1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Estilo de escrita de Tolkien

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Mellime, 2 Mar 2018.

  1. Mellime

    Mellime Branco is the new cinza

    Saudações forum Tolkien,

    Costumo ficar mais pelo comunidade. Procurei um tópico com este tema e não achei.

    Estou relendo o senhor dos anéis depois de quase 17 anos... Desta vez no original.

    Nesta releitura percebi que o estilo de escrita dele é, pra dizer o mínimo, peculiar.

    Não tenho formação na área - Oi @Bruce Torres - mas a impressão que tenho é que ele não escreve parágrafos, nem falas, nem basicamente nada de uma forma usual. Ele mistura informalidade com formalidade, realista com nonsense, essas coisas.

    Exemplo:


    E então, alguém sabe dizer se há algum debate em torno do estilo de escrita do Professor, quais são as impressões de vocês?
     
  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    No geral noto que é uma questão que costuma aparecer sob a forma de como ele vem a ser tratado como elemento redefinidor do gênero de fantasia no mundo contemporâneo (1). Antes de tudo Tolkien resgata textos do passado fazendo uma seleção e ponderação para só depois atualizar o gênero com a sua proposta escrevendo contos em que a visão de fantasia está embasada dentro do que ele apóia como sendo os pontos "fortes" das histórias de fadas. Os trabalhos escritos por ele dão conta da abordagem do gênero comparando acertos e erros de autores de fantasia mais antigos, dos contos e versões deles entre vários países, bem como da explicação do que separa a lenda, o mito e o conto popular desde os tempos da antigüidade incluindo nas citações épicas greco-romanas.

    Antes dele, o mais comum é que os novos aspirantes da escrita da fantasia, normalmente, apenas replicariam as tendências de nomes já consagrados, Grimm, Andersen, McDonald, etc... Mas Tolkien buscou entender as tendências antes de escolher o que ele considerava "joio" e o que ele considerava "trigo". A seguir ele começava os próprios contos seguindo exatamente aquilo que ele concordava dentro do gênero. Havia um risco calculado para não perturbar o leitor, mas para encantá-lo.

    Em seus preparativos para o trabalho ele se concentra na experiência com a crítica por meio de embates acadêmicos para atender (apascentar seria uma forma de definir) o lado historiador e lingüista e o fazem aproximar-se do gosto por reformar em alguns pontos (restaurando fundamentos e trazendo o interesse por contos de volta para as pessoas) ou romper com outros pontos de vistas de autores consagrados de histórias de fantasia do passado ou de suposições arraigadas e inúteis.

    É também interessado pof trazer um mínimo de realismo que ajuda na identificação com o público, pelo contato da vida pessoal na Igreja que filtrava os desejos dele que poderiam produzir erros de excesso. Por exemplo, havia santos na Igreja que enxergavam que simplicidade era algo bom, abnegação era muito bom (negação de si mesmo) e a tortura de si mesmo era o melhor de todos desde que se preservasse a mensagem mais importante. No que trechos do trabalho transmitem e remetem a simplicidade ainda que a forma se sofistique entremeando recursos como prosa e verso, fáceis na aparência mas cuidadosos na escolha. A vida do soldado, a vida do fazendeiro, as feras do campo. Bem direto ao ponto, sem sufocar demais quando não fosse esse o tom da cena. Um trabalho longo de burilamento que não chegou a ser terminado.

    (1)
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  3. Slicer

    Slicer Não estava vivo no Dilúvio, mas pisei na lama.

    Então, o nonsense vai desaparecendo ao longo do livro, já que ele escreveu o início de uma forma bem diferente do final.

    Acho que a principal característica dele é ser um master wordsmith. Ele consegue diferenciar personagens apenas pelo seu dialeto, mas sem caricaturá-los. Isso foi possível porque ele esteve em todos os lados da vida inglesa antes da Primeira Guerra Mundial, lidando com a vida rural de Sarehole, o cenário urbano de Birmingham e o mundo erudito de Oxford.

    O estudo de línguas estrangeiras e viagens para outros países (França, Suíça, Itália etc.) também expandiu os horizontes além do que muitos escritores conseguiram. E muita leitura, como o Neoghoster Akira mencionou. Tolkien leu muita mitologia estrangeira, alguma direto do original.
     
    • Ótimo Ótimo x 3
  4. Tilion

    Tilion Administrador

    Sugiro a leitura do artigo "Tolkien’s Prose Style and its Literary and Rhetorical Effects", de Michael Drout, presente no Tolkien Studies vol. 1.

    Segue em anexo.
     

    Arquivos Anexados:

    • Ótimo Ótimo x 2
  5. Eriadan

    Eriadan Usuário Usuário Premium

    Um detalhe é que isso não foi intencional. Tolkien comenta em uma carta que se espantou ao perceber como o estilo narrativo dos últimos dois ficou diferente do primeiro.
     
  6. G. Asaph

    G. Asaph O Fenrir

    A diferença de Tom do primeiro para o segundo é o último para mim e a melhor coisa do sda...e ótimo vendo a grande aventura deles sendo atravessar uma floresta para depois atravessar mordor
     

Compartilhar