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Fernando pessoa

Tópico em 'Autores Estrangeiros' iniciado por Tayana, 15 Abr 2010.

  1. Tayana

    Tayana Usuário

    Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935, Lisboa), poeta e escritor português. Pessoa é considerado junto de Luís Vaz de Camões um dos mais importantes poetas de língua portuguesa.
    Desde cedo, Fernando Pessoa inventara seus companheiros. Ainda em Durban, imagina os heterônimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Cria também o especialista em palavras cruzadas Alexander Search e outras figuras menores. Mas seria no dia 8 de março de 1914 que os heterônimos começariam a aparecer com toda a força. Neste dia, Pessoa escreve, de uma só vez, os 49 poemas de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro. Como resposta, escreve também os seis poemas de Chuva Oblíqua, que assina com seu próprio nome. Logo, inventaria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano, Ricardo Reis. Um semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, só em 1982 teve sua obra, O Livro do Desassossego, composta por fragmentos de prosa poética, publicada.
    Álvaro de Campos e Ricardo Reis, assim como o próprio Pessoa, consideravam-se discípulos de Alberto Caeiro, mas cada um seguiu os ensinamentos do mestre à sua forma, e chegaram até a travar uma polêmica muito interessante sobre o fazer poético.
    A última frase de Fernando Pessoa foi escrita em inglês no dia de sua morte:
    “I know not what tomorrow will bring” ou “Eu não sei o que o amanhã trará".
     
  2. Tayana

    Tayana Usuário

    Uma das frases dos heterônimos dele.

    "Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
    Quanto mais personalidades eu tiver,
    Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
    Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
    Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
    Estiver, sentir, viver, for,
    Mais possuirei a existência total do universo,
    Mais completo serei pelo espaço inteiro fora."


    Álvaro de Campos
     
  3. Tayana

    Tayana Usuário

    “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
    Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
    Mas porque a amo, e amo-a por isso,
    Porque quem ama nunca sabe o que ama
    Nem por que ama, nem o que é amar...”


    Alberto Caeiro
     
  4. Tayana

    Tayana Usuário

    "Como este infante que alourado dorme fui. Hoje sei que há morte, Lídia, há largas taças por encher.
    Nosso amor que nos trada.
    Qualquer que seja o amor ou a taça, cedo cessa. Receia, e apressa."


    Ricardo Reis
     
  5. Tayana

    Tayana Usuário

    A obra que Fernando Pessoa assinou com seu próprio nome está reunida nos volumes Cancioneiro e Mensagem.
    O Cancioneiro é composto por poemas líricos, rimados e metrificados,
    de forte influência simbolista. É do Cancioneiro um dos poemas mais célebres de Pessoa, Autopsicografia, em que reflete sobre o fazer poético:

    "O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.

    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm."
     
  6. Excluído046

    Excluído046 Banned

    [align=justify][coveira]

    Pessoa e suas personas: amo muito tudo isso.
    Eu acho que, os três (quatro, na verdade [não estou me referindo aos 544472367 outros heterônimos, só aos mais conhecidos, claro]) têm sua hora. Há momentos em que eu preciso, desesperadamente, ler algo do Álvaro de Campos. Em outras, acredito que o Alberto Caeiro possua a verdade absoluta (doce engano!). Depois, acabo tendo surtos de equilíbrio e leio Ricardo Reis. E, às vezes, penso que o Fernando Pessoa "ele mesmo" (que não é ele) é o que eu quero ler.

    É mais ou menos o que disse Pessoa, na voz de Álvaro de Campos: "Multipliquei-me para me sentir, para me sentir, precisei sentir tudo. Transbordei, não fiz senão extravasar-me, despi-me, entreguei-me".

    Acredito que o leitor, acaba se multiplicando e/ou se fragmentando, também, para entender, ou melhor, sentir a complexidade da obra Pessoana.

    Aliás, Tabacaria (que é quase consenso de preferência), de Álvaro de Campos, é como se fosse uma oração:

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    [...]

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira.
    Em que hei de pensar?

    [...]

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    [...]

    Alberto Caeiro é o poeta que acredita que o homem complicou demais as coisas com a metafísica, com suas teorias filosóficas e científicas, com suas religiões. Por isso ele defende a simplicidade da vida e a sensação como único meio válido para a obtenção do conhecimento, como se pode observar em "Creio no mundo como num malmequer, porque o vejo. Mas não penso nele porque pensar é estar doente dos olhos".

    Em uma carta a Armando Corte Rodrigues, de 2 de Setembro de 1914, Fernando Pessoa diz que "se há parte da minha obra que tenha um cunho de sinceridade, essa parte é... a obra de Alberto Caeiro".

    O interessante em Caeiro é que ele é o poeta "natural" ou que se pretende afinado com a Natureza, como se estivesse perante ela sem nenhum pensamento, se a lógica do homem citadino e civilizado, sem Álvaro de Campos, em síntese xD.

    A pretensão dele é abolir o pensamento, pois o pensamento significa tentar contra a simplicidade das coisas, contra a Natureza que foi feita para ser vista e não para ser pensada, pois, segundo ele, "pensar é estar doente dos olhos".

    Mas, paradoxalmente, é com o pensamento que ele manifesta o seu desejo, a necessidade de não pensar. :roll:

    " O essencial é saber ver ,
    Saber ver sem estar a pensar,
    saber ver quando se vê,
    e nem pensar quando se vê
    Nem vê quando se pensa" :think:

    Ricardo Reis em consonância com Atena, a deusa da prudência na mitologia grega, de acordo com as teorias do filósofo grego Epicuro, acredita que o homem deve buscar uma vida de prazeres naturais, de equilibrio, sem paixões violentas.

    O aparente tom de indiferença do Ricardo Reis acaba por chocar e/ou nos deixar, enquanto leitores, indiferentes, também. "porém, enquanto a morte não chega, convém aproveitar os prazeres que a vida pode oferecer, mas sem excessos".

    [/coveira][/align]
     
  7. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Lista das identidades secretas desta pessoa:

     
  8. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Hoje é 123° aniversário de Pessoa!!!!!
    Parabéns Fernado Pessoa!!!!
     
  9. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    O quê? Valho mais que uma flor (s.d.)

    O quê? Valho mais que uma flor
    Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,
    Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,
    Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?
    Mas o que tem uma coisa com a outra
    Para que seja superior ou inferior a ela?
    Sim tenho consciência da planta e ela não a tem de mim.
    Mas se a forma da consciência é ter consciência, que há nisso?
    A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume?
    Podia dizer-me: Tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana
    E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.
    Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor...

    Mas para que me comparo com uma flor, se eu sou eu
    E a flor é a flor?

    Ah, não comparemos coisa nenhuma, olhemos.
    Deixemos análises, metáforas, símiles.
    Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa.
    Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
    Cada coisa só lembra o que é
    E só é o que nada mais é.
    Separa-a de todas as outras o facto de que é ela.
    (Tudo é nada sem outra coisa que não é).
     

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