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Ferreira Gullar

Tópico em 'Autores Nacionais' iniciado por Fernando Giacon, 21 Abr 2008.

  1. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    FERREIRA GULLAR
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    Resuminho rápido:
    Eu não sei quanto a vocês, mas sou fã desse poeta tão cotidiano; e grande maranhense chamado José Ribamar Ferreira! Poeta e critico da arte brasileira. Ganhou vários prêmios, um deles em 2007 como o Nobel de Literatura. Suas crônicas, ensaios, contos e poesias pegam muito do cotidiano, enriquecendo a poesia de uma tal maneira, que sua arte aflora campos à fora. Uma de suas obras que mais me admira é "Dentro da Noite Veloz" onde reune poemas escritos no exílio, e suas experiências no período de ditadura.

    A poesia que eu mais gosto dele...
    Cantiga para não morrer

    Quando você se for embora,
    moça branca como a neve,
    me leve.

    Se acaso você não possa
    me carregar pela mão,
    menina branca de neve,
    me leve no coração.

    Se no coração não possa
    por acaso me levar,
    moça de sonho e de neve,
    me leve no seu lembrar.

    E se aí também não possa
    por tanta coisa que leve
    já viva em seu pensamento,
    menina branca de neve,
    me leve no esquecimento.
     
  2. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Tinha me esquecido de um poema cotidiano dele:

    Não há Vagas

    O preço do feijão
    não cabe no poema. O preço
    do arroz
    não cabe no poema.
    Não cabem no poema o gás
    a luz o telefone
    a sonegação
    do leite
    da carne
    do açúcar
    do pão

    O funcionário público
    não cabe no poema
    com seu salário de fome
    sua vida fechada
    em arquivos.
    Como não cabe no poema
    o operário
    que esmerila seu dia de aço
    e carvão
    nas oficinas escuras

    - porque o poema, senhores,
    está fechado:
    "não há vagas"

    Só cabe no poema
    o homem sem estômago
    a mulher de nuvens
    a fruta sem preço

    O poema, senhores,
    não fede
    nem cheira


    LEGAL NÃO?:uhu:
     
  3. Marcileia

    Marcileia Usuário

    Certa vez declamei uma poesia dele na escola: O Açucar.... E depois a professora fez uma prova onde a interpretação do texto era dessa mesma poesia... me dei bem!!!!
    Mas o cara é fera mesmo....
     
  4. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    É mesmo? uHUha..essa poesia costuma entrar em muitos lugares mesmo...por causa da temática dela...com certeza, o cara além de tudo tem um programa se já viu? Não me lembro o canal...é no canal a cabo...ele manja mto bem com as palavras...se precisa de ver as coisas q ele fala...=DD
     
  5. Lethaargic

    Lethaargic Usuário

    Gosto bastaante de 'Cantiga para não morrer'! Um dos melhores que
    eu li dele, mesmo que não tenha lido muita coisa. Infelizmente não
    tive contato com nenhum livro dele, li vários poemas que encontrei
    na internet. A Folha vai lançar o livro "Poema Sujo", mas como é o
    último, vai demorar pra caramba :/
    http://escritores.folha.com.br/ferreira_gullar-biografia.html
     
  6. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Eu também adoro a Cantiga para não morrer. Putz, pode crer! O poema sujo é muito famoso. Se a folha fizer isso mesmo, eu vou querer, pois os melhores livros dele, são meios que raros de encontrar. Exceto claro, por essas atualizações de jornais e livros.
     
  7. LatinoAmericano

    LatinoAmericano Aqui jaz Alcarecco

    Pra falar a verdade só fui conhecer o Ferreira Gullar, via Zeca Baleiro.

    Mas depois que li alguns poemas do Ferreira gostei muito e procurei ler mais, Cantiga pra Não Morrer também é um dos meus preferidos, tem um livro do Ferreira Gullar na biblioteca da minha escola, vou pega-lo logo, logo... :g:
     
  8. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Opa demoro, pega lá, tenho certeza de que você não vai se decepcionar! O cara manda muito bem nas palavras, e nas coisas que diz, numa forma bem diferente!
     
  9. imported_?

    imported_? Usuário

    A minha preferida dele. :)

    O ron-ron do gatinho

    O gato é uma maquininha
    que a natureza inventou;
    tem pêlo, bigode, unhas
    e dentro tem um motor.

    Mas um motor diferente
    desses que tem nos bonecos
    porque o motor do gato
    não é um motor elétrico.

    É um motor afetivo
    que bate em seu coração
    por isso faz ron-ron
    para mostrar gratidão.

    No passado se dizia
    que esse ron-ron tão doce
    era causa de alegria
    pra quem sofria de tosse.

    Tudo bobagem, despeito,
    calúnias contra o bichinho:
    esse ron-ron em seu peito
    não é doença - é carinho.

    Ferreira Gullar
    Poema do livro
    "Um Gato Chamado Gatinho"
     
  10. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Nossa Clara, não conhecia essa poesia dele. Que coisa mais, hmm... vai soar gay isso, mais que FOFO :dente: UHauhHUahuha! Tu percebe como o Ferreira Gullar é?! Ele pega algo simples, comum... e transforma nessa maravilha, por isso que eu o admiro tanto.
     
  11. Liv

    Liv Visitante

    Eu vim aqui só pra postar esse poema :grinlove: Muito fofo, né?
     
  12. Lana Lane

    Lana Lane Usuário

    Adorei o poema! Até fui procurar pelo livro, mas está esgotado. :(
     
  13. rocca

    rocca Usuário

    "Cantiga para não morrer" virou música do Fagner! Soube por uma amiga que também foi ele que traduziu o "clássico" "Borbulhas de Amor" que o Fagner também canta. Alguém confirma?
     
  14. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Adoro Ferreira Gullar :grinlove:
    Apesar de achar que a classificação de "maior poeta vivo" tem uma série de ressalvas, entre elas a de que a fase maior da poesia do Gullar provavelmente não será alcançada novamente (isto é, Poema Sujo, Dentro da Noite Veloz), o cara é bom. É excelente. Admiro muito ele, e, apesar de discordar de algumas de suas opiniões pessoais recentes, estas são opiniões do homem e não necessariamente do artista (e Gullar sabe bem diferenciar isso. Aliás, poucos poetas são e foram tão conscientes como ele).

    Ainda estou por ler o "Alguma Parte Alguma", mas, pelo pouco que já li, o livro promete. Aliás, e por mais precipitado que isso venha a ser, acho que, dos livros que o Gullar publicou depois do Poema Sujo, este é o mais bem acabado, pois parece encarnar melhor a faceta poética que ele vem adotando: mais filosófica, mesmo que aparentemente com uma redução da parte social. É algo parecido com o que o Drummond apresentou com o Claro Enigma, com a diferença de que, como analisa o Wagner Camilo contra a opinião estabelecida, Drummond não deixou de todo sua veia social (e talvez eu esteja sendo injusto com o Gullar; é possível).

    De todo modo:
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    Um documentário que mostra mais o homem Ferreira Gullar. Muito amor ele esquecendo de entregar o material da Editora Record, né?
     
    Última edição: 13 Nov 2012
    • Ótimo Ótimo x 1
  15. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    Que se separe o Gullar animal político de opiniões pessoais que também ultimamente discordo, do Gullar poeta, homem da arte, da poesia e da escrita. Eu sempre separei bem as coisas e, também considero Ferreira Gullar um dos grande poetas da atualidade. Cheguei a ler toda a poesia dele reunida em um livro e todas as fases dele estavam lá,o concretismo, o cordel, o poeta popular etc. Ressalvas sempre vão exisitir quando se trata de qualquer atividade artística. Poema Sujo e Dentro da Noite Veloz ( como bem disse o Mavericco) foi o mel do melhor de Gullar. Ele ( se não estiver enganado) estava exilado na época que publicou e, talvez essa condição adversa tenha provocado o poeta a extrair o melhor da poética do momento. Abços.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  16. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Exato: ele estava mesmo exilado, e, em entrevistas, ele diz que o escreveu em condições muito adversas, sem saber como seria o dia de amanhã, sem saber sequer se ele viria ou se voltaria a escrever poesia algum dia. Acho que essa condição de exílio é inclusive uma força motriz fundamental para que o poeta consiga escrever obras-primas, isto é, produtos artísticos que se comuniquem com mais universalidade, visto que, quando o artista se sente exilado (seja de fato, seja psicologicamente), ele tende a criar um universo estruturado e coeso, o que, automaticamente, implica em mensagem artística mais coesa e bem acabada. Escuso-me de dar exemplos disso: qualquer poeta com uma obra minimamente aceitável pode se enquadrar perfeitamente nessa linha de raciocínio. No caso do Gullar, a opinião de Carpeaux ao dizer que o Poema Sujo deveria se chamar Poema Nacional ilustra muito bem isso.

    De todo modo, um dos poemas que mais me tocam é esse:

    Para quem quiser entender a dor que esses versos exprimem,
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    .

    Citando um poema do novo livro, dos garimpados até então, aqui vai um que, creio, será da preferência de muitos:

    O que acho fabuloso nesse poema é a contraposição entre universo individual e universo cósmico, à maneira do microcosmo e o macrocosmo dos antigos, que no final se reduzem à mesma equação: "Estrelas são explosões nucleares em cadeia / numa sucessão que dura bilhões de anos". Importar-se com o quanto dura um gato não é estar alheio ao que ocorre no restante do mundo, mas, antes, importar-se com o presente para, só assim, podermos nos importar com o passado e com o futuro, visto que são "O mesmo que a eternidade". (E, abrindo um intertexto com o poema anterior, viver o agora é permitir que o passado também tenha a realização de seu desejo mais profundo de continuar a existir)
     
    • Ótimo Ótimo x 2
    • Gostei! Gostei! x 1
  17. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    Podemos dizer que a zona de conforto não é muito propícia para a produção de ótimos poemas ( no caso Gullar,) não quer dizer que não tenha feito outros bons na fase atual. Isso para ficarmos no campo da suposição. Uma ligação muito forte com algo poderá ser um entrave para alguns poetas ou, se a situação for extremamente adversa, mas isso funcionou como motivação ( força motriz como bem ressaltou, Mavericco) e não entrave para Gullar.

    Ferreira Gullar admite antes de tudo, que a poesia é um chamamento e não aquela coisa de: hoje vou criar um poema e pronto. Um rito meio espiritual? Esse “Os Mortos” é sensacional.


    Um instante

    Aqui me tenho
    Como não me conheço
    nem me quis
    sem começo
    nem fim
    aqui me tenho
    sem mim
    nada lembro
    nem sei

    à luz presente
    sou apenas um bicho
    transparente


    Ferreira Gullar
     
    Última edição: 14 Nov 2012

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