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Grandes Duplas de Ataque

Tópico em 'Esportes' iniciado por Ecthelion, 27 Abr 2007.

  1. Ecthelion

    Ecthelion Mad

    Olá.

    Esse é o tópico pra quem quer discutir sobre as melhores duplas de ataque do passado e do presente.

    Eu começo com um artigo especial do Trivela sobre o Romário e o Bebeto.

    Aí vai!!!


    Bebeto e Romário: a dupla

    Há uma certa dupla de ataque que, com a camisa da Seleção Brasileira principal, colecionou somente bons resultados. Quando um esteve sem o outro, nem sempre o time canarinho se deu bem, mas, nas ocasiões em que os técnicos os puseram juntos em campo, não houve uma derrota sequer. Esse fantástico par ajudou o Brasil a ganhar títulos importantes e marcou muitos gols.

    A descrição acima se aplicaria perfeitamente ao colossal duo Pelé-Garrincha. De fato, nas 40 partidas em que o Brasil contou com seus mais representativos craques, a equipe levantou taças, fez gols em abundância e permaneceu invicta. Entretanto, não é dessa dupla que estamos falando. Referimo-nos a outra, bem mais recente, que teve papel fundamental na Copa América de 1989 e na Copa do Mundo de 1994.

    Bebeto e Romário: dois craques de personalidades bem diferentes, a ponto de um ter ficado conhecido, em certo momento da carreira, como ‘chorão’ e, o outro, como ‘marrento’. Nos gramados, porém, o estilo do carioca baixinho e folgado era muito familiar ao do baiano franzino e tímido. E vice-versa. O futebol os tomou como primos. Primos como os números das camisas que envergavam. O 7 e o 11, aliás, abriam uma exceção quando estavam nas costas de Bebeto e Romário, tornando-se, por 90 minutos, plenamente divisíveis. Com tanto talento compartilhado, ficava difícil para os adversários.

    Nas últimas décadas, nenhuma outra dupla de ataque brasileira apresentou tanta sintonia. Nenhuma foi tão benéfica à Seleção. E pensar que, no começo, o que havia era uma grande rivalidade – em meados dos anos 80, Zico e Roberto Dinamite, ainda em atividade, passavam o cetro do futebol carioca para os ídolos mais jovens, que durante alguns anos disputaram acirradamente a artilharia do Campeonato Carioca. Bebeto e Romário eram a nova cara de Flamengo e Vasco. Ao contrário dos antecessores, eles não perpetuariam o vínculo com o clube em que despontaram. Ambos jogaram (e fizeram história) no outro lado, ambos passaram por um terceiro clube do Rio (Fluminense, no caso de Romário, e Botafogo, no de Bebeto).

    Ambos fizeram sucesso na Espanha, onde foram artilheiros na década de 90. Mas foi a Seleção o ambiente em que puderam atuar juntos, rendendo o máximo que podiam. Máximo? Sim, máximo. Romário teve outros grandes parceiros, mas nenhum tão capaz de achá-lo entre os beques quanto Bebeto, que, por sua vez, também desfrutou da companhia de eficientes colegas, mas nenhum a quem pudesse dizer, como disse a Romário após certo gol na Copa de 1994, “Eu te amo”.

    Bebeto encerrou a carreira mais tarde do que deveria, depois de tentar uma melancólica reedição da velha dupla, no Vasco de 2001. Romário, que àquela altura já era um veterano, encontra-se hoje tomado por um arroubo de vaidade que mancha, por tabela, a já combalida imagem do Vasco sob a gestão de Eurico Miranda. A forçada contagem regressiva para o milésimo gol é o lúgubre desfecho de uma carreira que, naquele mesmo palco – o Maracanã – teve atos magníficos, como as vitórias sobre o Uruguai em 1989 e 1993. Em ambas, Bebeto também esteve em cartaz.

    O número 23
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    Em 23 partidas oficiais da Seleção principal, a dupla Bebeto-Romário figurou no setor ofensivo. Os resultados colhidos foram 17 vitórias e 6 empates, nos quais o time fez um total de 48 gols, tendo sofrido 11. Dos 48 gols marcados, 33 entram na conta da bem-sucedida parceria –- são 18 de Romário e 15 de Bebeto.

    Pela Seleção olímpica, eles ficaram lado a lado em 10 ocasiões, todas em 1988. Em oito delas, Bebeto entrou no decorrer do jogo, substituindo, por exemplo, Edmar (Guarani, Corinthians e Atlético-MG) e Careca (não o mais famoso, e sim o que apareceu no Cruzeiro). Em apenas um desses compromissos, o Brasil saiu derrotado: a final da Olimpíada de Seul, frente à União Soviética, mas vale lembrar que houve empate no tempo normal e que Bebeto foi sacado antes da prorrogação.

    Não entraram em nossa lista de jogos pela Seleção principal as três oportunidades em que Bebeto substituiu Romário (Brasil 1x0 Holanda, em 1992; Brasil 2x0 França, em 1992; Brasil 2x1 Alemanha, em 1998), nem a solitária vez em que o oposto ocorreu (Brasil 3x1 Alemanha, em 1992). Não faria sentido computar essas quatro partidas, pois, nelas, um não esteve acompanhado do outro. Também ficou fora do nosso rol o amistoso não-oficial Combinado da Úmbria 1x0 Brasil, realizado às vésperas da Copa de 1990, já que não passou de um treino televisionado (disputado, inclusive, sem o uniforme oficial), tal como os que antecederam a Copa de 2006. Só para registrar: tanto Bebeto quanto Romário entraram nessa ‘pelada’ aos 68 minutos. O gol do time da Úmbria, marcado por um tal de Artistico, deu-se aos 5 minutos.

    É importante observar que, na relação dos 23 jogos, há muitos válidos por competições de renome, como a Copa do Mundo e a Copa América. O leitor mais crítico há de ficar chocado com a inclusão da Copa América entre as competições relevantes, mas a de 1989 não foi fajuta como as mais recentes, disputadas com times B ou C. Basta dizer que a Argentina trouxe Maradona. Dos 23 embates da lista, seis são de Copa América, sete de Copa do Mundo e três de eliminatórias, ou seja, 70% dos duelos foram realmente importantes, dado que ajuda a realçar a longa invencibilidade, por si só bastante admirável.

    Trajetória na Seleção

    Das 23 partidas em que Bebeto e Romário defenderam, juntos, o selecionado tupiniquim, 10 aconteceram em 1989, e mais 10 em 1994. Isto é, o mais entrosado e eficiente par ofensivo do futebol brasileiro nas últimas décadas praticamente limitou seu serviço na Seleção a dois iluminados anos, com um hiato de quase cinco entre eles. A que se deve isso? Em parte a Sebastião Lazaroni, que, mesmo depois das grandes exibições de Bebeto e Romário na Copa América de 1989 (título que o Brasil não conquistava desde 1949), preferiu, no Mundial da Itália, usar Muller e Careca no ataque. Vale frisar, no entanto, que Romário fraturara a perna meses antes e não se encontrava no ápice de sua forma.

    Outro motivo para a longa separação foi o período de experiências da era Falcão, durante o qual a posição de centroavante chegou a ser ocupada por jogadores como Sílvio e Careca Bianchezzi. O processo de renovação não foi de todo infrutífero - Mauro Silva e Cafu comprovam isso –, mas teria sido bem melhor ver Pelé, no amistoso em comemoração aos seus 50 anos, tabelar com Bebeto e Romário, e não reclamar do fominha e obscuro Rinaldo.

    Além das duas razões já expostas, há uma terceira: a rebeldia e o egocentrismo de Romário, que tivera entreveros com Lazaroni e voltou a tê-los com Parreira. Quando soube que seria reserva num amistoso contra a Alemanha, em dezembro de 1992, no Beira-Rio, Romário, à época jogador do PSV, não tomou nenhum cuidado para disfarçar a insatisfação. A atitude foi considerada um gesto de insubordinação, e o artilheiro só tornaria a vestir a ‘amarelinha’ em setembro de 1993.

    Abaixo, outros detalhes acerca da história da dupla na Seleção Brasileira, acompanhados da lista dos 23 jogos.

    Parte I - De prata olímpica a mania nacional

    Em 1987, Romário estreou na seleção principal. No mesmo ano, Bebeto participou do Pré-Olímpico, no qual o Brasil teve alguns percalços, mas terminou campeão. Nesse torneio, mais precisamente no intervalo da derrota para a Colômbia, o técnico Carlos Alberto Silva teria dado um tapa no rosto de Bebeto. Nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, uma seleção de jovens jogadores alcançou a medalha de prata, batendo a Alemanha de Klinsmann na semifinal e perdendo a decisão diante da União Soviética, na prorrogação. Romário foi o goleador máximo do certame, ao passo que Bebeto só convenceu o técncio de que podia ser titular nas quartas-de-final, quando entrou no lugar de Careca (o ‘impostor’) e fez o gol da vitória sobre a Iugoslávia.

    Em 1989, já com Ricardo Teixeira no comando da CBF e Eurico Miranda tomando conta da Seleção, Sebastião Lazaroni foi chamado para dirigir o escrete nacional, embora seu currículo não fizesse jus ao cargo – a relação estreita com Eurico garantiu o emprego. Lazaroni conhecia bem Bebeto (com quem havia trabalhado no Flamengo, em 1986) e Romário (seu pupilo no Vasco, em 1987/8). Depois de uma malfadada excursão à Europa, na qual viu, do banco, o Brasil perder para Suécia, Dinamarca (4x0!) e Suíça, o treinador desistiu de fazer testes e convocou os velhos conhecidos para sua primeira competição oficial à frente da seleção: a Copa América, cuja sede seria o Brasil.

    Quando escalou Bebeto e Romário no jogo de estréia, contra a Venezuela, na Fonte Nova, Lazaroni não sabia que estava plantando a primeira muda do tetra. Sabia apenas que estava criando um problema para si próprio: o atacante Charles, do Bahia, peça utilizada no fracassado tour europeu, tinha sido cortado do grupo que jogaria a Copa América, medida que despertou a ira dos torcedores baianos. A Seleção foi hostilizada e vaiada contra a Venezuela. O gol da Vinotinto, o primeiro de sua história diante do Brasil, fez a vitória por 3 a 1 parecer uma derrota vexaminosa. Bebeto anotou um dos gols brasileiros, seu primeiro pela Seleção estando ao lado de Romário.

    Seguiu-se um empate sem gols contra o Peru, também pródigo em xingamentos e apupos advindos da arquibancada. No terceiro jogo da campanha, contra a Colômbia, outro 0 a 0, dessa vez com Renato e Baltazar no ataque. Bebeto e Romário recuperariam a titularidade no último jogo da primeira fase, no Estádio do Arruda. A mudança de ares foi extremamente salutar para o time, que venceu bem (2 a 0), com dois gols de Bebeto. Daí para frente, tudo mudou.

    No quadrangular final, o Maracanã assistiu a três ótimas apresentações do Brasil, e a dupla Bebeto-Romário virou manchete. Nos programas esportivos do rádio ou da TV, só se falava nesse novo casamento com comunhão universal de estilos. Nas ruas, nas escolas e nos playgrounds, os garotos jogavam bola imitando os craques da moda. Um ano antes, Bebeto e Romário tinham travado uma guerra pelo título do Estadual (vencida por Romário) e pela artilharia do mesmo campeonato (vencida por Bebeto: 17 a 16). Trocaram farpas e provocações via imprensa. Uma vez unidos em prol da Seleção, mostraram uma afinidade tão grande que, rapidamente, surgiu quem tentasse enxergar uma amizade fora dos gramados.

    A imagem era ótima e vendia muito bem: Bebeto e Romário eram jovens, talentosíssimos e... camaradas! O programa Globo Esporte não tardou a explorá-la, convidando os dois e suas respectivas esposas para um passeio em forma de matéria, entre um jogo e outro daquela Copa América. Mas a intimidade acabou ficando mesmo circunscrita às quatro linhas. Bebeto nunca chegaria a ser amigo de Romário.

    O baiano foi o artilheiro da competição, com seis gols. O mais bonito e circense deles, conseqüência de um voleio incapturável, foi assinalado no confronto com a Argentina. Silas cruzou uma bola rasteira, que Romário apenas aparou, intuindo que algo acrobático sairia da cartola de Bebeto. O dardo explosivo fulminou a rede de Pumpido. Romário faria o segundo gol da partida, o primeiro de seus três na competição. O último e mais importante, de cabeça contra o Uruguai, exatos 49 anos após o Maracanazo, contou com o auxílio de Bebeto, que tabelou com Mazinho antes de este executar o cruzamento.

    Após a Copa América, existia a sensação de que Bebeto e Romário haviam nascido um para o outro e de que nada poderia evitar um final feliz no Mundial de 1990. Mas havia Careca, que não disputara o certame sul-americano. Grande parte da crítica especializada não admitia o atacante do Napoli, principal jogador do Brasil na Copa anterior, fora do time. Lazaroni testou um ataque com Bebeto, Romário e Careca na estréia das eliminatórias, mas a equipe só deslanchou quando Careca foi substituído. Na segunda rodada, menos de um mês depois do êxito no Maracanã, Romário foi expulso numa tensa batalha em solo chileno. A suspensão deu a titularidade do jogo seguinte a Careca, que fez quatro gols no Morumbi. Foi o primeiro baque. O segundo veio quando Romário se lesionou. A Copa do Mundo já não seria do jovem dueto que havia posto a Argentina para dançar. O ‘happy end’ ficaria adiado para quatro anos depois.

    Parte 2 – Da chegada do messias ao tetracampeonato

    “Os uruguaios que se cuidem”, estampava o jornal O Globo em 8 de setembro de 1993. Era uma alusão à chegada de Romário ao Rio, onde o Brasil enfrentaria o Uruguai. “Sei que sou bom e estou em boa fase”, declarou o astro, que vinha arrebentando em seu início no Barcelona. Os nove meses de ausência, causados pelo já referido caso de indisciplina em Porto Alegre, fizeram com que seu retorno à Seleção se tornasse tão cercado de expectativa quanto um parto. Os filhos nasceram no dia 19 de setembro, em pleno gramado do Maracanã. Bebeto foi o obstetra do primeiro, cruzando a bola com precisão cirúrgica. Romário cabeceou e deu à luz.

    Ele retribuiria na Copa do Mundo, ajudando Bebeto a embalar seu bebê (o filho Mattheus acabara de nascer), na partida contra a Holanda. Esse gol do então atacante do Deportivo La Coruña revela o grau de consonância que a dupla havia atingido: Romário, em impedimento, despreza cinicamente um lançamento e anda em direção ao nada, como se estivesse no calçadão da praia; Bebeto nota a manha mais rápido que a defesa holandesa, dá o bote e arranca com a bola, fazendo 2 a 0. Se tivesse sido combinado, não teria saído tão perfeito. Foi uma armadilha preparada à base de telepatia.

    Alguns minutos antes, no mesmo jogo, o duo havia construído o mais belo tento da equipe brasileira naquela Copa. Pelo flanco esquerdo, Bebeto olhou de esguelha para um cupido que flutuava na grande área. O passe atravessou algumas nuvens e chegou ao anjo, que flechou o canto esquerdo de De Goeij. No duelo contra os Estados Unidos, o mesmo cupido dera uma assistência a Bebeto, provocando no camisa 7 uma reação das mais amorosas.

    O tetracampeonato mundial teve muito da química entre Bebeto e Romário. Guarnecida por um pétreo sistema defensivo, a dupla pôde improvisar diversas fórmulas de gol, das quais sempre constava o elemento En (entrosamento). Mas já não eram mais os garotos de 1989. Começariam, depois da Copa, a sentir o peso atômico dos anos. Juntos, só jogariam mais duas partidas pela Seleção.

    Parte III - O ocaso

    Brasil 2x1 África do Sul, em dezembro de 1997, foi a última partida da Seleção em que a dupla Bebeto-Romário começou jogando. Diante do México, poucos dias mais tarde, Bebeto entrou no lugar de Ronaldo para dar números finais ao respeitabilíssimo currículo da parceria no time ‘canarinho’.

    Se, após a Copa dos EUA, Romário tivesse levado sua carreira um pouco mais a sério, talvez a parceria tivesse durado mais, dada a natural simpatia de Zagallo por Bebeto. Talvez Romário tivesse até alcançado a proximidade do milésimo gol ainda na casa dos 30. De qualquer forma, o melhor jogador do mundo, segundo a Fifa, já era outro, também brasileiro – Ronaldo Nazário – e teria sido difícil para Bebeto ou Romário conseguir barrá-lo.

    Embora Ronaldo tenha, em 2002, formado um ótimo trio com seu homônimo gaúcho e Rivaldo, não resta dúvida de que Bebeto e Romário compreendiam um ao outro de forma menos tática e mais instintiva, menos programada e mais espontânea. Completavam-se como goiabada e queijo, Lennon e McCartney, sol e topless.

    Por que dava tão certo?

    Poucos atacantes conseguem bater de primeira com a precisão de Bebeto e Romário. Não por acaso, uma das marcas registradas de Bebeto era o voleio. Romário sempre foi mestre no bate-pronto e nas conclusões minimalistas. Tendo sido ambos tão afeitos à arte de pegar na bola do jeito que ela vinha, naturalmente sabiam distinguir a assistência bem executada daquela que chegava no tempo errado e fora de esquadro. Como, além do grande poder de definição, Bebeto e Romário dispunham de um passe apurado, um podia achar o outro como se estivesse achando a si próprio – o toque de Bebeto saía do jeito que ele gostaria de receber, o mesmo valendo para Romário.
    Bebeto era o que mais enveredava pelos flancos, esgarçando a marcação, a fim de que Romário ficasse um pouco menos vigiado pelo meio. Mas não funcionava como na época do ponta fixo cruzando para o centroavante fixo – deslocamentos (sim, Romário se deslocava) inteligentes aconteciam, favorecidos que eram pelo ótimo senso de colocação e pela visão de jogo dos dois.
    Acima de qualquer explicação técnica ou tática para o sucesso da dupla, está a aposta na existência do que se poderia chamar de ‘bola-metade’. Muitos craques passam a vida sem encontrá-la, mas Bebeto e Romário tiveram essa sorte. E foram felizes para sempre.

    Os 23 jogos

    Parte I
    1- Fonte Nova (Salvador)
    Brasil 3x1 Venezuela
    01/07/89 Copa América
    1 de gol de Bebeto
    2- Fonte Nova (Salvador)
    Brasil 0x0 Peru
    03/07/89 Copa América
    3- Arruda (Recife)
    Brasil 2x0 Paraguai
    09/07/89 Copa América
    2 gols de Bebeto
    4- Maracanã (Rio de Janeiro)
    Brasil 2x0 Argentina
    12/07/89 Copa América
    1 gol de Bebeto, 1 gol de Romário
    5- Maracanã (Rio de Janeiro)
    Brasil 3x0 Paraguai
    14/07/89 Copa América
    2 gols de Bebeto, 1 gol de Romário
    6- Maracanã (Rio de Janeiro)
    Brasil 1x0 Uruguai 16/07/89
    Copa América
    1 gol de Romário
    7- São Januário (Rio de Janeiro)
    Brasil 1x0 Japão
    23/07/89 Amistoso
    8- Brígido Iriarte (Caracas)
    Brasil 4x0 Venezuela
    30/07/89 Eliminatórias
    2 gols de Bebeto, 1 gol de Romário
    9- Nacional (Santiago)
    Brasil 1x1 Chile
    13/08/89 Eliminatórias
    10- Almeidão (João Pessoa)
    Brasil 0x0 Iugoslávia
    14/11/89 Amistoso

    Parte II
    11- Maracanã (Rio de Janeiro)
    Brasil 2x0 Uruguai
    19/09/93 Eliminatórias
    2 gols de Romário
    12- Commonwealth (Edmonton)
    Brasil 1x1 Canadá
    05/06/94 Amistoso
    1 gol de Romário
    13- Jack Murphy (San Diego)
    Brasil 8x2 Honduras
    08/06/94 Amistoso
    2 gols de Bebeto, 3 gols de Romário
    14- Bulldog (Fresno)
    Brasil 4x0 El Salvador
    12/06/94 Amistoso
    1 gol de Bebeto, 1 gol de Romário
    15- Stanford (Palo Alto)
    Brasil 2x0 Rússia
    20/06/94 Copa do Mundo
    1 gol de Romário
    16- Stanford (Palo Alto)
    Brasil 3x0 Camarões
    24/06/94 Copa do Mundo
    1 gol de Bebeto, 1 gol de Romário
    17- Pontiac Silverdome (Detroit)
    Brasil 1x1 Suécia
    28/06/94 Copa do Mundo
    1 gol de Romário
    18- Stanford (Palo Alto)
    Brasil 1x0 Estados Unidos
    04/07/94 Copa do Mundo
    1 gol de Bebeto
    19- Cotton Bowl (Dallas)
    Brasil 3x2 Holanda
    09/07/94 Copa do Mundo
    1 gol de Bebeto, 1 gol de Romário
    20- Rose Bowl (Pasadena)
    Brasil 1x0 Suécia
    13/07/94 Copa do Mundo
    1 gol de Romário
    21- Rose Bowl (Pasadena)
    Brasil 0x0 Itália 17/07/94
    Copa do Mundo

    Parte III
    22- Ellen Park (Johannesburgo)
    Brasil 2x1 África do Sul
    07/12/97 Amistoso
    1 gol de Bebeto, 1 gol de Romário
    23- Rei Fahd (Riad)
    Brasil 3x2 México
    16/12/97 Copa das Confederações
    1 gol de Romário

    As diferenças
    Bom moço. ‘Caxias’. Sensível. Religioso. Entre as estrelas brasileiras da atualidade, a que mais combina com esses traços é Kaká. Quando está em campo, porém, o atleta do Milan dissipa um pouco essa imagem, dada a agressividade de seu jogo. Já o estilo de Bebeto endossava as características: a delicadeza presente em suas passadas, seus arremates e seus toques denotava o comedimento de seu jeito de ser. Às vezes frágil e inseguro, Bebeto nunca encarnou o herói tipicamente brasileiro. Por mais que fizesse gols e decidisse partidas, ele nunca foi tido como ‘o cara’.
    Esse papel coube a Romário, ele próprio a versão futebolística de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, personagem do escritor Mário de Andrade. A esperteza e a malícia com que fazia gols e mais gols também eram usadas para derrubar técnicos, alfinetar desafetos, eleger ‘peixes’, driblar códigos disciplinares e exigir benesses. Egoísmo? Irresponsabilidade? Tudo era perdoado, porque, como se costuma dizer, “o Baixinho resolve”. E, freqüentemente, resolvia mesmo, o que não exime de crítica aqueles que, por um motivo ou por outro, curvaram-se aos caprichos do malandro craque carioca.
    Como se vê, seria mesmo difícil um fazer parte do círculo social do outro.

    As semelhanças

    Primeira: nenhum dos dois teve um sucesso retumbante nas categorias de base da Seleção Brasileira. Sim, Bebeto foi campeão mundial de juniores em 1983, mas disputava posição com Marinho Rã (!). Romário deixou de participar do Mundial seguinte devido a conduta considerada imprópria.

    Segunda: ambos sucederam lendas do futebol carioca. Depois do tricampeonato do Fluminense (1983/4/5), três campeonatos estaduais consecutivos foram decididos entre Flamengo e Vasco. Zico e Roberto Dinamite, já veteranos, ainda eram reis em seus clubes, mas Bebeto e Romário apresentavam-se como possíveis herdeiros do trono.

    Terceira: tanto Bebeto quanto Romário foram amados e odiados por flamenguistas e vascaínos. Bebeto transferiu-se do Flamengo para o Vasco em 1989, logo após a Copa América. Foi um choque. Depois de jogar na Europa, voltou para o Flamengo. Perdeu um pênalti numa goleada sofrida diante do Vasco e teve seu nome aclamado pela torcida cruzmaltina. No finzinho da carreira, esteve novamente no Vasco, mas por pouquíssimo tempo. Romário saiu do Vasco para o PSV em 1988. De volta ao Brasil, em 1995, sugeriu que a torcida do ex-clube levasse lencinhos ao clássico contra o Flamengo, sua nova casa. Em 2000, regressou ao Vasco. Apesar dos títulos que viria a conquistar, nunca teria apoio irrestrito.

    Quarta: ambos foram artilheiros do Campeonato Espanhol. Em 1992/3, foi a vez de Bebeto, autor de 28 gols com a camisa do Deportivo La Coruña. Na temporada seguinte, Romário fez 30 gols pelo Barcelona e ficou com o troféu Pichichi.

    Quinta: enquanto os contemporâneos Van Basten, Batistuta, Klinsmann e Lineker eram atacantes altos e fortes, o magro Bebeto e o atarracado Romário não tinham biotipo avantajado. Mesmo assim, foram inveterados fazedores de gol.
     
  2. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Existe alguma estatísitca oficial sobre duplas de ataque? As mais vitoriosas, as mais eficientes?

    Por clubes extra-oficialmente muitos consideram que Pelé e Coutinho seria a dupla de ataque que mais fez gols no mundo.
     
  3. [F*U*S*A*|KåMµ§]

    [F*U*S*A*|KåMµ§] Who will define me?

    Eu ainda acho que a dupla Ro-Ro em 98 poderia ter sido uma das maiores de todos os tempos, pelo menos do Brasil.
    Mas Ronaldo e Rivaldo foi uma bela dupla em 2002 tb.

    Mas tem outros casos tb como a de 70. Não tinha uma dulpa, né não? Quem eram? Palé e Tostão? Jairzinho e Tostão? Pelé e Jairzinho?
     

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