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Ficção narcisística - os escritores como personagens

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Gigio, 11 Mar 2012.

  1. Gigio

    Gigio Usuário

    Acho que uma categoria que merecia também sua seção exclusiva nas livrarias -- para receber a admiração e o desprezo tal qual a ficção científica e o romance policial -- são as histórias em que escritores saem dos bastidores e vêm ocupar o espaço de personagem principal. Não estou falando daquelas obras que viraram moda recentemente e que colocam uma figura célebre, como Dante ou Shakespeare para investigar crimes (principalmente) ou se mostrar em seu cotidiado, acertando contas com o açougueiro, por exemplo. Nem de biografias ou autobiografias. Acontece que às vezes os escritores se sentem tentados a representar seu próprio universo profissional, com suas dificuldades e suas experiências particulares. Não seria nada de mais, se não fosse tão comum. Arriscaria até a dizer que nenhuma outra ocupação foi mais representada na literatura que a do próprio escritor, não concordam? Acham isso curioso ou natural?

    Essa categoria admitiria até subgêneros:
    - Escritores iniciantes lutando contra a miséria e a falta de reconhecimento: Fome, Knut Hamsun; Pergunte ao Pó, John Fante...
    - Escritores que entram em crise depois do primeiro livro: Cordilheira, Daniel Galera...
    ...

    Existe um subgênero que costuma ser bem engraçado: a do escritor iniciante que na verdade não tem talento mas não sabe disso. Vi dois exemplos recentemente, um conto do Felisberto Hernández e outro do Augusto Monterroso (aquele do "Quando acordou, o dinossauro ainda estava ali"). Vou colocar um pedaço desse último, como ilustração:

    :rofl:

    De que outras histórias que tenham escritores como personages principais vocês se lembram?
     
  2. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Muito bacana esse trecho.
    Acho que deve ser bem difícil escrever mal conscientemente, pra isso deve ser preciso saber escrever bem.

    E quando se fala em escritores como personagens principais, o primeiro que lembro é do Charles Bukowski.
    Vou ver se lembro de mais algum.
     
  3. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Isso é bem interessante, ver a transcendência da barreira do pseudônimo... Agora como referências explícitas, eu sinceramente não consigo me lembrar de ninguém além do Fernando Pessoa e o seu jogo de heterônimos que, além de referências internas, como prefácios e posfácios dos heterônimos uns para com os outros (principalmente quando o Caeiro, que é o centro gravitacional da heteronímia, entra em cheque), mas também em ocasiões onde o heterônimo se refere ao Pessoa, como o Álvaro de Campos num poema ("A Fernando Pessoa") onde ele acabara de ler "O Marinheiro", do Fernando Pessoa...

    O já citado Dante é outro caso interessante, onde o protagonista da Divina Comédia inteira é o Dante (referido apenas de forma explícita em XXX, Purgatorio: "«Dante, perché Virgilio se ne vada,")...

    Agora afora esses dois exemplos eu não consigo me lembrar de mais nenhum... Talvez Pirandello? O Nelson Rodrigues possui uma peça intitulada "Anti-Nélson Rodrigues"; mas, como eu ainda não a li...
     
  4. Gigio

    Gigio Usuário

    Também achei muito legal, é quase uma aula do que não se deve fazer. Melhor de tudo é o final, "Fábio, que belo é o campo na primavera!". Quem raios é Fábio? O cachorro? :rofl:

    Sempre fico reparando como certas pessoas conseguem se expressar normalmente de forma oral, mas se embaralham com as ideias na hora de escrever. Dá para ver que, na primeira tentativa do Leopoldo, ele não consegue separar as coisas, fica adicionando pois e mais pois.

    Os que conheço do Pirandello não têm escritores como protagonistas, mais gente comum, aliás, gente que não faz nada da vida...

    Os exemplos que você deu, Mavericco, são especiais. Colocar o Dante nesta lista seria como colocar o Borges entre a ficção científica. Mas vá reparando, entre os mais contemporâneos, quantos personagens escritores aparecem...
     
  5. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Como a Clara falou..o Henry Chinaski não pode ficar de fora...

    Em linha semelhante, tem o Sal Paradise, de On the Road.. .traz muito das agruras de tentar viver das letrinhas.

    Hemingway tem um personagem-escritor que é pai dos dois de cima. Trata-se de Nick Adams, menino-autor que Hemingway leva a escritor amadurecido numa série de contos magistrais.

    Nacional? O Defunto-autor Brás Cubas, que vamos ter que por num grupo único. O de quem nada fez em vida e esperou bater as botas para escrever.

    Machado ainda toca no tema do escritor de maneira brilhante no conto "Um homem Célebre", no qual fala de um homem de raro talento para as letras, mas que tem dificuldade de dedicar 20 min à escrita! O final é trágico.

    O Paulo Honório (?), de São Bernardo. Escritor a contragosto, Paulo convida amigos para ajudá-lo a escrever suas memórias; acaba tocando a empresa sozinho, às turras com a inspiração.
     
  6. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Gostei do título. "Ficção narcisística".

    Acho que os autores se colocarem em suas obras como personagens ou livros sobre escritores/escrita são tendências da literatura contemporânea, pelo menos da brasileira. No primeiro caso tem até um nome para isso
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    (mas que autobiografia não é auto-ficção?) Tem vários exemplos disso.

    No segundo, ou seja livros sobre a escrita, que é mais o tema do tópico, né?, lembro de A Room of One's Own de Virgínia Woolf e de Na pior em Paris em Londre de Orwell, mas nunca li nenhum dos dois então só falo de ouvir falar. A obra de Roberto Bolaño não é toda cheia de escritores também? A crítica à imprensa da época parece ser um tema dos escritores do século XIX, não? Lembro de Balzac com Ilusões Perdidas e de um
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    de Villiers de L’Isle-Adam em que ele critica a imprensa. Dos nacionais lembro de Recordações do Escrivão Isaías Caminha, que é uma crítica feroz da imprensa do Rio de Janeiro da época e de Caétes de Graciliano Ramos que é mais sobre a vida medíocre de um escritor em uma cidade interiorana e seu bloqueio.

    Ah! Isso também acontece nos quadrinhos (principalmente os japoneses). O Maus é sobre o autor querendo escrever a história do pai, por exemplo. E para citar um mangá que está sendo publicado no Brasil,
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    é uma história em quadrinhos sobre o mercado e a produção de histórias em quadrinhos no Japão, mas a tendência é mais antiga e se populariza, para variar, com Osamu Tezuka que fez um
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    sobre um homem que sonha fazer animação, ou seja, ele mesmo.
     
  7. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    a maioria dos livros e contos do stephen king são sobre escritores. alguns fizeram sucesso, outros ñ, mas ñ deixo d pensar q ele está d certa forma falando sobre si cada vez q leio 1 novo livro dele com escritor protagonista.
     

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