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E se houvesse miscigenação intencional para tornar a todos meio-elfos, dando-os a escolha da mortalidade? (Um debate sobre o Athrabeth)

Mellime

Dinda da Valentesma
Usuário Premium
Eu li recentemente o Athrabeth (e chorei horrores), texto que já me fascinava há anos mas que eu ainda não havia parado para ler.


Inclusive até já tinha feito fanart da Andreth com Aegnor lááá nos idos de 2011: https://www.deviantart.com/mellime/art/Andreth-and-Aegnor-213918407



Aliás para quem não leu o texto, este vídeo explica alguns pontos bem legais:


Não tenho agora como fazer um textão em estilo acadêmico aqui sobre algumas ideias que esse texto fez brotarem à minha mente, mas aí vão algumas impressões sobre miscigenação em Tolkien / a ideia de que tudo piora com o tempo (a decadência) e como Tolkien era um criacionista que rejeita - nas suas obras, ao menos - a ideia de que as coisas estão sempre melhorando, aos trancos e barrancos, mas melhorando.

Ah, e sobre como Aegnor fez a escolha errada (tem algum tópico sobre isso?)

Algumas premissas...

  • Arwen não optou pela sua mortalidade enquanto 100% elfa, mas enquanto meio elfa. Isto é, ela, como toda a linhagem de Elrond, teria que escolher pelo destino dos elfos ou dos homens em algum ponto.
Enquanto não escolhesse, viveria como elfa. Por isso que para ela foi tão fácil comparado a Luthien.

  • O 'anel de Morgoth' e a diminuição da 'grandeza' dos herois com o tempo (p.ex. Aragorn não era nada comparado aos herois entre os homens da primeira era, os elfos da primeira era matavam balrog a rodo, e os da terceira não, etc) mostram que Tolkien acredita em um passado idealizado, e que tudo vai minguando.
O que - aliás - na nossa realidade a gente sabe objetivamente que é mentira: https://www.forbes.com/sites/robasg...s-why-your-brain-thinks-theyre-getting-worse/

O mundo está melhorando, mas a nossa impressão segue sendo que ele só piora e piora. Isso tem a ver com a psicologia humana e é assim que é. Me parece que Tolkien tinha essa impressão sobre o nosso mundo, e passou isso para a obra. E, claro, a maldição de Morgoth sobre o mundo lembra muito o pecado original da tradição católica.

  • Casais com um/a elfo/a e um/a humano/a - em princípio - estariam fadados a sofrer demais e seria preferível nem tentar. Isso é o que Finrod diz. E ele diz que caso viesse a acontecer um dia, seria por um desígnio maior. E depois vemos uniões felizes entre um homem e uma elfa (uma elfa 100%): Luthien e Beren, Tuor e Idril. A história de Luthien e como ela acabou conseguindo de forma excepcionalíssima a mortalidade todo mundo já sabe.
Já Tuor pelo visto foi para Valinor e foi agraciado com imortalidade - o único homem a conseguir isso, creio, e não é um tema muito discutido (acho… corrijam-me).
Aragorn e Arwen não entra nessa lista porque como dito anteriormente ela era meio elfa e podia escolher, então sem problemas.

  • LOGO o Aegnor foi é trouxa, porque se ele tivesse tentado, provavelmente a história dele com a Andreth teria acabado bem.

  • MAS

Tem um trecho do Athrabeth que me deixou putaça me desagradou que foi quando Finrod fala sobre a velhice de Andreth enquanto algo vergonhoso:

'But the end is always cruel—for Men,' said Andreth. 'I would not have troubled him, when my short youth was spent. I would not have hobbled as a hag after his bright feet, when I could no longer run beside him!'
'Maybe not,' said Finrod. 'So you feel now. But do you think of him? He would not have run before thee. He would have stayed at thy side to uphold thee. Then pity thou wouldst have had in every hour, pity inescapable. He would not have thee so shamed.’

Ao que eu só posso responder:

amada-cke.jpg

Eu tendo a ver como lindo para um casal de elfo e humana que ele cuide dela na velhice, e aprenda com isso, e continue se lembrando de como ela era quando era jovem.

Finrod traz como uma grande dádiva o fato de que a última imagem que Aegnor teve de Andreth foi quando ela era jovem e bonita.

(reitero o meme acima: amado????)

  • MAS CHEGAMOS ao ponto que eu queria tratar (além de todos os pontos acima: por favor, discutam.)

E se geral em Arda "tomassem o problema para as próprias mãos" e resolvessem essa lenga lenga interracial virtualmente acabando com essa diferença? Bastaria algumas gerações de elfos casando com humanas e humanas com elfos para que todo mundo pudesse escolher o destino que bem quisesse, e todo mundo ficaria feliz. Claro que essas primeiras gerações sofreriam - mas quando o casal é virtuoso, Eru e Mandos etc acabam concedendo algum tipo de dádiva para que possam ficar juntos.

Claro que aí tem toda a história de como elfos só casam com quem realmente amam de verdade, com a união dos espíritos, etc... e que talvez eles simplesmente não se apaixonassem por humanos e humanas com frequência.

Mas, e se?

Será que a ''''''pureza das raças'''''''' não seria um obstáculo, algo que seria melhor não ter?

Isso, claro, leva à discussão de racismo em Tolkien - e eu não vou entrar nessa, porque todo mundo já debateu isso.

Lembrando também que essa história de ser contra a miscigenação tem um quê de 'passado nostálgico' que vem junto com o pensamento de quem acha que tudo só piora, como o Tolkien (ao menos na obra de Tolkien).

Discorram
 
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Neoghoster Akira

Brandebuque
A respeito de liberdade de escolha dos filhos é sobre liberdade e o dom da existência. No geral, para terem uma nova liberdade os personagens precisam lutar para conquistá-la (e mantê-la). Para lutar é preciso haver um mínimo de energia, especificamente na direção desejada. Essa energia pode vir ou das pessoas ou do ambiente ou dos dois lugares.

Se não me engano Tolkien esboça um pouco a quantidade e qualidade (não no sentido de melhor ou pior mas no sentido de direção) de energia nos filhos quando fala do maior dom concedido a Feanor ou das tendências daqueles que vieram a se misturar (no coração de Beren estava plantado por Eru a oportunidade de se apaixonar por Lúthien pois Eru não planta sem propósito).
 

Mellime

Dinda da Valentesma
Usuário Premium
A respeito de liberdade de escolha dos filhos é sobre liberdade e o dom da existência. No geral, para terem uma nova liberdade os personagens precisam lutar para conquistá-la (e mantê-la). Para lutar é preciso haver um mínimo de energia, especificamente na direção desejada. Essa energia pode vir ou das pessoas ou do ambiente ou dos dois lugares.

Se não me engano Tolkien esboça um pouco a quantidade e qualidade (não no sentido de melhor ou pior mas no sentido de direção) de energia nos filhos quando fala do maior dom concedido a Feanor ou das tendências daqueles que vieram a se misturar (no coração de Beren estava plantado por Eru a oportunidade de se apaixonar por Lúthien pois Eru não planta sem propósito).


Mas isso não responde aos questionamentos acima, a não ser que tu esteja falando que não há livre arbítrio em Tolkien (ou muito pouco, com uma forte predeterminação)
 

Ilmarinen

Usuário
Tolkien disse, sim, que as 3 alianças matrimoniais de homem com elda visavam "the ennoblement of human race"* e a parcial e progressiva restauração da condição pré Queda, mas ensejando não imortalidade na carne mas, ultimately, a transfiguração da mesma, como a Assunção da Virgem Maria.

* carta 194.

A" escolha" parece só seria possível para algumas gerações pq a diferença não era tanta de genetic strain mas sim de conexão de hröa com fëa. Vide nota do Unfinished Tales e o Mitos Transformados.

Não deixe de ler o notas do Athrabêth.

Acho tb que vc entendeu a passagem do " shamed " de maneira equivocada. Era ela, Andreth, que tinha vergonha de envelhecer atrás dos "pés brilhantes" de Aegnor. Finrod replica que Aegnor prefere não desposá-la pq " ele ficaria para ampara-la" ao invés de deixá-la e que, assim fazendo, iria tornar a vergonha dela ainda maior pq ela só veria pena no gesto dele, por ser orgulhosa.

Cf: todo mundo que curte fantasia Eighties imediatamente traça paralelo.


Ao que tudo indica tb Tolkien não ia manter a destrutibilidade dos Balrogs no nível Lost Tales. A intenção era diminuir drasticamente o número e aumentar exponencialmente o nível de poder. Situação explicada aí:


Nota: qdo li o texto há quase 21 anos atrás tb chorei....
Tive meu último grande calafrio de adrenalina lendo texto tolkieniano sozinho :dente::pray::abraco: Domingão de manhã e em castelhano. Anales de Arda. Site.

 
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