

  1. Sonífera

    Sonífera Usuário

    Queria saber se o pessoal por aqui já ouviu falar de um dos meus escritores contemporâneos favoritos!?
     
  2. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

  3. Sonífera

    Sonífera Usuário

    Nossa, desse título eu não estava sabendo ainda... semana passada terminei Amsterdam, e estou esperando a chagada de Na Praia ansiosamente!
    Com certeza vc já deve ter lido Reparação, mas e Serena?
     
  4. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    Serena é meu segundo favorito :grinlove:

    Gostei bastante de Amsterdam também, embora não tanto quanto de serena e reparação. Acho que o legal do McEwan é isso: mesmo que não seja um livro que você vá adorar como Reparação, ainda assim é ótimo, bem acima da média. sempre que estou em dúvida sobre o que ler, pego algo dele porque sei que não terá erro ^^
     
  5. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Traduzindo Ian McEwan
    21 de Junho de 2018 às 12:25
    por Jorio Dauster
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    O jardim de cimentofoi um caso realmente de amor à primeira vista, que só fez se fortalecer desde então à medida que eu trouxe para o vernáculo outros sete romances dele, correspondendo a mais da metade de sua produção nesse gênero. Quem sabe isso até me valesse uma menção no Guinness Book of Records...

    O jardim de cimento pertence à primeira fase do autor que, por conta de duas coletâneas de contos e de alguns outros romances, lhe valeu o cognome de Ian Macabro. De fato, é a história horripilante de quatro crianças que, após a morte em rápida sucessão do pai e da mãe, envolvem esta última num precário sarcófago de cimento e a depositam no porão da casa, tudo isso a fim de não serem mandados para algum asilo de órfãos. A circunstância de que os dois irmãos mais velhos desenvolvem uma relação incestuosa e de que a situação se deteriora com a chegada de um novo personagem, namorado da irmã, garantem que McEwan não pretende brindar o leitor com um luminoso final feliz.

    Em contraste e por acaso (já que verti livros novos e relançamentos), meu segundo McEwan,
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    , publicado em 2010, representou a maior incursão do autor na seara cômica. Conta a história de um ganhador do Prêmio Nobel de Física que tem uma vida amorosa complicadíssima e, já meia-idade, vê uma possibilidade de reafirmação como cientista apropriando-se das ideias de um colaborador que morre acidentalmente em sua casa. Os incidentes pessoais e profissionais vão se acumulando de modo frenético à medida que se aproxima a inauguração, no Novo México, da usina de energia solar que serviria para resolver os problemas ambientais da Humanidade – e o final é tipicamente lúgubre. O importante aqui é ver em pleno desenvolvimento a faceta de Ian McEwan como estudioso de questões científicas e o grau de preparação de seus romances, uma vez que Solar nasce de um encontro entre artistas e cientistas numa ilha próxima ao Polo Norte onde eles buscaram uma visão comum dos desafios do aquecimento global.

    O terceiro,
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    , foi publicado no Brasil em 2011, embora lançado em 1997. Num primeiro capítulo arrebatador, um balão se desprende de suas amarras e começa a deslizar desgovernado pelo campo, levando na cesta um menino e seu avô. Vários homens acorrem para segurar as cordas, mas não impedem que o balão suba aos céus levando apenas o garoto. O indivíduo que por mais tempo tenta evitar o desastre cai e morre, enquanto um dos sobreviventes, Jed, se apaixona pelo protagonista principal, Joe, que estava fazendo um piquenique idílico com sua companheira de muitos anos, Clarissa. A partir daí, Jed passa a assediar Joe alucinadamente, comprometendo inclusive o relacionamento de Joe com Clarissa. Amor sem fim reflete muito bem o crescente racionalismo de McEwan, tal como exposto nos artigos de Joe, enquanto as crescentes ameaças do monomaníaco correspondem a outra característica marcante do estilo de McEwan: o suspense, digno dos melhores romances policiais, com os momentos cruciais da trama em geral prenunciados por alusões sutis ou até simples mudanças do tempo. No caso do Amor sem fim, embora haja derramamento de sangue, McEwan curiosamente fecha o livro com um happy ending quase satírico e, à guisa de apêndice, um relatório psiquiátrico em que Jed é diagnosticado como sofrendo da Síndrome de De Clérambault – a convicção delirante de que alguém o ama apesar de rejeitá-lo. Qualquer semelhança com a introdução de Lolita não terá sido coincidência, pois McEwan é confessadamente um grande admirador de Nabokov.

    O quarto foi
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    , aqui publicado em 2012, dezesseis anos depois de seu lançamento. Dois grandes amigos – um famoso compositor e o editor de um jornal sensacionalista – fazem um pacto de eutanásia caso um deles venha a ficar mentalmente incapacitado como a ex-amante de ambos, recentemente falecida. A partir desta proposição simples, como é comum nas obras de McEwan a trama se complica de forma extraordinária e transforma o livro num thriller psicológico com resultados não surpreendentemente letais. Em Amsterdam encontramos duas características notáveis em quase todas as obras de McEwan: a presença da música, pois o autor é um flautista amador, e sua extraordinária capacidade de criar personagens tridimensionais, cujas personalidades vão se revelando de tal modo que, ao final, o leitor sente que conhece intimamente os protagonistas.

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    O quinto foi
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    , lançado concomitantemente no exterior e no Brasil em 2014. Fiona, uma respeitada juíza da vara de família e pianista amadora, está vivendo um crise existencial, ao entrar na meia-idade, e também conjugal, pois seu marido pede que ela lhe permita manter relações sexuais com uma mulher bem mais moça. Enquanto recusa o insólito pedido e põe o marido para fora de casa, Fiona é chamada a decidir se um jovem de menos de dezoito anos com leucemia pode ser obrigado a receber uma transfusão de sangue que o salvará da morte quando ele próprio e seus pais recusam tal tratamento por serem Testemunhas de Jeová. Os dilemas morais, religiosos e jurídicos envolvidos se complicam quando o jovem Adam, agora com a saúde recuperada e livre das obsessões religiosas, revela o desejo de viver com Fiona. O final inevitavelmente trágico desse imbróglio é vintage McEwan, porém a intensidade emocional de cada acontecimento é tratada pelo autor com uma sutileza extraordinária. Interessante, neste caso, foi minha solicitação aos editores da Companhia das Letras para que McEwan propusesse outro título, pois eu não concebia que The Children Act fosse aqui vertido literalmente como Estatuto dos menores sem ir parar na seção jurídica das livrarias. E fomos todos os leitores brasileiros premiados com o belo título de A balada de Adam Henry.

    O sexto foi
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    , de 2016, também publicado ao mesmo tempo aqui e lá fora. Trata-se, pura e simplesmente, de uma releitura de Hamlet narrada por um feto, que acompanha angustiado as maquinações de sua mãe para matar o pai com a cumplicidade do amante (que é também seu tio). Poucos romancistas poderiam enfrentar tamanho desafio, porém McEwan, com uma riqueza de linguagem e atenção dos detalhes que aprendeu com Nabokov, produziu uma pequena obra-prima em que a essência da trama não está no “quê” (o assassinato já conhecido) nem no “porquê” (misto de cobiça material e lascívia), e sim no “como” e suas consequências. En passant, o livro também oferece as opiniões de McEwan sobre a evolução da poesia na Inglaterra, sendo ele um grande amante do gênero.

    O sétimo foi
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    , na verdade o terceiro romance de McEwan, lançado em 1987. Numa Londres distópica, acompanhamos a ida de Stephen e sua filha Kate de quatro anos a um supermercado no sábado pela manhã e as reações sufocantes do pai quando a menina desaparece enquanto ele paga as compras. O sequestro, jamais esclarecido, devasta a vida dos pais e seu relacionamento, levando à separação dos dois e à reclusão da mãe numa pequena casa de campo. A participação do pai num comitê que estuda normas de educação para as crianças do Reino Unidos, bem como sua amizade com um político que sofre um estranho processo de infantilização, permitem um amplo debate sobre os princípios que deveriam governar a formação de menores e, mediante conversas com a cientista casada com o político, sobre o conceito de tempo. Contrariando a tendência revelada nas obras anteriores, o desfecho emocionante de A criança no tempo está carregado de esperança. O livro, que contém substanciais elementos autobiográficos, inclui um episódio de realismo fantástico dificilmente compatível com o pensamento atual de McEwan: a caminho da casa de campo da mulher, o protagonista tem a visão angustiante de um casal, com roupas e bicicletas antigas, que discute alguma coisa num pub vazio. Em conversas posteriores com seus pais idosos, ele depreende que, décadas atrás, de fato houve uma amarga discussão naquele local entre os dois sobre a conveniência ou não de abortá-lo. No mundo real, as coisas se complicam ao sabermos que recentemente McEwan tomou conhecimento de que tem um irmão mais velho, pedreiro de profissão, que foi entregue para adoção quando bebê por ter sido fruto de um relacionamento adúltero entre seus pais quando a mãe ainda era casada com um militar que depois morreu na guerra.

    O oitavo é um lançamento mundial em homenagem aos setenta anos do autor, contendo um longo conto –
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    – e o libreto da ópera Por você, com música de Michael Berkeley.

    O conto é a história de um crime literário perfeito – e mais aqui não se dirá para não estragar o prazer do leitor em seguir passo a passo a diabólica urdidura que faz com que a vida de dois autores, amigos desde a juventude, sofra uma reviravolta espantosa. No entanto, todos os atributos do estilo de McEwan estão presentes de forma conspícua: a precisão da linguagem, a descrição detalhada dos ambientes, o desenvolvimento seguro dos personagens, a criação do suspense, a dose de crueldade, nesse caso combinada com uma estupenda falta de remorso. Mas é interessante notar que o conto foi escrito a pedido do curador de uma mostra em Milão, dedicada ao roubo de imagens em obras pictóricas, o qual desejava enriquecê-la com o relato de um roubo artístico sem culpa ou arrependimento. Ao se aproximar o prazo fatal para a entrega da encomenda, McEwan estava de cama, com febre, quando o conto lhe veio prontinho à cabeça, parágrafo por parágrafo, exigindo apenas que se arrastasse até o escritório para digitá-lo no computador. Outro dado interessante é que, no melhor estilo hitchcockiano, ele faz uma breve aparição na história como aquele “romancista escocês com jeito de inglês” cujo nome não é lembrado pelos protagonistas principais. Por fim, cabe recordar que McEwan já foi acusado de plágio com respeito ao tema de O jardim de cimento e algumas frases no romance Expiação, que ficou ainda mais famoso pela exitosa adaptação para o cinema.

    A ópera Para você foi discutida com Michael Berkeley durante muito tempo, finalmente se concretizando um quarto de século depois que ambos colaboraram num oratório pacifista intitulado Ou morreremos?. Ela tem como tema um compositor e maestro famoso, mulherengo obsessivo, em meio aos últimos ensaios para a première de uma nova composição. A figura arrogantemente odiosa faz lembrar o compositor de Amsterdam, que também se considerava um gênio, e seu fim trágico exibe semelhança com o destino de Don Giovanni, il dissoluto punito, na ópera bufa de Mozart. Uma empregada polonesa do maestro, que possivelmente sofria da síndrome de De Clérambault que havíamos conhecido no livro Amor sem fim, mata a mulher dele e o incrimina como assassino a fim de tê-lo, mesmo preso, só para si. Num gênero em que os personagens costumam ir para o Além graças a sortilégios, punhais ou venenos, McEwan, com seu espírito científico, certamente terá sido o primeiro libretista a usar para tal fim o desligamento dos sistemas de suporte de uma UTI.

    ***
    Jorio Dauster é um dos maiores tradutores do país. Nascido em 1937, entrou para o Serviço Diplomático em 1961. Foi embaixador junto à União Europeia de 1991 a 1999 e presidente da Vale do Rio Doce de 1999 a 2001. Foi membro do Conselho do Global Crop Diversity Trust (Roma), presidente do Conselho de Administração da Ferrous Resources do Brasil e compositor de sambas e marchinhas. Traduziu as principais obras de J.D. Salinger, Vladimir Nabokov, Ian McEwan e Philip Roth.

    Fonte:
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  6. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Esse do Jardim de Cimento me lembrou o tema do mangá "The God's Lie" lançado aqui no Brasil tocando um pouco sobre o império dos adultos sobre as crianças. A história do mangá é bem tocante é um volume só.

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    (Spoiler)

    Na história uma menina é abandonada pelos pais com o irmãozinho e um avô bem frágil em casa e quando o avô sofre um acidente ela o enterra no jardim para não que não os mandem para um orfanato nem atraiam o ódio da vizinhança.

     

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