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El-rei e o artista plástico na oficina

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Calib, 24 Abr 2012.

  1. Calib

    Calib Visitante

    El-rei e o artista plástico na oficina. Fala el-rei primeiro, Ora, aí estás, artista, esperamos que já tenhas completado aquela tarefa antiga que te passamos, Pois sim, majestade, por certo que já concluí vosso pedido, deixai-me que vos mostre o resultado, e o artista plástico descobriu uma grande peça de marfim, Pois vede com os vossos próprios olhos, Sim, estamos a vê-lo, e acaso será esta a nossa estátua, seremos nós este aí representado no marfim, para toda a gente contemplar pelos séculos dos séculos, De quem mais houvera de ser, senão de vós, meu rei, que me pagastes tanto pela obra, Ora, e se o soubéssemos nós não to perguntaríamos, não é verdade, mas é que nos parece um tanto cómica essa representação, que faz aí de cócoras esse homem, Medita como os antigos sábios gregos, meu rei, cousa que já poucos fazem hoje, E porque está a sentar-se ele sobre uma c'roa, se com as pontas há-de lhe magoar as nádegas, É para demonstrar que a realeza não está no objeto, senão na pessoa del-rei nosso senhor, que acima dela está de qualquer modo, Bem o vemos, sim, e porque tem ele tão má expressão no rosto, está com dor, A dor do mundo, meu rei, é o lhe pesa, porque, sendo ele o pai da pátria, dói-lhe o não poder cuidar de sua gente como deveria, Estranho, pois por um segundo pareceu-nos que tu estavas a nos fazer passar ridículo, e que esse sujeito aí éramos nós a cagar sobre o sagrado símbolo da realeza portuguesa, com prisão de ventre, estás a debochar-nos, artista, e fala a verdade, que disso depende tua vida, e o artista plástico, que nunca mentia por princípio e era notório por isso, respondeu-lhe, Não não estou a debuxar-vos, meu rei, e tudo é como foi dito. E salvou-se da ira real pela mania lusitana de comer as vogais átonas, a prosódia deturpada pela pontuação precária e a imprecisão de uma voz passiva sem agente.



    (28 NOV 2006) :timido:
     

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