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[Goba][L][Três, quatro: jazz]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Goba, 27 Out 2005.

  1. Goba

    Goba luszt

    [Goba][L][Cardeno de viagens]

    Série de sonetos sobre um acaso, notícia de jornal, dessas quem sempre saem. Vou só dividar cada um em posts diferentes pra serem mais pausados e pra formatação ficar melhor. Se não for adequado, algum moderador por favor me avisa que eu formato num só post. :wink:
    ---------------------------------------------


    Havia o uno, primeiro e claro
    a vida toda treinara o trompete
    Compete a ele a magia da terça
    quinta, ao sete.

    A sorte nunca sua amiga
    pouco seu bolso lhe provira
    Mais ele retirou de sua ira
    que em seu âmago reluzia.

    Contra tudo e todos
    Todos e todos mais
    que nunca o fizeram olhar atrás.

    Todos e todas as melodias
    toda e cada harmonia
    daquelas notas, nunca mais.
     
    Última edição: 30 Out 2005
  2. Goba

    Goba luszt

    Baterista, por lógica, este.
    Tratatá era um som comum,
    mas o afino era fino, ele era
    maestro no tamborino.

    Nunca ignorara prato algum
    mas muito ignorara aos seus comuns.
    Não havia um que o achasse
    capaz de ser alguém de punhos leves.

    Mas sem aço para estes
    deixa que a música faça o trabalho.
    Deixa o trabalho.

    Era marcado, rufante
    trambolhos regentes
    de rudimentos que não serão.
     
  3. Goba

    Goba luszt

    Com esse é um terceto de peso
    que não deixa a desejar no ensejo
    dos olhares acalentados de quem
    nunca antes ouviu um três-por-quatro.

    Tapas, e não beijos, aos seus desejos
    Desejoso de comida, enquanto sofria
    Prazeroso de rancor, enquanto
    temia a dor de um dedo lacerado.

    De certo é quem toca o contra-baixo
    que se apossa do ritmado
    e faz dele seu choro não mais

    calado. Seu choro marcado
    carnificado viscerado
    que nunca foi e não será atentado.
     
  4. Goba

    Goba luszt

    Viaja nos cromos e domos
    do ébano e o marfim rugiam o clarim
    com que os dedos estalados deste ás
    fariam soar as cordas escondidas do pianim.

    De todos, não era raivoso, era contido.
    Era elite da pobreza, comia de prato
    não de marmita, não de mão, não de chão.
    Era elite pois matou para ser, sem crer.

    Mas não vivia na vergonha
    nem por isso era altivo.
    Nunca, porém, fora mesquinho.

    Era honesto e bravo
    e a única vez que mentiu
    sobra para nunca mais viver.
     
  5. Goba

    Goba luszt

    O cuidado do quinto
    é que é um hexacordo
    que tomava conta dos sopros saxos -
    saxofonista era o guitarrista.

    Variava assim como variava de mulheres
    sempre estando com uma que difere
    uma que confere. Era alma -
    alma rota de vazio que nunca preenchia.

    Triste, calmo, riste - não
    via que o escuro que o perfazia
    era o clarão que sua música, rebeldia.

    Tecia o corão das rouquidões
    o tenro genro de todas as mães
    que acorde, não mais.
     
  6. Goba

    Goba luszt

    Acorda e se penteia, asseado
    Se acalma, almoça, reza
    Seu falar é sublime, sua educação em regime
    é negrume na mancha da crença.

    Quem o criou foi Deus, e só
    Melhor dizendo, deus o desvirtuou.
    Ele é credor, e ele é obsessão
    Tortura de quem nasce em vão.

    É um sexto sem dança ou ritmo
    sem acorde ou harmonia.
    Faz parte de um soturno allegreto.

    Cai na mão de tantas injustiças
    que não as superou pelo coro,
    mas espera sempre o final decoro.
     
  7. Goba

    Goba luszt

    Sol longo, fila em pico, filha em risco.
    É dia de compra, é dia de garantir
    ao menos um dia a mais.
    Um dia a mais de quê.

    É ali, não n'outro lugar,
    que busca a música seu descansar
    é ali que cinco anônimos se cruzam
    é ali que um fiel se resume.

    Rufem todos os tambores
    pois na fila do falafel
    foram todos levados pelo resumido.

    Nem mais choro, nem mais mel
    Diz-se que dos cinco músicos,
    Ele só abrigou o sexto em seu céu.
     
  8. Goba

    Goba luszt

    É o rondó sem jeito
    arrastado não no peito
    mas acanhado de trejeito
    que define o desfeito.

    O enfeite do ensejo enganado
    que fez o sexto estourado
    acabar com o falafel dos
    cinco regidos musamparados.

    Foi um luxo do divino
    apontar para um ovino
    e fazer dele um sextino -

    sem rima, ou oitava
    Desafinado por revés
    que veio a findar o agora infinito jazz.
     

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