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História do Cristianismo E do Catolicismo

Como eu prometi, tá aqui o tópico pra gente falar sobre isso e parar de desvirtuar todo e qualquer tópico sobre notícias religiosas do presente! :roll:

Criei aqui no "Atualidades e Generalidades" porque não achei outra área em que ele coubesse bem.

Eu já estudei muito o assunto... mas ando enferrujada. Então antes de postar, terei que pesquisar. Aí quando eu fizer isso, edito este primeiro post.
Claro que, independente disso, a contribuição dos historiadores do Fórum é mais que bem vinda!!!

Fazendo um resumo rápido:

Na Antiguidade havia o povo judeu que sempre foi - e é até hoje - jogado de um lado pro outro, ao sabor de tiranos e radicais.
Aí Maria recebeu o Espírito Santo e nasceu Jesus [mas não foi no dia do Natal que comemoramos].
Jesus pregou a sua palavra e as que ele dizia serem de Seu Pai. Ele pregava principalmente para as pessoas humildes e todo aquele que estivesse disposto a ouvir. Independente de ser ou não santificado, ele era certamente pacifista. Foi traído e crucificado.
Logo depois, Roma começa a cair em decadência por "n" motivos, incluindo a influência cristã na população. Sendo definido por "cristãos", os judeus que aceitaram a palavra de Jesus e pessoas que seguiam a religião de Roma [que conhecemos como Mitologia Romana] ou outra religião e se converteram.
Até que a religião é oficializada, Roma cede e passa a existir a Igreja Católica Apostólica Romana. Deixa de ser uma religião de pescadores para se tornar poderosa.

Depois disso, vieram as Cruzadas, a 1ª tradução da Bíblia em latim por Lutero para o alemão, a invenção da Imprensa, a dissidência que deu origem às outras religiões cristãs - tão válidas quanto a primeira -, a Inquisição e por aí vai...
 

adrieldantas

Relax and have some winey
Nossa! O pessoal aqui leva os tópicos a serio mesmo (risos). Começou com um simples tópico de noticias.
 
Logo depois, Roma começa a cair em decadência por "n" motivos, incluindo a influência cristã na população. Sendo definido por "cristãos", os judeus que aceitaram a palavra de Jesus e pessoas que seguiam a religião de Roma [que conhecemos como Mitologia Romana] ou outra religião e se converteram.
Até que a religião é oficializada, Roma cede e passa a existir a Igreja Católica Apostólica Romana. Deixa de ser uma religião de pescadores para se tornar poderosa.

Depois disso, vieram as Cruzadas, a 1ª tradução da Bíblia em latim por Lutero para o alemão, a invenção da Imprensa, a dissidência que deu origem às outras religiões cristãs - tão válidas quanto a primeira -, a Inquisição e por aí vai...
Não entendi, o que você entende por válida? Verdadeira? As igrejas protestantes dizem que só a fé salva, a católica prega que são as obras e a fé que justificam. Como podem ser válidas duas verdades opsotas, uma tem de ser verdadeira e a outra falsa. Duh.

E a Igreja católica surgiu com Cristo confirmando Pedro como chefe do colégio apostólico, ela se tornou romana quando se separou das Igrejas orientais, ou melhor, já havia um processo de centralização de poder nas mãos dos papas por volta do século VI e VII, que só piorou.


Por isso que eu disse que santo Inácio de Antioquia já chamava a Igreja de católica no século I e outros documentos antigos corroboram tal afirmação, assim como é absurdo que a Igreja católica 'surgiu' com o Império Romano em sua decadência muito menos que o cristianismo cooperou para tla decadência.
 
Não entendi, o que você entende por válida? Verdadeira? As igrejas protestantes dizem que só a fé salva, a católica prega que são as obras e a fé que justificam. Como podem ser válidas duas verdades opsotas, uma tem de ser verdadeira e a outra falsa. Duh.
Você acha que a "verdadeira" é a Igreja Católica... o que não significa que vocês esteja certo e nem sequer que todas as outras pessoas sejam obrigadas a concordar

2º Como eu disse no outro post, eu acredito que a "verdade" é muito maior e mais complexa do que é capaz de julgar a vã filosofia humana. Parafraseando Gandalf: nem os mais sábios conseguem ver o quadro todo!

3º Cada um tem o direito de acreditar no que quiser. Mas a Igreja Católica sempre fez de tudo para impedir que as pessoas pensassem por conta própria! Até que, finalmente, graças à Lutero, o ocidente se libertou dessa opressão.
 
Relativismo wins.

O próprio Lutero reclamou, li em algum lugar, que o livre exame dava margens a que cada fiel formasse sua própria doutrina, corrompesse a fé como quisesse.

Se a verdade não pode ser conhecida, Jesus mentiu, porque ele é a Verdade e ele se deu a conhecer. Trai o Mestre quem o despreza desa forma.

E se a verdade não existe, o que fazemos nesse fórum, debatendo, argumentando, discutindo? ALGUMA VERDADE TEM DE HAVER, algum parâmetro para julgar e decidir, avaliar e opinar. Do contrário vivemos no caos.

E como você ousa dizer que a Igreja manda a gente crer sem pensar. Você leu santo Agostinho, santo Tomás, santo Afonso Maria de Ligório? Por Deus, nós temos uma infinidade de Doutores teólogos e grandes pensadores que punham na mesa da racionalidade TODOS os dogmas da fé. É muito fácil seguir a onda da multidão e criticar a doutrina católica. Ler os documentos papais, conciliares, teológicos ninguém quer.

Anyways, excelente tópico.
 
Relativismo wins.

O próprio Lutero reclamou, li em algum lugar, que o livre exame dava margens a que cada fiel formasse sua própria doutrina, corrompesse a fé como quisesse.
O que é o certo!
Ou você já se esqueceu do Livre Arbítrio????

E outra: quem disse que papas e padres são mais capacitados para interpretar os Livros Sagrados do que qualquer outra pessoa? Eles são tão humanos quanto qualquer outra pessoa... nem melhores, nem piores...

Se a verdade não pode ser conhecida, Jesus mentiu, porque ele é a Verdade e ele se deu a conhecer. Trai o Mestre quem o despreza dessa forma.
A questão é: qual a interpretação correta do que ele disse?
Ele pode ter dito a Verdade... mas dizia muita coisa em enigmas... se isso não desse margem a diferentes interpretações, não haveria diferentes interpretações.

E se a verdade não existe, o que fazemos nesse fórum, debatendo, argumentando, discutindo? ALGUMA VERDADE TEM DE HAVER, algum parâmetro para julgar e decidir, avaliar e opinar. Do contrário vivemos no caos.
ONDE foi que eu disse que ela NÃO existe, você pode me mostrar?
Eu disse que ela é MAIOR e mais COMPLEXA.

E como você ousa dizer que a Igreja manda a gente crer sem pensar.
Muito simples: eu não sou católica e eu estudei História ;)

Portanto, eu "ouso" dizer o que eu penso sim!
Não devo nada à Igreja e não tenho medo dela - como as pessoas que pensavam por conta própria tinham nas Idade Média e na Moderna.

Se torturar as pessoas e queimá-las na fogueira é uma maneira de fazer valer o livre pensamento e o Livre Arbítrio, estamos falando de coisas bem diferentes...

Você leu santo Agostinho, santo Tomás, santo Afonso Maria de Ligório? Por Deus, nós temos uma infinidade de Doutores teólogos e grandes pensadores que punham na mesa da racionalidade TODOS os dogmas da fé. É muito fácil seguir a onda da multidão e criticar a doutrina católica. Ler os documentos papais, conciliares, teológicos ninguém quer.
Primeiro, li pouca coisa de St. Agostinho e não gostei / discordo de boa parte.

Segundo, é muito fácil fazer discurso sobre o que você leu e sabe, mas não deixar as pessoas terem acesso à fonte.

Terceiro, é claro que não estou falando tanto assim "no presente"... Afinal, hoje em dia a Igreja Católica - ou qualquer outra - não tem escolhas... o conhecimento sobre qualquer assunto nunca foi tão acessível.
Mas no passado, sim... as Bíblias eram confinadas e sempre escritas em latim. As missas eram em latim há menos de 1 século. E as pessoas não eram alfabetizadas... logo, era fácil manipulá-los se não tinham conhecimento suficiente para contestar. E calavam os que contestavam e provavam que estavam certos, como Galileu Galilei.

Mas a lavagem cerebral ainda resiste muito fortemente... infelizmente!
 
Ai, Aranel, é tão cansativo ficar contra-argumentando em cima das MESMAS coisas eternamente!!! Mas veja quando falei 'ousar' quis dizer que existem uma série de considerações que você não levou em conta.

Segundo, não existe lavagem cerebral. A IGREJA CATÓLICA ROMANA E A CATÓLICA ORTODOXA SÃO COISAS DIFERENTES!!!. Nessa última jamais houve uma uniformização linguísitca e litúrgica, cada rito de cada país adquiria a cultura e a língua do respectivo país. A latinização da Europa se deveu a um processo histórico bem deifnido, não foi feito apra amnter os fieis na ignorância, isso é uma ofensa à fé de muitas pessoas manifestada na devoção a inúmeros santos e pastores que guardaram a fé de forma correta durante séculos.

Mas aí temos o nó górdio. Segundo a doutrina católica romana, todo fiel deve obedecer ao Papa como se ouvisse a Cristo, já o fiel ortodoxo se mantém fiel unicamente aos desígnios dos 7 primeiros concílios ecumênicos, como forma de impedir 'adições falsas posteriores', algo de que Roma abusou. Como se vê acabamos entrando na mesma questão: o que define a verdadeira doutrina e interpretação?

A Bíblia não caiu do céum ela foi formada por homens que a consideraram canônica, PELO ESPÍRITO SANTO, que agia em suas decisões porque Jesus O enviou à Sua Igreja que jamais cairia sob o domínio do demônio. Nisso cremos. Como crer então que o estudo da Bíblia pode ser separado da autoridade da Igreja e da Tradição apostólica?

Você quer fontes?

http://www.ultimasmisericordias.com.br/Pagina/614/A-SAGRADA-TRADICAO
http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/550-sagrada-tradicao-protestantes
http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/igreja_ortodoxa/a_igreja_ortodoxa_fe_e_liturgia2.html
 

Morfindel Werwulf Rúnarmo

Geofísico entende de terremoto
Por isso que eu disse que santo Inácio de Antioquia já chamava a Igreja de católica no século I e outros documentos antigos corroboram tal afirmação, assim como é absurdo que a Igreja católica 'surgiu' com o Império Romano em sua decadência muito menos que o cristianismo cooperou para tla decadência.
Não interessam os rótulos, mas sim o conteúdo, ele a chamava de católica pois significa universal em grego (me lembro, está na Bíblia).

Não tenho nada para acrescentar, mas parabéns, Elriowiel.
 
Exato, católica a Igreja sempre foi, jamais houve uma 'fundação' de uma Igreja católica. Houve uma fundação de um papado monárquico, mas mesmo antes de COnstantino, a Igreja já tinha uma organização eclesiástica, liturgia, cânones, etc.
 
Isso é dogma, Morfindel, a Igreja é una, independente de serem várias igrejas e jurisdições, a fé e a doutrina são a mesma, assim como os ritos. A Igreja é una na diversidade.

Isso na ortodoxa, a romana se tornou megalomaníaca graças à centralização do poder na mão dos papas.
 
O Edra pode conseguir um material melhor e mais abrangente já que é um católico de verdade e eu só um pinto novo, mas...

Sobre o erro protestante de considerar as Escrituras como única regra de fé, excluindo a Tradição e o Magistério:

Desde a Reforma Protestante do séc. XVI, os irmãos separados seguem uma doutrina que a verdadeira Igreja de Cristo jamais aceitou em seu meio: a "Sola Scriptura", ou seja, a falsa idéia de que somente a Bíblia é a fonte de autoridade e fé para o cristão, refutando a Sagrada Tradição e a autoridade da Igreja.

Adotando tal conceito, as igrejas de tradição protestantes multiplicam-se tão rapidamente quanto as células de uma criança... Hoje, existem mais de 20 mil denominações evangélicas, cada qual pregando sua "verdade particular", como se esta não foi Única.

O erro consiste em querer limitar a Palavra de Deus e crer que é o Espírito Santo que os dirigem em suas interpretações da Sagrada Escritura. Os testemunhos abaixo demonstram que a adoção da "Sola Scriptura" nunca foi defendida pela Igreja Primitiva pois levava às piores heresias... É, assim, um recado vivo para o mundo de hoje onde a multiplicidade de doutrinas leva a fé cristã ao descrédito dos infiéis.

"Perguntando eu com toda a atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar segura para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, sob o duplo auxílio divino: primeiro, com a autoridade da lei divina e segundo com a tradição da Igreja católica. Ao chegar a este ponto, talvez pergunte alguém: sendo perfeito como é o cânon das Escrituras e suficientíssimo por si só para todos os casos, que necessidade há de se acrescentar a autoridade da interpretação da Igreja? A razão é que, devido à sublimidade da Sagrada Escritura, nem todos a entendem no mesmo sentido, mas cada qual interpreta à sua maneira as mesmas sentenças, de modo a se poder dizer que há tantas opiniões quantos intérpretes. De uma maneira a expõe Novaciano, diversamente Sabélio, Donato, Ário, Eunômio, Macedônio; de outra forma Fotino, Apolinário, Prisciliano; de outra, ainda, Joviniano, Pelágio, Celéstio ou Nestório. Portanto, é necessário que, em meio a tais encruzilhadas do erro, seja o sentido católico e eclesiástico o que assinale a linha diretriz na interpretação da doutrina dos profetas e apóstolos. E na própria Igreja Católica deve-se procurar a todo custo que nos atenhamos ao que, em toda a parte, sempre e por todos foi professado como de fé, pois isto é próprio e verdadeiramente católico, como o diz a índole mesma do vocábulo, que abarca a globalidade das coisas. Ora obte-lo-emos se seguirmos a universalidade, a antigüidade e o consentimento. Pois bem: seguiremos a universalidade se professarmos como única fé a que é professada em todo o orbe da terra pela Igreja inteira; a antigüidade, se não nos afastarmos do sentir manifesto de nossos santos pais e antepassados; enfim, o consentimento, se na mesma antigüidade recorrermos às sentenças e resoluções de todos ou quase todos os sacerdotes e mestres" (Vicente de Lérins, +450, Comonitório).
 

Elring

Depending on what you said, I might kick your ass!
Uma passagem interessante sobre a origem do termo "cristão" que, em sua origem, era um apelido dado pelos moradores de Antióquia aos seguidores de Jesus. Antes disso, eram chamados por "nazarenos" ou "galileus", pois, o termo "cristo" significa "ungido", honorífico dado somente ao Messias judeu.

A passagem está em Atos 11:26.
 

Morfindel Werwulf Rúnarmo

Geofísico entende de terremoto
Uma passagem interessante sobre a origem do termo "cristão" que, em sua origem, era um apelido dado pelos moradores de Antióquia aos seguidores de Jesus. Antes disso, eram chamados por "nazarenos" ou "galileus", pois, o termo "cristo" significa "ungido", honorífico dado somente ao Messias judeu.

A passagem está em Atos 11:26.
Um professor de latim me disse que o termo christianus era uma alcunha depreciativa dada pelos romanos cujo significado seria como Cristozinho, arremedo de Jesus.
 
Eu estou presenciando uma discussão semântica meio vazia, mas enfim, é bom porque resolve certas curiosidades. Outro ponto que seria interessante colocar são os concílios.

Listinha:

SÍNTESE DOS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS

1. Nicéia, 325

Assunto: A Natureza de Cristo dentro da Trindade.

Personagens: Ário, de Alexandria; Alexandre, de Alexandria; Eusébio de Nicomédia.

Resolução: O imperador Constantino, chamou os bispos para Nicéia. Mais de 300 bispos se fizeram presentes. O credo oferecido por Eusébio de Cesaréia foi rejeitado. Escreveu-se o credo de Nicéia, com as declarações “gerado, não feito... consubstancial com o Pai (homo-úsios)”. Foram rejeitadas frases arianas, tais como “havia tempo quando ele não era”, e “feito do que não era”. Foram exilados os poucos que não aceitaram a fórmula nicena. A unidade eclesiástica foi o grande objetivo do imperador.

2. Constantinopola, 381

Assunto: O modo em que a humanidade e a divindade se relacionam em Jesus Cristo. Conflito entre a escola de Alexandria (alegorista) e a de Antioquia (literalista).

Personagens e Ensinos: Apolinário, bispo de Laodicéia na Síria... disse que Jesus teve corpo e alma humanos, mas que não teve espírito (mente) humano... no lugar do espírito (mente) humano estava o “Logos”. Deste jeito, Apolinário procurava destacar a unidade de Jesus e não a dualidade, pois “não existem dois Filhos de Deus” . Do outro lado, Damário, bispo de Roma, e Gregório de Nazianzo (um dos grandes capadócios) argumentaram que Deus salva o homem na sua totalidade... corpo, alma e espírito (mente). Na sua encarnação, Cristo juntou-se ao espírito humano para salvá-lo. Sem tal união, o espírito do homem não seria salvo. Deste jeito, destaca-se mais a dualidade de Cristo... espírito humano e espírito divino.

Resolução: Houve vários sínodos que se pronunciaram contra o apolinarismo, e este foi condenado, por fim, neste 2º concílio ecumênico em Constantinopola . Este concílio também re-afirmou as decisões de Nicéia contra o arianismo.

3. Éfeso, 421

Assunto: O modo em que a humanidade e a divindade de Jesus Cristo se relacionam... qual foi a maneira de Jesus Cristo vir ao mundo, e qual foi a sua natureza na encarnação. O termo mais controvertido foi “theótokos”, termo aplicado a Maria e significando “mãe de Deus/genitora de Deus”.

Personagens e Ensinos: Nestor e Anastácio de Constantinopola, Diodoro de Tarso, Teodoro de Mopsuéstia... ensinaram a plenitude da natureza humana em Cristo (como sempre foi o ensino da escola de Antioquia). Nestor, afirmou a presença em Cristo de duas pessoas, e não somente de duas naturezas. A união que existe entre a pessoa humana e a pessoa divina é uma conjugação ou “união moral”,. Do outro ladi, Cirilo de Alexandria, com o apoio de Celestino I, bispo de Roma. Eles argumentaram que simples união moral entre Deus e um ser humano não pode nos salvar.
Cirilo, era ciumento e tinha ambição inescrupulosa, querendo abalar os patriarcados de Antioquia e Constantinopola.

Resolução: Concílio ecumênico, convocado pelo imperador. Concílio aconteceu em circunstâncias de confusão. Em junho, sessão liderada por Cirilo, e dominada pelos bispos do Egito, condenou e depôs a Nestor. Em julho, João de Antioquia com seus seguidores (todos chegados atrasados) condenaram e depuseram Cirilo e seus seguidores. Em agosto, os legados papais (também chegados atrasados) juntaram-se a Cirilo e seus bispos, e declararam deposto não somente Nestor mas também a João. Ao mesmo tempo condenaram o pegianismo. Mais tarde Cirilo e João fizeram um acordo, mas Nestor não foi convidado a participar e ficou exilado até a morte.

4. Calcedônia, 451

Assunto: A humanidade e a divindade de Cristo. A questão de uma natureza ou duas.

Personagens e ensinos: Da escola de Alexandria... Dióscoro, bispo de Alexandria. Êutico, abade em Constantinopola, mas partidário do falecido Cirilo de Alexandria; Crisápio, capelão do imperador em Constantinopola e político poderoso. Êutico, negou que Cristo existisse em duas naturezas depois da encarnação e que fosse “consubstancial conosco” (da mesma natureza que o homem) por causa da sua humanidade. Da escola de Antioquia... Flaviano, bispo de Constantinopola; Pulquéria, irmã do imperador, e Marciano, marido de Pulquéria... com o apoio de Leão, o Grande, bispo de Roma.

Resolução: Este concílio, foi convocado em substituição a um concílio realizado em Éfeso, em 449, que foi presidido por Dióscoro... Êutico foi reabilitado e Flaviano foi condenado. Dióscoro, recusou ler carta doutrinária de Leão (“O Tomo”). Flaviano, foi batido e pisado, e morreu poucos dias depois. Leão chamou o concílio de Éfeso de “conciliábulo de ladrões”. Depois da morte do imperador, Pulquéria e Marciano convorcaram este novo Concílio em Calcedônia, 451. Estiveram presentes 520 bispos. Condenaram a Êutico e a Dióscoro. O Tomo de Leão foi lido e aprovado com aclamação. A definição aceita foi a de existir: “duas naturezas em uma só pessoa”.

5. Constantinopola (2º) , 553

Assunto: O modo em que a humanidade de Cristo se relaciona com a divindade. Os “monofisitas” afirmavam que Cristo tinha uma só natureza.

Personagens, Ensinos e o curso de eventos: A política imperial e a teologia oficial produziram confusão eclesiástica.

1. Egito e Síria, as províncias mais ricas do oriente e do império, tendiam cada vez mais para o mofisismo (uma só natureza em uma só pessoa)... mas a teologia oficial da igreja era, “duas naturezas em uma só pessoa” (Concílio de Calcedônia, 451).

2. Egito e Síria, com problemas sociais, políticos e econômicos, se distanciavam da política de Constantinopola, e isso aumentou a tendência de rebelar-se na área teológica.

3. Basílisco, imperador (475-476), quis condenar o Concílio de Calcedônia, para tentar ganhar de volta os rebeldes do oriente.

4. Zenon, imperador 476-491, publicou em 482, um edito de união (O Heníticom) com o apoio de Acácio, bispo de Constantinopola... mas, em vez de unir todos os cristãos, ele conseguiu dividir os monofisitas liberais e conservadores, e afastou a Igreja do ocidente.

5. Félix III, bispo de Roma 483-492, achou que o imperador não tinha direito de intervir em assuntos teológicos. Félix acabou excomungando Acácio de Constantinopola em 485, e o cisma (o chamado “Cisma de Acácio”) durou até 519. Em 519, o imperador Justino e Hormisdas, bispo de Roma, reafirmaram o Concílio de Calcedônia, assim acabando com o Cisma de Acácio.

6.Em 519, o imperador Justino e Hormisdas, bispo de Roma, reafirmaram o Concílio de Calcedônia, assim acabando com o Cisma de Acácio.

7. Justiniano, imperador 527-565, tentou reconciliar os cristãos do oriente e do ocidente. Ele pensou que não devia condenar o Concílio de Calcedônia, mas que podia agradar aos rebeldes monofisitas por meio de condenar três teólogos cujos escritos serviram de base para algumas frases na declaração de Calcedônia... Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro, e Ibas de Edessa. Esta condenação foi conhecida como a “Condenação dos Três Capítulos”. Teve bom êxito no oriente, sendo aceito por Severo, bispo de Antioquia... mas dividiu o ocidente, e foi rejeitado por muitos bispos.

Resolução: O Concílio manteve a Condenação dos Três Capítulos, e representou os interesses do imperador. O papa, e a Igreja do ocidente, não quiseram aceitar, mas acabaram cedendo e conformando-se às decisões do Concílio.

6. Constantinopola (3º), 680-681

Assunto: O monotelísmo... afirmou que Cristo tinha duas naturezas, mas uma só vontade.

Personagens e Ensinos: Sérgio, bispo de Constantinopola, em princípios do século, fez a última tentativa de ganhar de volta os monofisitas. Ensinou que, apesar de ter duas naturezas, Cristo tinha uma só vontade, a divina. Honório, bispo de Roma, deu seu apoio a este ensino.

Resolução: Concílio, muitos anos depois... Sérgio e Honório tinham morrido, mas o ensino ainda estava vivo e causando controvérsia. O Concílio condenou Sérgio e Honório e outros monotelitas

7. Nicéia (2º), 787 – Último concílio universal

Assunto: O uso de imagens nas igrejas e no culto.

Personagens e ensinos: Os iconoclastas, destruidores de imagens. Os iconodulos, adoradores de imagens. Leão III, imperador 717-741, condenou o uso de imagens, e fez campanha contra elas. Talvez o imperador fosse em parte pressionado por muçulmanos, que condenaram todas as imagens. Constantino V, filho de Leão, convocou um concílio em 754, o qual proibiu o uso de imagens no culto. A igreja ocidental não aceitou a decisão deste concílio. Houve grande confusão teológica. No oriente, os monges, muitos clérigos e muitas pessoas simples queriam de volta as imagens. Apoiavam-se nos argumentos de João de Damasco, famoso teólogo (aproximadamente 675-749). A imperatriz Irene estava a favor de imagens, e decidiu convocar mais um concílio, juntamente com Tarásio, bispo de Constantinopola, e Adriano, bispo de Roma.

Resolução: O Concílio (2º de Nicéia, aceito como o 7º Concílio Ecumênico) fez duas coisas: restaurou o uso de imagens nas igrejas e nos cultos, e, diferenciou entre “latria”, a adoração que se deve a Deus, e “dulia”, a veneração inferior que se presta a imagens. No início, houve confusão no ocidente, porque o latim não possuía duas palavras para fazer a distinção exata que se fez através dos termos gregos “latria” e “dulia”.

Augusto Bello de Souza Filho
Bacharel em Teologia
Interessante essa lista porque esses são os concílios aceitados por todas as Igrejas Católicas, a Romana e as Orientais.

Temos aqui a listinha completa dos concilios, inclusive os romanos:

«Os Concílios da Igreja»

Ano Concílio Assunto Principal
Concílios da Igreja Indivisa

50 C. de Jerusalém As leis judaicas e os cristãos}
325 1º C. de Niceia Contra o arianismo. Credo
381 1º Constantinopla Finalização do Credo
432 C. de Éfeso Contra o nestorianismo
451 C. de Calcedónia Contra o monofisitismo princípio da união hipostática
553 2º Constantinopla Contra os nestorianos
681 3º Constantinopla Contra o monotelitismo
767 2º C. de Niceia Legaliza veneração de imagens
867 e 1064:Cismas entre as Igrejas Romana e Ortodoxas

Concílios da Igreja Romana

869 4º Constantinopla A paz entre o Ocidente e o Oriente
1123 1º de Latrão Disciplina. contra os Valdenses e Albigenses.
1139 2º de Latrão Idem
1179 3º de Latrão Idem
1215 4º de Latrão Idem
1245 1º de Lião
1274 2º de Lião
1311 C. de Viena
1414 C. de Constância Fim da rivalidade entre os papas
1431 Basileia-Ferrara- Florença-Lausana Reforma e união com as igrejas orientais
1512 5º de Latrão
A partir de 1517: Reforma e surgimento das Igrejas Protestantes

1545 Concílio de Trento Contra- Reforma
1870 1º Concílio Vaticano Doutrina da infalibilidade papal
1962 2º Concílio Vaticano Aggiornamento da Igreja
 
Última edição:
Existe esse artigo do Veritatis, um site de apologética católica, retirado da Revista Pergunte e Responderemos sobre um Simpósio tratando do tema da Inquisição. Aqui temos vários pontos ignorados ou esquecidos frequentemente quanso se fala do tema:

"A Inquisição"

Em síntese: Realizou-se em Roma de 29 a 31 de outubro de 2000 um Simpósio Internacional sobre a temática da Inquisição, cujas atas foram publicadas. O presente artigo transmite alguns traços importantes do grosso livro daí resultante, tendo em vista especialmente a bruxaria.

De 29 a 31 de outubro de 2000 realizou-se em Roma um Simpósio internacional sobre a densa temática da Inquisição. Pronunciaram-se sobre o fato com objetividade científica vários historiadores, cujos trabalhos foram posteriormente editados sob o título “L’INQUISIZIONE", volume precioso pela riqueza dos temas debatidos.

O problema "Inquisição" já foi freqüentemente abordado em PR; ver 384/1994, pp. 214ss; 452/2000, pp. 2ss: 454 2000, pp. 120ss. Nas páginas subseqüentes consideraremos os traços de mentalidade que inspiraram a Inquisição tais como são apresentados pelos expositores da temática do Simpósio.

1. A mentalidade inspiradora

A Apresentação do tema do Simpósio é da autoria do Cardeal Georges Cottier, que se refere à Exortação Apostólica “Tertio Millennio Adveniente". Neste documento o Papa João Paulo II pondera o tema "Inquisição" como sendo "um capitulo doloroso ao qual os filhos da Igreja não podem deixar de voltar numa atitude de arrependimento; com efeito, consentiram, principalmente em certas épocas, em aplicar métodos de intolerância e até de violência ao serviço da verdade" (n° 35).

Nesta passagem interessa salientar que, segundo o Papa, o arrependimento toca aos filhos da Igreja, ficando a Mãe Igreja avessa à culpa de seus filhos, pois é, conforme São Paulo, "a Esposa de Cristo sem mancha nem ruga" (Ef 5, 25-27). A distinção entre "Mãe Igreja" e "filhos da Igreja" corresponde à que Jacques Maritain propõe entre "Pessoa" e "pessoal da Igreja"; quem peca, são os filhos ou o pessoal da Igreja.

Pouco adiante o Papa acrescenta; "Verdade é que, para julgar corretamente o passado, não nos podemos dispensar de considerar atentamente os condicionamentos culturais da respectiva época; com efeito, pelo influxo desses condicionamentos muitos puderam, de boa fé (candidamente), pensar que para dar autêntico testemunho da verdade era necessário reduzir ao silêncio, ou ao menos marginalizar, a opinião alheia. Freqüentemente concorriam vários motivos para a produção de um terreno favorável à intolerância, alimentando um clima passional ao qual apenas grandes gênios verdadeiramente livres e cheios de Deus conseguiam de certo modo escapar" (n° 35).

E quais seriam esses condicionamentos culturais?

Sejam enumerados os três seguintes:

a) Alta estima dos valores espirituais

A alma humana, alimentada pela fé é chamada a participar da bem-aventurança do próprio Deus - verdade esta que era grandemente apreciada... Ora a heresia deteriora a fé e, segundo os antigos, é blasfêmia contra Deus e perigo de envenenamento para a alma humana. São Tomás de Aquino (f 1274) levava esta concepção ao ponto de dizer que a heresia é crime de blasfêmia, que o Antigo Testamento punia com a pena capital,... considerada também crime de lesa-majestade divina que o Direito Romano punia com a mesma pena. São palavras do Santo Doutor:

"Os hereges podem licitamente ser condenados à morte por um julgamento civil, pois blasfemam contra Deus e observam uma falsa fé. Assim podem ser punidos com mais razão do que aqueles que cometem o crime de lesa-majestade ou o de falsificação de moeda" (II Sententiarum, dist. 13, questão 2, artigo 3c).

São Tomás fazia o paralelo entre a lesa-majestade divina e a imperial (humana) porque vivia num regime de Cristandade, que aspirava ao ideal da Cidade de Deus na terra ou à teocracia. Como ele, deviam pensar muitos mestres e discípulos de épocas passadas.

A esta nota cultural se associa a seguinte:

b) "Um Tribunal assistido"

Sob este título o Prof. Jean-Louis Biget desenvolve considerações, mostrando que à Inquisição não podiam deixar de estar ligados interesses políticos, pois nada na Idade Média (e ainda posteriormente) era meramente leigo ou profano, dado o regime de Cristandade:

"A Inquisição é sempre considerada uma instituição da Igreja. Isto está certo, mas convém enfatizar uma realidade fundamental, evidente, mas freqüentemente esquecida, a saber: a Inquisição só podia atuar associada aos poderes leigos. Ela não dispunha de poder material. Ela só podia incutir temor, se contasse com o apoio dos príncipes e dos Governos. Em lugar nenhum os inquisidores podiam prender alguém, assentar-se, julgar, mandar executar sua sentença.... se não dispusessem da força armada e da assistência do regime local, dos seus representantes e dos seus agentes.

Essa colaboração era tida como um dever de Estado por parte dos detentores do poder temporal. Tal colaboração era mais fácil na medida do interesse dos governantes na confiscação dos bens dos condenados, que redundavam em favor do Estado em troca do sustento ministrado aos inquisidores - sustento este que criava uma forte dependência dos inquisidores em relação ao poder civil. Na verdade, os gastos com os inquisidores eram elevados, como demonstram as raras prestações de contas que foram conservadas.

Enfim é certo que a erradicação dos comportamentos indesejados e o reforço da unidade da Igreja e de unidade da fé serviu à unidade politica numa época em que o vínculo religioso era a única garantia da coesão das populações" (Atas p. 75).

Estas reflexões dão a entender ainda outro fato: com o passar do tempo, a Inquisição foi não somente sustentada, mas foi também manipulada pelo poder do Estado atendendo a interesses políticos: tenham-se em vista os casos dos Cavaleiros Templários, vítimas da Inquisição manipulada pelo rei Filipe IV o Belo, da França, em 1312, e o de S. Joana d'Arc, condenada por pressão das autoridades inglesas, porque impedia a invasão da França por parte da Inglaterra. Muito mais ainda foi manipulada a Inquisição na península ibérica, principalmente na Espanha, onde os reis queriam unificar a população eliminando judeus e árabes. Por causa da sua ingerência nos processos inquisitoriais os monarcas espanhóis entraram mais de uma vez em conflito com a Santa Sé; quando foi abolida no século XIX trazia o título de "Inquisição Régia". Ver PR 504/ 2004, pp. 432; 403/1995, pp. 549.

c) Demônios e bruxo(a)s

Entre os parâmetros culturais dos antigos, existe um que pode parecer especialmente estranho ao cidadão contemporâneo, mas que motivou celeuma: a bruxaria.

Por "feiticeira" ou "bruxa" entendia-se, naquela época, uma mulher manipulada em seu corpo (sexualmente) pelo demônio. Admitia-se que o Maligno pudesse ter consorcio sexual com mulheres: se fosse demonio masculino, seria chamado íncubo (de noite copulava com mulheres, perturbando-lhes o sono e causando-lhes pesadelos, como se dizia). Se fosse demônio feminino, era dito súcubo, aquele que se deita por baixo, copulando com um homem e causando-lhe pesadelos. Deste contato carnal nasceriam filhos... filhos enfeitiçados e malvados sobre a terra!

Os medievais acreditavam na existência de tais seres e tais fenômenos - o que, na verdade, é totalmente impossível, pois o demônio (anjo mau) não tem sexo nem corporeidade. Movidos por tal crença, os defensores da boa Ética, na Idade Média, não podiam deixar de se insurgir com veemência contra tal procedimento; era, para eles, um dever de consciência ao qual não se podiam furtar sem que a consciência os acusasse gravemente.

Evidentemente em nossos dias nenhum teólogo afirma que o demônio tem corpo e pode efetuar cópula sexual. É espírito, independente de qualquer constituição somática. Os antigos, porém, tiveram dificuldade de conceber um espírito puro, isento de corporeidade (ainda que etérea ou sutil). Os estóicos imaginavam o pneuma divino como algo de corpóreo a penetrar o mundo material. Os judeus iam mais longe: admitiam que os anjos tivessem pecado sexualmente com mulheres, dando ocasião ao dilúvio narrado em Gn 6-9; cf. Gn 6, 1s (e a interpretação dada pela tradução grega dos LXX). Na Tradição cristã, tal concepção esteve presente até o fim da Idade Média, como se vê; nunca foi dogma de fé, mas apenas tese comum.

Compreende-se que quem abraçasse tal pressuposto e admitisse a existência de íncubos e súcubos, reagisse energicamente contra tão grande mal. Os medievais o faziam de boa fé, dentro das categoriais de pensamento que lhes eram familiares e de cuja validade não duvidavam. Os historiadores que hoje consideram esse passado, tendem a julgá-lo através das categorias de pensamento modernas, exigindo dos antigos o que não sabiam, nem podiam dar.

Aos 5 de dezembro de 1484 o Papa Inocêncio VIII assinou uma Bula que condenava a prática da bruxaria, como se depreende do texto abaixo:

"Inocêncio Bispo, Servo dos Servos de Deus, para a perpétua recordação dos fatos...

Recentemente chegou aos nossos ouvidos, não sem nos molestar profundamente, a notícia de que em territórios da Alemanha Setentrional (províncias da Mogúncia, Colônia, Tréviris) assim como nas províncias, cidades, terras e nos locais de Salzburg e Bremen, várias pessoas de ambos os sexos, esquecidas de sua salvação e desviadas da fé católica têm tido relações com demônios íncubos e súcubos e mediante encantamentos, canções renegam sacrílegamente a fé do seu Batismo... por instigação do inimigo do gênero humano...".

Aliás já aos 19 de abril de 1080 o Papa Gregório VII dirigia uma carta ao rei Hakon da Dinamarca em que condenava prática semelhante e a bruxaria existente naquele país, conforme o Prof. Gustav Henningsen, à página 595 das Atas.

Vê-se assim quão antiga e persistente foi a crença na possibilidade de cópula carnal dos demônios com seres humanos. Tal temática será mais amplamente explanada no Apêndice deste artigo.

A propósito do número de pessoas condenadas pela Inquisição há quem fale de milhares ou mesmo milhões de vítimas, dando largas à fantasia sem citar documentação correspondente. Na verdade, não é possível avaliar o total de execuções perpetradas pela Inquisição, pois faltam estatísticas e registros que dêem uma noção fiel dos acontecimentos. As próprias Atas do Simpósio são sóbrias a respeito; um vislumbre da história é oferecido pelo Prof. Gustav Henningsen à p. 577ss nos seguintes termos:

"A fim de obter uma idéia mais exata da participação do Santo Ofício na caça medieval às bruxas, examinei a relação de processos feita pelo Prof. Richard Kieckhefer e pude averiguar que os processos de bruxaria propriamente dita estão repartidos entre tribunais civis, episcopais e inquisitoriais. De um total de mil causas. 63% foram julgadas pelas autoridades civis, 17% por tribunais episcopais, ao passo que 20% tocaram à Inquisição.

Quase a metade dos 200 processos por bruxaria ficaram aos cuidados de dois inquisidores alemães: Jacob Sprenger (1436-1495) e Heinrich Institores (1432-1492). Em dado momento a sua fanática perseguição às bruxas no sul da Alemanha provocou a oposição das autoridades civis e eclesiásticas. Os dois inquisidores , porém, apelaram para o Papa Inocêncio VIII, que respondeu com a citada bula "Summis Desiderantes Affectibus", de 5 de dezembro de 1484, bula na qual enumera os malefícios causados pelas bruxas: "matam a criança no ventre de sua mãe, fazem o mesmo com o feto do gado, extinguem a fertilidade dos campos, estragam os frutos da videira e de outras árvores frutíferas, prejudicam as plantações de trigo e outros cereais, molestam homens e mulheres com espantosas doenças internas e externas, impedem os homens de copular e as mulheres de conceber, já que marido e mulher não se reconhecem mais".

A bula papal teve como resultado fazer que o povo desse seu apoio à Igreja no combate a bruxaria.

A minuciosa consideração do passado sugere uma reflexão sobre o presente e o futuro da Igreja.

2. O olhar se volta do passado para o presente e o futuro

O Cardeal Georges Cottier, seguindo o traçado da Exortação Apostólica "Tertio Millennio Adveniente", propõe uma lição do passado para o presente e o futuro da Igreja assim formulada por João Paulo II:

"Dessas atitudes dolorosas do passado depreende-se uma lição para o futuro, lição que deve incitar todo cristão a observar a regra de ouro definida pelo Concílio: 'A verdade só se impõe pela força da própria verdade, que penetra o espírito com suavidade e não menos poder'" (n° 8).

"Por fim, o passado nos convida a um sério exame de consciência... Os cristãos devem colocar-se humildemente na presença do Senhor para se interrogar sobre a responsabilidade que lhes toca frente aos males do nosso tempo" (n° 36).

O Papa João Paulo II voltou mais explicitamente a este ponto na sua bula sobre o Mistério da Encarnação, datada de 29 de novembro de 1998:

"A história da igreja é uma história de santidade. O Novo Testamento sublinha esta característica dos batizados: são "santos" na medida em que, separados do mundo enquanto sujeito ao Maligno, se consagram a prestar o culto ao único e verdadeiro Deus: de fato, esta santidade manifesta-se nas vidas de tantos Santos e Beatos reconhecidos pela Igreja, mas também na vida de uma multidão imensa de mulheres e homens desconhecidos, cujo número é impossível calcular (cf. Ap 7, 9). A sua vida atesta a verdade do Evangelho, oferecendo ao mundo o sinal visível de que a perfeição é possível. No entanto, é forçoso reconhecer que a história registra também numerosos episódios que constituem um contra-testemunho para o cristianismo. Por causa daquele vinculo que nos une uns aos outros dentro do Corpo místico, todos nós, embora não tendo responsabilidade pessoal por isso e sem nos substituirmos ao juízo de Deus - o único que conhece os corações -, carregamos o peso dos erros e culpas de quem nos precedeu. Mas, também nós, filhos da Igreja, pecamos, tendo impedido à Esposa de Cristo de resplandecer em toda a beleza do seu rosto. O nosso pecado estorvou a ação do Espírito no coração de muitas pessoas. A nossa pouca fé fez cair na indiferença e afastou muitos de um autêntico encontro com Cristo".

Em suma, é de grande valor a coletânea de estudos que acaba de ser sumariamente apresentada com a seguinte sinalação biblioteconômica: L’INQUISIZIONE: Atti Del Simposio Internazionale, Città dei Vaticano 29 a 31 ottobre 2000, a cura de Agostino Borromeo. - Coleção "Studi e Te st i" n° 417, edição da Biblioteca Apostólica Vaticana 2003.

Fonte:

Revista Pergunte e Responderemos nº 523 / Janeiro de 2006.
 

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