1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Garota Exemplar (Gillian Flynn)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Ana Lovejoy, 10 Mar 2013.

  1. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    A Intrínseca é uma pateta mesmo. Quem aqui lembra do lançamento de Pequena Abelha, e toda aquele marketing de "Quanto menos você souber da história, melhor?". Bem, usaram a carta na hora errada, era um livro que estava totalmente ok saber o enredo todo, e agora que eles tem um lançamento do tipo "quanto menos você souber da história, melhor", o que eles fazem, o queeeee? Revelam quase todos os malditos detalhes da trama na sinopse de divulgação do livro. Enfim, se até o momento vocês não tinham ouvido falar deste livro, não procurem por resenhas, não procurem pela sinopse: sim, quanto menos souber, melhor.

    Vale saber que é um thriller, que há uma história de um casal em crise e que as personagens são daquelas bem críveis, sabe? Das que você consegue ver um amigo ou até mesmo você ali. Comecei a ler o livro ontem e não consigo largar, e se abri o tópico sem terminá-lo e que quero salvar vocês da campanha de marketing desastrosa da Intrínseca.

    E é isso. Depois não digam que eu não avisei. Beijo, não me liguem que estou ocupada lendo. :gira:
     
    • LOL LOL x 4
    • Gostei! Gostei! x 2
  2. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Depois me avisa se gostou. Queria ler mas, não sei porque, fiquei com um pé atrás.
     
  3. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Anica e sua mania de me deixar curiosa :lol: :amor:
     
  4. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    to copiando e colando o que escrevi para
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    . tem spoilers. tipo, tenha em mente que estraga um pouco a experiência de leitura saber ler o que escrevi sem ter lido o livro, etc. tá sem formatação pq sou preguiçosa, tchans.

    Juro que não sei exatamente o que despertou minha curiosidade sobre Garota Exemplar, de Gillian Flynn. Acho que uma reportagem mencionando o fato de que este livro tinha desbancado Cinquenta Tons de Cinza, e aí eu queria saber qual era a nova pira do momento, não sei. O fato é que coloquei no kindle e comecei a ler sem grandes expectativas, primeiro porque a) eu estava um pouco traumatizada com a Intrínseca (ver lista de piores leituras de 2012), b) O enredo parecia de filme que eu assistia no Supercine (ainda passa Supercine?) e c) Meu preconceito bocó dizia que se desbancou Cinquenta Tons de Cinza, boa coisa não poderia ser.

    Mas ok, comecei a ler. E poucas páginas depois, já não queria mais abandonar o livro, principalmente quando percebi a jogada que Flynn começou a fazer com as opiniões que o leitor tinha das personagens. E se menciono isso já, assim, segundaparagrafamente, é porque quero dar um aviso para você que ainda não leu Garota Exemplar: fuja da campanha de marketing da editora. Não leia sinopse do livro, orelha, nem nada. Algumas informações que estão sendo colocadas para anunciar o livro acabam te colocando na pista errada e, o principal, afetando seu julgamento das personagens de uma forma diferente do que deveria ocorrer. Sobre isso falo um pouco mais para frente, aguenta aí.

    A questão é que minha cabeça está aqui cheia de ideias a serem comentadas sobre o livro, mas não queria estragar a experiência inicial de ninguém, portanto fica a velha recomendação: volte quando tiver acabado de ler. Por incrível que pareça, esse meu cuidado nada tem a ver com o enredo principal que tem sido apresentado por aí (mulher desaparece, marido é o principal suspeito, etc.), aliás, eu acho que é o tipo de livro que “sobrevive” muito bem mesmo que revelem spoilers, só que fica aquela sensação de chupar bala sem tirar o papel (há!). Avisados? Ok, então agora vamos por partes. Três, como no livro.


    Parte um: Rapaz perde garota

    Vamos colocar uma trilha sonora para esta parte do post? Vamos? Ok. Lá vai clica aqui, dá o play e me acompanhe.

    Como disse antes, acabei me encantando pelo livro assim que percebi que tinha caído na jogada de Flynn. Garota Exemplar abre com a narração de Nick, no dia do aniversário de casamento. Ele obviamente não gosta mais da esposa, que vê como uma mulher mimada, irritada (e irritante!). Mas não entenda errado: nada é colocado de forma óbvia “Ela é uma mimada”. O estilo de Flynn é bastante sutil, e é nas entrelinhas que vamos pegando as peças para montar o quebra-cabeça que é a personalidade do casal protagonista.

    Logo após o capítulo de Nick, vemos uma entrada do diário de Amy do dia em que eles se conheceram. Há algo no estilo de Amy que faz você se encantar de imediato: um certo senso de humor, o modo como se dirige ao leitor e mesmo a visão que ela tem de si e de outras pessoas: enfim, você logo começa a perceber que aquela Amy ali não bate com a Amy de Nick.

    A narrativa segue assim, com um capítulo de Nick descrevendo os eventos dia após dia desde o desaparecimento de Amy, e um capítulo com uma página do diário de Amy, que aos poucos vai se afastando do dia em que se conheceram e se aproximando do momento em que eles saem de Nova York e passam a morar no Missouri. E se pedi para que vocês dessem um play em Love Will Tear Us Apart é porque essa parece justamente a trilha do casal. É quase possível ouvir “When routine bites hard… and ambitions are low” nas páginas do diário de Amy.

    E sim, progressivamente você começa a odiar Nick. Nick, o canalha. Nick, o egoísta. O sujeito que muito provavelmente foi o responsável pelo sumiço da própria esposa. Por mais que ele se diga inocente, chega um momento em que vai ficando impossível acreditar que ele realmente seja. E não só pelo que Amy diz: ele mesmo se apresenta como um narrador não-confiável quando avisa quantas vezes mentiu para a polícia em poucas horas, ou quando diz coisas como “Eu sou um grande fã da mentira por omissão“. E aproveitando as mentiras (e omissões), Flynn é inteligente o suficiente para manter de forma paralela à desconstrução de Nick a história do que diabos aconteceu com Amy. E aí você trabalha na realidade com dois enredos: o thriller, com todo o suspense sobre o sumiço de Amy, e a história sobre as dificuldades do casamento.

    Há algo ali que sempre acreditei: de como é fácil ser uma pessoa querida por apenas uma noite, e como a convivência pode ser complicada justamente por revelar o que realmente somos. Questões que antes não eram levantadas geram verdadeiras batalhas (quem vai trocar a areia do gato?!), traços de nossa personalidade não podem mais ser ocultados. E o amor, ele resiste a tudo isso?

    E chegamos ali na metade do livro, achando que as coisas caminharão previsivelmente por aí, com Nick (odioso Nick!) se afundando cada vez mais em suas mentiras e Amy provavelmente próxima de um fim bastante trágico. Então vem a parte dois.

    Parte dois: Rapaz encontra garota

    E é aqui que vem o tapa na cara do leitor. A dinâmica inicial foi de Nick apresentando Amy como uma verdadeira megera, e aos poucos descobrimos o quão doce ela é, e quem realmente não presta ali é Nick, certo? Pois logo na primeira frase da Parte dois você, como leitor, provavelmente soltará um sonoro “WTF?!“. Diz Amy:

    “Estou feliz agora que estou morta. Tecnicamente, desaparecida. Em breve, considerada morta.”

    Era madrugada e eu precisava dormir, e tive que deixar o livro bem ali, naquela frase. Passei a manhã do dia seguinte pensando no que aquilo poderia significar. Flynn vai dar uma de Machadão, e fará uma Amy Cubas? Ou…

    … ou Amy não tinha sido assassinada coisa nenhuma e planejara tudo aquilo? O charme do livro é justamente que Flynn não tem pressa: ela vai brincar com você até não poder mais. Se na parte dois você chega pensando que Amy é uma santa e que Nick não conseguia enxergar a sorte que tinha (o que o tornava ainda pior com todo o seu pacote de defeitos), eis que ficamos sabendo o tipo de psicótica que ela é.

    Agora que não há mais um mistério (já que não há crime), você poderia pensar que a narrativa perderia o ritmo, ficaria sem graça, mas não é o que acontece. Primeiro porque Amy “do mal” continua sendo ótima ao falar com o leitor, mesmo que com discursos inflamados sobre “Garotas Legais” (que não deixam de ter um fundo de verdade, diga-se de passagem) e uma lógica bastante obtusa. E segundo porque é aí que, desculpe o clichê, a história pega fogo: de um lado temos Nick agora correndo contra o tempo para provar sua inocência, do outro temos Amy tentando se esconder até que Nick seja preso.

    Há um certo exagero nas histórias do passado de Amy que começam a surgir que lembram sim, aqueles filmes de Supercine. Você já deve ter visto algum filme assim, com uma personagem completamente maluca que não tem a menor noção do mal que pode fazer para alguém só para “provar um ponto”. Nessa altura você não só odeia Amy (como antes odiara Nick), mas também tem medo: ela não tem limite, fica claro. E é essa noção que será o ponto principal da terceira e última parte.

    Parte três: Rapaz consegue garota de volta

    Se a segunda parte parece meio louca, a terceira é completamente insana. Eu ainda estou “digerindo” um pouco o desfecho, o rumo que a história tomou, mas foi difícil não pensar em toda sorte de psicopatas que já foram narrados ou interpretados na literatura e no cinema. Amy voltou para casa e agora está decidida a fazer com que Nick a ame novamente. Sim. Depois de tudo aquilo.

    Acredito que aqui Flynn deixou de lado o humor mais leve da Amy na primeira parte para partir para um certo humor negro. Lembra um pouco a história do casal que se odeia em Survive Style #5 (se não viu este filme ainda, assista): tentam se matar, mas simplesmente não conseguem viver um sem o outro, porque o “estar juntos” é parte do que faz com que eles sejam quem são. As páginas aqui estão cheias de frases como “Sou um ótimo marido porque tenho muito medo de que ela me mate“. Acho que dá para ter uma ideia do que quis dizer sobre humor negro.

    E é na voz de Amy que temos a pista do que o livro representa: “Não é o que todo casamento é, de qualquer maneira? Apenas um demorado jogo de ele disse, ela disse?“. Descobrimos então que o que temos em mão é justamente a maneira de Amy dar a última palavra. É até irônico, mas com o desfecho acabei vendo Garota Exemplar como um “Serena” ao contrário, onde a tônica não é o amor, mas o ódio.

    TL;NR, Anica!

    Para você que teve preguiça de ler as outras partes, vamos ficar com algumas considerações finais. Eu gostei bastante do livro, mesmo. Adorei o modo como a Flynn manipula o leitor através de uma personagem como Amy. Gostei muito do Nick que ela criou – se Amy é louca demais para ser real, Nick é tão cheio de imperfeições que poderia ser aquele seu amigo ou conhecido. O jeito que o mistério do desaparecimento de Amy é conduzido é bem interessante também (notem como Nick quase nunca revela qual foi a pista da “Caça ao Tesouro” logo que a encontra).

    Há várias camadas no que poderia ser apenas um thriller. Não dá para terminar Garota Exemplar sem pensar no modo como julgamos pessoas a partir de um único ponto de vista (lembrei aqui do TED O perigo da história única), de como nos relacionamos com pessoas, de como não dá para ser outra pessoa por muito tempo. É realmente muito para se pensar. E só por isso a leitura já teria valido a pena, mas coloque aí o modo como Flynn consegue manter a tensão do começo ao fim (sim, até quando já sabemos que Amy não está sumida), e insisto: ele “sobrevive” mesmo que revelem spoilers. O mistério, no final das contas, acaba sendo menos importante do que tudo o que a história do casal acaba trazendo para o leitor.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  5. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Não vou ler a resenha porque tem spoilers, e, como vc falou, eles estragam a experiência da leitura... mas, assim, por alto, parece que vc gostou, né?
    Tava com receio em relação a esse porque vi uma matéria cujo título era:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , aí nem li o resto, pois pensei que os livros eram parecidos :roll:
     
    Última edição: 14 Mar 2013
  6. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    também li esse texto, e pensei a mesma coisa: para desbancar 50 shades só pode ser porcaria, ou ainda, outra porcaria ~~erótica~~ do tipo. mas não é, fique tranquilo.
     
    • Gostei! Gostei! x 2
  7. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    uma guria escreveu um texto no book riot argumentando que o livro é misógino. achei a ideia meio exagerada - ou pelo menos que ela não captou bem que amy

    é uma sociopata, e que bem, gurias sociopatas existem, assim como homens. agora vamos só retratar mulher mentalmente estável nos livros?

    anyway, tá aqui o link para quem quiser ler:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
     

Compartilhar