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Gráfico teo-antropológico

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Paganus, 22 Mar 2014.

  1. Paganus

    Paganus Visitante

  2. Calib

    Calib Visitante

    Disserte. :)
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  3. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Já sei o que vou tatuar nas costas agora. :lol:

    Brincadeira. Disserte, please.
     
    • LOL LOL x 1
  4. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Nossa, totalmente auto-explicativo.
     
    • LOL LOL x 3
  5. Tek

    Tek Girls tend not to like me

    Paganus sendo Paganus.
     
  6. Pim

    Pim God, I love how sexy I am!

    Faltou o -1 PSYCHOANALYSIS, Paggy.
     
    • LOL LOL x 1
  7. Haran Alkarin

    Haran Alkarin Usuário

    Dá pra entender que é uma visão onde tudo que envolve a razão e pensamento é deixado no campo do corpo e do inferno, e tudo que envolve misticismo é caminho pro céu e elevação da alma. Quanto menos racionalizável, mais divino é o negócio. Por isso que o mito, por exemplo, embora envolva misticismo, está tão próximo da filosofia, dos 'logismos', enfim, do inferno, afinal o mito envolve narrativas e são por isso mesmo entendíveis e analisáveis racionalmente.

    Agora, se o negócio é daqueles que nem esse tipo de análise é possível, que para se referir a ele pouco pensamento ou linguagem é possível, quando muito frases de efeito de um religioso carentes da mais simples estrutura silogística... aí sim o negócio é bom e leva ao céu. A vantagem é que além de te levar pro céu também não pede muito esforço para estudo, afinal haja saco com excesso de pensamento né? Algo que requer muita matemática então nem pensar, está ali no nível 2,5. Assim vemos que Deus é bom - você vai pro céu e ainda por cima se livra de pensar muito.

    Além dessa contraposição misticismo/razão, poderia contrapor também misticismo/empirismo (afinal tudo que é empírico é trabalhável racionalmente, como também tudo que é racional faz até certo ponto alusão aos sentidos)... Mesmo o mito faz bastante alusão à empiria, no sentido de descrever entidades que (se existentes fossem) existiriam no mundo empírico, seriam empiricamente cognoscíveis - por isso o mito é distante das verdadeiras entidades místicas/divinas, pois estas não tem essa propriedade. Além de não pensar tanto você nem precisa investigar o mundo que encontra-se diante dos seus olhos, só ficar de boa rezando mesmo, fazendo penitência, ou qualquer prática mística - ou, mais divertido, militando contra os materialistas e racionalistas... mas cuidado: não o faça através da razão ou dos sentidos, afinal esse é o inferno, e zona de conforto deles.
     
    Última edição: 24 Mar 2014
  8. Calib

    Calib Visitante

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  9. Clara

    Clara Antifa Usuário Premium

    • LOL LOL x 3
  10. Paganus

    Paganus Visitante

    O gráfico ilustra o que seria a estrutura psíquica, física e espiritual do ser humano, e as relações dessa estrutura com o seu ser-no-mundo manifestado e com a sua caminhada ascensional em direção ao Imanifestado. Em outras palavras, é um gráfico ilustrando a hierarquia espiritual.

    No nível mais baixo temos aquilo em que se especializa a demonologia e, igualmente, a psicanálise, a saber, o 'reino' das influências mais baixas, dos poderes e forças de matiz mais negro, inferior, pertencente às esferas mais baixas e grosseiras da manifestação corporal, o reino da matéria em si, da pura potencialidade informe. A nível mágico, cá temos a pura magia negra, necromancia e outras formas de manipulação de forças sutis incontroláveis, ou seja, de possessão mesmo.

    Acima temos o corpo, que mais que o corpo físico é o estado condicionado individual que, em si, compõe corpo, alma e espírito. Porém, como é compreensível a relação que o Eu estabelece consigo mesmo, nesse estado, não vai além das esferas mais baixas da corporalidade e das paixões mais inferiores. Em nível mágico, esse estado pode ser comparado às formas frágeis de magia necromântica, controle de duplos alheios, ativação de energias psíquicas cadavéricas e coisas como 'sessões espíritas', onde os chamados mediuns se entregam extaticamente, totalmente inconscientes e se entregando a essas influências, ao contato com os mortos. Não os mortos, claro, mas aos seus traços psíquicos, seus restos de alma deixados após o fim da existência corporal. A essa relação entre espiritismo e neo-espiritualismo com as formas mais baixas de magia dos mortos, se referir ao livro 'O erro espírita', do esoterista e pensador tradicionalista René Guenon.

    Claro, porém, que a existência corporal, heteróclita por si mesma, não pode ser reduzido a apenas isso. Daí vem as sub-divisões. O atheismos não se refere a uma determinada filosofia ateísta ou à mera negação da existência de um Deus pessoal, concebido teísticamente, mas a um estado existencial, a uma forma de se colocar no mundo que abarca mais religiosos que ateus. O atheismos se trata da vida vivida, pensada e assumida tendo como referenciais unicamente os aspectos quantitativos, materiais,mais baixos e inferiores da existência e relativizar todas as esferas e experiências mais profundas, em termos psíquicos e espirituais. Não se trata de ignorância pura e simples, mas de um fechamento às possibilidades superiores, mas ao mesmo tempo o atheismos tem uma vantagem, principalmente nos dias atuais.

    Para compreender essa vanatgem, basta se remeter à comparação que Guenon faz, no seu 'Crise do mundo moderno' entre o mundo moderno com o seu materialismo e racionalismo e o pós-moderno com seu irracionalismo e 'espiritualidade new-age'. Segundo ele, o primeiro seria um ovo fechado, o segundo seria um ovo aberto por baixo. O mundo tradicional, um ovo aberto por cima.

    O primeiro ovo se fecha às potencialidades superiores, mas se fecha, na sua ignorância, também às influências inferiores, de 'baixo', o que já é uma proteção, um tipo de galvanização. O segundo ovo, por outro lado, crê superar a cegueira materialista apelando às formas mais baixas de espiritualidade (espiritismo, neo-espiritualismo, new age etc), se abre ao que há de mais caótico, destrutivo, desagregador, ao inferno. O mundo tradicional, por outro lado, através de uma série de ritos, se protege das influências inferiores e na preservação e transmissão do segredo iniciático, mantém viva a chama da Tradição Primordial, podendo sempre (embora cada vez menos frequente e essencialmente), reatualizar o Deus no homem.

    Já o logismos se refere a outra ordem de postura dentro do mesmo estado, a saber, quando da abertura a possibilidades superiores através da consciência, dos rudimentos da ciência. Antes mesmo da estruturação do pensamento em palavras, em linguagem, em um sistema simbólico altamente significativo e capaz, por si só, de reintegrá-lo a ordens acima, existe um brilho da centelha divina que se desperta no homem. Por outro lado, como tudo que é instável nesse reino, o logismos é frequentemente desviado da contemplação das energias divinas e leva o espírito, o nous, como ensinam os Santos Padres da Igreja, a se refestelar nas possibilidades baixas, na fruição dos desejos e instintos mais animalescos. Pode-se dizer que se o Tartaros é a entrega total da consciência e da liberdade ao reino das paixões mais tenebrosas, o atheismos é menos pior pela liberda e consciência, ainda que reduzida, que se preserva. Os logismoi, a que os Santos Padres acusam de serem os responsáveis pelas paixões, são os pensamentos impuros, a frequência da mente a ideias e campos pecaminosos, onde expõem a alma à escravidão e o nous, à prisão. Toda a tradição ascética da Igreja tem por princípio a luta contra as paixões através de um rígido sistema de disciplina e controle sobre os logismoi. Se o logismos é a espiritualização da matéria em certo sentido, esta pode ser sublimada pela direção correta dada pela ascese e purificação pelas energias divinas incriadas.

    Philosophia é também mais que o que se convenciona chamar hoje, no mundo acadêmico, de saber ou tradição filosófica, mas se trata já daquele que, ao 'mestrar' suas paixões, controlar os impulsos corporais e se manter no 'centro' da própria personalidade, é filósofo, amante da sabedoria. O filósofo é ainda um homem, é ainda preso a esses condicionamentos corporais que conhecemos mas ele, o verdadeiro filósofo, tem um centro, uma noção existencial, viva, orgânica de um Ser que é o fundamento do ser de todas as coisas e seres, de uma Ordem que a tudo regular. A isso ele chega pela mera especulação inicialmente mas progride, da esfera diacrítica à esfera noética, pelo estado quase supra-humano a que chegou, devido ao controle sobre suas paixões.

    Encerrando, temos o contrário do que poderiam pensar nossos racionalistas e progrssistas de forma geral, o mythos é tudo menos um estágio preparatório à filosofia. O contrário é que é verdade. Negativamente, o mito é uma versão degenerado do rito, algo como que uma intelectualização (no que o intelecto tem de 'attached' aos objetos corporais) do rito, do símbolo. Ainda assim, o mito preserva seu caráter se de 'história sagrada', 'história santa', que contém não apenas os relatos de origem supra-humana de eventos fantásticos ou mesmo banais na história dos povos, mas ele, por si mesmo, é carregado de significações simbólicas, de um sentido oculto, anagógico, por trás de suas palavras.

    Anagogicamente, os Santos Padres podem se referir aos textos da Sagrada Escritura como figuras e tipos. Assim, se fala da Arca de Noé como figura da Igreja, o dilúvio como símbolo da regeneração espiritual trazida pelo Batismo. Maria figurada na Arca da Aliança, os Apóstolos como o retorno dos Profetas. E existe toda uma tradição exegética que trata exatamente de apontar os eventos do Antigo Testamento como profecias e pre-figurações do Novo Testamento. E, de forma alguma isso é exclusividade do mundo judaico-cristão, embora seja neste que a decadência do rito para o mito se tenha operado com mais força.

    Lembro que esses significados ocultos podiam ter sentido ascético e esotérico, ou seja, se referir a transformações psíquicas advindas das práticas acéticas e, a um nível mais profundo, de rupturas ontológicas que, dentro de uma estrutura iniciática, se poderia vincular a uma tradição escriturística. Assim, os Santos Padres podem comparar as mulheres de Abraão, Sara e Agar, aos espíritos de humildade e orgulho que habitam em todas as almas e devem ser por estas, confrontadas. Deve-se encarnar Sara e expulsar Agar para o deserto. Da mesma forma, há referências de sábios da escola hindu de Samkhya-Yoga que identificavam nos textos védicos alusões mitológicas a estados mais e mais incondicionados do ser.

    Os mitos, porém, fazem mais que desvelar significados ocultos, eles reatualizam o conteúdo daquilo que revelam. A recitação de mantras hindus, a prática do dikhr islâmico, e a invocação do Logos na leitura do Evangelho nas missas católcias e liturgias ortodoxas o atestam: mais que uma anamnese, uma mera rememoração dos eventos descritos e seus sentidos ocultos, a leitura dos textos sagrados tornava presente novamente, re-presentava aquilo que era lido. Assim é que o poema babilônico 'Enuma Elish' era recitado anualmente na festa do Ano Novo da Babilônia: acreditava-se que a recitação do poema que narrava a Criação, a cosmogonia, rejuvenesceria o mundo, o faria, a ele e aos homens, ontologicamente o mesmo da época das origens.

    Essa 'nostalgia das origens', fenômeno amplamente observável nas culturas arcaicas, e estudado por gerações de estudiosos da religião, como van deer Leew, Mircea Eliade, Levy-Bruhl e tantos outros pesquisadores, está na origem e na essência não só de todas as mitologias como de toda escatologia e cosmologia. O mundo que existe, assim como tudo que vive e morrer, há de perecer e atrelada a essa percepção trágica do ser-cósmico está a necessidade eventual de reatualizar, reviver, através do rito e do mito, o mesmo mundo das origens. Essa nostalgia está, aliás, totalmente entranhada no sub-consciente humano, como se atesta em inúmeras pesquisas psicanalíticas, por mais que se possa discordar das abordagens de Jung.

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    Saindo dessa esfera 'corporal', avançamos em direção ao 'reino intermédio', o estado onde se adentra o mundo direto das influências psíquicas, o mundo extra-corpóreo, porém, ainda lunar, não-espiritual. Aqui o corpo-alma-espírito deixa de estar preso ao estado condicionante da manifestação corporal, ele á experimenta diretamente das fontes de água viva. Por isso o símbolo do mundo intermédio é o da Água, que, em seu eterno devir, lembra o sangue do mundo que corre por suas veias e o alimenta, o vivifica. Esse estado é aquele onde as limitações corporais se desvanecem e já se vislumbram, como por um espelho sujo, a Luz pura que brilha do outro lado do Mar do Oeste. Aqui se reconhece facilmente a espiritualidade telúrico-ctônica e sua exaltação do papel da Mulher enquanto Amante e Mãe, a primeira e seus necessários desenlaces com toda a tradição da metafísica do sexo, a segunda, enquanto geradora das energias de vida que, ao mesmo tempo que a garantem, simbolizam seu declínio e renascimento em um ciclo eterno.

    É o ciclo atlântico, da civilização da Mãe, com tudo aquilo que ela tem de melhor e vivificante com o que tem de mais cruel. O ciclo dos antepassados, do retorno da alma e seus dejetos a novas existências, sem sentido nem rumo, o samsara. Lua, magia menstrual, magia e poder daquilo que é ainda informe, do devir e das potencialidades. O reino da imanência.

    Magicamente, essa esfera é aquela onde se opera a chamada magia telúrica e mesmo, nos aspectos mais altos, a alta magia, como a teurgia neoplatônica e mais alta tradição hermético-alquímica. Cá se percebe, através da relação entre o homem e o cosmo, o homem como microcosmo e o cosmo como macrantropo, a unidade fundamental que existe entre a manifestação, em seus mais diversos aspectos, com os aspectos mais condicionados do homem. Cá se ativam essa chaves que, longe de recorrerem unicamente, às forças corporais e mesmo infracorporais, reintegram o homem, senhor da esfera corporal e supra-homem, em um mundo superior de essências e formas que condicionam o mundo corporal. Assim, essas chaves permitem não apenas o acesso a essas realidades mas permite que, através delas, o acesso ao puro éter, ào mundo das essências puras e inteligíveis se descortine, rumo ao fim do condicionamento. Eis o fim de toda iniciação.

    Tratando do symbollo, o mesmo raciocínio do mito se aplica. O rito não é nada menos que a atualização de realidades transcendentes e suas consequentes rupturas e transfigurações metafísicas, mudança de nível ontológico. Isso é particularmente visível na etimologia da palavra: sym-ballein, compor o sinal, isto é, reunir duas partes de um mesmo objeto, com o fito de gerar entendimento e comunhão. O contrário do symbollo é exatamente: dia-ballein, diabolos, o que divide, gera discórdia, espalha mentira. É o contrária da liberdade espiritual e da Unidade metafísica, é o poder da escravidão do instinto daemônico, da mutiplicidade desagregadora.

    Muito se poderia dizer sobre o símbolo, tanto sobre o que ele é em si mesmo, quanto sobre suas deturpações modernas e pós-modernas e as relações do símbolo e do anti-símbolo (ou símbolo invertido) com as realidades espirituais mais profundas.

    Cá prefiro me focar apenas na relação do símbolo enquanto unificador de significado político, algo superior a ideologias de massa e sugestionamentos psíquicos, mas algo que fala e realiza algo de ordem totalmente supra-humana. Não se trata de convencer racionalmente ou emocionar as massas, mas de preparar e formar indivíduos ontologicamente para o mando, o governo tradicional, ao mesmo tempo que forma civilizações e suas castas em todos orgânicos, conscientes de seu papel social e espiritual, político e econômico. Essas são as premissas so Imperium, de toda a atividade política e entendimento político da realidade: política enquanto metafísica, enquanto palco da divinização do homem através da ação impessoal e transfigurante, a guerra como ascese viril e via de libertação das paixões e condicionamentos. A vida enquanto símbolo.

    A isso se pode reduzir o símbolo: todas as atividades humanas são simbólicas no sentido de representar e tornar sempre presentes e atuantes as mesmas forças que atuaram ab origine, tudo que é humano é símbolo porque o próprio homem é símbolo. Toda a história, suas instituições, eventos, personagens, tudo é simbólico para que tudo se reintegra, tudo seja base para o retorno da multiplicidade manifestada à Indistinção Imanifestada.

    Quando tratamos de eidos tratamos, como no nível inferior, de uma sublimação do símbolo, de sua transformação, de algo exterior a uma forma. Comparativamente, o eidos é a forma que atualiza a matéria em um ser que, por ser, é inteligível, acabado, formado. Assim, o eidético se opõe diretamente ao informe, ao irracionalizável, embora ainda não seja o reino das influências celestes, é aqui que se vê o princípio do Olimpo, a unificação dos seres iniciados em uma força, uma potência una, formada, indestrutível, espiritual.

    Do eidos partimos para a Ideia, como a sua máxima virilização, a energia atualizada se torna completamente formada. Essa Ideia pode ser considerada como as fases mais avançadas e críticas de toda iniciação e ascensão, é aqui que o iniciado penetra nas esferas mais olímpicas, angélicas, incorpóreas, é o mundo dos anjos, dos seres puramente intelectuais. É o céu dos filhos de Mitra, a corte de Odin em Asgard, o poder da romanitas imperial e o basileios de Bizâncio. Aqui se manifesta a forma mais límpida e cristalina de contemplação perfeita do que há de mais espiritual na manifestação, o que há de mais sutil nas experiências mágico-esotéricas.

    P. -Por onde andaste? R. -A percorrer o céu e a terra. P. -O que viste? R. -O caos. P. -Quem o criou? R. -Deus. P. - Quem o produziu? R. -A Natureza. P. -Quem o aperfeiçoou? R. -Deus, a natureza e a arte. P. -O que entendes por caos? R. -A matéria universal sem forma e susceptivel de adquirir toda a forma. P. -Qual é a sua forma? R. -A luz encerrada nas sementes de toda a espécie. P. - Qual é a sua ligação? R. -O espirito universal cido. P. - Sabes trabalhar a matéria universal? R. -Sim, Sapientissimo. P. -De que é que te serves para esse fim? R. -Do fogo interno e externo. P. -O que é que resulta disso? R. -Os quatro elementos que são os princípios principiantes e mediantes. P. -Como é que eles se denominam? R. -O fogo, o ar, a água e a terra. P. -Quais são as suas qualidades? R. -0 quente, o seco, o frio e o húmido. Acopuladas duas a duas, dão respectivamente: a terra, seca e fria; a água, fria e húmida; o ar, húmido e quente; o fogo, quente e seco, o qual se vem a conjugar com a terra, pois os elementos são circulares como o vento, o nosso pai Hermes. P. -O que é que produz a mistura dos quatro elementos? E as qualidades de que tudo é composto? R. -Os trés princípios principiantes mediatos. P. -Que nome Ihes dás? R. -Mercúrio, enxofre e sal. P. -0 que entendes por mercúrio, enxofre e sal? R. -Eu entendo-os como mercúrio, enxofre e sal filosóficos e não vulgares. P. - O que é o mercúrio filos6fico? R. -É uma água e um espírito que dissolve e sublima o sal. P. -E o que é o enxofre? R. -É um fogo e uma alma que o guia e o colora. P. -O que é o sal? R. -É uma terra e um corpo que se congela e se fIXa e tudo isso se faz mediante o veiculo do ar. P. -O que decorre destes três princípios? R. -Os quatro elementos rodopiados como diz Hermes, ou os grandes elementos como diz Raimundo Lúlio, que são o mercúrio, o enxofre, o sal e o vidro, dos quais dois voláteis, a saber a água e o ar, que é o óleo, porque toda a substância liquida pela sua natureza dissipa o fogo, e a terra pura que é o vidro sobre o qual o fogo não tem acção (...) P. -O que entendem por mixtos? R. -os animais, os vegetais e os minerais. P. -Quem dá aos mixtos o movimento, o sentimento, o alimento e a substância? R. - os quatro elementos: o fogo dá o movimento, o ar dá o sentimento, a água, o alimento, e a terra, a substância. P. - Para que servem os quatro elementos redobrados? R. -Para engendrar a Pedra Filosofal se se for bastante industrioso para Ihes dar o fogo conveniente e Ihes dar os pesos da natureza. P. -Qual é o grau de fogo? R. -Trinta e duas horas para a putrefacção, trinta e seis para a sublimação, quarenta para a putrefacção...

    "Ritual alquímico secreto do grau de verdadeiro maçon académico" (1770)

    Finalmente, temos o Logos, o termo da caminha ascensional, a partir do qual o Deus-em-Si se torna Deus-em-nós, isto é, as possibilidades dos estados múltiplos do ser são todas completadas no espírito, aqui a alma é totalmente purificada dos substratos inferiores, ignificada pelo fogo imaterial, transformada em materia-prima e em essência das essências. Quem cá chegou escapi do devir, já não mais gira com a roda, mas está imóvel, sobre a roda, se pode mesmo dizer que a roda é que gira ao seu redor. Não se trata mais de ter um centro. Quem cá se encontra já é um centro. É o centro daquele que trouxe à violência o Reino dos Céus para si, daquele que derrubou os gigantes de fogo e gelo da natureza, é o dominador, o guerreiro, o imperador. Se toda a caminhada ascensional, é uma bataha espiritual, o Logos é o Centro do Mundo, o referencial único de todo rito e de toda mitologia, a base de toda iniciação, o fim de toda ascese.

    Quem cá chegou reina com o Cristo. É ele próprio Rei, Imperador, Basileus. Reina sobre a roda do samsara, domina o cicli de renascimentos, já não mais torna por sobre o vale de lágrimas, já está desperto, livre de todo condicionamento. Iluminado.

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    Chega por hoje né. Amanhã tentarei falar sobre as fases da esfera do puro espírito, da metafísica pura que, de forma interessante, se identifica à sacra teologia. Veremos como a metafísica não se opõe à teologia, mas antes ela prepara o iniciado para, liberto e iluminado, progredir infinitamente no conhecimento da treva divina, onde já não há mais Mundo, Eu ou Ser.
     
    Última edição por um moderador: 27 Mar 2014
    • Ótimo Ótimo x 1
  11. Paganus

    Paganus Visitante

    Continuamos nossa exposição.

    Falei mais atrás do Logos como o termo da esfera da alma, onde o psiquismo se sublimas e os símbolos e ideias são sublimados, assumidos e unificados em um ser que já passou por todas as formas de purificação e iluminação. Cá adentramos na deificação.

    A theosis é a fase que está diretamente ligada ao espírito, ao atman, a imagem pura e cristalina de Deus no homem, o seu ser mais íntimo, essencial, puro e perfeito. O espírito já não age nessa fase, já nada busca, nem se encontra em oposição a nada. Em outras palavras, todas as contradições, necessidades, contingências e condicionamentos estão derrubados definitivamente para tal homem, para tal deus. A theosis é o contrário de qualquer noção estática e finalista (portanto, tediosa) de salvação, pois nada mais é que o movimento eterno do nous na contemplação das realidades divinas incriadas, penetrando cada vez mais e mais no oceano de infinitude e beatitude que é o Absoluto, além de toda intelecção, sensação, pensamento, símbolo, rito, ideia.

    Prosopon é o ínicio das iluminações teárquicas superiores, aqui se tem os primeiros vislumbres da manifestação divina operando no nous, entrando em contato com ele. Temos evidências do prosopon? Segunda a teologia grega, sim, afinal, todas as teofanias de Javé no Antigo Testamento, assim como as revelações parciais que se dão em todas as tradições (avatares) dão, provas, no mundo manifestado, Daquilo que o transcende absolutamente, chamando o homem à conversão, rompendo seus limites corporais e psíquicos. O prosopom é a 'pessoa' da divindade, seu aspecto mais pessoal e 'teísta', o ser-relacional a partir do qual uma relação direta e espiritual é estabelecida, é sua manifestação primária, mais próxima e que nada espera de nós exceto a fé.

    Para além de todo conhecimento e de todo ser, para além da Criação, da manifestação, das esferas celestes mais puras, se aprofundando nos mistérios incriados nos deparamos com Pai, Filho e Espírito, as hipóstases divinas. Aqui já não falamos mais de uma manifestação através de símbolos visíveis, mas da forma mais substancial da Divindade não enquanto Unidade, mas enquanto comunhão hipostática, enquanto Ser Supra-essencial totalmente relacional. Aqui está o Deus-para-Si, o Deus-para-todos, aqui nos deparamos com a esplendorosa, magnífica, deificante visão das hipóstase sdivinas, das sub-essências consubstanciais. Aqui se extasia o fiel perante a Santíssima, Diviníssima, Amorosíssima Trindade, Tri-Unidade, Uni-Trindade.

    Faltam palavras para expressar essa visão para além de toda visão, esse conhecimento para lá de todo conhecimento.

    A ousia é a substância divina, ela não se predica da Trindade, mas antes as hipóstases é que São nela, antes ela, imparticipável, incognoscível, imanifestada, totalmente transcendente é a fonte de todas as iluminação teárquicas. A ousia, a substância divina, não existe antes ou depois das hipóstases, nem dela se separam. Distinguem-se apenas em que as hipóstases são Deus relacional, e tal relação se consubstancializa na ousia.

    A physis é a natureza do Imanifestado. O fim de toda a ascensão, o princípio da manifestação. Não há cá o que dizer. Toda palavra, emoção, sensação, pensamento, iluminação cessam. Tudo cessa.

    Essa é a eterna e sempre-movente perspectiva da deificação, diante do que tudo se cala.

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    As críticas do Haran já foram respondidas.

    A caminhada ascensional nada tem a ver com a supressão da inteligência, como ocrre nas seitas neo-espiritualistas, mas é justamente o contrário: sua purificação e sublimação. Quando se associa pensamento e ciência com o corpo e o mito com a alma, não se diz simplesmente que o mito é superior ao conhecimento, mas que ambos são formas de conhecimento e a superioridade do mito é óbvia quando se refere 'conhecimento' ao seu aspecto mais baixo, a saber, o dos logismoi. É isso, aliás, que marca a ciência tradicional como essencialmente diferente da moderna: a ciência moderna abdicou totalmente de estudaros fenômenos que não são empiricamene observáveis e se trancou em uma caixa de auto-referencialidade esquizofrênica da qual custa a sair, apesar dos esforços contemporâneos. A ciência tradicional, e aqui entra a magia, claro, não procurava explicar e descrever fenômenos simplesmente, mas compreendê-los, integrá-los à experiência humana de seus diversos estados e mais: realizar o conhecimento em si. Eis o mote da metafísica: conhecer é ser.

    Todo conhecimento é gnose, no sentido de ser mais que acúmulo inútil de informações. A gnose é um conhecimento que revela ao homem seu destino, identidade, lhe desvela o cosmo, a este o reintegra e permite sua total integração. Um bom exemplo disso é comparar a astronomia moderna com a tradicional. Os modernos separaram astrologia de astronomia, reduzindo a primeira a um tipo de pseudo-ciência, e louvando a astronomia puramente mecânica por conta unica e exclusivamente de seus preconceitos, elevaram a um ideal aquilo que havia de mais inferior e contingente no saber tradicional, desprezando as reais influências dessa gnose no mundo real. Assim se fechava não só a compreensão destes com relação ao cosmo, mas se preparava uma verdadeira involução do homem, ao lhe fechar as possibilidades superiores do ser, causando danos, inclusive, ao relacionamento do homem com o cosmo, através da solidificação. Ora, se o homem, através da espiritualidade, é um cultivador do cosmo, ao se lhe fechar as dimensões profundas e sua substancialidade com o mesmo cosmo, só pode deixar de cultivar o jardim cósmico, que virá, eventualmente, a secar. Essa é uma das fases da gradual involução e dissolução do mundo, a dissolução do saber e das transformações que este comporta.

    O mesmo se diz do mito que, independente de sua empiricidade (pff, sério mesmo que você acha relevante advogar alguma empiricidade aos eventos míticos narrados?), é válido enquanto conhecimento das origens, das realidades superiores e meio de transformação da realidade decaída. O mito é uma história tanto quanto um rito, é tanto uam escritura sagrada quanto um meio de ciência e aquisiçaõ de poder. E isso nada atenta contra sua historicidade, afinal, o símbolo continua sendo real e efetivo para além das esferas profanas sem por isso deixar de ser um símbolo. Uma pedra ritual é mais sagrada que uma pedra comum, mas mesmo assim não deixa de ser pedra e quem ignora isso nada sabe de simbolismo e mitologia.

    Dessa forma é que nós, cristãos ortodoxos afirmamos que o mito de Adão e Eva é real, real enquanto mito que significa uma realidade ontológica, nem por isso deixa de ser histórico. Adão e Eva realmente existiram, viveram, pecaram e morreram, o que não quer dizer que tais fatos tenham 'empiricamente' ocorrido da forma como descrito no Gênesis. Mas ocorreu, e temos a prova na finitude da existência humana, na morte, na finitude. Do contrário, se separássemos o símbolo da realidade por ele representada, caíriamos em um dualismo de tipo gnosticista dos mais nocivos.

    A caminhada ascensional se coloca como uma gradual caminhada de purificação das paixões e sublimação do corpo e da mente, não na sua negação, condenação e mortificação. O corpo só se mostra inferior (como a alma ao espírito) por uma questão metafísica, não se trata de negar as realidades corporais e psíquicas, mas de entendê-las como fazendo parte de uma via que conduz a um fim. Hierarquiza-se as funções do homem pela ordem de condicionamento: o corpo só é inferior porque é mais condicionado, porque sofre mais dura e diretamente a influências das esferas baixas, assim como sua volatização, a alma, é mais imune a certas influências, mas ainda presa dualismos, a contradições e oposições. Ainda não é livre.

    E aqui novamente o pensamento: assim como a sensação tem seus aspectos corporais, psíquicos e espirituais (São Gregório Palamas é peremptório ao declarar que não só a alma se deifica, mas o corpo também, e essa é a base da espiritualidade dos monges hesicastas), também o pensamento tem seu lado corporal (logismoi), psíquico (ideia) e espiritual (Logos).

    Portanto, não só a sua apreciação da ascese é típica do mais baixo neo-ateísmo, cheia de preconceitos que eu considero indignos de você, como todas as suas críticas sobre uma relativização da mente e exaltação de ignorância mística não passam de espantalhos da experiência místico-esotérica. Da mesma forma, é insubstancial a referência à deficiência 'empírica' dos mitos. Nada é mais empírico e, ao mesmo tempo, metafísico (para um determinado estado), que o mito. Da mesma forma as abundantes descrições que os textos tradicionais fazem da experiência extática não advogam uma supressão da consciência, muito pelo contrário, é a sua purificação, redirecionamento, pode-se mesmo dizer que toda via autenticamente espiritual é livre desses arroubos esquizofrênicos, demônicos, inebriantes, característicos das religiões de mistérios de fecundidade inferiores e seitas neo-espiritualistas e pseudo-esotéricas.

    Igualmente, dizer que diante da contemplação de Deus, cessa todo pensamento e sensação nada mais é que afirmar o óbvio. Inteligibilidade está estritamente ligada ao Ser e Deus, enquanto princípio de todo ser, está fora de todo Ser, ao contrário do que tomistas possam dizer. Deus não é Ato Puro, não é o Ser dos Seres, a Coisa das Coisas, ele Supra-essencial. Na verdade, por não ter essência, Deus nem existe! Nem É! Deus em Si mesmo está completamente fora de toda experiência, intelecção, sensação. Ele é o princípio de tudo que é, logicamente, teria necessariamente de não-Ser.

    A isso aludem todos os Santos Padres (com exceção de Santo Agostinho) ao falarem da distinção entre ousia e energeia em Deus, e ao mesmo tópico se referem os sábios vedantinos e samkhia. Deus não poderia ser objeto de conhecimento por uma questão simples, metafísica e racional: a inteligibilidade requer necessariamente o Ser e Deus não É, Deus é simplesmente a fonte de todo Ser, mas transcende absolutamene a todo Ser.

    A experiência ascensional só pode se dar na deificação através da relação do fiel com as energias incriada, com o que, em Deus, nos é acessível,nos salva e transfigura, sua graça incriada.
     
    Última edição por um moderador: 28 Mar 2014

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