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El Material Humano (Rodrigo Rey Rosa)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Meia Palavra, 9 Jul 2011.

  1. Meia Palavra

    Meia Palavra Usuário

    Abrir arquivos é sempre uma operação difícil. Sua função parece ser a de guardar algo de um modo tamanhamente exaustivo e organizado que iniba toda a tentativa de sua recuperação. Arquivar é, na maioria das vezes, a própria esperança da perda, sem que ninguém possa reclamar qualquer tipo de imprudência documental. E quando finalmente são abertos, o processo de catalogação volta, num processo continuo de arquivar arquivos (vide o que está acontecendo com a chamada Comissão para Justiça aqui no Brasil). É esse o problema que o escritor guatemalteco Rodrigo Rey Rosa (1958-) descreve em El Material Humano, livro de 2009.

    Escrito na forma de diário, este livro descreve as visitas de Rosa aos arquivos recém descobertos de uma sede de polícia, boa parte dos quais estava literalmente enterrada (e depois todo o complexo corre o perigo de ser engolida pela terra devido a uma série de terremotos – a natureza também faz sua parte no processo de destruição e esquecimento!). Não demora muito, suas visitas são barradas, mas Rosas continua perseguindo o personagem que funda os arquivos e os dirige praticamente durante todo o seu tempo de funcionamento: Benedicto Tun. Encontra o filho dele, que começa a contar-lhe as histórias de Benedicto, um criminalista que teve seu pedido de aposentadoria negado, após ser obrigado a fazer um necrológio de um homem que ainda não estava morto. Enquanto isso, Rosa vai sofrendo ameaças sutis (telefonemas de funerárias oferecendo serviço, por exemplo), que o colocam num sistema de paranóia, que perpassam inclusive os sonhos que tem com sua filha, Pia. Também lembra o seqüestro da mãe, o qual, para seu próprio desgosto, descobre ter sido arquitetado por um grupo de esquerda menor.

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  2. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Muito boa sua resenha Tiago. Essa questão da memória latino-americana é um tema muito interessante mesmo, e como é possível perceber processos tão heterogêneos nesse sentido, enquanto o Brasil lida com ela de um jeito, a Argentina vivencia um outro contexto, com outras questões, com novos questionamentos que lastreiam outras formas de fazer política e assim por diante.

    O debate que tem sido feito no Brasil a esse respeito só mostra o quanto ainda é preciso avançar. Parece guardar uma similaridade com o contexto guatemalteco.[/align]
     
  3. É, Lucas, aqui as coisas têm muito ainda que caminhar...
    não se trata de apenas abrir os arquivos e os julgamentos, mas de discuti-los, discutir o que aconteceu...

    na Argentina, já estão sendo julgados os juízes que absolveram os militares durante os primeiros julgamentos....

    é uma locura, não?

    na Guatemala a situação é parecida com o Brasil por causa da corrupção generalizada do governos... a grande diferença é que lá há uma série de grupos armados e situação é mais tensa...

    mas é um grande livro, o do Rey Rosa...
     
  4. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Sim, discutir abertamente, dar condições para um debate amplo, que conte com a participação geral, algo às claras e não acordos de gabinete e coisas do tipo.

    Na Argentina, se não me engano, até ruas e lugares públicos não podem mais ter nomes de militares e datas cristalizadas do período ditatorial. Fiquei bem afim de ler esse livro.

    Aliás, falando nisso, quais livros temos aqui no Brasil acerca dessa temática?[/align]
     
  5. temos a novela da SBT!

    (aliás: uma pesquisa de opinião feita pela SBT sobre o porquê da novela não estar dando certo mostrou que as pessoas até gostavam dela, só não entendia porque os "caras maus" estavam usando uniforme militar... essa é a visão que temos da ditadura...)

    mas há livros que deveriam ser explorados nessa chave, gente que escreveu na época e depois, gente como Ana Cristina César, Waly Salamão, Torquato Neto, etc...

    temos que ler com mais cuidado esses autores...
     
  6. sobre os monumentos e nomes de rua: agora isso tem até sido discutido de leves no Brasil... ainda que os milicos estejam lá para fazer seu papel (o Costa e Silva ainda está lá...)

    em Santiago, uma das principais ruas da cidade chama-se 11 de setembro... é de amargar...
     
  7. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Não sabia dessa não Tiago, pakabá mesmo.

    Falando nessa parada de ruas e monumentos, me lembrei de um documentário que explora um pouco como essa questão da memória da ditadura e monumentos e como estão silenciados esses assuntos, é o
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    , muito bom mesmo, vale a pena conferir.[/align]
     
  8. Cê já viu aquele em três partes sobre o Chile... não me lembro o nome do diretor...
     
  9. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]
    Não vi não, lembra aí que fiquei afim de ver agora. Não muito nesse sentido, mas também falando de ditaduras na América Latina e "coisas adjacentes", tem aquele
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    , do John Pilger; que não me lembro do título em português.[/align]
     

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