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Globo de Vidro

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Daniel Cowman, 12 Jan 2009.

  1. Daniel Cowman

    Daniel Cowman Usuário

    [align=justify]João ficou olhando para aquele globo, um globo escuro de vidro que representava o universo
    [/b]
    (pelo menos João me dizia que se o universo tiver uma “cara” esta seria a dele. Esta era uma mania que ele tinha desde que o conheci era por esse globo em suas mãos em sua casa, enquanto fazia suas diversas atividades numa casa solitária, assim ele parecia o dono do mundo).

    (O universo era tão grande, tão múltiplo que como poderia alguém não poder se achar dentro dele, sentir-se um peixe fora deste grande oceano? Eu sempre pensei que João era assim, esse peixe fora d'água, e, recentemente descobri que João justamente se achava assim, quando achei seu caderno de anotações. Ele dizia que sentia uma “dor delicada, suave que parecia sentir desde que nascera, ou talvez antes de tudo isso. Dor esta que já fazia parte de seu universo e de seu corpo era como suas mãos, ele achava que cada um tinha a própria. João era um cara triste).

    Enquanto João girava seu universo, o Universo girava em torno dele, incessante, imponente, ignorando todos seus filhos (João escrevera que sentia um grande pesar em fazer qualquer atividade, pois parecia que ao fazer esta deixava de fazer outras tantas, sentia que nunca estaria satisfeito com qualquer coisa que fizesse, exceto observar seu globo, que para ele “era a representação do universo, logo estaria fazendo todas as coisas do mundo”).

    João decidiu por seu globo em cima da mesa e agir, não podia mais ficar sem agir, estava pensando nisso há dias talvez (João estava apaixonado por Melanie, ele a conhecera no café próximo da sua casa em um dia chuvoso. Melanie estava tomando café com croissants. João escrevera que “nunca alguém havia tomado café com tal delicadeza, detalhe e sentimento”. Este foi o início de seu amor, logo ele se sentou ao lado dela e puxou assunto com ela (ele sempre foi bom em puxar assuntos, pois de tanto observar as pessoas ele sabia que todos deixam códigos a serem decifrados, códigos estes que revelam muito mais que as palavras, códigos que podem ser livros, vestimentas ou a forma como segura-se um café), começaram a fala sobre filmes, espetáculos de ballet entre mil outras coisas. Tudo ocorreu como ele planejara que seria quando encontrasse alguém como Melanie. Desde então, se viram mais umas vezes) e antes de sair, pegou um presente que havia para Melanie e pôs em seu sobretudo, decidiu pegar também seu globo por precaução.

    João pegou suas chaves, e saiu pela casa em direção ao café, tinha que encontrar com Melanie como estava combinado antes, ele estava adiantado como sempre. Dobrou a esquina e estava avistando o café quando viu um amontoado de gente próximo a uma casa, onde havia bombeiros (João nunca gostou de ficar perto de desgraças, mas também nunca havia visto esse tipo de coisa próximo de sua residência. Foi conferir). Ao chegar para conferir o que se passava, tomou um susto.

    O seu globo que estava em suas mãos caiu. (Melanie estava morta, disseram à ele que ela havia sido atropelada a pouco tempo. Melanie estava num maca, morta, já não pertencia a este universo ou ao universo de João. Talvez nunca tenha pertencido).

    João se segurou para não chorar ali na frente e então pegou o presente de Melanie, um globo escuro como o dele, e pôs em sua mão, uma mão delicada, suave (ele nunca tivera uma chance de tocar dessa forma Melanie, só uma vez que esbarrou sua mão na dela quando passou para ela uns croissants de chocolate) e a fechou. Depois voltou para sua casa.

    O globo escuro de vidro estava partido no chão. (João escrevera no seu caderno que aquele momento foi a prova de que ele não pertencia à este mundo, não havia lugar para ele apesar de sua imensidão infinita. Tudo que sei é que depois disso ele me ligou disse que enviaria uma encomenda para mim e disse que sentia falta de nossas conversas. Ele me mandou esse caderno. E nunca mais soube sobre João).[/align]
     
  2. Sorel

    Sorel Usuário

    Me lembrei de MIB, agora =). MIB e Senhor dos Anéis (o palantír)
    O jeito que vc usou o globo, no entanto, foi bem mais criativo!

    Uma coisa que não entendi: os parênteses são os comentários de um narrador diferente? Como se houvesse um narrador afastado da história, que conta os fatos, e um outro comentando (o que achou o caderno)? Ou a voz fora dos parênteses é de João?

    Triste o amor só poder se realizar (no toque) depois da morte dela. Da morte dela e do fim do universo dele. O amor seria sempre impossível? O engraçado é que eu escrevi uma poesia com um tom bem parecido há algum tempo atrás.

    Poste mais coisas suas aí!
     
  3. Daniel Cowman

    Daniel Cowman Usuário

    Seria o narrador que encontrou o diário...esse amigo que só pôde acompanhar em silêncio todos esses pequenos detalhes da vida deste homem.

    Dá para ler o conto sem os parênteses, são ações efêmeras, uma vida breve, algo simples e delicado como um globo de vidro mesmo.


    Espero que se divirta!
    Abs
     
  4. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Eu também lembrei do Palantír do Saruman :g:! Então, eu gostei bastante dessa representação que você fez do João, que é aquela coisa de ele ser tão inseguro, que ele só se sente seguro quando ele tem em mãos o globo. Porque pra ele o globo é seu universo, onde ele comanda, e tem total controle. O caso é que ele passa a viver num mundo à parte, pois o real é frustrante e decepcionante, segundo o que ele pensa. Aí eu fico me perguntando, tem tanta gente medrosa espalhada por aí que também precisa de sentir no centro das coisas e do mundo, pra assim caminharem com suas vidas, porque se não for dessa maneira, elas não vivem uma realidade coletiva de jeito nenhum. Muito legal mesmo mano, gostei do escrito!
     

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