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Estudo britânico questiona por que somos bípedes

Tópico em 'Ciência & Tecnologia' iniciado por Morfindel Werwulf Rúnarmo, 11 Jan 2012.

  1. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Dois cientistas britânicos usaram um punhado de equações para colocar em xeque uma das hipóteses mais aceitas para explicar por que, afinal de contas, os ancestrais da humanidade adotaram a locomoção bípede.

    Para eles, alguns cálculos simples indicam que é bobagem a ideia de que a postura ereta foi uma forma de evitar o superaquecimento do corpo debaixo do sol africano.

    Essa estratégia evolutiva só funcionaria se, antes disso, os primeiros hominídeos (os ancestrais do ser humano) virassem macacos sem pelo, coisa que provavelmente só aconteceu depois do surgimento do andar bípede.

    Graeme Ruxton, da Universidade de Glasgow, e David Wilkinson, da Universidade John Moores em Liverpool, publicaram suas conclusões em edição recente da revista científica americana "PNAS".

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    POR DEFINIÇÃO

    Para os especialistas em evolução humana, andar com dois pés (em vez de usar quatro patas, como os outros primatas) é o que define a linhagem dos hominídeos. É um dos poucos consensos numa área de pesquisa polêmica, na qual ninguém se entende sobre quase nada.

    Fora o fato do bipedalismo, porém, todo o resto ainda está no ar. Os fósseis mais antigos com indícios dessa característica chegam perto dos 7 milhões de anos, mas há quem questione as credenciais bípedes dos bichos. A característica só aparece de forma mais confiável há 4,5 milhões de anos.

    E, quando se chega às causas do fenômeno, a coisa fica muito perto de virar um vale-tudo. Sem muitas evidências diretas nas mãos, os bioantropólogos acabaram atirando para todos os lados (veja infográfico).

    Até uma suposta fase aquática da evolução humana chegou a ser invocada, já que seria mais fácil ficar dentro d'água e atravessar rios e lagoas com a postura bípede.

    Nem todas as hipóteses são malucas assim. Uma ideia simples e elegante é levar em conta o equilíbrio de calor ligado às diferentes posturas no ambiente em que a postura bípede teria evoluído --para muitos, áreas abertas da África tropical.

    O raciocínio é que, dependendo da posição do corpo, a luz solar esquenta o sujeito de maneiras diferentes. Por esse critério, ficar em pé debaixo de sol quando se é bípede dá menos calor do que fazer a mesma coisa sendo quadrúpede.

    O problema é que esse cálculo tinha sido feito de forma estática, com o hominídeo teórico paradão. Os britânicos Ruxton e Wilson refinaram as equações originais, adicionando movimento a elas.

    E aí a coisa muda de figura, afirmam os autores. Em movimento e debaixo de sol, um hominídeo peludo como os chimpanzés atuais, mas bípede, conseguiria caminhar, no máximo, entre 10 e 20 minutos antes de superaquecer e ter um caso sério de insolação.

    Por outro lado, um hominídeo com pelos corporais esparsos e glândulas sudoríparas abundantes, como seus descendentes hoje, teria possibilidades bem maiores de dissipar calor e se dar bem com a postura ereta.

    É por isso que eles concluem que o caminhar com duas pernas em ambiente aberto exigiria o corpo relativamente pelado como pré-requisito. Do contrário, não teria sido favorecido pela seleção natural.

    A questão, claro, é saber qual dessas características evoluiu primeiro. De novo, as evidências são limitadas. A pista mais direta é meio constrangedora: os piolhos que afetam os pelos pubianos humanos. A linhagem deles existe há 3 milhões de anos.

    Como os outros grandes macacos não possuem pelos pubianos, imagina-se que foi nessa época que os hominídeos perderam seus outros pelos e ganharam esses. Seja como for, parece ter sido depois da invenção evolutiva do bipedalismo.

    Resumo da ópera: o jeito de andar característico da humanidade ainda é um mistério evolutivo.

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  2. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Sempre acreditei na teoria de "pegar frutas dos galhos", que sempre era usada para explicar o pescoção das girafas :lol:
     
  3. Serenatas

    Serenatas Usuário

    Os homens são bípedes porque Deus fez assim :roll:
     
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  4. Vikingaälva

    Vikingaälva Samson came to my bed

    Acho que a explicacao para sermos eretos baseada em pegar frutos mais facilmente um tanto lamarckista... o que eh meio contraditorio, ja que a maioria dos cientistas se baseia em Darwin =/
     
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  5. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Brecha aberta pro Paganus e Haran Alkarin assim que lerem aparecerem e aí esse tópico vira uma linda discussão científico-filosófico-religiosa
     
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  6. Envy

    Envy Usuário

    Bem acho uma tremenda BABAQUICE essa discussão terna ciência x religião.

    Basta prestarmos atenção em algumas afirmação do próprio Einstein, o maior gênio conhecido pela humanidade e divisor de águas dentro da física e astronomia.


    Ora, se o próprio einstein concorda que tanto religião e ciência podem harmonicamente explicar a origem de todas as coisas, porque não podemos, nós, concordar e pensar na vida como uma grande e premeditada cadeia de eventos improváveis que ocorreram pra que tudo que existe hoje fosse viabilizado?

    Eu penso como o einstein nesse quesito, ciência e religião se fundem e se explicam.
     
  7. Reverendo

    Reverendo Usuário

    Cuidado com as afirmações que explicam tudo, Serenatas.
     
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  8. Reverendo

    Reverendo Usuário

    Não sei. Acho que Einstein estava mais para um ateu enrustido. Se a carta escrita por Einstein ao filósofo alemão Eric Gutkind for realmente genuína...
    A ciência é impertinente demais para se fundir hamoniosamente à religião. A religião exige respeito e submissão e a ciência é por demais rebelde.
    Além disso, a ciência se fundiria harmoniosamente a qual religião?
     
    Última edição: 15 Jan 2012
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  9. Serenatas

    Serenatas Usuário

    Sim, mestre. *rindo por dentro*
     
  10. Indily

    Indily Balrog de Pantufas Fofas

    Tudo tem que virar ciencia x religião?

    O homem é bipede pq é um metido, exibido e orgulhoso que queria olhar as coisas de cima....



    ai conheceu o elefante.

    Fim.
     
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  11. Neithan

    Neithan Ele não sabe brincar. Ele é Mito

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    Vam lá Pag! :joy:

    Então, mas como disseram acima: A ciência se funde com QUAL religião? Porque cada religião tem o seu criador, e não se fundem, muito pelo contrário: Se contradizem.

    E aquela coisa: Einstein também escreveu uma carta desdenhando (e muito) a religião:

    “A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis.

    (…)

    Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos.

    Até onde vai minha experiência, eles não são melhores que nenhum outro grupo de humanos, apesar de estarem protegidos dos piores cânceres por falta de poder. Mas além disso, não consigo ver nada de ‘escolhido’ sobre eles"


    ___

    A questão de como os ancestrais humanos se tornaram bípedes ainda é um mistério. E por isso ainda lemos frases como "porque deus quis assim". Agora, há algumas centenas de anos, a Terra era plana redonda porque deus quis. Chovia porque deus queria. Existia o inverno porque deus gostava de neve, etc...com o avanço da ciência, o homem foi percebendo que a Terra, e todo o universo a sua volta "funciona" muito bem sozinho, sem precisar de uma interferência divina. E a religião, que a princípio surgiu como um "tapa-buraco", um jeito simples de explicar de onde viemos e para onde vamos, começou (finalmente) a perder espaço. Essa é a tendência, de que o conhecimento possa fazer com que o homem não tenha que usar a religião como fonte de respostas (até porque é complicado, no caso cristão, ter como base para tudo um livro velho e cheio de contradição, né?)

    Lógico, não acredito no FIM da religião. Tem muitas questões filosóficas no meio, e para algumas pessoas pode até fazer bem crer em algo, ter uma esperança. Mesmo uma esperança em algo que não existe, pode ser um combustível para uma vida que PRECISA de um ânimo. Uma muleta, sim. Mas algumas pessoas precisam.

    Agora, usar a religião como resposta para perguntas científicas, em pleno século XXI, não dá. Até Paganus concorda que religião não é para explicar o físico. Isso é melhor deixar com cientistas mesmo.


    :yep:
     
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  12. Siker

    Siker Artista Comercial / Projetista Gráfico

    Fato! Isso é inclusive observável em outras espécies:

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    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
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  13. Psycho

    Psycho Usuário


    Stephen Hawking é considerado por muitos o físico mais importante da atualidade. Também é um divisor de águas nos campos de física e astrofísica.

    E diz que não há espaço para Deus em teorias da criação do universo.

    Eu penso como ele, nesse quesito. A ciência já chegou num ponto aonde já está crescidinha o suficiente para andar sem rodinhas.
     
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  14. Excluído047

    Excluído047 Banned

    Eu também. São duas coisas completamente distintas.


    Dois pontos, aqui: 1- Até mesmo Einstein pode errar, de modo que a opinião dele é apenas mais uma opinião; 2- Ele era ateu, logo, não disse essa frase.


    Eu respeito a sua opinião, evidentemente. Mas, neste assunto, tenho opinião diversa: não há necessidade de inserirmos deus em coisa alguma para explicar nada no Universo. Eu sou ateu, mas mesmo se acreditasse em deus teria ainda a mesma opinião, pelo fato de que, o ser humano, quando abraça uma resposta pronta - no caso, deus - tende a deixar de lado a busca pela explicação verdadeira da coisa. Um belo exemplo disso são os criacionistas do design inteligente: os caras estão tão presos a resposta pronta deles que simplesmente não conseguem mais aceitar qualquer coisa que não esteja escrito no pedaço de papel escrito há 4 mil anos por seres humanos que achavam que a terra era plana e que eles tomaram por sagrado e escrito por alguma divindade.

    Como eu disse no primeiro parágrafo: são coisas distintas. A Ciência foi feita para lidar com o mundo material e o explicar - e ela não lida com deus, espiritualidade ou algo assim pois, existindo ou não, não podem ser levados ao laboratório e experimentados. E a religião, verdadeira ou não, lida com assuntos que, ultrapassando a esfera material, nada têm a ver com a matéria e as leias que a regem.


    []'s!
     
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  15. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Se eu vejo a minha gata fazendo isso eu não faço mais nada no resto do dia.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
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  16. Envy

    Envy Usuário

    Bacana, gosto do Hawking, tenho até um livro dele, e olhe que nem é minha área de maior interesse.

    Mas algo me deixou curioso. Então em sua opinião você acha a ciência auto-suficiente? Crescidinha pra andar com rodinhas? Então me diz, qual é a sua concepção de criação do universo? Big Bang? E como foi que a cadeia de acontecimentos que deram origem ao Big Bang se originaram? Mágica?

    Bem se a ciência é crescida pra sustentar e comprovar suas teses, me mostre uma 100% aceitável, do contrário, não vejo toda essa auto suficiência.
     
  17. Neithan

    Neithan Ele não sabe brincar. Ele é Mito

    Você sabe que TEORIA é diferente de LEI, né? O Big Bang não é uma lei, é uma teoria muito bem evidenciada. Ainda com mistérios a serem desvendados (e a ciência está buscando essas respostas, vide LHC).

    Agora, achar que o Big Bang não é 100% aceitável, ok. Mas daí achar que o Universo foi criado por um ser que existe antes da existência do Universo, faz algum sentido?

    Não misture Ciência e Religião. Não dá certo. Religião, seja ela verdadeira ou não, brinca com assuntos que fogem do campo da física.
     
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  18. Envy

    Envy Usuário

    Sim, claro que sei que o Big Bang é uma teoria, apenas queria que o rapaz provasse o que disse sobre a ciência ser auto-suficiente. Ora, não sou religioso,muito menos acredito em Deus em sua atual definição ou concepção, porém não vejo problema algum em ligar religião à ciência.

    Existem fortes evidências de que o Big Bang realmente foi a forma da qual o universo foi criado, e antes disso? O que tinha? Como surgiu o que já havia no Universo? Isso a ciência não consegue explicar, e me atrevo a dizer que nunca conseguirá.

    Existe algo que é muito comum na internet, e aliás vejo isso com frequência entre usuários de diversos fórum. A elevação dos conceitos científicos, em detrimento dos religiosos.

    Sinceramente, da mesma forma que não há comprovação de nada em relação à religiosidade, a ciência não está muito longe em vários aspectos.
     
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  19. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Vou começar refutando algumas besteiras que li nesse tópico.

    A religião NÃO É uma forma 'simples' nem inventada de se entender o mundo, não é uma fuga, é uma LINGUAGEM filosófica, uma forma de racionalidade simbólica, pré-filosófica até, um conjunto de símbolos, sistemas de ideias e conceitos, cuja complexidade e valor de verdade depende do quanto tal religião se aproxima de uma forma mais racional de pensar. Assim é que a filosofia grega se afastou do paganismo, por se elevar acima de suas superstições no que tange à busca metafísica do sentido da existência, como as Ideias platônicas ou o Pensamento aristotélico.

    O cristianismo, por sua vez, se encontrou, desde são Paulo (talvez antes) em terreno altamente filosófico muito cedo de modo que suas doutrinas, ainda que trabalhadas por séculos de 'teologia' hebraica pré-cristã, eram filosóficas apenas enquanto textos religiosos portadores de conceitos pré-filosóficos, mas racionais, metafísicos, como o postulado da criação por um Ser uno, imutável, necessário, eterno, infinito, transcendente. Conceitos filosóficos. Em textos religiosos. Por aí se vê que mesmo as religiões mais primitivas, menos teologizadas, andam de chamego e tapas com o raciocínio filosófico, de fato, são alimentadas, formadas por ele, talvez sejam uma de suas formas mais primitivas.

    Logo a tese da Bíblia como poço de irracionalidades chega a ser ridícula. Assim como é falsa a ideia dela como 'tapa-buraco', como hipótese pré-científica. Só é pré-científica em complexidade e métodos, mas sua inquirição do mundo não se baseia em histórias vazias, mas em mitos, que são uma linguagem também, uma apreensão racional do mundo apresentada de forma simbólica.


    Voltando à ciência. O Neithan postou que a religião não explica o físico. Sim e não. Sim, porque a ciência tem seus próprios métodos, e é a empiricidade que fornece sua base, a experimentação. A filosofia, por outro lado, pode falar sobre a empiricidade, delimitá-la, digredir sobre, mas não trabalha sob o jugo da empiricidade. Ainda que ela se refira ao real, a filosofia é o trabalho racional de delimitação de limites (epistemologia), de entendimento do entendimento (gnoseologia), o trabalho sob o jugo da lógica, sim, como a ciência, mas é também aquela que deve falar SOBRE a lógica, dissecar a lógica, reavaliá-la, inová-la, delimitá-la. É a filosofia também que deverá falar do ser enquanto ser (metafísica), em oposição à física, que vai tratar do movimento. Em outras palavras, o domínio das ciências é o mundo empírico, o da filosofia é o mundo total, o mundo geral, o Ser, os princípios do Ser, da existência, e suas relações com o mundo humano e o mundo empírico. O campo filosófico é muito mais geral e abrangente, é muito mais amplo em níveis discursivos, é um passeio pelo pensamento humano, e seu próprio fundamento.

    Mas a filosofia, mesmo a metafísica, não pode se ancorar apenas em construções lógicas elaboradas que não servem ao mundo real, que são apenas engenhosos edifícios retóricos, manuais de termos técnicos, ídolos que se opõem a uma apreensão racional do mundo, preferindo verdades absolutas a teorias e sistemas que se adaptam a novos modelos científicos, estes, adaptados às novas descobertas. Nesse sentido a filosofia é mutável. Logo, ela só tem valor enquanto representa, racionaliza sobre o mundo real, e não sobre um mundo ideal. Mas é ela que lança luzes sobre o mundo real, sobre a ciência. Ela não é uma escrava da ciência, nem possui um tipo de conhecimento inferior. A filosofia propõe modelos e sistemas, ou críticas desses modelos e sistemas, que falam do mundo real e o tornam INTELIGÍVEL. E o que seria a ciência apenas com a técnica, sem a filosofia para lhe fornecer o entendimento não apenas lógico, instrumental, do mundo empírico, mas também sua fundamentação metafísica, seu sentido interno, sua existência contingente, dependente do Ser. E que Ser seria este? Por que não pode ser Deus?

    Aí tocamos no Big Bang. Ele é de domínio empírico, ainda que seja só uma teoria e ainda que faça parte de várias cosmovisões, ele também precisa se perguntar, filosoficamente, se o Universo do qual ele é causa é uma sucessão de efeitos incausados e indeterminados, ou um Universo que possui alguma ordem, algum sentido, algum Ser. Nesse sentido, o Design Inteligente até que se encaixa, mesmo que não na forma como ele costuma ser defendido. Ou não, talvez não seja o caso de um design, mas de um mundo que se desenvolve e cresce sem finalidade aparente, sem um fim, ordem ou 'projeto arquitetônico' físico, empírico, mas com uma finalidade metafísica, uma existência atualizada pelo Ser perfeito e imutável. E que coisa não, o mesmo Ser que a Bíblia dos ignorantes, cheia de contradições, propõe como causa do Universo criado!

    Aí o cristianismo se torna filosofia e dialoga com a ciência sim, enquanto propõe um modelo válido de racionalidade, um sistema metafísico que vale digressão, questionamento, aprofundamento, análise. O mesmo ocorre com todas as religiões, dependendo de seu nível filosófico, da importância das questões filosóficas que ele acolhe e até revela, e de como essas crenças não são pseudo-ciência, mas alter-ciência, um outro tipo de conhecimento apenas. E mais: porque eu devo aceitar que minha fé, aquela que revelou gênios como são Justino, são Gregório Nazianzeno, santo Agostinho, são Tomás de Aquino, são Boaventura, Duns Scoto, Eriúgena, Suaréz, são Alberto Magno e outros doutores e todos os Pais da Igreja antiga e escolásticos medievais, porque aceitar que esses, que aliaram a tradição filosófica grega aos princípios filosóficos cristãos e criaram a milenar filosofia cristã, por que aceitar que fé tem ALGUMA COISA a ver com ignorância, obscurantismo, anticiência????

    Inquisição, Cruzadas, guerras religiosas? Pois é, a fé infelizmente deixa a racionalidade lado. Será? A fé ou os homens que traem séculos de diálogo filosófico para se matarem em nome de Deus?

    A outras coisas que discordo: Hawking acha que não há espaço para criação divina do Universo? Ora, CLARO que há espaço, sempre haverá espaço. Há espaço racional, filosófico, e até empírico. Outra coisinha: pelo que disse acima, vamos perder esse preconceito de dizer que a religião é apenas um amontoado de dogmas sem sentido, principalmente pelo valor filosófico intrínseco a esses dogmas, além da especulação teológica livre. E dizer que a ciência é 'rebelde' pra se unir à religião? Se isso quer dizer, é livre pra seguir seus próprio métodos, concordo. Colocá-la acima de outros tipos de discursos e conhecimentos? Ideologia, oi. E teorias de 'terra plana' defendidas pela igreja são o maior absurdo inventado pela humanidade. Sério mesmo que se acredita que os cientistas medievais acreditavam que a Terra era plana? Sério, gente? :roll:

    E não, Neithan, um Ser que antecede o Universo criado é perfeitamente plausível, racional e digno de ser discutido. Aceito pela fé E pela razão.
     
    Última edição: 18 Jan 2012
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  20. Reverendo

    Reverendo Usuário

    Um Ser que durante uma eternidade (ou um "não tempo") antes de criar o Universo, estava localizado em um "não lugar"?
    Pela fé eu aceito. Pela razão tenho dificuldades.
     
    Última edição: 18 Jan 2012

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