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Grimnir

Well-Known Member
Usuário Premium
Realmente, até que se prove o contrário, ele foi eleito legitimamente todas as vezes. Além disso, os dados sobre pobreza, educação e desigualdade de renda estão no site do Banco Mundial ou no Factbook da CIA, de modo que é possível comprovar os ganhos da Era Chávez. Ao mesmo tempo, os dados sobre a produção declinante de petróleo e o desempenho fraco da PDVSA estão disponíveis pra quem quiser encontrá-los. O mesmo pode ser dito sobre a inflação e o câmbio. Ignorando qualquer questão sobre direita ou esquerda, os dados estão aí para serem interpretados. Se por um lado Hugo Chávez diz ser livre do imperialismo norte-americano, por outro quase metade das suas exportações (e o país depende muito delas) vão para os EUA.
 
Última edição:

Mercúcio

Usuário
A quem critica sem conhecer, deixo esse documentário irlandês premiado traz alguns elementos interessantes para pensar.
Até chegou a ser mencionado em outra discussão aqui, pelo Eriadan. Vale muito à pena assistir.

 
Última edição por um moderador:

Fúria da cidade

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Felagund todos governantes tem suas qualidades e defeitos.

Eu até gostava dele peitar os EUA e em vários aspectos o fez com boa razão de causa.

Só que eu não colocaria no mais alto pedestal alguém que queria tanto estatizar ao máximo a imprensa e os meios de comunicação (me fale aonde que isso é bom?), além de seguidas releeições.
 

Grimnir

Well-Known Member
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O vídeo não abre aqui no trabalho, mas em casa eu vejo. Só por curiosidade: É "A Revolução Não Será Televisionada"?
 

Kurt

El Doctor
Ai estão eles, os politizados de ocasião, para falar do que não sabem e vomitar asneiras sobre uma personalidade que conheceram apenas pelas mídias brasileiras. Aplausos a eles!

Chaves deixa a Venezuela sem nenhum analfabeto, com uma autoconfiança até então nunca vista naquela nação, que finalmente saltou de uma das nações mais miseráveis da América para um papel de destaque tanto no continente quanto no mundo.

A alegria dos despeitados é ridícula. Celebram a morte de um dos líderes mais populares da América Latina, de um líder que fez 12 (doze) plebiscitos desde sua primeira eleição, vencendo TODOS, mesmo assim a imprensa e opinião de pessoas que simplesmente nunca aceitarão um governo voltado para a pobreza insistiram em categorizar a Venezuela como uma "ditadura". Nada mais errado, nada mais burro, é puro mau caratismo.

Chaves vai embora deixando a mensagem que já vem a anos sendo dita na América: Não devemos nos ajoelhar perante os EUA. Não precisamos negligenciar nossa população, não precisamos alterar nossas prioridades por interesses externos, não precisamos nos submeter! Podemos crescer com autonomia, com liberdade, com união. Ingenuidade daqueles que pensam que isso não existe e que os EUA estão realmente preocupados com qualquer tipo de desenvolvimento no nosso continente, ingenuidade ou simplesmente ignorância.

Enfim, morre um dos centenas de homens que ousaram se levantar contra a maior nação do planeta, que ousou lutar contra todas as elites latino-americanas, que governou para a população mais carente, mais sem poder de seu país, que projetou uma forma alternativa de desenvolvimento regional que não fica atrelado unilateralmente ao capital norte-americano, enfim, morra um homem que viver e lutou

Ah, e quem ficou chateado ai com as avaliações dos posts negativas que eu dei a alguns, podem me dar karma negativos À La Vonté, dependendo de quem vier, me sentirei até elogiado por não gostar do que postei aqui.
E vou me retirar aqui desse tópico, não tenho paciência para ficar rebatendo bobagens sobre um recém falecido que virou alvo dessa opinião pública tosca que é a brasileira.

Gostei muito do seu post. Adorei, vou imprimir, emoldurá-lo e colocá-lo como um certificado no meu escritório.
Para todos que entrarem nele eu mostrarei o quadro e falarei para rezarem por você e mandarem panetone no natal.

Btw, é Chávez e não Chaves.
 

Felagund

Usuário
Gostei muito do seu post. Adorei, vou imprimir, emoldurá-lo e colocá-lo como um certificado no meu escritório.
Para todos que entrarem nele eu mostrarei o quadro e falarei para rezarem por você e mandarem panetone no natal.

Btw, é Chávez e não Chaves.

Você pode imprimir, emoldura-lo, e depois colcar onde você desejar =)
(Sorte sua não estarmos no Muquifo)

É brincadeira viu galera? :mrgreen:
 
Última edição:

Kurt

El Doctor
Você pode imprimir, emoldura-lo, e depois colcar onde você desejar =)
(Sorte sua não estarmos no Muquifo)

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Felagund, você cita várias melhorias para o povo Venezuelano.

Vamos fazer uma analogia com a versão brasileira da questão.

O Golpe de Estado de 1964 é uma das manchas mais negras da nossa nação.
Os militares trouxeram avanço em várias áreas, mas a que custo?
Meu pai foi preso e torturado pela ditadura, então eu posso não ser tão imparcial quanto deveria nessa análise.

Você fala de plebiscitos, mas esquece que estes podem muito bem ter sido forjados pelo governo, já que este controla tudo naquele país.
 

Neithan

Ele não sabe brincar. Ele é joselito
(Sorte sua não estarmos no Muquifo)

Sorte nada. Esse tópico lá ficaria muito mais legal.

Aliás, eu sou a favor do Muquifo ter uma versão só dele de cada tópico legal da Valinor. :rofl:

Enfim, sobre Chavez, não tenho o que falar, fãs dele existem ao monte. Mas, existem corintianos e petistas ao monte, o mundo possui muita gente estranha.

E de maneira ALGUMA foi uma indireta para o meu querido bro Felagund. :no:
 

Haran

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Esse discurso aí pode ser usado para defender qualquer nacionalista, populista e anti-capitalista:

Hitler deixa a Alemanha sem nenhum desempregado, com uma autoconfiança até então nunca vista naquela nação, que finalmente saltou de uma das nações mais quebradas da Europa para um papel de destaque tanto no continente quanto no mundo.

A alegria dos despeitados é ridícula. Celebram a morte de um dos líderes mais populares da Europa, de um líder que fez 4 (quatro) referendos desde sua primeira eleição, vencendo TODOS, mesmo assim a imprensa e opinião de pessoas que simplesmente nunca aceitarão um governo voltado para os trabalhadores insistiram em categorizar a Alemanha como uma "ditadura". Nada mais errado, nada mais burro, é puro mau caratismo.

Hitler vai embora deixando a mensagem que já vem a anos sendo dita no mundo: Não devemos nos ajoelhar perante o capitalismo estrangeiro. Não precisamos negligenciar nossa população, não precisamos alterar nossas prioridades por interesses externos, não precisamos nos submeter! Podemos crescer com autonomia, com liberdade, com união. Ingenuidade daqueles que pensam que isso não existe e que os capitalistas estão realmente preocupados com qualquer tipo de desenvolvimento no país, ingenuidade ou simplesmente ignorância.

Enfim, morre um dos centenas de homens que ousaram se levantar contra as maiores nações do planeta, que ousou lutar contra todas as elites capitalistas, que governou para a população trabalhadora, mais sem poder de seu país, que projetou uma forma alternativa de desenvolvimento regional que não fica atrelado unilateralmente ao capital estrangeiro, enfim, morra um homem que viver (sic) e lutou.​

Ou seja, pura retórica e frases de efeito panfletárias que podem ser usadas para defender qualquer coisa, feitas antes para agradar quem já tem simpatia por aquelas ideias do que para acrescentar algo para quem não tem. Como aliás é comum em grande parte dos posts que defendem algo semelhante - se eu por isso fosse karmear não faria mais outra coisa, seria como dar karma para Lindoriel por flood.

E por curiosidade, que 12 plebiscitos foram esses aí? De qualquer forma, ele não ganhou todos, perdeu um, o de 2007, onde propunha reformas constitucionais e perdeu.
 

Fëanor

Fnord
Lições de Hugo Chávez ao Brasil

Para quem quiser ler aqui no fórum mesmo, segue a matéria completa abaixo:

Lições de Hugo Chávez ao Brasil

Morreu o menino caudilho Hugo Chávez. O apelido, que deveria ser sinônimo de ofensa mortal (ofensa que a esquerda pratica, quando chama tudo de que discorda de “fascismo”), foi adotado desabridamente pelo tiranete bolivariano sem que se notasse contradição por seus admiradores – como não notam contradição em criticar as ditaduras militares e chamar seu “presidente” de El Comandante.

Chavez também chamava todos os seus adversários e críticos de “fascista”. Como nos ensina Lew Rockwell num dos textos mais importantes para falar de política no século (aqui em podcast), “fascista” é a palavra mais pesada do vocabulário político graças à memória dos campos de concentração nazistas, embora ninguém perceba que muitas pessoas (talvez até a maioria delas) pregam justamente uma política fascista sem campos de concentração (quais são os italianos? os espanhóis? os portugueses?). Muitas vezes, até com campos de concentração – ou para que servem as palavras de ódio à oposição e aos “inimigos do povo”?

Chavez pregava um sistema político que pode ser chamado, sem sombra de dúvida, de fascista.

Querendo tudo dentro do Estado, nada fora do Estado e nada contra o Estado (e, claro, El Estado soy yo), de fato mostrou que é praticamente impossível ser chamado de fascista sem ser por alguém que queira impedir a vida não-estatal.

O socialismo do séc. XXI do ditador militar bolivariano era marcado por uma retórica fortemente anti-”imperialista”, ao mesmo tempo em que seu grande sonho (exposto por Zé Dirceu na tribuna do PT hoje) era criar um império que colocasse toda a América Latina sem fronteiras sob seu jugo. Na prática, apenas trocou-se a crítica à democracia “burguesa” da Inglaterra pela crítica ao poderio da América.


O socialismo do séc. XXI e o socialismo do Gulag e do paredón

Este socialismo repaginado está longe de ser mortal como o socialismo do séc. XX, marcado por uma burocracia que, onde foi aplicada, criou uma fatal ditadura genocida concentrada nas mãos de um carniceiro – e seus nomes são todos evocados com arrepios: Stalin, Mao Zedong, Enver Hoxha, Nicolae Ceaușescu, János Kádár, Pol-Pot, Hồ Chí Minh, Walter Ulbricht, Kim il-Sung, Robert Mugabe – pessoas que juntas, ou mesmo sozinhas, fazem Adolf Hitler ir para o Tribunal de Pequenas Causas. Este socialismo entrou em colapso com a queda do Muro em 1989 e o desmantelamento da União Soviética em 1991 (notando, claro, que o regime caiu, mas não sua burocracia e ideologia).

Daí toda a logorréia da esquerda acadêmica que, ao invés de se atualizar e descobrir que defende a brutalidade, preferiu afirmar que aquele não era o “socialismo real” que pregava. Erro trágico: apenas essa ditadura brutal e centralizada é o socialismo real – o que inexiste é o socialismo ideal, purificado do teste de realidade e mantido hagiograficamente virginal no reino das idéias platônicas. Toda “ditadura do proletariado” é um conchavo de burocratas que não trabalham, jurando que representam uma “classe trabalhadora” que sequer sabem definir onde começa e onde termina. O morticínio é inevitável, como já bem demonstrou um dos 10 maiores pensadores do século, Leszek Kołakowski, em seu monumental Main Currents of Marxism.

O socialismo do séc. XXI aprendeu foi com o fascismo como se manter no poder, ao invés de gerar revoltas constantes, campos de concentração piores do que os nazistas (pelo amor de toda a humanidade, leiam Arquipélago Gulag, de Aleksandr Solzhenitsyn) e mortos de fome na escala dos milhões (Holodomor ainda deve ser pensado na mente adolescente de nossos universitários como uma marca de analgésicos belga ou um reino de O Senhor dos Anéis).

O modelo, como nos ensina Lew Rockwell (que aplica o caso á própria América de Bush, não ao projeto de poder dos neocomunistas da América Latina), além de aumentar gastos militares de maneira pornográfica, transformando todos os cidadãos de civis com direitos a soldados em potência, é baseado na cartelização completa da economia, mas colocada no poder de sindicatos (“representativos de classe”, ou seja, quem manda na tal classe sem discussão individual).

A estatização completa da economia é consabidamente impossível por qualquer comunista de alto escalão. Stalin sabia disso, tanto que pediu ao Partido Comunista Americano para não fazer Revolução, e sim cooptar ricaços e magnatas do cinema e da mídia. A conseqüência até hoje é palpável: absolutamente nada na América é mais anti-capitalista do que Hollywood, enquanto, ao mesmo tempo, se prega que a América domina as mentes do mundo para favorecer o imperialismo com o cinema, a própria entidade cultural que afirma isso. Apenas comunóides babaquinhas que acabaram de ler o Manifesto acreditam nessa besteira.

Apenas as trocas livres entre indivíduos tornam possível produzir alimentos (que não caem do céu nem brotam na terra em escala industrial sozinhos), sem o Estado roubar a produção (já que é incapaz de produzir qualquer coisa). Quem não conhece a famosa NEP – Nova Política Econômica – de Lênin, se não universitários esquerdistas?

Assim se faz o socialismo 2.0: mantendo empresas produzindo e lucrando, apesar de uma taxa de impostos mais destruidora do que se o seu cofre fosse assaltado à mão armada todo mês. Como se quer poder, alimenta-se uma retórica violenta sobre “povo”, “pobres”, “resistir” contra “inimigos” e “poderosos”, pegando-se todo o butim e dando umas migalhas à população de baixa renda. Por isso o povo trabalha absurdamente tanto em troca de um serviço de saúde porco, moquifos nojentos para se morar e escolas e universidades incapazes de descobrir como calcular o quanto o governo rouba da população por seu trabalho (infinitamente mais esfainante do que trabalhar para o Google).

O povo fica apaziguado contra revoltas, idealiza um líder e jura que está sendo “salvo”, sem perceber que tudo isso que lhes é dado “de graça”, como elogia Zé Dirceu da tribuna do PT, custa um trabalho semi-escravo que nenhum trabalhador em país liberal aceitaria – e os trabalhadores no socialismo não têm “concorrência” para onde fugira da miséria, dependendo ainda mais da benevolência do Líder.

Esse socialismo não gera morticínio – no máximo, prende e mata alguns opositores mais gabaritados. Nada em escala continental. Tampouco precisa se preocupar tanto com a incapacidade econômica de botar comida na mesa do povo enquanto se mantém no poder do socialismo “total”.

Para aliviar ainda mais, é um socialismo sem o “centralismo democrático”, termo criado por Lênin para afirmar que poderia haver discussão “livre” no socialismo dentro do Partido, o que fazia com que alguns teóricos tentassem diferenciá-lo do “centralismo burocrático” (ou seja, quando as ordens de todos do Partido não são ouvidas).

Essa postura gerava o efeito mais característico do socialismo oldschool (que ainda pode ser observado em Cuba), que é o monopólio do poder pelo Partido Comunista. Poder, como já demonstra Bertrand de Jouvenel, é poder mandar alguém fazer ou não fazer alguma coisa – e, num sistema socialista, apenas o Partido Comunista tem poder, politizando toda a esfera privada dos indivíduos. Essa é a “ditadura do proletariado”, que para aliviar o caráter absolutamente autoritário, foi eufemizado em princípios da década de 1960 para “papel de liderança do Partido”, como se o Partido soubesse o que é bom para todo o “proletariado”, um por um (cf. Ascensão e Queda do Comunismo, de Archie Brown, p. 134).

Pelo contrário, o caminho do neossocialismo, que Chávez pregou muito bem, é se preocupar em transformar de vez a democracia apenas em um palco – talvez o único ponto em que Marx e Tocqueville concordaram em suas vidas. O poder não se concentra mais no Partido (que sempre merecia letra maiúscula), e sim no Executivo, que controla tudo. Assim, os juízes e tribunais continuam sem liberdade alguma, não se submetendo à Constituição de um Estado de Direito (aquela que Rui Falcão quer abolir no Brasil), e sim à “vontade popular” – ou seja, do Executivo, que “representa” o povo, ao invés de o Estado todo. Mas as eleições continuam rolando, embora todos saibam o seu resultado.

É por isso que todo o movimento socialista atual (ou suas variações “sociais” – trabalhista, operário, proletário ou o nome fofinho que for) soube se preocupar tão somente com o Executivo, sobretudo o chefe do Executivo, que aparece, e critica o Judiciário (comprado e traidor, sempre – vide o que os petistas fizeram com Joaquim Barbosa), além de tenta controlar o Legislativo – ou o calando com golpes, como fez Hugo Chávez, ou comprando seus votos para que obedeçam ao Executivo supremo – o que é exatamente o movimento ditatorial que foi o mensalão (exatamente por isso não é uma palavra que pode ser prostituída para se referir agora a qualquer caso de corrupção, como se tenta fazer com o inescrupuloso Eduardo Azeredo no “mensalão tucano”).

Não se tem mais uma ditadura violenta nas ruas, e sim de controle (como já demonstrava Stalin, de “doutrinação”). As armas não precisam mais ser foices e martelos, como o pensamento de caserna leninista e do bolchevismo, e sim propaganda em massa e uma pseudo-democracia que serve ao Partido, mas não para cumprir sua função de pesos e contrapesos e de representação.

As eleições são compradas e fraudadas (como no fascismo), os gastos militares são elevados com fins imperialistas (como no fascismo), as empresas existem, mas são controladas pelo governo através de sindicatos (como no fascismo, e como Vladimir Safatle acha correto), o governo se sustenta com gastos “sociais” e empréstimos estrangeiros (como no fascismo, embora a Venezuela tenha a vantagem dos petrodólares para emergências), a planificação econômica não é feita na expropriação (ao menos, não sempre), e sim instituindo-se autarquias, com o governo controlando um sistema proto-capitalista perdido numa imensa burocracia, tornando-se uma ditadura de facto baseando-se no princípio da liderança – que desconhece seus limites. Como no fascismo.


Hugo Chávez, na prática

Chávez é adorado pelo PT não por mera coincidência. Seu sistema dá controle onipotente ao Partido sem precisar de revoluções ou lutas armadas de adolescentes mongolóides que mal sabiam assaltar um banco na época da ditadura (vide o livro O Cofre do Dr. Rui, de Tom Cardoso, com momentos quase cômicos sobre como o bando de Dilma Rousseff assaltou o cofre da amante de Adhemar de Barros), e sem precisar se tornar abertamente uma ditadura (ao menos em termos do século passado, já se tornando anacrônicos).

Esse modelo ditatorial é ultrapassado e para fracassados. A concentração do poder no Executivo agora é feita pelos moldes chavistas, muito mais próximos do antigo fascismo do que do antigo socialismo, embora nem sempre seja preciso tantos flertes ditatoriais quanto os do caudilho bolivariano – as eleições já são garantidas, embora sejam precisos momentos de laivos autoritaríssimos, como o controle da imprensa que não pode ser inteiramente comprada, os surtos mandatórios no Legislativo, o ativismo judicial nos tribunais.

Hugo Chávez é apenas o homem na América Latina que mais precisou ou quis fazer esse modelo de concentração ditatorial “legítima”, por isso se tornou seu símbolo máximo. Outros não precisaram ou quiseram tanto, como Evo Morales, Rafael Correa, Lucio Gutiérrez, Manuel Zelaya et caterva.

No livro Tiranos e Tiranetes, de Carlos Taquari, podemos compreender um pouco da história venezuelana. Influenciados pela Revolução Cubana, movimentos guerrilheiros se opuseram á democratização da Venezuela depois da queda do general Isaías Medina Angarita, em um golpe com apoio da esquerda, incluindo a Ação Democrática. Depois de novas ditaduras militares após apenas 10 meses de respiros democráticos liderados pelo primeiro presidente eleito da história da Venezuela, Rómulo Gallegos, o Movimiento de Isquierda Revolucionária (MIR) e o Partido Comunista Venezuelano exigiam reforma agrária radical, querendo acabar com toda a propriedade privada.

Tal como no Brasil, uma esquerda revolucionária lutando pela ditadura do proletariado enfrentou inexpressivos governos militares, autocratas e burocráticos. Enquanto 10% da população trabalhava para o governo em 1978, 40% da população ainda era de analfabetos vivendo na miséria do campo e das periferias. Os 750 mil funcionários públicos, por outro lado, importavam loucamente grandes carros americanos, verdadeiras carroças devoradas de gasolina, eletrônicos japoneses e whisky, no que o país se tornou um dos maiores consumidores do mundo em 1974.

E tal como Geisel, Andrés Pérez criou um delirante plano de criação de mais de cem empresas estatais. Logo veio Luis Herrera Campins, que pregou uma austeridad, pero no mucho: prometeu corte de subsídios, mas logo explodiu a guerra Irã-Iraque, que aumentou o preço do petróleo em quase 80%. Lá vieram novos gastos descontrolados (dos governantes e seus cupinchas com empregos nas estatais petrolíferas, não da população). A dívida externa quadruplicou, o governo acelerou a impressão de moeda (um dos erros fatais para ações de concentração de poder, já que é dinheiro crediário para o governo que não passa pelo Legislativo, às custas do povo) enquanto aumentava salários do funcionalismo público e programas assistencialistas. O desemprego chegou aos 20% – taxa correspondente à metade da inflação.

Um coronel resolveu reviver os tempos de ditadura militar depois de mais uma eleição entre Copei e Ação Democrática que, vista em teoria, eram apenas duas vertentes de fascismo, centralismo burocrático e gastos públicos através de crédito artificial. Seu nome era Hugo Chávez. Seu golpe de 1992 fracassou, lhe rendendo dois anos de prisão. Pérez sofreu impeachment por corrupção, AD e Copei se revezaram novamente nas eleições de 1994 e, em 1998, Hugo Chavez vence as eleições liderado por uma coalização de partidos de esquerda.

Imediatamente reformou a Constituição – muy democraticamente, para se fazer o que se viu acima. Concentrou mais poderes na figura do presidente e convocou novas eleições presidenciais e parlamentares – um teatrinho em que se legitimou frente à opinião pública nacional e internacional, enquanto silenciava uma oposição fragmentada e desarticulada que boicotou as eleições (o filme é reprise). Começou seu famoso governo por decretos do Executivo, além de plebiscitos que determinam novos poderes de mando através de parcelamento dos eleitores passando ao largo do Congresso – mais uma vez ao modelo fascista.

Foram três vitórias “democráticas”, já tendo apagado a principal emissora da Venezuela, além de 34 emissoras de rádio. Em 2 de dezembro de 2007, perdeu um plebiscito que lhe garantia poderes absolutos e uma ditadura vitalícia. Fez sua revanche em 15 de fevereiro de 2009, acabando com o limite para a reeleição, já admitindo publicamente o desejo de permanecer no poder indefinidamente (por isso todos os socialistas não têm medo de se aferrar a figuras únicas, como Chavez, Fidel e Che, ao invés de pensar no que deseja o povo).

Já em 2008, com pesquisas eleitorais indicando a possibilidade de derrota do governo, a comissão eleitoral impediu a participação de 272 candidatos de oposição. Mesmo assim, a oposição venceu em cidades importantes, como Caracas e Maracaibo, as duas cidades mais importantes e informadas do país. Chavez classificou o resultado como “una victoria de mierda”.

Nenhum Gulag, nenhum campo de concentração, nenhum Partido Único. O socialismo do séc. XXI é isso: disfarce democrático para uma autarquia concentradora de poder e dinheiro. Se o povo precisar de “diminuição da pobreza”, como afirma o UOL que Chavez fez, basta dar umas “Misiones Bolivarianas” (como a “Misión Robinson”, que promove a alfabetização em regiões pobres, e a “Misión Barrio Adentro”, que leva assistência médica a estas zonas), e está todo mundo apascentado.

Nem por isso, um jornal chavista deixou de publicar em sua capa um nada sutil: “Jodidos si los judíos llegan al poder”, como cai perfeitamente às teses fascistóides, ou mesmo nazistóides em que bebe o socialismo estatizante (basta pensar no que aconteceria com um jornal governista no Brasil que publicasse em sua capa: “Se os judeus chegarem ao poder estamos f…”). Também não causou comoção alguma que o PT apóie um ditador que proibiu uma companhia de dança de interpretar uma peça sobre a vida de Anne Frank, famosa judia holandesa morta nas mãos dos nazistas: o tema deveria ser trocado para o “sofrimento palestino”, disse o Crítico de Teatro em Chefe. Tampouco surpreende sua amizade com ditadores brutais, igualmente voltados ao socialismo e ao anti-semitismo, como Mahmoud “apedrejador de mulheres” Ahmadinejad (igualmente recepcionado de braços abertos pela UNE), Muammar Kadafi ou Bashir Assad, defendido por um partido nazista na Síria.

O totalitarismo mais explícito veio com a proposta de “desmontar progressivamente o conceito de propriedade particular e garantir a socialização dos meios de produção”. Na prática, estatização, cartelização e concentração de poder para o Partido, os autocratas e o Executivo. As estatizações, despiciendo dizer, foram um desastre: desde 2007, o país sofresse com apagões. Por essa época Alborghetti falou:


Parece exagero? Não se sabe sobre as privadas, mas Chavez sugeriu aos venezuelanos que limitassem o tempo de banho a 3 minutos, abrissem mão do ar condicionado e, ao se levantarem à noite para ir ao banheiro, utilizassem uma lanterna para não acender a luz. Assim, se você precisasse matricular o menino na natação de madrugada, o faria no escuro. Qualquer tentativa de despachar um amigo do interior para o rio depois das 10 da noite se faria com pilhas, mais caras e que incidem no bolso de quem precisa dar um alô para o sr. Barros, apenas para o governo não sofrer com sua própria incompetência (duvida-se que Hugo Chávez precisou fazer clonagem no escuro, claro). Toda essa escassez de energia e água num país tropical que está assentado sobre a quinta maior reserva petrolífera do mundo.

Ao dilema energético venezuelano que ainda persiste se juntou o problema no sistema carcerário, explicitado após uma rebelião de mais de mil presos na cadeia de El Rodeo, a 40 km de Caracas, em junho de 2011, que deixou dezenas de mortos.

Chávez também atrasou a Venezuela claramente. Em meia hora. Assim, poderiam aproveitar mais claridade para compensar o desastre do fornecimento de energia.

Em janeiro de 2010, anunciou novo racionamento de energia e, lá como cá, acusou os governos anteriores de não terem investido no setor (depois de uma década no poder em que ele próprio não fez nada pela energia). O controle artificial de preços obrigou o país a importar de ovos a frutas e pés de alface, logo da vizinha inimiga Colômbia. Ainda assim, Chávez ordenou a expropriação de centenas de propriedades rurais.

É esse o legado que José Dirceu edulcora, afirmando que “Hugo Chávez deixa obra fantástica”. É esse o resultado que Dirceu comemora ao afirmar que a Venezuela ficou com 50% (na verdade, 51%) dos impostos do petróleo (quanto disso foi para “a classe trabalhadora”?). É isso que Dirceu acha bonito, ao afirmar, sem pejo, que Chavez tinha como sonho uma América Latina inteira controlada (“libertada”) por ele. Admitindo as semelhanças com o PT, Dirceu dispara:

“[Chávez] sempre foi um defensor do PT, do governo do presidente Lula, e foi um aliado fundamental para nós consolidar uma idéia de unidade política, que sustentou e apoiou as mudanças que aconteceram na América do Sul”.

É para esse ser humano que o governo brasileiro decretou 3 dias de luto oficial. Os venezuelanos talvez aproveitem o luto para passar as noites à luz de velas e chuveiro frio.

Cuidadoso, Chavez gastava o que angariava de seu controle total do dinheiro venezuelano com coisas importantíssimas, como exumar o corpo de Simon Bolívar, para “provar” que fora envenenado, ignorando o estado dos pulmões tuberculosos do seu caudilho-ídolo e do estado em que estava quando chegou a Santa Marta, onde morreu. Foi tratar seu próprio câncer em Cuba, apesar dos convites para tratamento no Brasil, para poder manipular os boletins médicos, o que seria difícil nos hospitais brasileiros.

Além de suas lições de como controlar e impor a lei da mordaça num país para os candidatos a socialistas do séc. XXI brasileiros, fica, é claro, sua grande lição teórica sobre ciência política:


“O capitalismo é o caminho do diabo e da exploração. Se você deseja realmente olhar as coisas pelos olhos de Jesus Cristo –que creio ter sido o primeiro socialista–, só o socialismo poderá gerar uma sociedade genuína” — Hugo Chávez (sent via my iPod)

chavez_hugo_ipod.jpg
 
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Tar-Mairon

DARK LORD AND LOVING DAD
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Bom, analisemos a Venezuela pré e pós Chávez: Na era anterior a ele tínhamos um país "democrático" corroído pela corrupção e com vasta parcela da população pouco recebendo dos ganhos da colossal produção de petróleo (estou com Tolkien, aquele óleo preto é uma maldição e não uma dádiva), país das misses universo e de uma oligarquia realmente globetrotter. Já na era "el comandante" (Chávez foi o típico caudilho latino-americano, negar isto é tolice, por mais que se simpatize por ele) houve inegáveis avanços na área social, menosprezar isto é má-fé, porém economicamente a Venezuela estagnou por conta dos desmandos de Chávez, e negar isto também é má fé. Eis mais um caso de um velho dilema terceiro mundista, como crescer e distribuir riqueza (os "randianos" tremem ao ouvir/ler isto) sem sacrificar a liberdade?

De qualquer forma, que descanse em paz.

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Mercúcio

Usuário
Esse discurso aí pode ser usado para defender qualquer nacionalista, populista e anti-capitalista:

Hitler deixa a Alemanha sem nenhum desempregado, com uma autoconfiança até então nunca vista naquela nação, que finalmente saltou de uma das nações mais quebradas da Europa para um papel de destaque tanto no continente quanto no mundo.

A alegria dos despeitados é ridícula. Celebram a morte de um dos líderes mais populares da Europa, de um líder que fez 4 (quatro) referendos desde sua primeira eleição, vencendo TODOS, mesmo assim a imprensa e opinião de pessoas que simplesmente nunca aceitarão um governo voltado para os trabalhadores insistiram em categorizar a Alemanha como uma "ditadura". Nada mais errado, nada mais burro, é puro mau caratismo.

Hitler vai embora deixando a mensagem que já vem a anos sendo dita no mundo: Não devemos nos ajoelhar perante o capitalismo estrangeiro. Não precisamos negligenciar nossa população, não precisamos alterar nossas prioridades por interesses externos, não precisamos nos submeter! Podemos crescer com autonomia, com liberdade, com união. Ingenuidade daqueles que pensam que isso não existe e que os capitalistas estão realmente preocupados com qualquer tipo de desenvolvimento no país, ingenuidade ou simplesmente ignorância.

Enfim, morre um dos centenas de homens que ousaram se levantar contra as maiores nações do planeta, que ousou lutar contra todas as elites capitalistas, que governou para a população trabalhadora, mais sem poder de seu país, que projetou uma forma alternativa de desenvolvimento regional que não fica atrelado unilateralmente ao capital estrangeiro, enfim, morra um homem que viver (sic) e lutou.​

Ou seja, pura retórica e frases de efeito panfletárias que podem ser usadas para defender qualquer coisa, feitas antes para agradar quem já tem simpatia por aquelas ideias do que para acrescentar algo para quem não tem. Como aliás é comum em grande parte dos posts que defendem algo semelhante - se eu por isso fosse karmear não faria mais outra coisa, seria como dar karma para Lindoriel por flood.

E por curiosidade, que 12 plebiscitos foram esses aí? De qualquer forma, ele não ganhou todos, perdeu um, o de 2007, onde propunha reformas constitucionais e perdeu.

Retórica e frases de efeito apenas. Oh, really?
Como colocou o Grimnir, os dados estão aí para serem analisados. Chávez foi eleito em 1998, assumindo uma Venezuela profundamente marcada pela miséria e pela desigualdade social, a despeito de sua posição como fornecedora de petróleo, setor então dominado pelo capital estrangeiro.
Que eu sou simpatizante do bolivarianismo é um fato confesso. Mas isso está ancorado nos resultados de uma política social agressiva.
Há dados negativos também, coisas que vão mal, políticas problemáticas. A Venezuela não se tornou o Éden. A diferença é que priorizou-se o povo, classes historicamente submetidas a situações de injustiça social, afrontando os interesses de uma minoria capitalizada e assumindo uma postura anti-imperialista. Se é verdade que os americanos continuaram sendo o grande mercado consumidor, os termos dessas relações eram outros.

Sobre os plebiscitos:

Um dos aspectos mais utilizados nesta cruzada midiática de anos é a tentativa de rotular Hugo Chávez como ditador. Estranho “ditador” este que chegou ao poder pelas urnas e, em 14 anos, promoveu 16 eleições, referendos e plebiscitos, dos quais venceu 15 pelo voto popular e respeitou, democraticamente, o resultado do único pleito em que não foi vencedor. Estranhíssimo “ditador” esse Chávez que introduziu na Constituição Bolivariana – ela também referendada pelo voto popular – o mecanismo da revogabilidade de mandatos, utilizado pela oposição que, no entanto, não conseguiu a vitória nas urnas.

Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/01/o-que-hugo-chavez-ensinou-ao-mundo-e-ao-brasil.html

É verdade que o Chavismo perdeu um plebiscito. O plebiscito que se perdeu em 2007 propunha uma série de reformas da constituição de 1999, como por exemplo a possibilidade de reeleger-se indefinidamente, isso tudo num contexto em que a economia não ia bem, com um índice de inflação muito alto e com desgastes na própria base aliada do Chavismo. O "não" ganhou por pouco mais de 50% dos votos válidos, havendo uma enorme taxa de abstenção.

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Com relação à comparação descabida com o Nazismo....

Tanto o nazismo como o socialismo lato sensu, são, por natureza, antiliberais. Mas basta analisar os resultados econômicos, políticos e sociais de ambos. É verdade que os nazistas tiraram a Alemanha da lama, que então enfrentava problemas com alto índice de desemprego e inflação e, como conseqüência, um mercado interno atrofiado. Há que se considerar, porém, um Estado alicerçado num nacionalismo étnico (arianismo) estabelecido numa proposta de anexação de territórios via ação militarizada (pangermanismo), um projeto racista (o anti-semitismo como conformador de políticas de estado) e eugênico, visceralmente integrado ao projeto político constituído.

Textos:

O porquê do ódio a Chávez

Hugo Chávez é, sem dúvida, o chefe de Estado mais difamado no mundo. Com a aproximação das eleições presidenciais de 7 de outubro, essas difamações tornam-se cada vez mais infames, em muitos países. Testemunham o desespero dos adversários da revolução bolivariana frente à perspectiva (que as pesquisas parecem confirmar) de uma nova vitória eleitoral de Chávez.

Um líder político deve ser valorizado por seus atos, não por rumores veiculados contra ele. Os candidatos fazem promessas para ser eleitos: poucos são aqueles que, uma vez no poder, cumprem tais promessas. Desde o início, a proposta eleitoral de Chávez foi muito clara: trabalhar em benefício dos pobres, ou seja – naquele momento – a maioria dos venezuelanos. E cumpriu sua palavra.

Por isso, este é o momento de recordar o que está verdadeiramente em jogo nesta eleição, agora que o povo venezuelano é convocado a votar. A Venezuela é um país muito rico, pelos fabulosos tesouros de seu subsolo, em particular o petróleo. Mas quase toda essa riqueza estava nas mãos da elite política e das empresas transnacionais. Até 1999, o povo só recebia migalhas. Os governos que se alternavam, social-democratas ou democrata-cristãos, corruptos e submetidos aos mercados, privatizavam indiscriminadamente. Mais da metade dos venezuelanos vivia abaixo da linha de pobreza (70,8% em 1996).

Chávez fez a vontade política prevalecer. Domesticou os mercados, deteve a ofensiva neoliberal e posteriormente, graças ao envolvimento popular, fez o Estado se reapropriar dos setores estratégicos da economia. Recuperou a soberania nacional. E com ela, avançou na redistribuição da riqueza, a favor dos serviços públicos e dos esquecidos. Políticas sociais, investimento público, nacionalizações, reforma agrária, quase pleno-emprego, salário mínimo, imperativos ecológicos, acesso à moradia, direito à saúde, à educação, à aposentadoria… Chávez também se dedicou à construção de um Estado moderno. Colocou em marcha uma ambiciosa política de planejamento do uso do território: estradas, ferrovias, portos, represas, gasodutos, oleodutos.

Na política externa, apostou na integração latino-americana e privilegiou os eixos sul-sul, ao mesmo tempo que impunha aos Estados Unidos uma relação baseada no respeito mútuo… O impulso da Venezuela desencadeou uma verdadeira onda de revoluções progressistas na América Latina, convertendo este continente em um exemplo de resistência das esquerdas frente aos estragos causados pelo neoliberalismo.

Tal furacão de mudanças inverteu as estruturas tradicionais do poder e trouxe a refundação de uma sociedade que até então havia sido hierárquica, vertical e elitista. Isso só podia desencadear o ódio das classes dominantes, convencidas de serem donas legítimas do país. São essas classes burguesas que, com seus amigos protetores e Washington, vivem financiando as grandes campanhas de difamação contra Chávez. Até chegaram a organizar – junto com os grandes meios de comunicação lhes que pertencem – um golpe de Estado, em 11 de abril de 2002.

Estas campanhas continuam hoje em dia e certos setores políticos e midiáticos encarregam-se de fazer coro com elas. Assumindo – lamentavelmente – a repetição de pontos de vista como se demonstrasse que estão corretos, as mentes simples acabam acreditando que Hugo Chávez estaria implantando um “regime ditatorial no qual não há liberdade de expressão”.

Mas os fatos são teimosos. Alguém viu um “regime ditatorial” estender os limites da democracia em vez de restringi-los? E conceder o direito de voto a milhões de pessoas até então excluídas? As eleições na Venezuela só aconteciam a cada quatro anos, Chávez organizou mais de uma por ano (catorze, em treze anos), em condições de legalidade democrática, reconhecidas pela ONU, pela União Europeia, pela OEA, pelo Centro Carter, etc. Chávez demonstrou que é possível construir o socialismo em liberdade e democracia. E ainda converte esse caráter democrático em uma condição para o processo de transformação social. Chávez provou seu respeito à vontade do povo, abandonando uma reforma constitucional rejeitada pelos eleitores em um referendo em 2007. Não é por acaso que a Fundação para o Avanço Democrático [Foundation for Democratic Advancement] (FDA), do Canadá, em um estudo publicado em 2011, colocou a Venezuela em primeiro lugar na lista dos países que respeitam a justiça eleitoral.

O governo de Hugo Chávez dedica 43,2% do orçamento a políticas sociais. Resultado: a taxa de mortalidade infantil caiu pela metade. O analfabetismo foi erradicado. O número de professores, multiplicado por cinco (de 65 mil a 350 mil). O país apresenta o maior corficiente de Gini (que mede a desigualdade) da América Latina. Em um informe em janeiro de 2012, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal, uma agência da ONU) estabelece que a Venezuela é o país sulamericano que alcançou (junto com o Equador), entre 1996 e 2010, a maior redução da taxa de pobreza. Finalmente, o instituto estadunidense de pesquisa Gallup coloca o país de Hugo Chávez como a sexta nação “mais feliz do mundo”.

O mais escandaloso, na atual campanha difamatória, é a pretenção de que a liberdade de expressão esteja restrita na Venezuela. A verdade é que o setor privado, contrário a Chávez, controla amplamente os meios de comunicação. Qualquer um pode comprovar isso. De 111 canais de televisão, 61 são privados, 37 comunitários e 13 públicos. Com a particularidade de que a parte da audiência dos canais públicos não passa de 5,4%, enquanto a dos canais privados supera 61%… O mesmo cenário repete-se nos meios radiofônicos. E 80% da imprensa escrita está nas mãos da oposição, sendo que os jornais diários mais influentes – El Universal e El Nacional – são abertamente contrários ao governo.

Nada é perfeito, naturalmente, na Venezuela bolivariana – e onde existe um regime perfeito? Mas nada justifica essas campanhas de mentiras e ódio. A nova Venezuela é a ponta da lança da onda democrática que, na América Latina, varreu os regimes oligárquicos de nove países, logo depois da queda do Muro de Berlim, quando alguns previram o “fim da história” e o “choque de civilizações” como únicos horizontes para a humanidade.

La Venezuela bolivariana es una fuente de inspiración de la que nos nutrimos, sin ceguera, sin inocencia. Con el orgullo, sin embargo, de estar del buen lado de la barricada y de reservar los golpes para el malévolo imperio de Estados Unidos, sus tan estrechamente protegidas vitrinas del Cercano Oriente y dondequiera reinen el dinero y los privilegios. ¿Por qué Chávez despierta tanto resentimiento en sus adversarios? Indudablemente porque, tal como lo hizo Bolívar, ha sabido emancipar a su pueblo de la resignación. Y abrirle el apetito por lo imposible.

A Venezuela bolivariana é uma fonte de inspiração da qual nos nutrimos, sem fechar os olhos e sem inocência. Com orgulho, no entanto, de estar do lado bom da barricada e de rerservar nossos ataques ao poder imperial dos Estados Unidos, seus aliados do Oriente Médio, tão firmemente protegidos, e qualquer situação onde reinem o dinheiro e os privilégios. Por que chávez desperta tanto rancor em seus adversários? Sem dúvida, porque, assim como fez Bolívar, soube emancipar seu povo da resignação. E abrir o apetite pelo impossível.

Fonte: http://www.outraspalavras.net/2012/10/05/o-porque-do-odio-a-chavez/


O que Hugo Chávez ensinou ao mundo e ao Brasil?


Desde que foi eleito em 1998, o presidente Hugo Chávez vem estimulando uma série de debates, seja em razão das amplas transformações sociais que promove na Venezuela, seja em razão do medo pânico que causa nos governos imperiais e nas oligarquias de cada país, vassalas e zeladoras dos interesses deste imperialismo em cada país. Certamente, sobre cada um destes aspectos é possível retirar profundas lições.

No caso brasileiro, a mídia do capital que jamais se preocupou em oferecer um mínimo de informação objetiva sobre as mudanças em curso na Venezuela, agora, em razão do infortúnio da enfermidade de Chávez, esta mídia supera-se. Promove uma comunicação necrológica, havendo inclusive comentarista de veículos das Organizações Globo, que chega mesmo ao grotesco de torcer pela desaparição do mandatário venezuelano.

As notas que a mídia brasileira divulgam sobre Chávez atentam contra a prática basilar do jornalismo. Críticas e discordâncias são absolutamente normais e devem ser praticadas. Mas, desinformação, distorção e inverdades grotescas são atributos rigorosamente alheios ao jornalismo

Sobre isto devemos tirar lições, seja aquelas amargas , a partir do comportamento medieval da mídia empresarial sobre a trágica enfermidade de Chávez, enfermidade que, óbvio, pode alcançar a qualquer um de nós, mas também sobre o que este mandatário já realizou mudando a face de seu país e ajudando a mudar a face da América Latina. Por um lado, fica claro que para aqueles comentaristas globais, a ideologia está por cima de qualquer conceito básico de humanidade ou solidariedade, que sustentariam desejos de restabelecimento e de superação deste azar pessoal.

Mas, o que se observa é ainda mais grave: para além do desejo pessoal da morte alheia, as concessões de serviço público de radiodifusão estão a ser utilizadas para a propagação destes desejos mórbidos em grande escala de difusão, violando a Constituição Brasileira, que, em seu artigo 221, estabelece como princípio a ser observado, “o respeito aos valores éticos e sociais, da pessoa e da família”, sem qualquer manifestação da autoridade responsável.

É como se fosse autorizado aos concessionários de serviços públicos de abastecimento de água, distribuir água contaminada e suja à sociedade.

Para que serve a mídia?

Será que isto estaria se tornando uma tendência? Há alguns meses, quando cientistas iranianos foram assassinados em atentados que, segundo o noticiário da época, teriam sido organizados por comandos israelenses – os mesmos que assumem agora terem participado na eliminação de Yasser Arafat – num programa televisivo, Manhattan Conexion , também veiculado por empresa das Organizações Globo, comentaristas chegaram a defender que aqueles cientistas iranianos mereciam mesmo ser assassinados. Apologia do homicídio!

Tanto num caso, como em outro, Venezuela e Irã são países com os quais o Brasil possui relações de amizade e cooperação, aliás crescentes, em benefício mútuo notório. Qual seria a reação do Itamaraty, do Governo Federal, caso emissoras de TV da Venezuela ou do Irã passassem a hostilizar autoridades brasileiras, e, chegassem a torcer pela reincidência do câncer em Dilma ou em Lula, e para que eles não resistissem? Ou se estas emissoras defendessem a morte de cientistas brasileiros, pois, como sabemos, o Brasil também possui – de modo soberano – seu próprio programa nuclear, como EUA, Rússia, China, Israel e Irã?

Pra que servem os meios de comunicação social, afinal de contas? Para hostilizar e desejar o pior, de modo incivilizado, embrutecido, desumano e antidemocrático, a personalidades de outros países, com o que se desrespeitam povos com os quais temos relações de cooperação e amizade? Será mesmo admissível que concessões de serviço público sejam utilizadas para insuflar, propagandear e celebrar o desejo de morte de seres humanos, simplesmente por não comungar de suas ideias? Esta prática não seria equiparável àquelas que Goebels denominava de “razões propagandísticas”, e que precederam os ataques nazistas a outros povos?

Estranho “ditador”

As notas que a mídia brasileira divulgam sobre Hugo Chávez atentam contra a prática basilar do jornalismo. Críticas e discordâncias são absolutamente normais e devem ser praticadas. Mas, desinformação, distorção e inverdades grotescas são atributos rigorosamente alheios ao jornalismo.

Um dos aspectos mais utilizados nesta cruzada midiática de anos é a tentativa de rotular Hugo Chávez como ditador. Estranho “ditador” este que chegou ao poder pelas urnas e, em 14 anos, promoveu 16 eleições, referendos e plebiscitos, dos quais venceu 15 pelo voto popular e respeitou, democraticamente, o resultado do único pleito em que não foi vencedor. Estranhíssimo “ditador” esse Chávez que introduziu na Constituição Bolivariana – ela também referendada pelo voto popular – o mecanismo da revogabilidade de mandatos, utilizado pela oposição que, no entanto, não conseguiu a vitória nas urnas.

Auditoria eleitoral

Na Venezuela, para dar ainda mais segurança às eleições, estas não são julgadas pela mesma autoridade que as organiza. Além disso, as urnas possuem mecanismo de impressão do voto, possibilitando ao eleitor conferir se o voto que teclou foi realmente o voto registrado pelo computador. De posse deste voto impresso, o eleitor, no mesmo momento da votação, o deposita em urna anexo. Isto possibilita que haja plena auditoria do voto, o que não ocorre no Brasil, onde, conforme já demonstraram especialistas da UnB, as urnas eletrônicas são vulneráveis a interferência externa sobre seus programas, além do que, na existe a possibilidade do voto material em papel para eventual necessidade de recontagem.

Estranho “ditador” este Chávez, que ampliou a segurança eleitoral dos cidadãos, lembrando que lá na Venezuela o voto não é obrigatório, tendo sido registrada, na eleição de outubro de 2012, uma participação superior a 86 por cento do colégio eleitoral. O revelador aqui é que as Organizações Globo, tão empenhada em rejeitar e criticar a democracia venezuelana, é aquela que apoiou o a supressão do voto popular no Golpe de 1964, apoiou a Proconsult contra a eleição de Brizola em 1982 e foi contra a Campanha Diretas-Já, em 1984, uma das mais belas páginas da consciência democrática do povo Brasil. E, ainda hoje, a Globo insiste em difamar e combater a instituição do voto impresso na urna eletrônica brasileira, cuja vulnerabilidade tem lhe causado a rejeição por mais de 40 países, exceção para o Paraguai, a quem o TSE regalou tais equipamentos……

Povo ignorante?

Esses comentaristas da Globo tentam passar a imagem de que a Venezuela é um país de atraso cultural, para o que se valem , novamente, do expediente corriqueiro da desinformação massificada, repetida sistematicamente. Vamos aos fatos: enquanto a Venezuela já foi declarada oficialmente, pela UNESCO, como “Território Livre do Analfabetismo”, o Brasil ainda não tem sequer uma meta segura para erradicar esta mazela social, apesar de terem nascido aqui os geniais Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.

Lá, para a erradicação do analfabetismo, além da utilização de um método super-revolucionário elaborado em Cuba, o “Yo Si Puedo”, houve uma tremenda mobilização do governo, das massas, das instituições, mas também dos meios de comunicação públicos, que, existem, informam e possuem uma programação cultural educativa elevada ao contrário daqueles sintonizados com os ditames prepotentes do Consenso de Washington.

Aliás, vale lembrar que foi exatamente por meio deste método que o Deputado Tiririca foi alfabetizado em prazos relâmpagos e foi capaz superar as ameaças elitistas da autoridade eleitoral que queria lhe cassar o mandato. Tiririca aprendeu a ler e escrever em poucas semanas. Com também foram alfabetizados campesinos, índios, povo pobre na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Em breve será a Nicarágua a ser declarada também, oficialmente, pela Unesco, Território

Livre do Analfabetismo.

Como contraponto, vale lembrar que o programa Telecurso Segundo Grau, produzido pela Fundação Roberto Marinho, é exibido em horário da madrugada pelas emissoras que empregam esses comentaristas, apesar dos volumosos recursos públicos despendidos para a sua produção e veiculação. A escolha do horário é apenas demonstração da baixa preocupação e vontade dos concessionários de serviços públicos de radiodifusão em contribuir para a elevação do nível educacional e cultural do nosso povo. Contrariando a Constituição.

O que é notícia?

Aqueles comentaristas são incapazes de informar sobre tudo isto, bem como sobre o papel dirigente de Hugo Chávez ao formar com estes países e outros a ALBA – Aliança Bolivariana para o Progresso, numa iniciativa em que colocou o petróleo com instrumento da elevação das condições de vida não apenas dos venezuelanos, mas também do progresso social conjunto destes povos. A isso chamam de ingerência, trocando solidariedade por intromissão. Graças aos recursos do petróleo, milhares de latino-americanos, estão recuperando a plena visão, por meio de cirurgias gratuitas realizadas pela Operación Milagro, um esforço comum entre Cuba e Venezuela.

Esta operação humanitária, jamais divulgada adequada pelas Organizações Globo, nasce quando a OPAS alertou para a possibilidade de que pelo menos 500 mil latino-americanos perdessem a visão à curto prazo, vítimas de catarata, uma tragédia perfeitamente evitável. As cirurgias são feitas tanto em Cuba, como na Venezuela, e agora também na Bolívia, no Equador, seja por médicos cubanos, ou locais. Isto não se informa, mas um dia destes , fiquei tomei conhecimento, pelo Jornal Nacional, da edificante informação de que a esposa do Príncipe Willians, a tal duquesa de Cambridge, está sofrendo muito enjoo na sua gravidez. Cuba e Venezuela decidiram operar 6 milhões de latino-americanos, gratuitamente, em 10 anos. O que é notícia?

Índios leem “Cem anos de solidão”

Aí temos outra lição de Chávez: depois de erradicar o analfabetismo, Chávez criou a Universidade Bolivariana, pública e gratuita, a Universidade das Forças Armadas, e um programa para elevar a taxa de leitura do povo venezuelano. Por meio deste programa foram editados, dando apenas alguns exemplos, a obra “Dom Quixote”, com uma tiragem de 1 milhão de exemplares que foram distribuídos gratuitamente nas praças públicas, e também a obra “Contos”, da Machado de Assis, pelo mesmo programa, com uma tiragem de 300 mil exemplares, tiragem que o genial escritor do Cosme Velho jamais mereceu aqui no Brasil, onde não apenas o analfabetismo persiste , mas a tiragem padrão de nossa indústria editorial arrasta-se na melancólica marca de 3 mil exemplares.

Além disso, algumas tribos indígenas da Amazônia venezuelana, que, até Chávez, ainda desconheciam a escrita, já tiveram seu idioma sistematizado, e, como primeira obra publicada no novo sistema de escritura, tiveram o belíssimo “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. No entanto, apesar de tudo isto, para estes comentaristas da Globo, que agridem Chávez no leito de um hospital, na Venezuela há um “povo ignorante”, dirigido por um “ditador”…. Como explicar, então, a realização destas mudanças marcantes?

Vale contar um caso: o senador Cristovam Buarque, ex-Ministro da Educação de Lula, foi à Venezuela para a solenidade de Declaração de Território Livre do Analfabetismo. Escreveu num papelucho um endereço e saiu pelas ruas perguntando ao acaso aos transeuntes, que lhe orientassem como chegar ao destino marcado. “Falei com pessoas indistintamente, camelôs, donas-de-casa, jovens ou não, ninguém me disse que não sabia ler e davam a informação”, contou. São as lições de Chávez que a Globo não possui aptidão para aprender….

Petróleo a preço de água

Antes de Chávez, quando 80 por cento dos venezuelanos viviam na miséria absoluta, o petróleo era regalado aos EUA, enquanto a burguesia local era conhecida por ser a maior consumidora de champanhe do mundo, depois da francesa, e pela elevadíssima importação de caviar para pequenos círculos oligarcas.
Eleito, Chávez cumpriu promessa de campanha de acabar com a farra imperialista com o petróleo venezuelano regalado. Recuperou gradativamente o controle sobre a PDVSA e também fez uma cruzada internacional para acordar a OPEP de seu sonho colonizado. Na época, o preço do petróleo estava em 7 dólares o barril – ou seja, muito mais barato que água mineral ou Coca-Cola – e hoje, avança pela casa dos 100 dólares. Eis a razão do ódio dos EUA a Chávez.

Evita Perón e Vargas

Este ódio imperial se expressa como uma ordem, uma sentença de morte, dada pelos falcões norte-americanos para que seja alcançada, por meio do câncer, aquela meta mórbida contra qualquer mandatário que não seja talhado para vassalagem, para submissão. Não é a primeira vez na história que isto ocorre. Quando Evita Perón foi acometida por um câncer, este jornalismo mortífero se expressou sem qualquer escrúpulo. O ódio que os círculos imperiais nutriram por Evita fez com que ele saltasse das páginas da imprensa portenha para os muros de Buenos Aires, nos quais a oligarquia festejava sua podridão moral escrevendo “Viva el Câncer!”.

Os imperialistas jamais perdoaram Evita por ter armado os trabalhadores da CGT para resistir aos golpes que frequentemente se organizavam contra Perón. Chegou mesmo a advertir Perón, que lhe criticou pela distribuição de armas, da qual ela nunca se arrependeu, que ele estava preparando as condições – desmobilizando os trabalhadores – para não ter capacidade de resistir ao golpe, que chegou em 1955, 3 anos depois da morte de Evita. Ela bem que avisou.

Depois foi contra Getúlio Vargas, quando sua saída da vida para entrar na história foi comemorada em círculos manipulados pelo capital externo, que não suportavam a criação da estatal Petrobrás, dos direitos laborais inscritos na CLT e da lei da remessa de lucros ao exterior. Não por acaso, o povo expressou sua tristeza e sua fúria, pranteando Vargas, mas também empastelando os símbolos daquele ódio contra o popular presidente, entre os quais os jornais Tribuna da Imprensa, Globo, e, até mesmo do jornal do PCB, Tribuna Popular, que no dia do suicídio de Vargas trazia desorientada entrevista de Prestes pedindo sua renúncia.

Assustados e envergonhados, os dirigentes comunistas recolhiam os exemplares do jornal que ainda estavam nas bancas. Mas, não tiraram conclusões históricas do porquê também foram alvo da fúria popular contra seus inimigos, sobretudo porque Vargas havia convidado Prestes para ser o chefe militar da Revolução de 30, aquela que em apenas 24 horas alistou mais de 20 mil voluntários para pegar em armas e combater a República Velha. Prestes inicialmente aceitou o convite, mas a ordem stalinista foi para que se afastasse de Vargas, enquanto que, na mesma época, em sentido contrário, Leon Trotsky escrevera que tanto Vargas como o mexicano Cárdenas, eram expressão de um bonapartismo sui generis, com potencial revolucionário, e que deveriam receber o apoio tático dos revolucionários.

O Levante de 4 de Fevereiro de 1992

Processos revolucionários começam sob formas mais inesperadas, normalmente com rupturas da legalidade instituída quando esta acoberta iniquidades, sob a forma de insurreições, armadas ou não. A partir das revoluções outra legalidade é constituída. Assim foi a Revolução de 30. Assim havia sido a Revolução Francesa, Assim foi a revolução em Cuba, na Nicarágua ou na Argélia. A Revolução Iraniana, por exemplo, desde 1979, de quatro em quatro anos promove eleições diretas, o que ainda não foi conquistado pelo povo dos EUA, onde o voto é indireto e apenas os candidatos que podem pagar aparecem na mídia para defenderem suas ideias.

A Revolução Bolivariana começa com um levante insurrecional – o 4 de fevereiro de 1992 – destinado a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, cujo objetivo era retirar a Venezuela da condição de colônia petroleira. Evidentemente, os comentaristas que seguem orientação imperial não suportam qualquer forma de rebeldia contra hegemonias colonizadoras. Na prisão, Chávez se transforma no homem mais popular da Venezuela, aquele capaz de traduzir e promover a identidade de seu povo com a sua história, com Bolívar, com a sua identidade cultural, sua mestiçagem negra e índia, como são os venezuelanos.

A Revolução Bolivariana começa com um levante armado e transforma-se em processo institucional por meio da aprovação do voto popular. Mas, diante das constantes ameaças golpistas imperiais e também das provocações desestabilizadoras da oligarquia, Chávez mesmo declarou que “esta é uma revolução pacífica, pero armada” , como a expressar a consciência do golpismo que sempre esmagou processos democráticos de transformação social na América Latina. Não lhe sai da lembrança que Allende morreu de metralhadora na mão…

Jornalismo de desintegração

As lições de Chávez estão aí aos olhos do mundo, mesmo que esta mídia golpista, praticando o mais vulgar jornalismo de desintegração, queira ocultar. A parceria Brasil-Venezuela multiplicou em mais de 500 por cento o comércio bilateral em poucos anos e hoje estão atuando na pátria de Ali Primera a Embrapa, a Caixa Econômica e muitas empresas brasileiras. Realizam obras de infra-estrutura indispensáveis para que o país dê um salto em seu desenvolvimento, o que sempre foi sabotado pelas oligarquias do período pré-Chávez.

Agora Venezuela constrói ferrovias, metrôs, teleféricos, estradas, hidrelétricas, pontes, e a participação brasileira nisto, com financiamento estatal, via BNDES, traduz bem o pensamento de Lula de que integração significa “todos os países crescendo juntos”. Os comentaristas da Globo não informam nada disso, até porque apoiaram quando o Brasil, na era da privataria neoliberal, demoliu um terço de suas ferrovias, além de ter destruído sua indústria naval, que agora, recuperada, tem inclusive 27 encomendas para a construção de navios petroleiros da PDVSA, a serem feitos aqui.

Solidão do uniforme

Além da integração, Chávez recuperou para o centro do debate o conceito de socialismo, além de propor a organização de uma nova Internacional, indignando-se com a cruzada da morte que o imperialismo organizou contra o Iraque, a Líbia e também contra Síria. Muito longe de resolver o desemprego galopante que assola a França, o governo de Hollande lança-se em mais uma empreitada imperial contra. Só sabem guerrear.

Chávez recupera o debate sobre uma nova função social para os militares, retirando-os da solidão do uniforme, unindo-os ao povo e às causas mais preciosas para viver com dignidade, com soberania e como democracia e justiça social. Recuperou até mesmo a função histórica do General José Ignácio de Abreu e Lima, pernambucano que lutou ao lado de Bolívar e que foi o primeiro a escrever sobre O Socialismo na América Latina, o que, em boa medida era desconhecido até mesmo pelas esquerdas brasileiras. Hoje os militares venezuelanos cumprem função libertadora e resgatam a função das correntes militares progressistas e antiimperialistas na história e seus representantes como Velasco Alvarado, Torres, Torrijos, Perón, Prestes, Nasser, Tito, a Revolução dos Cravos…..São lições de Chávez.

Os comunicadores que ignoram os fatos objetivos alardeiam a existência de desabastecimento alimentar quando a Unicef comprova que a Venezuela teve reduzida drasticamente a desnutrição e sua mortalidade infantil. O que há é boicote da indústria alimentar, o que levou o governo a montar uma rede estatal de mercados, fixos e móveis, que chegam a vender alimentos ao povo a preços até 70 por cento mais baratos, já que supera a especulação dos oligopólios.

Na semana que passou, para as autoridades venezuelanas confiscaram 3 mil toneladas de alimentos que estavam escondidos pelos oligopólios, numa operação casada com a mídia para fazer a campanha de que “falta alimento”, operação da qual participam, vergonhosamente, os comentaristas globais e sua grotesca desinformação. Segundo estatísticas da FAO, o consumo de alimentos na Venezuela aumentou em 96 por cento no período de 2001 a 2011, Era Chávez, enquanto a Cepal atesta que este país é hoje o menos desigual da América Latina, além de pagar o maior salário mínimo do continente, o equivalente a 2440 reais, informação que a Globo jamais noticiará.

MST, sem veneno

Antes de Chávez, a Venezuela não possuía economia agrícola, ou melhor, tinha apenas uma “agricultura de portos”, todo alimento era importado, até alface vinha de avião de Miami. Hoje o país, graças à integração e à cooperação promovidas incansavelmente por Chávez, já tem uma pecuária leiteira, já produz metade do arroz que consome e recebeu até a solidariedade do MST que lhe doou toneladas de sementes criollas de soja não transgênica. Aliás, Chávez organizou convênio com o MST, o então governador Roberto Requião e a Universidade Federal do Paraná para montar escolas de agroecologia aqui no Brasil, abertas à participação de estudantes de toda a América Latina.

Jornais populares e diversidade

Essas são algumas das generosas lições de Chávez, atacado pela Globo daqui, como pela de lá, exatamente porque existe plena liberdade de imprensa na Venezuela. Ou, como disse Lula, “o problema da Venezuela é excesso de democracia”. Vale contar episódio de jornalista brasileira que antes de viajar para lá me perguntou como poderia ter acesso a imprensa não controlada pelo governo, segundo frisou. Eu lhe disse, vá às bancas de jornal. Ela desconfiou, mas foi. E me contou; “pedi ao jornaleiro imprensa de oposição ao Chávez. Ele apontou para toda a sua banca e disse-me. minha filha, isso aí tudo é contra o governo, que poderia escolher á vontade”, relatou-me surpreendida.

A diferença é que essas grosseiras distorções e manipulações que se lançam aqui contra Chávez, lá têm respostas pois foi constituído um sistema público de comunicação, inclusive com jornais populares distribuídos gratuitamente ao povo nos metrôs e rodoviárias, o que ainda não temos aqui. O povo brasileiro eleva seu padrão de consumo, mas não tem um jornal com o qual possa dialogar e refletir sobre as mudanças sociais em curso aqui. Continua “dialogando” com as xuxas da vida….

Caminhando e cantando e seguindo a lição….

Diante de tantas lições civilizatórias, democráticas, transformadoras e marcadas pelo humanismo que está sendo aplicado pelo governo bolivariano da Venezuela, a conclusão de um comentarista global de que Chávez iria tomar o poder no além, é apenas e tão somente confissão de um desejo golpista macabro e atestado da estatura moral desta mídia teleguiada de Washington. O que desejamos é que Chávez possa se recuperar, concluir a sua obra, na qual está a meta de construir e entregar 380 mil novas moradias em 2013, equipadas com móveis e eletrodomésticos, em terrenos localizados também em bairros nobres, e não numa periferia longínqua ou à beira de precipícios que desmoronam com as chuvas.

Quanto a nós, que aprendamos algumas destas lições, especialmente quanto à necessidade de fortalecer, expandir e qualificar um sistema público de comunicação, para que tenhamos acesso ao que está em nossa Constituição, a pluralidade e a diversidade informativas, e um jornalismo como construção de cidadania e de humanidade.

Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/01/o-que-hugo-chavez-ensinou-ao-mundo-e-ao-brasil.html

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O adeus a Chávez:

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Última edição:

Grimnir

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Como colocou o Grimnir, os dados estão aí para serem analisados. Chávez foi eleito em 1998, assumindo uma Venezuela profundamente marcada pela miséria e pela desigualdade social, a despeito de sua posição como fornecedora de petróleo, setor então dominado pelo capital estrangeiro.
Que eu sou simpatizante do bolivarianismo é um fato confesso. Mas isso está ancorado nos resultados de uma política social agressiva.
Há dados negativos também, coisas que vão mal, políticas problemáticas. A Venezuela não se tornou o Éden. A diferença é que priorizou-se o povo, classes historicamente submetidas a situações de injustiça social, afrontando os interesses de uma minoria capitalizada e assumindo uma postura anti-imperialista. Se é verdade que os americanos continuaram sendo o grande mercado consumidor, os termos dessas relações eram outros.

Mercúrio, sem briga, numa boa, também é fato confesso que não simpatizo nem um pouco com Hugo Chávez. Digo isso só pra esclarecer mesmo. Embora eu ache que há avanços sociais que os números comprovam, eu não acho que a forma de financiar essa revolução seja razoável. Sobre os termos da relação comercial, só por curiosidade, veja a informação abaixo:

O governo chavista foi marcado pelo seu confronto com os EUA. Mas será que toda a retórica anti-imperialista tinha alguma efetividade quando o assunto era comércio internacional? Bem, a resposta é um grande e sonoro NÃO! Vamos aos dados.

As exportações da Venezuela para os EUA eram 15 bilhões de dólares em 2002 e as importações de bens e serviços americanos eram 4,4 bilhões de dólares.

Já em 2011 as exportações eram 43,2 bilhões e as importações 12,3 bilhões.

Ou seja, o volume de comércio triplicou em menos de 10 anos. É como diz o saber popular (adaptado): "Inimigos, inimigos, negócios à parte".

PS: Adivinhem qual foi um dos produtos mais importados pela Venezuela em 2011? Isso mesmo que você está pensando, equipamentos médicos (código 21610)!

PS: Dados do Depto. de Comércio Americano (AQUI e AQUI)

Fonte: http://www.cristianomcosta.com/2013/03/venezuela-eua-e-comercio-internacional.html
 

Mercúcio

Usuário
Mercúrio, sem briga, numa boa

Não estou brigando. :cerva:

Sobre os dados apresentados, Grimnir, eu realmente não vejo contradição em vender petróleo para os americanos. Minha fala foi justamente nesse sentido do "Inimigos, inimigos, negócios à parte".
O que eu disse é que os termos da relação mudaram, tendo em vista a nacionalização da produção, setor anteriormente dominado pelo capital estrangeiro - multinacionais como a Chevron, a ExxonMobil, a Conoco-Philips (americanas) e a British Petroleum são algumas das organizações que tiveram que se adequar aos termos venezuelanos.
 

Grimnir

Well-Known Member
Usuário Premium
Não estou brigando. :cerva:

Sobre os dados apresentados, Grimnir, eu realmente não vejo contradição em vender petróleo para os americanos. Minha fala foi justamente nesse sentido do "Inimigos, inimigos, negócios à parte".
O que eu disse é que os termos da relação mudaram, tendo em vista a nacionalização da produção, setor anteriormente dominado pelo capital estrangeiro - multinacionais como a Chevron, a ExxonMobil, a Conoco-Philips (americanas) e a British Petroleum são algumas das organizações que tiveram que se adequar aos termos venezuelanos.

Então tá tranquilo, sem estresse. :beer:

Realmente o setor de petróleo na Venezuela mudou muito e esse é justamente um dos problemas. Dependendo da perspectiva, mudou pra pior. Produção declinante de petróleo e a PDVSA não consegue investir de forma eficiente. No caso da Venezuela isso é bem crítico, dado que as reservas de petróleo do país necessitam de altos investimentos para serem desenvolvidas. Enfim, veremos o que o futuro reserva para o país.
 

Kurt

El Doctor
Ai estão eles, os politizados de ocasião, para falar do que não sabem e vomitar asneiras sobre uma personalidade que conheceram apenas pelas mídias brasileiras. Aplausos a eles!

Chaves deixa a Venezuela sem nenhum analfabeto, com uma autoconfiança até então nunca vista naquela nação, que finalmente saltou de uma das nações mais miseráveis da América para um papel de destaque tanto no continente quanto no mundo.

A alegria dos despeitados é ridícula. Celebram a morte de um dos líderes mais populares da América Latina, de um líder que fez 12 (doze) plebiscitos desde sua primeira eleição, vencendo TODOS, mesmo assim a imprensa e opinião de pessoas que simplesmente nunca aceitarão um governo voltado para a pobreza insistiram em categorizar a Venezuela como uma "ditadura". Nada mais errado, nada mais burro, é puro mau caratismo.

Chaves vai embora deixando a mensagem que já vem a anos sendo dita na América: Não devemos nos ajoelhar perante os EUA. Não precisamos negligenciar nossa população, não precisamos alterar nossas prioridades por interesses externos, não precisamos nos submeter! Podemos crescer com autonomia, com liberdade, com união. Ingenuidade daqueles que pensam que isso não existe e que os EUA estão realmente preocupados com qualquer tipo de desenvolvimento no nosso continente, ingenuidade ou simplesmente ignorância.

Enfim, morre um dos centenas de homens que ousaram se levantar contra a maior nação do planeta, que ousou lutar contra todas as elites latino-americanas, que governou para a população mais carente, mais sem poder de seu país, que projetou uma forma alternativa de desenvolvimento regional que não fica atrelado unilateralmente ao capital norte-americano, enfim, morra um homem que viver e lutou

Ah, e quem ficou chateado ai com as avaliações dos posts negativas que eu dei a alguns, podem me dar karma negativos À La Vonté, dependendo de quem vier, me sentirei até elogiado por não gostar do que postei aqui.
E vou me retirar aqui desse tópico, não tenho paciência para ficar rebatendo bobagens sobre um recém falecido que virou alvo dessa opinião pública tosca que é a brasileira.

Acho que vou upar esse tópico e postar esse wall de asneiras do @Felagund toda vez que houver uma nova notícia da Venezuela.

http://oglobo.globo.com/mundo/venez...oras-diarias-para-economizar-energia-19143332

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/venezuela-tem-semana-de-2-dias-uteis-para-poupar-energia
 

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